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Untitled Prezi

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Arlete Aparecida Mathias

on 24 August 2013

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Pressupostos, Salvo Engano da Dialética da Malandragem
Memórias de um sargento de milícias
Manuel Antônio de Almeida
Ao analisar os pressupostos do ensaio Dialética da malandragem, de Antonio Candido, sem se esquecer a ressalva do “salvo engano” que está no título; Roberto Schwarz apresenta, ao mesmo tempo, um elogio daquele que seria o primeiro ensaio dialético da crítica brasileira, e uma discordância de fundo, que diz respeito justamente à oscilação entre ordem e desordem no Brasil,trazendo à tona o lado negativo dessa oscilação

Roberto Schwarz
publicou Pressupostos, Salvo Engano, de Dialética da Malandragem em 1979
, no volume Esboço de figura -homenagem a Antonio Candido, organizado por Celso Lafer. Depois, faria parte do livro Que horas são?, publicado em 1987


Pressupostos, Salvo Engano, de Dialética da Malandragem


Pelo lado do elogio, Roberto Schwarz destaca à Dialética da malandragem uma relação com à ortodoxia marxista e à moda estruturalista da época. Todavia observa que os três ângulos de avaliação do seu mestre focalizam apenas: a) uma dimensão folclórica e pré-moderna; b) um clima cômico datado – a produção satírica do período regencial; c) e sobretudo uma intuição profunda do movimento da sociedade brasileira.
Pressupostos, Salvo Engano, de Dialética da Malandragem


Seguindo a lógica do ensaio de Antonio Candido, Roberto Schwarz considera que a dialética da malandragem, em sentido próprio, seria a oscilação entre movimento histórico e arquétipos folclóricos da esperteza popular e por isso discorda da visão cultural otimista do país e da sociabilidade popular presente
Roberto Schwarz
Dialética da Malandragem

O ensaio escrito por Antonio Candido
Dialética da malandragem
foi publicado, pela primeira vez, no exemplar de número oito da revista do Instituto de Estudos Brasileiros, da USP, em 1970 e se embasa no romance Memórias de um sargento de milícias;
Antonio Candido, o homenageado
R. S. também distingue que A.C ao fechar sua análise sintetiza o ponto de vista que : “Manuel Antonio de Almeida é,por excelência, em nossa literatura romântica, o romancista de costumes”,e seu livro “o mais rico em informações seguras, o que mais objetivamente e embebe numa dada realidade social. Salvo engano, R.S. destaca o diferencial de que em nenhum momento na análise feita por A.C. o romance Memórias de um sargento de milícias é qualificado como um romance malandro nos - momentos decisivos da Formação da literatura brasileira

Pícaro X Malandro
&
Leonardo

[BUENO,2008]

Leonardo não vive a condição servil; ambos, o pícaro e Leonardo, são amáveis e espontâneos, vivendo ao sabor da sorte, mas Leonardo não aprende com a experiência, o que traz à tona um ponto importante; a picaresca é sarcástica e áspera, moldada no choque direto com a realidade,enquanto as Memórias são leves e ligeiras [...] ; o pícaro endurece, reconhece os interesses que estão em jogo, precisa agradar a seus amos, enquanto Leonardo tem sentimentos, vive história de amor, não precisa agradar a um amo; o pícaro seria um “aventureiro
desclassificado”, internacional, um dos “modelos da ficção realista moderna”, descobrindo a sociedade na “variação dos lugares, dos grupos,das classes...”, sendo obsceno e fazendo uso farto de palavrões; já as Memórias são livro limpo, discreto, e “a sátira nunca abrange o conjunto da sociedade”

[BUENO,2008]


“Antonio Candido abre Dialética da malandragem fazendo uma revisão da fortuna crítica do livro, já preparando uma refutação dos que situam as Memórias como romance picaresco, baseando sua análise nos seguintes pontos críticos: o próprio pícaro narra suas aventuras, o que não acontece nas Memórias, livro narrado em terceira pessoa, variando os ângulos primário e secundário; apesar da origem comum, o pícaro e Leonardo diferem, porque este não é largado no mundo, sendo logo protegido pelo Compadre, [...]poupado do “choque áspero com a realidade”; Leonardo já nasce“malandro feito”, não havendo choque da ingenuidade com a dureza do mundo; o pícaro vive a condição servil, passando de amo em amo, variando a experiência, conhecendo o conjunto da sociedade e aprendendo com a experiência ...

