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Tipos textuais, gêneros e esferas discursivas

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on 15 May 2015

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Tipos textuais, gêneros e esferas discursivas
Para que produzimos textos?
Quando produzimos enunciados linguísticos dotados de sentido (textos, portanto), partimos de motivações específicas e almejamos comunicar aos nossos interlocutores conteúdos específicos. Essas motivações e conteúdos subsidiam situações nas quais se obervam distintas
finalidades comunicativas.
Produzimos textos em razão da necessidade
ou vontade de

descrever
um ser, um material, um objeto, uma cena, um lugar etc, a fim de que nosso interlocutor o conheça a partir de nossas impressões (que podem ser objetivas ou subjetivas);

narrar
um acontecimento, situando ações praticadas ou sofridas por determinado ser ou grupo no tempo;

explicar
um fenômeno, uma ideia, um conceito ou mecanismo;

argumentar
a fim de convencer alguém a aceitar ou rejeitar uma posição;

instruir
alguém a realizar uma tarefa ou atividade.

Isso não quer dizer, no entanto, que se possa pedir para alguém “produzir um texto descritivo, ou narrativo, ou explicativo ou argumentativo ou instrucional”, e esperar que daí advenha um texto de
formato específico
, porque não há uma única maneira de descrever, de narrar, de explicar, de argumentar ou de instruir.
Por isso, dizemos que existem cinco
tipos textuais
: descritivo, narrativo, explicativo (ou informativo), argumentativo e instrucional (ou injuntivo).
Por exemplo: um mito narra uma história, mas uma lenda, uma fábula, uma epopeia, um conto, um romance, uma notícia de jornal, uma biografia, uma peça de teatro, um filme ou uma novela televisiva também. Todos eles são
gêneros em que predomina

o tipo narrativo.
Da mesma maneira, o manual de instruções de um jogo instrui a realização de uma atividade, mas o enunciado de um exercício, o tutorial de um software ou a bula de um remédio também instruem. São
gêneros em que predomina o tipo instrucional
. E assim se poderiam aduzir exemplos envolvendo todos os outros tipos…
Desta constatação se pode aduzir que os tipos textuais “existem” como categorias de análise discursiva, mas na prática eles se materializam é através de
gêneros textuais
.
Os gêneros, apesar de relativa flexibilidade, são estruturas textuais caracterizadas por suficiente
estabilidade
. Ou seja, eles correspondem a
formas socialmente amadurecidas
e razoavelmente cristalizadas em seus elementos constituintes fundamentais - vale dizer, em sua estrutura - o que permite aos usuários da língua não só
reconhecê-los com facilidade
como também
acessá-los com naturalidade
nas várias situações de uso.
Gêneros
Por exemplo, alguém que está em casa e atende uma ligação dirigida a um familiar ou conhecido ausente, “sabe” que deve produzir um texto para
narrar
este fato (Fulano telefonou e disse x) – e, eventualmente, transmitir uma
instrução
(retorne a ligação para o número y no horário z) - e que este texto tem um formato peculiar, correspondente ao do
gênero bilhete
, caracterizado por ser curto (quase telegráfico), objetivo e informal.
Ao contrário dos tipos textuais, que são poucos, os gêneros textuais além de numerosos são dinâmicos; ou seja, estão constantemente sendo criados ou recriados a partir de outros mais antigos. Assim, pode-se dizer, por exemplo, que o e-mail é genealogicamente ligado à carta e que o fórum de discussão na internet é genealogicamente ligado ao debate regrado oral.
Gêneros textuais são dinâmicos
As exclusões, transformações e inovações verificáveis entre os gêneros textuais se justificam pelo fato de os gêneros serem desenvolvidos, mantidos ou adaptados em e para contextos sócio-interacionais específicos. Eles refletem as situações de interlocução, os conteúdos, as peculiaridades dos suportes e da circulação que lhes deram e dão sociedades que têm marcas históricas, culturais e tecnológicas próprias.
Outro dado importante a considerar sobre os gêneros é que apesar de fazerem uso preferencial de sequências de um ou outro tipo textual, quase sempre apresentam certo
hibridismo
.
Gêneros são híbridos
. Por exemplo: em um
romance
predominam
sequências narrativas
, no entanto a presença de
sequências descritivas
para a apresentação das personagens e dos espaços é praticamente inevitável e
sequências argumentativas
não chegam a ser incomuns.
(Quem leu Grande Sertão: veredas e não recorda das longas digressões nas quais Riobaldo tenta convencer a si mesmo e ao seu anônimo interlocutor da inexistência do diabo?)
Outro dado interessante é que um gênero pode encontrar abrigo em outro, que neste caso lhe serve como moldura (um diário, por exemplo, pode conter cartas, bilhetes, poemas e canções; um livro didático pode conter charges, tiras, fragmentos de ensaios, artigos e etc).
Assim, é possível tratar de gêneros em que
predominam
sequências descritivas, ou narrativas, ou explicativas/informativas, ou argumentativas ou instrucionais, mas não de “gêneros descritivos” ou “gêneros narrativos” e assim por diante.
A mesma pessoa, se tivesse que fazer uma solicitação para o diretor de sua universidade (por exemplo para pedir o trancamento de seu curso), “saberia” que não seria adequado fazê-la através de um bilhete, e usaria outro gênero, no caso, uma carta de solicitação, caracterizada por ser também curta (mas não telegráfica!), objetiva e formal, além de normalmente dotada de uma sequência argumentativa (na qual é exposto um motivo para convencer a pessoa a quem se solicita algo da conveniência e adequação da aquiescência ao pedido).
Por sua natureza sócio-interacional, os gêneros textuais ocorrem de maneira desigual nos diversos espaços sociais, ou seja, nem todos os gêneros têm a mesma relevância em todos os contextos comunicativos. De fato, cada
domínio discursivo
(ou esfera discursiva) lança mão de alguns gêneros, que lhe são próprios e que servem à realização de seu escopo.
Domínio discursivo
Exemplos: a oração, o salmo, a parábola, o hino e o sermão são gêneros textuais próprios do
domínio religioso
.
O poema, o conto, a crônica, o romance, o texto de teatro, entre outros, são gêneros que participam do
domínio literário
.
O editorial, o artigo de opinião, a carta de leitor, a charge, a tira, a coluna, a notícia, a reportagem, a resenha critica e a entrevista circulam no
domínio jornalístico
.
A monografia, o artigo científico, o seminário, a conferência, o ensaio, a tese e etc circulam na
esfera acadêmica
. . O currículo, o relatório, a ata de reunião, o holerite, o memorando, comparecem à
esfera ou domínio do trabalho
. O e-mail, o chat, o post de blog e o de rede social, o fórum de discussão e a webconferência são gêneros da
esfera ou domínio digital.
E assim, há ainda gêneros próprios das esferas escolar, publicitária, jurídica…
Estes conceitos tiveram o início de seu desenvolvimento em Bakhtin, ganharam seus contornos atuais com Dolz e Schneuwly e têm em Marcuschi um de seus maiores pesquisadores nacionais. Se quiser beber dessas ideias direto da fonte, procure-os!
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