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Álvaro de Campos

No description
by

Romila Ismail

on 26 January 2015

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Transcript of Álvaro de Campos

Pontuação emotiva (uso de exclamações)
... Aos olhos de Pessoa
Fases da sua Poesia
Traços Da Sua Poética
Poemas
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Traços Estilísticos
like comment share
Poeta da angústia existencial e da auto-ironia
Álvaro de Campos...
As Suas Linhas Temáticas e Expressividade da Linguagem
Álvaro de Campos

Heterónimos de Fernando Pessoa
1ªFASE
DECADENTISMO
FUTURISMO
SENSACIONISMO
3ªFASE
PESSIMISMO
2ªFASE
A Heteronímia
"Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construi-lhes as idades e as vidas"
Foi descrito biograficamente por Pessoa
"Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim)"
"(...) nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 13:30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo)."
"Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade."
"é alto (1,75 m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se"
"Cara rapada (...) entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo"
"Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre"
Nasci numa província portuguesa

E tenho conhecido gente inglesa
"Eu, que fui sempre um mau estudante(...)
Eu fingi que estudei engenharia.

Vivi na Escóssia. Visitei a Irlanda.
Volto à Europa descontente, e em sortes

De vir a ser um poeta sonambólico.

Eu sou monárquico mas não católico

E gostava de ser as coisas fortes.
Entre todos os heterónimos, Álvaro de Campos foi o
único

a manifestar fases poéticas diferentes.

Houve três frases distintas na sua obra.
DECANDENTISTA
Decadentismo é uma corrente artística, filosófica e, principalmente, literária.
Teve origem na França nas duas últimas décadas do século XIX.
Desenvolveu-se por quase toda Europa e alguns países da América.
O decadentismo arremete contra a moral e os costumes burgueses, evoca a evasão à realidade quotidiana e exalta o heroísmo individual e infeliz, explorando as regiões mais extremas da sensibilidade e do inconsciente.
Verlaine "Eu sou o império ao fim da decadência"
FUTURISTA
O futurismo é um movimento artístico e literário.
Surgiu em 20 de fevereiro de 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, pelo poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le Figaro.
Os adeptos do movimento rejeitavam o moralismo e o passado, e as suas obras baseavam-se fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos tecnológicos do final do século XIX.
Walt Whitman (1819-1892, Huntington) foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano, considerado por muitos como o "pai do verso livre".
Poeta modernista
Poeta sensacionista (odes)
Cantor das cidades e do cosmopolitanismo (“Ode Triunfal”)
Cantor da vida marítima em todas as suas dimensões (“Ode Marítima”)
Cultor das sensações sem limite
Poeta do verso torrencial e livre
Poeta em que o tema do cansaço se torna fulcral
Poeta da condição humana partilhada entre o nada da realidade e o tudo dos sonhos (“Tabacaria”)
Observador do quotidiano da cidade através do seu desencanto
OPIÁRIO
ODE TRIUNFAL
TABACARIA
Predomínio de formas verbais no presente do indicativo
Mistura de níveis de língua
Grafismos expressivos
Assonâncias, onomatopeias e aliterações (por vezes ousadas)
Construções nominais, infinitivas e gerundivas
Subordinação de fonemas
Estrangeirismos, neologismos
Desvios sintácticos
Catarina Góis, Mahita Sacarlal, Romila Ismail, Sarah Rossini
Pessoa afirma que entrava na personalidade de Álvaro de Campos quando sentia "um súbito impulso para escrever"
O Encontro com o Mestre Caeiro
Conheceu Alberto Caeiro, numa visita ao Ribatejo e tornou-se seu discípulo: «
O que o mestre Caeiro me ensinou foi a ter clareza; equilíbrio, organismo no delírio e no desvairamento, e também me ensinou a não procurar ter filosofia nenhuma, mas com alma

Distancia-se, no entanto, muito do mestre ao aproximar-se de movimentos modernistas como o futurismo e o sensacionismo...
"Grandes são os desertos, e tudo é deserto Grande é a vida, e não vale a pena haver vida"
"O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço"
... caíndo, assim, no subjetivismo, que acabará por enveredar pela consciência do absurdo, pela experiência do tédio, da desilusão e da fadiga.
Marinetti
Boccioni
Boccioni
- exprime o tédio, o enfado, o cansaço, a naúsea, o desencanto, o abatimento e a necessidade de novas sensações;

Álvaro de Campos
- marcado pelo romantismo e simbolismo (rebuscamento, preciosismo, símbolos e imagens);
- traduz a falta de um sentido para a vida e a necessidade de fuga à monotonia;

- saturação da civilização moderna - revolta contra a ordem estabelecida;
- busca a evasão (“E eu vou buscar o ópio que consola”);
- estilo confessional.
A Sombrinha, Goya
Álvaro de Campos
- versos livres, longos e vigorosos, submetidos à expressão da sensibilidade, dos impulsos e das emoções;
- introduz na linguagem poética a terminologia do mundo mecânico citadino e cosmopolita.

