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Comunicação UFES 2013

UFES 2013
by

Charlene Miotti

on 5 November 2013

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Transcript of Comunicação UFES 2013

Profa. Dra. Charlene Miotti (UFJF)
Quem ri por último, ri melhor:
dez piadas que o orador romano deveria evitar

Cícero adverte, no De oratore (II, 251), que “nem todas as coisas que fazem rir são facetas” (non esse omnia ridicula faceta, carregando neste último termo as noções de graça e elegância). Com tal aviso, Cícero pretende limitar o tipo de humor usado em contexto forense: ora, nem tudo o que provoca o riso vale a pena para o orador.
Em De oratore II, 252, Cícero indica precisamente os quatro modos do risível que ultrapassam o domínio adequado ao orador (antes sacrificar uma anedota que sacrificar a dignidade, recomenda Quintiliano, Inst. or. VI, III, 30):
gestos afetados (mimica actio)
imitação cômica

(illiberalis imitatio, de que eventualmente o orador até pode fazer uso, mas rapidamente e com moderação)
careta
(oris deprauatio)
obscenidade (obscenitas)
Sem demora,
vamos a Quintiliano!
[28] (...) Na verdade, em se tratando de uma disputa forense, eu preferiria ter o direito de servir-me de palavras brandas. Algumas vezes será permitido discursar de modo afrontoso e áspero contra um adversário, contanto que seja legítimo acusá-lo diretamente e pedir sua cabeça por motivos justos. Mas, ainda assim, nessa ocasião, costuma parecer desumano escarnecer da sorte alheia, ou porque esse alguém está livre de culpa ou, ainda, porque a ofensa pode recair sobre os mesmos que a lançaram. Portanto, deve-se considerar antes de tudo: quem faz o discurso, a favor de que causa, na presença de quem, contra quem e o que se diz.

(...) In hac quidem pugna forensi malim mihi lenibus uti licere. Nonnumquam et contumeliose et aspere dicere in aduersarios permissum est, cum accusare etiam palam et caput alterius iuste petere concessum sit. Sed hic quoque tamen inhumana uideri solet fortunae insectatio, uel quod culpa caret uel quod redire etiam in ipsos qui obiecerunt potest. Primum itaque considerandum est et quis {et} in qua causa et apud quem et in quem et quid dicat.
[29] Ao orador não convêm em hipótese alguma caretas e gestos afetados, os quais nos mímicos costumam fazer rir. Assim, a dicacidade boba e cênica é completamente estranha à figura do orador. (...)

Oratori minime conuenit distortus uultus gestusque, quae in mimis rideri solent. Dicacitas etiam scurrilis et scaenica huic personae alienissima est. (...)
[29] (...) A obscenidade deve estar longe, de fato, não somente das palavras, mas principalmente de seu significado. Mesmo se surgir a chance de replicá-la ao adversário, este não deve ser criticado de modo jocoso.

(...) obscenitas uero non a uerbis tantum abesse debet, sed etiam a significatione. Nam si quando obici potest, non in ioco exprobranda est.
[
30] Além disso, como quero que o orador fale de modo urbano, não quero, portanto, que ele pareça nitidamente forjar esse refinamento. Por essa razão ele seguramente não dirá frases engraçadas todas as vezes que puder. Algumas vezes, preferirá desperdiçar uma piada a ver sua autoridade diminuída.

Oratorem praeterea ut dicere urbane uolo, ita uideri adfectare id plane nolo. Quapropter ne dicet quidem salse quotiens poterit, et dictum potius aliquando perdet quam minuet auctoritatem.
1) [28] (...) Nunca desejaríamos gerar ofensa e longe de nós esteja a intenção de antes perder o amigo do que a piada. (...)

(...) Laedere numquam uelimus, longeque absit illud propositum, potius amicum quam dictum perdendi. (...)
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[31] Ninguém há de suportar um promotor divertido em uma causa hedionda, nem tampouco um defensor engraçado em uma causa que desperte misericórdia. Há ainda certos juízes demasiadamente austeros para tolerarem o riso de bom grado.

Nec accusatorem autem atroci in causa nec patronum in miserabili iocantem feret quisquam. Sunt etiam iudices quidam tristiores quam ut risum libenter patiantur.
[32] Por vezes, costuma acontecer que aquilo que dizemos contra o adversário pode se aplicar ao juiz ou ainda ao nosso cliente, embora encontremos alguns oradores que não evitam sequer aquilo que pode voltar-se contra eles. Assim fez Longo Sulpício, que, sendo ele mesmo feiíssimo, disse para um homem (contra quem representava em julgamento) que ele sequer tinha a aparência de um homem livre; ao que respondeu Domício Afro: “Você tem certeza absoluta, Longo, de que um homem mal-encarado não pode ser um cidadão livre?”

Solet interim accidere ut id quod in aduersarium dicimus aut in iudicem conueniat aut in nostrum quoque litigatorem, quamquam aliqui reperiuntur qui ne id quidem quod in ipsos reccidere possit euitent. Quod fecit Longus Sulpicius, qui, cum ipse foedissimus esset, ait eum contra quem iudicio liberali aderat ne faciem quidem habere liberi hominis: cui respondens Domitius Afer ‘ex tui’ inquit ‘animi sententia, Longe, qui malam faciem habet liber non est?’
[33] Convém evitar também que o que dizemos pareça petulante, insolente, deslocado no tempo e no espaço, premeditado ou, ainda, trazido pronto de casa (...). Há certas pessoas de tão reconhecida autoridade e notória decência, que a petulância prejudicaria apenas aquele que a proferisse (...).

Vitandum etiam ne petulans, ne superbum, ne loco, ne tempore alienum, ne praeparatum et domo allatum uideatur quod dicimus (...). Sed quidam ita sunt receptae auctoritatis ac notae uerecundiae ut nocitura sit in eos dicendi petulantia (...).
[34] Este é um conselho que serve não só para o orador, mas para o homem: ao atacar alguém a quem seja perigoso ofender, faça-o de modo que não resulte em grandes inimizades ou reparações humilhantes. (...)

Illud non ad oratoris consilium, sed ad hominis pertinet: lacessat hoc modo quem laedere sit periculosum, ne aut inimicitiae graues insequantur aut turpis satisfactio. (...)
[34] (...) Diz-se desastrosa também a carapuça que pode servir a um grande número de pessoas, ou seja, atacar nações inteiras, classes sociais, as condições ou as crenças de muitos.

Male etiam dicitur quod in pluris conuenit, si aut nationes totae incessantur aut ordines aut condicio aut studia multorum.
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[Inst. or. VI, III, 39-40; Pro Cluentio, 21, 58] Tal é a fuga de Fabrício, realçada pela narração de Cícero: “E assim, julgando [Cepásio] discursar muito habilmente e extrair a gravidade das suas palavras da mais exclusiva arte, disse: ‘vejam, juízes, a condição humana, vejam a velhice de Gaio Fabrício!’ Tendo repetido muitas vezes o imperativo ‘vejam!’ na tentativa de abrilhantar o discurso, ele mesmo voltou-se para olhar... mas Fabrício, cabisbaixo, havia se retirado do tribunal. (...)
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No dia 5 de fevereiro deste ano (2013), um incêndio destruiu cinco lojas da região central de Pouso Alegre (MG). Pelo Facebook, o vereador Hélio da Van (PT), postou uma foto do acidente com legenda que dizia “Começou o Liquida P.A. Com total queima de estoque!”.
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