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Fernando Pessoa

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on 18 October 2015

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Transcript of Fernando Pessoa

Fernando Pessoa
Biografia
Fernando Antônio Nogueira Pessoa;

1893;

1895: Casamento

1896: Durban;

1901: poemas em inglês;

1902: Portugal;

1903: Universidade do Cabo;
1905: Lisboa;

1905: Cesário Verde e Camilo Pessanha;

1908: astrólogo; crítico literário e crítico político;

1912: A Águia;

Mário de Sá-Carneiro;

1914: Paúis;



1913: Epithalamium e Gládio;
Curiosidades:
Chevalier de Pas ou o Cavaleiro do Nada;
“por quem escrevia cartas dele a mim mesmo”;
Obra: 27 mil papeis.
Conceitos Importantes
Pseudônimo: nome falso, autor se esconde;

Heterônimo: é um personagem que foi criado pelo poeta e que escreve sua própria obra;

Ortônimo: criador do heterônimo.

Alberto Caeiro
Álvaro de Campos
Ricardo Reis
Contexto Histórico
Século XX;

Mudanças de pensamento;

Vanguardas europeias;

Panorama político instável em Portugal: D. Carlos assassinado, instalação da República, divisão política, participação na Primeira Guerra Mundial, estabelecimento de uma ditadura;

Saudosismo.

D. Carlos I
Salazar
1910: revista A Águia;

“É na saudade revelada que existe a razão da nossa Renascença, original e criadora”;

1921: revista Seara Nova;

1915: revista Orpheu;

Início do Modernismo;

Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Raul
Leal, Almada Negreiro e Ronald de Carvalho.

Capa da revista Orpheu
Ideias da revista Orpheu:
Poesia alucinada, chocante, irritante e irreverente;

Provocar a burguesia;

Esquecimento do passado;

Futuro dinâmico;

Desprezo pelo sentimentalismo falso e fácil;

Originalidade;

Poeta livre para criar.

Orpheu teve duração efêmera;

1927: revista Presença;

1930 e 1940: neorrealismo;

1950: grupo surrealista;

Meados do século: narrativa curta.

Modernismo
Características gerais:

Inconformismo político; espírito revolucionário;

Busca do novo, original, dinâmico refletindo a industrialização, máquinas, motores;

Irreverência, iconoclastia;

Rejeição das normas estéticas consagradas;

Proposta de inovações linguísticas;

Liberdade formal, versos livres;

Antiacademicismo, antitradicionalismo, antipassadismo, anticonformismo;

Aproximação entre poesia e prosa;

Simultaneidade, sínteses, fusões diversas;

Coloquialismo;

Humor, ironia, o "poema-piada";

Incorporação do cotidiano;

O moderno como um valor em si mesmo;

Simplicidade;

Abstenção de uma postura sentimental;

Observação e análise crítica da realidade;

Consciência nacional.

Primeira Geração:

Orfismo;
Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros e outros;

No Brasil:

Revolucionária;
Mário de Andrade, Oswald Andrade, Manuel Bandeira e outros.

Segunda Geração:

Presencismo;
José Régio, João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca e outros;

No Brasil:

Estabilidade;
Herança da Semana de Arte Moderna de 1922;
Carlos Drummond, Cecília Meireles, Vinícius de Morais entre outros.

Terceira Geração:

Neo-Realismo;
Alves Redol, Ferreira de Castro, Jorge de Sena e outros;

No Brasil:

Reação;
João Cabral de Melo Neto, Augusto de Campos,
Clarice Lispector, Lígia Fagundes Teles,
Guimarães Rosa entre outros.

Pertinência da escola literária na obra de Pessoa
Primeira Geração Modernista;

Introduziu o movimento em Portugal;

Caráter revolucionário;

Diferentes estilos;

Poemas em inglês, poesias líricas e poesias históricas com caráter nacionalista.

Análise Estilística
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Como a noite é longa!
Como a noite é longa! 
Toda a noite é assim... 
Senta-te, ama, perto 
Do leito onde esperto. 
Vem p’r’ao pé de mim... 

Amei tanta coisa... 
Hoje nada existe. 
Aqui ao pé da cama 
Canta-me, minha ama, 
Uma canção triste. 
Era uma princesa
Que amou... Já não sei... 
Como estou esquecido! 
Canta-me ao ouvido 
E adormecerei... 

Que é feito de tudo? 
Que fiz eu de mim? 
Deixa-me dormir, 

Dormir a sorrir 
E seja isto o fim.