"Opiário"
"Ode Triunfal"
"Ode Marítima"
FUTURISMO DE MARINETTI
- celebra o triunfo da máquina, da energia mecânica e da civilização moderna;
- elogio da civilização industrial e do progresso técnico;
- apresenta a beleza dos “maquinismos em fúria” e da força da máquina por oposição à beleza tradicionalmente concebida;
- ruptura com o subjetivismo da lírica tradicional;
- visão negativa da poluição física e moral dessa vida moderna;
- canto dos escândalos e corrupções da contemporaneidade.
SENSACIONISMO DE WALT WHITMAN
- procura a totalização das sensações: sente a complexidade e a dinâmica da vida moderna e, por isso, procura sentir a violência e a força de todas as sensações – “sentir tudo de todas as maneiras”;
- sadismo e masoquismo (“Rasgar-me todo, abrir-me completamente,/ tornar-me passento/ A todos os perfumes de óleos e calores e carvões...”, Ode Triunfal);
- tenta integrar e unificar tudo o que tem ou teve existência ou possibilidade de existir;
-exprime a energia ou a força que se manifesta na vida.
PESSIMISTA / NIILISTA
Niilismo
doutrina que nega a existência de qualquer realidade substancial
Sono
Cansaço
Desilusão
Revolta
Inadaptação
Disperção
Angústia
Desânimo
Frustração
- Revela, como Pessoa, a mesma inadaptação à existência e a mesma demissão da personalidade íntegra, o cepticismo, a dor de pensar e a nostalgia da infância.
- face à incapacidade das realizações, sente-se abatido, vazio, um marginal, um incompreendido;
- frustração total: incapacidade de unificar em si pensamento e sentimento, mundo exterior e interior;
- nostalgia da infância irremediavelmente perdida;
Em "Opiário" Campos descreve-se...
Aspectos Formais
- poemas muito longos (muitas estrofes);
- estrofes e versos longos (no geral);
- verso livre;
- estilo torrencial, repetitivo e excessivo;
- linguagem marcada por um tom excessivo e intenso.
Jogos de sons
Vocabulário técnico
A Mário de Sá Carneiro
Poema "Dispersão"
Marca época de transição de pessoa
Plena vivência heteronímica
Sá de Carneiro
perdido num «labirinto de si mesmo»
Campos pretende encontrar-se depois, sair do labirinto, outro, renascido.
A palavra ode, de origem grega, significa cântico laudatório ou de exaltação de uma pessoa, instituição ou acontecimento.
Com o epíteto de Triunfal, pretendeu o poeta não só vincar, mas também hiperbolizar o significado de ode, apontando para qualquer coisa de grandioso.
Sob influência de Marinetti e Walt Whitman, a Ode Triunfal canta o triunfo da técnica, as máquinas, os motores, a velocidade, a civilização mecânica e industrial, o comércio, os escândalos da contemporaneidade...
"Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!"
A exaltação da civilização moderna
O poema começa com uma estranha iluminação de lâmpadas eléctricas. Diante dos seus olhos acumula-se uma multiplicidade de impressões e todos os seus sentidos estão despertos
Figuras de Estilo
Antítese
: «(...)me sufoca e ampara.»
Campos está perdido e confuso ainda na busca pelo seu «eu» interior
À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica / Tenho febre e escrevo.
Diante dos seus olhos acumula-se uma multiplicidade de impressões e todos os seus sentidos estão despertos
O homem adoentado é subitamente arrebatado pelas oscilações dos motores e a sua cabeça abrasada começa a vibrar também.
"Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos, / De vos ouvir demasiadamente perto, / E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso / De expressão de todas as minhas sensações..."
A fábrica aparece então como motivo inspirador para a homenagem a esta civilização moderna
Eu poético
"tenho febre"
"fúria fora e dentro de mim"
"meus nervos"
"arde-me a cabeça"
É este universo de "
lâmpadas eléctricas
",
"rodas", "engrenagens", "máquinas", "correias de transmissão", "êmbolos"
e
"volantes"
que o faz sentir-se simultaneamente incomodado e atraído pela ruidosa dinâmica dos
"maquinismos em fúria"
.
neurótico, frágil
A vertigem das sensações
"Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!"
O sujeito poético deixa-se seduzir vertiginosamente por um excesso de sensações
Sente-se arrebatado por um universo, onde a velocidade, a força e o progresso têm expressão
"Nem sei se existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me. / Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!"
A violência de sensações fá-lo desejar
"O Momento estridentemente ruidoso e mecânico....".
"ser toda a gente e toda a parte"
