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Monstros reais, monstros insólitos: aspectos da Literatura do Medo no Brasil

I Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional
by

Júlio França

on 28 November 2013

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Transcript of Monstros reais, monstros insólitos: aspectos da Literatura do Medo no Brasil

Julio França (UERJ)
Monstros reais, monstros insólitos:
aspectos da Literatura do Medo
no Brasil

(1) Medo e Literatura

(2) Aspectos da Estética do Medo
na narrativa ficcional brasileira.

(3) o Monstro: personagem arquetípica
da Literatura do Medo

(4) Monstros Naturais, Monstros Sobrenaturais
em "A dança dos ossos" e "A Ilha Maldita"
(Bernardo Guimarães)
Dos mitos à literatura gótica, dos contos populares ao cinema de suspense / horror.
As narrativas e o medo
O medo real
*Mecanismo do instinto de sobrevivência;
*Doloroso (a consciência de nossa finitude);
*Constante no homem contemporâneo
(Delumeau, Bauman)
– O medo, experimentado sem pôr em risco nossa integridade física, pode produzir prazer.
– Efeitos de recepção relacionados ao medo estético: Catarse, Sublime, Grotesco, Art-horror etc.
O Medo como Prazer Estético
Medo e Literatura
A Literatura do Medo
Refere-se às amplas e diversas relações entre medo e ficção literária, abarcando narrativas:
a) em que o medo é elemento constitutivo da estrutura narrativa;
b) que representam os medos de determinada época e/ou local.
Ensaios sobre Literatura do Medo
sobreomedo.wordpress.com
julfranca@gmail.com
Aspectos da Literatura do Medo
Fontes do Medo
O Medo de Causas Naturais
A partir das três possíveis fontes do sofrimento no ser humano (Freud, “O mal-estar na civilização”
NATURAIS
SOBRENATURAIS
A fonte mais recorrente na literatura gótica tradicional (o Gótico é um contraponto ao Iluminismo)

O medo do sobrenatural é uma variação do medo do desconhecido, uma das manifestações mais poderosas dessa emoção no ser humano.

Na literatura brasileira: lendas, folclore, mitos, etc. sempre forneceram material para a literatura do medo sobrenatural. (sobretudo espaços rurais)
O Medo de Causas Sobrenaturais
(i) as ameaças vindas da própria natureza (cataclismos, animais ferozes, doenças, ambientes inóspitos etc.)

(ii) as emoções advindas de nossa angústia existencial (a consciência de nossa finitude, da decadência de nosso corpo etc.)

(iii) os temores relacionados à imprevisibilidade das ações do “outro” (a violência e a crueldade do ser humano.)
1/2
Aspectos da Estética do Medo
2/2
na Literatura Brasileira
Objetivo da pesquisa
: demonstrar que escritores brasileiros escreveram narrativas em que o medo exerce um papel fundamental.
O corpus
: tanto narrativas e escritores esquecidos pela crítica literária canônica, quanto autores e obras já consagrados pela tradição.
Uma observação convertida em hipótese
: o medo gerado por causas naturais é mais recorrente em nossa literatura (sobretudo o medo do outro).
Como estudar o medo ficcional?
A Arquitetura do medo na ficção pode envolver diversos elementos constitutivos da narrativa – o narrador, o tempo, o espaço, o enredo, as personagens.

No momento, trabalhamos com a categoria “personagem”, analisando um arquétipo da literatura do medo: o monstro.
Um método para estudar o medo ficcional
Descrevendo Monstros
Jeffrey Cohen
É possível ler culturas a partir dos monstros que elas engendram.
Todo monstro é um constructo em que se corporificam, metaforicamente, medos, desejos, ansiedades e fantasias.
Ao corporificar diferenças culturais, políticas, raciais, econômicas, sexuais, religiosas, o monstro funciona como um “outro” dialético.
Atração e repulsa: por sua íntima ligação com práticas interditas, o monstro também é capaz de seduzir.
Um conceito de monstro
Criatura cuja existência não é sustentada pela conhecimento científico da época. (Noël Carroll)

Na ficção de horror, além de letal, o monstro é repulsivo.

A impureza do monstro está relacionada à percepção de que transgride ou viola esquemas de categorização cultural. (Mary Douglas)

Não por acaso, a combinação de categorias (vivo/morto, animal/humano, corpo/máquina etc.) é um modo recorrente de construir personagens monstruosos.

A verdadeira ameaça do monstro não é física, mas cognitiva. O monstro coloca em xeque a organização tradicional do conhecimento e da experiência humana.


BAUMAN, Zygmunt.
Liquid fear
. Cambridge, UK: Polity Press, 2006.

CARROLL, Noël.
The philosophy of horror or the paradoxes of heart
. Nova York, NY: Routledge, 1990.

COHEN, Jeffrey Jerome, ed.
Monster theory. Reading culture
. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1996.