Pícaro X Malandro & Leonardo

De acordo com R. S ressalta o romance Memórias de um sargento de milícias como um referencial contido de personagens criadas com imparcialidade e parâmetros que ultrapassaram muito além da crua oposição entre o Bem e o Mal típico romances, o equipara também como um romance picaresco, mas salvo engano, o seu estudo incrementa à teoria da Dialética da malandragem, o livro de Manuel Antonio de caracterizado como um romance malandro, bastante representativo de uma relação forte entre literatura e sociedade no país em formação à época.

Vista desse ângulo, a referida oscilação muda de figura e se apresenta como um problema dos maiores, sem ponto de apoio possível numa visão otimista, simpática às pessoas de classe baixa e de base cultural, que se resolveria numa espécie de suspensão do mal-estar na sociedade periférica e ou à margem

Seguindo a lógica do ensaio de Antonio Candido, Roberto Schwarz considera que a dialética da malandragem, em sentido próprio, seria a oscilação entre movimento histórico e arquétipos folclóricos da esperteza popular e por isso discorda da visão cultural otimista do país e da sociabilidade popular presente.
R.S. observou que no ensaio de A.C. em sua parte final, ao contrário de toda a primeira parte, que figuras de outra ordem e próximas do marxismo foram montadas, embora não utilize sua terminologia.
O que nas entrelinhas para R.S. talvez tenha transparecido “lapso” de A.C. e desta forma surge como dúvida um salvo engano crucial questionado criticamente:

Pelo lado do elogio, Roberto Schwarz destaca na Dialética da malandragem, desde logo,a distância que o ensaio guarda em relação à ortodoxia marxista e à moda estruturalista da época. Em seguida, os Pressupostos sintetizam os passos da dialética materialista que predisposta na maior parte do ensaio de Antonio Candido, partiu de três ângulos da avaliação do mestre, ou seja: a) uma dimensão folclórica e pré-moderna; b) um clima cômico datado – a produção satírica do período regencial; c) e sobretudo uma intuição profunda do movimento da sociedade brasileira.

Ao analisar os pressupostos do ensaio Dialética da malandragem, de Antonio Candido, sem se esquecer a ressalva do “salvo engano” que está no título;
Roberto Schwarz apresenta, ao mesmo tempo, um elogio daquele que seria o primeiro ensaio dialético da crítica brasileira, e uma discordância de fundo, que diz respeito justamente à oscilação entre ordem e desordem no Brasil,trazendo à tona o lado negativo dessa oscilação.






também evidenciou que Antonio Candido ao teorizar Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida (1970) a equipara como um romance simples, sem grandes pretensões , cujo ponto de maturidade certamente seria Machado de Assis.

Com a indagação R.S. parece ter localizado um problema de método dialético com a consequência da originalidade não estabelecer ligação entre literatura e sociedade, o que seria algo comum, mas que explora a dimensão objetiva da forma e busca os correlativos na ordem social, escapando tanto do formalismo quanto do sociologismo vulgares sem ligar as duas vértices da questão.


Sobre o assunto, um salvo engano é focalizado por Roberto Schwarz numa referência negativa e de
oscilação entre ordem e desordem no Brasil, ou seja, a própria ditadura militar, começada em 1964 e aguçada depois de 1968 era o cenário.


Por que interpretar o Brasil a partir desse específico setor da totalidade, dos que não trabalham regularmente, nem mandam e nem acumulam, localizando aí uma longa tradição, a própria dialética da malandragem?