e limitar a si próprio e ao gozo do instante qualquer noção de temporalidade
A temporalidade unificada
A atracção erótica pelas máquinas
A denúncia social
O fulcro do tempo é, assim, o presente, o instante em que o sujeito poético se mostra permeável a todos os estímulos da civilização mecânica e industrial
"Eia todo o passado dentro do presente! / Eia todo o futuro já dentro de nós!"
"Porque o presente é todo o passado e todo o futuro..."
O presente é uma síntese do passado e do futuro
Esta visão excessiva e intensa do real provoca no sujeito poético um estado de quase alucinação, marcadamente sensual
"Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma."
"
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente..."
"Possuo-vos como a uma mulher bela..."
"Amo-vos carnivoramente,
Pervertidamente..."
"Como eu vos amo de todas as maneiras,
Com os olhos e com os ouvidos e com o olfato
E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!) "
"Ah, como todos os meus sentidos têm cio de vós! "
PAIXÃO
quase erótica pelas máquinas e este entusiasmo pela civilização moderna
masoquismo sádico
HISTERISMO :O
"Atirem- me para dentro das fornalhas!
Metam-me debaixo dos comboios!
Espanquem-me a bordo de navios!
Masoquismo através de maquinismos!"
A atracção erótica pelas máquinas
tendência do sujeito poético para humanizar as máquinas
"Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força..."
"Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!"
tentativa de ele próprio se materializar, ou tornar-se parte delas
"Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!"
"Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando..."
A força e a agressividade do sujeito poético são quebradas pela evocação irónica do reverso da medalha da civilização industrial
DESUMANIZAÇÃO
HIPOCRISIA E FUTILIDADE
CORRUPÇÃO, ESCÂNDALOS POLÍTICOS E FINANCEIROS
OS FALHANÇOS DA TÉCNICA
A MISÉRIA E A DEVASSIDÃO DAS MULTIDÕES
"Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos!"
"...injustiças, violências..."
"...ó grandes, banais, úteis, inúteis,
Ó coisas todas modernas..."
"Orçamentos falsificados!"
"Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos"
"Eh-lá desabamentos de galerias de minas!"
"Eh-lá grandes desastres de comboios!"
"Maravilhosa gente humana que vive como cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais..."
Recursos expressivos
Recursos expressivos
Recursos expressivos
estilo vagabundo, paradoxal e vertiginoso
sensações desmedidas
pensamento sensacionista
estilo caudaloso, torrencial e caótico
RUTURA COM LÍRICA TRADICIONAL
irregularidade estrófica, métrica e rimática
ritmo irregular e nervoso
presença de alguns desvios sintácticos
"..fera para a beleza disto..."
"Por todos os meus nervos dissecados fora..."
frequência das expressões exclamativas
EMOÇÃO
as repetições, as enumerações e as onomatopeias
processo retórico
evidenciam a íntima relação do sujeito poético com o mundo mecânico e industrial
As metáforas e as imagens
«E arde-me a cabeça...»
«...Natureza tropical...»
«Pervertidamente enroscando a minha vista...»
«Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força...»
«E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas...»
As enumerações
frenético desejo do sujeito poético de sentir tudo de todas as maneiras
"Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!"
"Eh, cimento armado, betão de cimento, novos processos!"
As anáforas
sucessão caótica dos fenómenos da civilização industrial, permitindo ao sujeito poético acompanhar o seu ritmo
Por todos os meus nervos (...) Por todas as papilas...»
«Poder ir na vida triunfante (...) Poder ao menos penetrar-me...»
Os neologismos e os estrangeirismos
A adjectivação
As apóstrofes
ligação do sujeito poético às inovações da modernidade e à universalidade do progresso técnico
«quase-silêncio»
«parte-agente»
«rails"
«Luna-Parks»
«music-halls»
«motores»
«êmbolos»
«guindastes»
«fornalhas»
As onomatopeias
excesso de sensações que dominam o sujeito perante a modernidade
tentativa do sujeito poético de imitar os sons ruidosos das máquinas
estilo laudatório do poema e a exaltação da civilização industrial
«quase-silêncio ciciante e monótono»
«giro lúbrico e lento»
«rodar férreo e cosmopolita»
«promíscua fúria»
«r-r-rr»
«Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô»
«z-z-z-z-z-z-z»
«Ó rodas, ó engrenagens...»
«Ó fazendas nas montras! Ó manequins!
