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PSICOTERAPIA EM TRANSEXUALIDADE

Psicologia Feminista
by

Larissa Tavira

on 18 September 2013

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Transcript of PSICOTERAPIA EM TRANSEXUALIDADE

TRANSEXUALIDADE
PSICOTERAPIA
representações sociais de gênero:
Masculino
Feminino
A socialização de gênero é um processeo que se inicia antes mesmo de nascermos
forte
agressivo
Sensível
Emocional
Frágil
racional
Mas as características biológicas e fisiológicas são suficientes para explicar todas as características do que consideramos femino ou masculino?
ao sabermos de que sexo é o bebê, projetamos expectativas, gostos e comportamentos adequados para cada sexo. Esse é o processo de socialização de gênero, no qual desde que somos crianças, aprendemos o que é adequado e ideal para homens e mulheres.
Assim, há uma estreita e contínua imbricação entre o social e o biológico, um jeito de ser masculino e um jeito de ser feminino, com atitudes e movimentos corporais socialmente entendidos como naturais de cada sexo.
EM
Érika Ramos –
Laís Santillo
Larissa Vasques
A transexualidade consiste numa sensação de inadequação físico-psíquico-social entre o sexo biológico do qual se nasce (identificado como masculino ou feminino), e a vivência de não-pertencimento à essa categoria biológica.
DSM-IV
CID-10
TRANSTORNO DA IDENTIDADE DE GÊNERO
Incluídos o ‘travestismo’ e o ‘transexualismo’ como “transtornos da identidade sexual (F64)”
Resolução CFP 01/99
Uma vez que a homossexualidade não se constitui como doença, nem distúrbio e tampouco perversão, criou-se um dispositivo que normatiza a atuação profissional frente à orientação sexual.
TRANSEXUAIS SEGUEM SENDO AS MAIORES VÍTIMAS DA HOMOFOBIA (VIOLÊNCIA CONTRA LGBTTT)
Resolução nº 1.482/97
Autoriza realização de cirurgias de transgenitalização
“portadores de desvio psicológico permanente de identidade sexual, com rejeição do fenótipo e tendência à automutilação ou auto-extermínio”
nascer com um pênis ou vagina é suficiente para definir o que é um homem ou uma mulher?
MODELO HETERONORMATIVO
"Os opostos se atraem"
A diferenciação entre SEXO/GÊNERO
é fundamental para compreensão do ser homem ou mulher como uma CONSTRUÇÃO SOCIAL
OS MODELOS DE CORPOS IDEAIS SEMPRE FORAM CONSTRUÍDOS À PARTIR DOS DISCURSOS
Os procedimentos necessários para a realização da cirurgia de transgenitalização fazem a leitura da experiência transexual dentro um modelo binário de compreensão da sexualidade e da subjetividade do corpo.
Alinhamento entre sexo, gênero e desejo, dentro dos modelos heteronormativos,– representa os constructos culturais.
NATUREZA HUMANA
A transexualidade seria a existência de gêneros “não-inteligíveis”, isto é, aqueles que não mantém uma continuidade entre sexo, gênero, práticas sexuais e desejo. Assim: “certos tipos de identidade de gênero parecem ser meras falhas do desenvolvimento ou impossibilidades lógicas, precisamente porque não se conformam às normas de inteligibilidade cultural” (Butler, 2003, p.39).
Terapêuticas da Transexualidade
ETAPAS:
acompanhamento psiquiátrico (confirmação do diagnóstico) ;
psicoterapia de grupo e individual;
hormonioterapia;
avaliação genética;
tratamento cirúrgico;
acompanhamento jurídico;
PSICOTERAPIA DE GRUPO
- Necessidade de um atendimento psicoterápico de maior alcance;
CONTEXTO GRUPAL = FATOR DE MUDANÇA
As terapias de grupo se distinguem quanto aos objetivos, orientação teórica e técnicas utilizadas.
11 FATORES TERAPÊUTICOS DA TERAPIA DE GRUPO
instilação de esperança;
universalidade do problema;
compartilhamento de informações;
altruísmo;
socialização;
comportamento imitativo;
catarse
recapitulação corretiva
fatores existenciais
coesão grupal
aprendizagem interpessoal
FATORES INDIVIDUAIS DA TERAPIA EM GRUPO
Ter motivação para participar e envolver-se emocionalmente;
Capacidade de
se revelar
de se solidarizar
de empatizar com os problemas de outros
FATORES INESPECÍFICOS
PACIENTE
PSICOTERAPEUTA
DUPLA-TERAPÊUTICA
Motivação
Sofrimento
Capacidade de vínculo
Esperança
Tolerância à frustração
Empatia
Calor humano
Autenticidade
Própria pessoa do terapeuta
Estabelecimento de vínculo e de aliança terapêutica
MÉTODO
Participantes:
Foram entrevistados dois sujeitos, um psicólogo com formação em sexologia, que não define sua abordagem teórica e sua paciente transexual, que já passou pelo processo de transgenitalização.
Instrumentos:

Os dados de pesquisa foram coletados por meio de duas entrevistas individuais, semi-estruturadas, ao terapeuta e sua paciente. As entrevistas foram registradas através áudio-gravação, mediante Gravador Digital.
RESULTADOS
A vivência Transexual, um transtorno?
O Psicólogo parte de premissas binaristas de gênero e heteronormativas,e não tem certeza se a transexualidade é ou não um transtorno, apresentando idéias contraditórias e confusas.
A paciente não reconhece sua vivência transexual como um problema/transtorno, ela tem a sensação de sempre ter pertencido ao sexo feminino e traz à tona todo o sofrimento psíquico de seu processo.
Concepções de causalidade da Transexualidade
Para o terapeuta, a vivência de gênero é uma escolha, sob causas: de introjeção e identificação dos modelos de gênero dos pais, à influência dos desejos de gênero dos pais e negação da homossexualidade.
Olhou pra cara da mãe dela e do pai dela e diz assim: eu não quero ser igual ao meu pai...tá certo? (...) quero ser igual à mamãe. Certo? Aí ela decide...porque assim, elas dizem assim ‘Ah, eu nasci mulher, eu sou mulher’, só que não é.
Porque assim... isso se define até os 5, 3 anos, sabe? elas são meninas que a mãe esperava menino ai nasceu menina, certo?
É confusões é… as pessoas não se reconhecem, sabe?
É…às vezes é homossexual e tem medo de enfrentar um homem, né? Aí quer ser mulher pra poder…é… de usar como desculpa sou mulher para namorar com um homem, né?
Para o psicólogo o transtorno de identidade de gênero surge pelo sofrimento e é algo que ocorre após a decisão de gênero.
Assim, e a doença maior é por causa do preconceito, né? E essa criança, quando se torna adulto, ele vem carregado de sintomas, sabe...de baixa auto-estima, depressões, sabe...e outras coisas. Então a...é...eu vejo assim, que há problemas, sabe?
Eu não creio que nasce transexual, sabe?
É, é de tanto sofrimento, né?
A paciente reconhece a existência de rígidas normas e papéis sociais de gênero, e acaba por revelar não se enquadrar bem nesses modelos.
essa questão da diferença, dessa imposição do social né o masculino tem que ser desse jeito o feminino tem que ser desse outro, é uma imposição né? E eu sempre fui muito tranqüila em relação a isso, muito aberta, e sempre gostei de várias coisas, pra mim, eu acho que o importante não é definição do gênero assim, o importante é o individual da pessoa, do gostar da pessoa né...
Empiricismo terapêutico
Ao longo de seu discurso o terapeuta deixa explícito sua aversão e desapego às teorias, técnicas, e abordagens, deixando claro sua ênfase na prática profissional.
Geralmente as pessoas muito boas, elas não se atém a uma técnica.
A gente já não pensa que técnica você tá aplicando não, certo? Então eu não me preocupo mais com a técnica mais...
Então eu acho que uma abordagem é muito pouco, sabe?
Como você tem bastante prática, a medida que vai fazendo uma anamnese você já pode antecipar quem é aquela pessoa
O tratamento psicoterápico em Transexualidade (funções terapeuticas)
Embora a busca por psicoterapia seja motivada pela realização da cirurgia, o processo terapêutico é tido como eficaz nos discursos tanto do terapeuta quanto da paciente
O que eu sinto é isso. Elas são acolhidas, né…são ouvidas, né…falam
é um ambiente muito interessante, onde há uma sociabilidade, elas trocam experiência, há uma valorização mesmo, só o movimento delas se arrumarem, irem pro (nome do local), chega lá elas são bem recebidas, então é um trabalho muito interessante.
Eu acho que sempre tem um benefício. (...) A gente tem muita conversa, muita diversidade de assuntos. (...) é um grupo de apoio, e um grupo de apoio sempre nos fortalece na busca dos nossos objetivos. (...) Para a gente vir participar, contar a nossa história para outras pessoas que estão no começo. Isso nos gratifica e também fortalece, incentiva as outras pessoas.
Discussão
O terapeuta deixa explícito o fato de não embasar sua prática em modelos teóricos reconhecidos pela ciência, mantendo uma crítica constante às pesquisas e abordagens em psicologia, partindo do pressuposto de que estas não refletem ou não dão conta da realidade, algo que, conforme o mesmo, somente pode ser apreendido pela prática. A não fundamentação teórica de seu atendimento abre portas para que o profissional se atenha a concepções leigas acerca de gênero, sexualidade e transexualidade, presentes no senso-comum.
Ao partir de uma perspectiva binarista de gênero e, sobretudo heteronormativa, o discurso do psicólogo negligencia o rigoroso processo de socialização dos gêneros e das construções culturais sob a sexualidade. Ele avalia homens e mulheres dentro de uma divisão natural. Os valores expressados pelo terapeuta se assemelham àqueles compartilhados na prática social hegemônica que consiste à partir de práticas e discursos na expulsão, discriminação e violência dos transexuais, o legitima a vivência de sofrimento psíquico.
Phatos social - Tanto o discurso do terapeuta quanto o de sua paciente revelam a dimensão do sofrimento psíquico como sendo originado em função das relações sociais, ou de como a sociedade lida com a transexualidade de modo a tornar essa forma de existência extremamente vulnerabilizada.
A satisfação expressa em relação a certa eficácia da terapia pode estar relacionada aos fatores inespecíficos, alguns são mais evidenciados, como o componente da sociabilidade e do compartilhamento de informações. O discurso da paciente traz à tona a instilação de esperança, o compartilhamento de informações, a socialização e catarse. No que se refere à terapia de grupo, os objetivos são mais limitados e se direcionam à manutenção do funcionamento psicossocial e informação sobre o uso de medicamentos. Atribui-se assim, aos fatores inespecíficos e o contexto grupal características que proporcionam a eficácia terapêutica.
Considerações Finais
A crítica aos modelos binaristas e heteronormativos busca desnaturalizar o gênero e a sexualidade, para que possamos reconhecer diversas possibilidades de existência, sem que a diferença tenha que compreender o bizarro e anormal.
A classificação e rotulação dos transtornos mentais levam consigo o sofrimento e estigmatização daqueles que as carregam, por isso há de se pensar em que medida isso está relacionado com a discriminação social e com a experiência trans em si. Essa patologização das identidades transexuais apenas constribui para a manutenção de estigmas que podem sustentar manifestações discriminatórias e violentas, tornando esse conjunto de pessoas vulnerabilizadas.
fim
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