Ela Canta, Pobre Ceifeira
Ela canta, pobre ceifeira, 
Julgando-se feliz talvez; 
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia 
De alegre e anônima viuvez, 

Ondula como um canto de ave 
No ar limpo como um limiar, 
E há curvas no enredo suave 
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece, 
Na sua voz há o campo e a lida, 
E canta como se tivesse 
Mais razões pra cantar que a vida. 

Ah, canta, canta sem razão! 
O que em mim sente ‘stá pensando. 
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência, 
E a consciência disso! Ó céu! 
Ó campo! Ó canção! A ciência 

Pesa tanto e a vida é tão breve! 
Entrai por mim dentro! 
Tornai Minha alma a vossa sombra leve! 
Depois, levando-me, passai! 

O Guardador de Rebanhos
I
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
(...)
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
 
(...)
 
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende
V
Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso  do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
 
(...)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora
 
(...)
 Questionamentos e reflexões sobre identidade e existencialismo

VI
Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
 
(...)

IX
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
 
(...)

X
(...)
“Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.”

O Pastor Amoroso
Intertextos com outras linguagens

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Poemas musicados pelo grupo Secos e Molhados
No vestibular...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso minha aldeia é grande como outra qualquerPorque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura... (Alberto Caeiro)
A tira Hagar e o poema de Alberto Caeiro (um dos heterônimos
de Fernando Pessoa) expressam, com linguagens diferentes,
uma mesma ideia: a de que a compreensão que temos do
mundo é condicionada, essencialmente,

a) pelo alcance de cada cultura.
b) pela capacidade visual do observador.
c) pelo senso de humor de cada um.
d) pela idade do observador.
e) pela altura do ponto de observação.

Fuvest

A leitura de Mensagem, de Fernando Pessoa,
permite a identificação de certas linhas de força que guiam e, até certo ponto, singularizam o espírito do homem português, dando-lhe marca muito especial.Dentre as alternativas a seguir, em qual se enquadraria melhor essa ideia?

a) Preocupação com os destinos de Portugal do século vinte.
b) Preocupação com a história político-social de Portugal.
c) Recorrência de certas constantes culturais portuguesas, como o messianismo.
d) Reordenação da história portuguesa desde Dom Sebastião.
e) A marca da religião católica na alma portuguesa como força determinante.

Conclusões
Referências Bibliográficas
http://unipfernandopessoa.blogspot.com.br
http://seer.fclar.unesp.br
http://www.brasilescola.com
http://educacao.uol.com.br
http://www.kleberboelter.com
http://www.istoe.com.br
http://www.lpm.com.br
revistaliter.dominiotemporario.com
www.portaldapropaganda.com

http://www.mundoeducacao.com/literatura/vanguardas-europeias.htm
http://www.arqnet.pt/portal/discursos/dezembro10.html
http://www.coladaweb.com/literatura/modernismo-em-portugal
https://sites.google.com/site/domrabuja/lt51
http://www.portugal-live.net/P/essential/general-history.html
http://www.vidaslusofonas.pt/joaofranco.htm
http://profronniesiqueira.blogspot.com.br/2010/05/caracteristicas-gerais-do-modernismo-em.html
http://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/caracteristicas_gerais_do_modernismo/
 http://vestibular.uol.com.br/cursinho/questoes/questao-92-literatura.htm
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/autores/fernando-pessoa.html
http://www.coladaweb.com/literatura/modernismo-em-portugal

Colégio Termomecanica
Grupo:
Gabriele Silva- nº: 10- RM: 3157
Giulia Ribeiro de Carvalho- nº: 18- RM:5790
Leilane Mayara Lisboa- nº: 25- RM: 5853
Nathália Luz- nº: 02- RM: 2652
Vinícius Cruz- nº: 08- RM: 2875
Walace Gomes- nº: 09- RM: 2886

Turma
: 3º D

"Alberto Caeiro parece mais um homem culto que pretende despir-se da farda pesada da cultura acumulada ao longo dos séculos".

Nasce em abril de 1889 - Lisboa
Educação primária
Louro, olhos azuis, estatura média
Morreu em 1915

"A vida de Caeiro não pode narrar-se pois que não há nela mais de que narrar. Seus poemas são o que houve nele de vida. Em tudo o mais não houve incidentes, nem há história"
IV

Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
(...)
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações,
Não sei o que hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo

V
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
(...)
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio

VIII
O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
(...)
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu... Nunca mais encontrou o cajado. Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos vários verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem,
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito

Poemas Inconjuntos
A Criança
A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
(...)
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em um ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.


A Espantosa Realidade das Cousas

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
(…)
Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
Álvaro de Campos
Ode Triunfal
À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!


Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

(...)

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!

(Excerto)
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
(...)


Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.

(Trechos)
Passagem das Horas
Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(...)




Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
(...)
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

(...)