Seguindo o mesmo raciocínio crítico, R.S. entrelaça um outro elo à corrente de suas ressalvas, ou seja, para ele seu mestre não estabeleceu uma linhagem da qual Memórias de um sargento de milícias faria parte nas prerrogativas futuras . Por isso, R.S. complementou à ideia teórica de Candido que Pedro Malasarte e Gregório de Matos são apontados como antecessores, tendo como sucessores, e culminância, Macunaíma e Serafim Ponte-Grande, no Modernismo dos anos de 1922

Pressupostos , Salvo Engano, de Dialética da Malandragem
R.S. observou que no ensaio de A.C. em sua parte final, ao contrário de toda a primeira parte, figuras de outra ordem e próximas do marxismo foram montadas, embora não utilize sua terminologia

Pressupostos, Salvo Engano, de Dialética da Malandragem


O que nas entrelinhas para R.S. talvez tenha transparecido “lapso” de A.C. e desta forma surge como dúvida um salvo engano crucial questionado criticamente:

Por que interpretar o Brasil a partir deste específico setor da totalidade, dos que não trabalham regularmente, nem mandam e nem acumulam, localizando aí uma longa tradição, a própria dialética da malandragem?
Com a indagação R.S. parece ter localizado um problema de método dialético com a consequência da originalidade não estabelecer ligação entre literatura e sociedade, o que seria algo comum, mas que explora a dimensão objetiva da forma e busca os correlativos na ordem social, escapando tanto do formalismo quanto do sociologismo vulgares sem ligar as duas vértices da questão.


Sobre o assunto, um salvo engano é focalizado por Roberto Schwarz numa referência negativa e de oscilação entre ordem e desordem no Brasil, ou seja, a própria ditadura militar, começada em 1964 e aguçada depois de 1968 era o cenário
Vista desse ângulo, a referida oscilação muda de figura e se apresenta como um problema dos maiores, sem ponto de apoio possível numa visão otimista, simpática às pessoas de classe baixa e de base cultural, que se resolveria numa espécie de suspensão do mal-estar na sociedade periférica e ou à margem
Também evidenciou que Antonio Candido ao teorizar Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida (1970) a equipara como um romance simples, sem grandes pretensões , cujo ponto de maturidade certamente seria Machado de Assis
De acordo com R. S ressalta o romance Memórias de um sargento de milícias como um referencial contido de personagens criadas com imparcialidade e parâmetros que ultrapassaram muito além da crua oposição entre o Bem e o Mal.
Típico romances, o equipara também como um romance picaresco, mas salvo engano, o seu estudo incrementa à teoria da Dialética da malandragem, o livro de Manuel Antonio de caracterizado como um romance malandro, bastante representativo de uma relação forte entre literatura e sociedade no país em formação à época.
Pícaro X Malandro & Leonardo
“Antonio Candido abre Dialética da malandragem fazendo uma revisão da fortuna crítica do livro, já preparando uma refutação dos que situam as Memórias como romance picaresco, baseando sua análise nos seguintes pontos críticos: o próprio pícaro narra suas aventuras, o que não acontece nas Memórias, livro narrado em terceira pessoa, variando os ângulos primário e secundário; apesar da origem comum, o pícaro e Leonardo diferem, porque este não é largado no mundo, sendo logo protegido pelo Compadre, [...]poupado do “choque áspero com a realidade”; Leonardo já nasce“malandro feito”, não havendo choque da ingenuidade com a dureza do mundo; o pícaro vive a condição servil, passando de amo em amo, variando a experiência, conhecendo o conjunto da sociedade e aprendendo com a experiência.
"Leonardo não vive a condição servil; ambos, o pícaro e Leonardo, são amáveis e espontâneos, vivendo ao sabor da sorte, mas Leonardo não aprende com a experiência, o que traz à tona um ponto importante; a picaresca é sarcástica e áspera, moldada no choque direto com a realidade,enquanto as Memórias são leves e ligeiras [...] ; o pícaro endurece, reconhece os interesses que estão em jogo, precisa agradar a seus amos, enquanto Leonardo tem sentimentos, vive história de amor, não precisa agradar a um amo;"
[...] pícaro seria um aventureiro , internacional, um dos “modelos da ficção realista moderna”, descobrindo a sociedade na “variação dos lugares, dos grupos,das classes...”, sendo obsceno e fazendo uso farto de palavrões; já as Memórias são livro limpo, discreto, e “a sátira nunca abrange o conjunto da da sociedade."
BUENO,2008]
[
R. S. também distingue que A.C ao fechar sua análise sintetiza o ponto de vista que : “Manuel Antonio de Almeida é,por excelência, em nossa literatura romântica, o romancista de costumes”,e seu livro “o mais rico em informações seguras, o que mais objetivamente e embebe numa dada realidade social. Salvo engano, R.S. destaca o diferencial de que em nenhum momento na análise feita por A.C. o romance
Memórias de um sargento de milícias
é qualificado como
um romance malandro nos - momentos decisivos da Formação da literatura brasileira

