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As tensões constitutivas da prática antropológica

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by

wanderson fortes

on 9 December 2013

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Transcript of As tensões constitutivas da prática antropológica

O Dentro e o Fora
Dentro: Uma pulsação bastante específica ritma o trabalho de todo etnólogo. O primeiro tempo é o da aprendizagem através de um convívio assíduo e de uma verdadeira impregnação por seu objeto. Trata-se de interpretar a sociedade estudada utilizando os modos de pensamento dessa sociedade, deixando-se, por assim dizer, naturalizar por ela.
O Concreto e o Abstrato
1. É notadamente o caso do evolucionismo que dissolve a alteridade na unidade, pois, como vimos, o "primitivo" não é visto como sendo realmente diferente de nós. Encarna a forma social ultrapassada do que fomos outrora, e é utilizado como a ilustração de um processo único que sempre conduz ao idêntico.
Encontramos no conjunto do campo antropológico um certo número de tensões importantes, opondo a universalidade e as diferenças, a compreensão "por dentro" e a compreensão "por fora", o ponto de vista do mesmo e o ponto de vista dos outros. Mas essas tensões são verdadeiramente constitutivas da própria prática da antropologia. Esta última só começa a existir a partir do momento em que o pesquisador se entrega a um confronto entre esses diversos termos, vive dentro de si essas tensões, frequentemente polêmicas, esforça-se em pensá-las e dar conta delas (Laplantine, 2003, p. 149).
A Unidade e a Pluralidade
Fazer antropologia é segurar as duas extremidades da cadeia e afirmar com a mesma força:

Existe, como escreve Mauss, uma "unidade do gênero humano";

Tal costume, tal instituição, tal comportamento, estranhos a minha sociedade, são realmente diferentes.

As tensões constitutivas da prática antropológica
Fora: De fato, o que vivem os membros de uma determinada sociedade não poderia ser compreendido situando-se apenas dentro dessa sociedade. O olhar distanciado, exterior, diferente, do estranho, é inclusive a condição que torna possível a compreensão das lógicas que escapam aos atores sociais. Ao familiarizar-se com o que de início parecia estranho, o etnólogo vai tornar estranho para esses atores o que lhes parecia familiar.
Risco do Dentro

Assim, o risco do primeiro momento (habitualmente designado pela expressão "compreensão por dentro") é, seja uma participação cega e uma "empatia" que não se consegue mais controlar, seja a retranscrição, em termos eruditos e na forma de uma redundância, do que foi expresso, por exemplo, pelo camponês ou pelo operário em termos populares. Alguns etnólogos têm tendência a supervalorizar o discurso do outro, isto é, a abandonar um modelo de pensamento por outro. Mas em tais condições, como diz Marc Augé (1979), "o etnólogo que tentasse compreender o universo dos bororos e explicá-lo de dentro, não seria mais um etnólogo e sim um bororo".
Risco do Fora

Enquanto nossa profissão de etnólogo exige que comecemos toda pesquisa pela aprendizagem da modéstia, por uma ruptura cultural, ou até por uma "conversão", deixando-nos ensinar e aculturar como crianças, nossas produções eruditas terminam quase sempre tomando as outras sociedades conformes à inteligibilidade que organiza a nossa. O risco, não desprezível, é de estarmos carregando conosco um modelo de leitura, de sociedade em sociedade, com a convicção de sempre permanecer com a última palavra. Se a etnologia conseguir superar a ideologia da idealização amorosa, da fusão e da confusão, parece-me que não deve ser para voltar ao estatuto etnocêntrico da racionalidade ocidental, que é apenas uma forma de lógica entre tantas outras.
2. A partir de um segundo pólo, organiza-se toda uma corrente, que encontra uma de suas primeiras expressões em Montaigne (os costumes diferem tanto quanto os trajes, há uma verdade além dos Pireneus), atravessa o pensamento antropológico contemporâneo, e consiste dessa vez em considerar as diferenças como irredutíveis.
Diante de tais considerações, Laplantive tece algumas conclusões:
1. Sabemos de fato que, quanto mais uma sociedade tende a uniformizar-se, mais tende simultaneamente a diversificar-se.

2. O antropólogo não deve adotar a cultura dos povos enquanto os estuda. É um cuidado que deve tomar.

3. Em suma, buscar o equilíbrio na abordagem antropológica.
A terceira tensão que examinaremos agora é a da observação daquilo que é vivido, e da teoria construída para dar conta dessa observação, ou, se preferirmos, do campo e do método.

A incompreensão entre os que enfatizam a unidade fundamental da cultura e os que privilegiam a diversidade, supostamente irredutível, das culturas, decorre do fato de que não nos situamos, nos dois casos, no mesmo nível de investigação do social.

De um lado, portanto, a preocupação do concreto, de outro, a exigência, para dar conta deste, da construção científica.

1. O primeiro risco, que eu qualificaria de tentação empírica, vem da submissão dócil ao campo, do registro ficticiamente passivo dos "fatos", que dá ao observador a impressão de situar-se do lado das coisas, de estar junto delas.

O trabalho do antropólogo não consiste em fotografar, gravar, anotar, mas em decidir quais são os fatos significativos, e, além dessa descriçao (mas a partir dela), em buscar uma compreensão das sociedades humanas. Ou seja, trata-se de uma atividade claramente teórica de construção de um objeto que não existe na realidade, mas que só pode ser empreendida a partir da observaçãao de uma realidade concreta, realizada por nós mesmos.


2. O segundo risco pode ser qualificado de tentação idealista (ou nominalista). Situamo-nos dessa vez do lado das palavras (ou do lado dos números), mas tomam-se então as palavras por coisas.

No término do empreendimento de modelização que transforma fenômenos empíricos em objetos científicos, acaba-se tomando a construção do objeto pela própria realidade social. Ora, a população que estudamos não nos esperou para atribuir significações a suas práticas. Por outro lado, uma teoria científica nunca é o reflexo do real, e sim uma construção do real.
As Tensões
FIM

Muito Obrigado.
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