Cavalgada desmantelada por cima de todos os cimos,
Cavalgada desarticulada por baixo de todos os poços,
Cavalgada vôo, cavalgada seta, cavalgada pensamento-relâmpago,
Cavalgada eu, cavalgada eu, cavalgada o universo — eu.
Helahoho-o-o-o-o-o-o-o ...

Meu ser elástico, mola, agulha, trepidação ...

(Trechos)
Poema em Linha Reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
(...)


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,



Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Opiário
Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro

É antes do ópio que a minh' alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

(...)

É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.
E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!
(No Canal de Suez, a bordo)

(excerto)
Lisbon Revisited
NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
(...)

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!
(...)



Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!


Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Coroai-me de rosas
Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade,
De rosas —

Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!

Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
(...)


Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço
Para ser grande, sê inteiro
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Não a ti, Cristo, odeio ou menosprezo
Não a ti, Cristo, odeio ou menos prezo
Que aos outros deuses que te precederam
(...).
Tu não és mais que um deus a mais no eterno
Não a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.
Panteão que preside
À nossa vida incerta.
Nem maior nem menor que os novos deuses,
(...)


Não venham, porém, estultos teus cultores
Em teu nome vedar o eterno culto
Das presenças maiores
Ou parceiras da tua.
(...)
Basta os males que o Fado as Parcas fez
Por seu intuito natural fazerem.
Nós homens nos façamos
Unidos pelos deuses.
Poema futurista
Exaltação das máquinas
Razão x coração
Enterra concepções do movimento romântico
Valorização do sentimento/ egocentrismo
Sentimentalismo tenta entreter a razão
Liberdade com relação aos padrões clássicos
Sem rigores formais e privilegiando o livre pensamento
Panteísmo
Dez melhores poemas escritos por Pessoa
Físicas (versificação livre) e conteúdo (relatar a subjetividade e descrença da vida)
Ritmo acelerado
Problemas internos do eu-lírico
Misticismo
Sobreposição de imagens/ jogo de antíteses
Hipocrisia da sociedade
Ironia
Mazelas da sua época
Fugacidade da vida
Viver o momento
Relação com a natureza
Epicurismo
Atitude nobre perante o sofrimento
Paganismo
Critica o culto a um Deus único
Fé dos homens
Visão revolucionária e anticonformista
Vida bucólica
Ingenuidade
Inconsciência
" Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra./ Não me ponho a pensar se ela sente"
"Não quero incluir o tempo no meu esquema"
Antilirismo
Ricardo Reis
Confusão
Incerteza
Questionamentos
Falsa verdade
Volta à liberdade
Fase decadentista
Nostalgia e divagação alienante
Embriaguez do ópio
Padrões clássicos
Angústias do século XX
Procura do auto-conhecimento
Incerteza e desilusão
Poema modernista
Epicurismo e ideologias horacianas
Felicidade
Aliteração
Metáfora
Reflexões sobre o existencialismo
Poeta cansado
Direito à solidão e à indiferença
Terceira fase
Infância
Felicidade
Liberdade com relação aos padrões clássicos
Tom irônico
Angústias e incertezas
Ricardo Reis
Negação à metafísica
Sensações não intelectualizadas
Poeta da natureza
Aurea mediocritas
"Pensar é estar doente dos olhos"
Objetivismo
Sensacionismo
Poesia em verso livre
Estilo coloquial
Vê o mundo sem necessidade de explicações
O mundo é sempre diferente
Nasceu em 1890 - Tavira
Engenheiro
Oriente
Conhece Alberto Caeiro
"O que o mestre Caeiro me ensinou foi ter a clareza; equilíbrio, organismo no delírio e no desvairamento, e também me ensinou a não procurar ter filosofia nenhuma, mas com alma".
Alto, magro, cabelo dividido, monóculo, semelhante a um judeu português
Distancia-se de Caeiro
Valoriza as sensações
"Sentir tudo de todas as maneiras"
Vanguardista e cosmopolita

3 fases:
Decadentismo
Futurismo/Sensacionismo
Pessimismo
Nasceu em 1887 - Porto
Médico
Moreno, estatura média, anada meio curvado, é magro, judeu português
Brasil
Colégio de jesuítas

Simplicidade
Neoclassicismo
"Caeiro tem uma disciplina: as coisas devem ser sentidas tais como são. Ricardo Reis tem outra disciplina: as coisas devem ser sentidas, não só como são, mas também de modo a integrarem-se num certo ideal de medidas e regras clássicas".
Paganismo, estoicismo, epicurismo
Ideias Horacianas
Carpe Diem
Aurea Mediocritas
Efemeridade
Classicismo erudito
Versos mais regulares
Odes e elegias
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