Seguindo o mesmo raciocínio crítico, R.S. entrelaça um outro elo à corrente de suas ressalvas, ou seja, para ele seu mestre não estabeleceu uma linhagem da qual Memórias de um sargento de milícias faria parte nas prerrogativas futuras . Por isso, R.S. complementou à ideia teórica de Candido que Pedro Malasarte e Gregório de Matos são apontados como antecessores, tendo como sucessores, e culminância, Macunaíma e Serafim Ponte-Grande, no Modernismo dos anos de 1920.
Walnice Nogueira Galvão um ponto de vista que sustenta o Pressupostos, Salvo Engano, de Dialética da Malandragem
No artigo " No tempo do rei"publicado em 1962, no jornal
O Estado de S. Paulo, depois em 1976, no livro Saco de gatos – ensaios críticos. A autora afirma:
“Creio que se pode saudar em Leonardo o ancestral de Macunaíma
”O resumo da análise de Walnice Nogueira Galvão certamente merece atenção, sobretudo em sua crítica do caráter nacional brasileiro e suas três referências fortes:
a) Leonardo, herói sem nenhum caráter, apresenta os traços fundamentais do estereótipo do brasileiro; b) As Memórias fixam pela primeira vez o caráter nacional brasileiro, que certamente teve longa vida em nossa literatura; c) Leonardo seria o ancestral de Macunaíma.
(Bueno, 2008)
Avaliando o ponto de vista de Galvão e todas os argumentos acima debatidos em torno dos
Pressupostos, Salvo Engano, de Dialética da Malandragem de Roberto Schwarz
dos pode se associar que talvez a ideologia do caráter nacional brasileiro, as Memórias de um sargento de milícias não teriam uma forma elaborada, que permitisse uma diealética forte entre literatura e sociedade ao modo da redução estrutural feita por Antonio Candido. O modelo crítico dialético de Roberto Schwarz parece ter norteado sobre o desenvolvimento da forma literária brasileira e focalizado o nosso processo social.


REFERÊNCIAS:

BUENO, A. L. L. . A dialética e a malandragem. Revista Letras (Curitiba), v. 74, p. 47-72, 2008.
CANDIDO, Antonio. Dialética da malandragem. Revista do Instituto de Estudos
Brasileiros da USP, n. 8, 1970.
GALVÃO, Walnice Nogueira. No tempo do rei. In: Saco de gatos - ensaios críticos. SãoPaulo: Livraria Duas Cidades, 1976. p. 27.
SCHWARZ, Roberto. Pressupostos, Salvo Engano, de Dialética da Malandragem. In: Que horas são? São Paulo: Cia das Letras, 1987. p. 129.


Discentes:
Arlete Aparecida Mathias
Gisele Bosquesi
Jorgelina Rivera
Yoanky Cordero Gómez
UNESP- IBILICE - Programa de Pós- Graduação em Letras
Curso: Pensamento Crítico Brasileiro

Docente: Profa . Dra . Lúcia Granja
e
Profa. Dra Diana Junkes B. Martha

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