DELUMEAU, Jean.
La Peur en Occident; XIVe-XVIIIe siècles
. Paris: Fayard, 1978.

DOUGLAS, Mary.
Purity and danger: an analysis of the concepts of pollution and taboo
. Nova York: Routledge & Kegan Paul, 1966.

FRANÇA, Júlio.
Prefácio a uma teoria do “medo artístico” na literatura brasileira
. In:___. Ensaios sobre literatura do medo. Disponível em: < http://sobreomedo.wordpress.com/>. Acesso em: 24 maio 2012.

FREUD, Sigmund.
O mal-estar na civilização
. In:_____. Obras psicológicas completas. V. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996. pp. 73-148.

GUIMARÃES, Bernardo.
A Ilha Maldita
. Rio de Janeiro: Oficinas Gráficas do Jornal do Brasil, 1930.

_____.
A dança dos ossos
. In:___. Lendas e romances. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2006. (pp. 199-236)

MENON, Mauricio Cesar.
O canto da sereia em terra brasileira: o caso de “A Ilha Maldita” de Bernardo Guimarães
. In: Anais do XII Congresso Internacional da ABRALIC. Disp. em: http://www.abralic.org.br. Acesso em: 25/05/ 2012.

Referências Bibliográficas
– A análise da personagem monstruosa visa estabelecer correlações entre seu ser intersticial e os conflitos temáticos representados na obra.

– Na literatura brasileira são frequentes os “monstros morais”: seres que não são efetivamente sobrenaturais, mas que, por transgredirem limites culturais, são descritos como monstruosos na narrativa.

– O monstro sobrenatural é ofuscado pelas monstruosidades humanas: “A dança dos ossos” (1871) e "A Ilha maldita" (1879), de Bernardo Guimarães.
Monstros Reais, Monstros Insólitos
"A Ilha Maldita" (1879), Bernardo Guimarães
A CONSTRUÇÃO DO MONSTRO
A monstruosidade de Regina é construída pela atribuição de qualidades antitéticas:
(...) essa mulher inconcebível tinha uma dupla natureza, e parecia reunir em si tudo quanto há de belo, puro e adorável nos seres angélicos, e o que há de mais monstruoso e execrando nos espíritos infernais, sem estar sujeita a nenhuma das fraquezas da humanidade. (GUIMARÃES, 1930, p. 44)
Como "femme fatale", Regina possui uma característica típica das monstruosidades: ser, simultaneamente, atrativa e repulsiva.
O MONSTRO É O OUTRO
Quais são as características monstruosas de Regina?
(...) a origem de Regina andou sempre envolvida em dúvidas e mistérios. A extraordinária formosura da menina, a pasmosa vivacidade de espírito de que desde criança dava mostras, a voz encantadora com que sabia entoar as mais bonitas cantigas, enfim seu gênio trêfego, audaz e ardiloso como nunca se viu, a fizeram passar entre o povo como filha de uma fada do mar ou de uma sereia. (GUIMARÃES, 1930, p. 8)
Ao rejeitar os valores sociais vigentes na sociedade patriarcal do século XIX, Regina torna-se uma estranha e uma ameaça naquele espaço social.
Depois da boa mulher que a morte me roubou (...), não devo, nem quero prestar obediência a mais ninguém. (IBID., p. 21)
A VIOLAÇÃO DE CATEGORIAS
OS MONSTROS HUMANOS
Na conservadora e xenófoba sociedade do XIX, Regina é uma estrangeira não adaptada aos costumes locais.

Regina não consegue se adequar à categoria “mulher” disponível naquela cultura.

O sentimento de não pertencimento àquela comunidade transparece em uma das canções que canta à beira-mar: “Viver aqui não desejo/(...)/ Eu não sou filha da terra” (IBID., p. 16).

Regina e a ilha de difícil acesso e de má fama que dá nome à novela fundem-se: o monstro e seu covil.

A ilha e o mar funcionam, metonimicamente, como os lugares de onde provém o mal que Regina encarna: o que vem de fora, o que é diferente.
Há, na novela, atos monstruosos que não estão associados a Regina: os três irmãos que matam seu marido e desencadeiam a sucessão de eventos que redundarão no trágico final, nada têm de sobrenatural.
(...) desde o momento fatal em que, impelidos pelo mais feroz e monstruoso ciúme, combinaram-se em tenebrosa união para verterem o sangue inocente de um rival feliz, a mão invisível da justiça divina gravou-lhes para sempre na fronte o selo dos réprobos, e seus nomes foram inscritos no livro da maldição eterna. (IBID., p. 64)
Qual ameaça é mais temível? A da paradoxalmente divina e diabólica filha das ondas, ou a do imprevisível comportamento humano? A resposta talvez tenha sido dada pela própria Regina, quando a madrinha sugere que deveria pedir que Nossa Senhora do Amparo a livrasse dos perigos do mar: “E dos perigos da terra, mamãe, que ainda são piores.” (IBID.; p. 17)
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