Datado de 1928, o poema Tabacaria enquadra-se na terceira fase poética de Álvaro de Campos, a fase, "intimista", onde mergulha nas profundezas da angústia e do pessimismo.
O autor retorna ao tema do cansaço, da inquietação diante do incompreensível.
No poema é predominante o niilismo, o sentimento de revolta, o inconformismo, a desumanização
Repara se que o poeta é absolutamente niilista em relação a si próprio
vv1-3
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada”
"tenho em mim todos os sonhos do mundo"
vv4
"Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é"
vv 5-6
vv 8-9
"Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,"
Fechado no seu quarto, solitário, o eu-poético contempla uma rua, onde percebe um mistério, que é a morte e o destino que ninguém vê
Vivendo seus sonhos, ele procura esquecer toda aprendizagem e parte em busca da natureza influenciado por
contudo essa solução não o satisfaz
"A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,"
ALBERTO CAEIRO
Vv 27-30
Álvaro de Campos é radicalmente diferente de Alberto Caeiro. A sua angústia, a sua lucidez não permitem que seja inocente, natural.
O poeta volta à oposição d a fantástica capacidade de sonhar à limitação do mundo exterior
"Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?"
"Que sei eu de que serei, eu que não sei o que sou?/ Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa"
Ele toma consciência de que os sonhos nada valem, pois as aspirações altas e nobres e lúcidas talvez nem vejam a luz do sol, nem atinjam ouvidos de gente
"O mundo é para quem nasce para o conquistar/ E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão."
Apesar de ter conquistado mais do que o grande conquistador Napoleão, de ter amado mais do que Cristo e de ter filosofado mais que Kant...
... isso de nada vale, na medida em que tudo se processou na imaginação.
"Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez."
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu."
"Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,"
"Serei sempre o que não nasceu para isso"
Para expressar essa sua impotência perante a realidade, Álvaro de Campos serve-se da imagem do homem que espera que lhe abram a porta numa parede sem porta, ou do homem que tenta fazer que sua voz chegue até Deus, cantando dentro de um poço tapado.
“escravo cardíaco de estrelas”
O poeta vê-se como um
que o impede de ter emoções fortes, ou como quem só conquista tudo em sonhos
distanciamento cada vez maior da realidade, do mundo visível
A consciência disso causa-lhe um cansaço, um sofrimento, de maneira que passa a invejar uma menina que come chocolates inocentemente.
PENSAR É DOLOROSO, por impedir o homem de ser feliz
Ao sentir o vazio dentro se si, o poeta procura alguma coisa que o inspire. Por isso recorre a musas inspiradoras do passado
"Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua"
“coração é um balde despejado"
mas a sensação de vazio continua a mesma, já que seu
Angústia do homem moderno
que não encontra mais ponto de apoio para as suas inquietações
entrega se ao DESESPERO
Campos sente-se um exilado, um ser à parte em relação à humanidade
"O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário"
o eu-poético e o dono da tabacaria
Os versos finais do poema colocam frente a frente
homem comum, o homem sem inquietações metafísicas
experimenta uma sensação de desconforto e passa a ter a sensação da absoluta inutilidade de tudo, até da própria poesia
O poema fecha com a absoluta solidão do poeta, que tem consciência de que nada vale a pena...
...enquanto o dono da tabacaria, sem consciência alguma do que o rodeia, apenas sorri
O canto do Ópio;
O desejo dum Além;
O canto da civilização moderna;
O desejo de sentir em excesso;
A espiritualização da matéria e a materialização do espírito;
O delírio sensorial;
O sadomasoquismo;
O pessimismo;
A inadaptação à realidade;
A angústia,
o tédio,
o cansaço;
A nostalgia da infância;
A dor de pensar.

Nível semântico:
apóstrofes, anáforas, personificações, hipérboles, oximoros, metáforas ousadas, polissíndetos.

Nível fónico:
Poemas muito extensos e poemas curtos;
Versos brancos e versos rimados;
Assonâncias, onomatopeias exageradas, aliterações ousadas;
Ritmo crescente/decrescente ou lento nos poemas pessimistas

Nível morfossintáctico:
Na fase futurista, excesso de expressão: enumerações exageradas, exclamações, interjeições variadas, versos formados apenas com verbos, mistura de níveis de língua, estrangeirismos, neologismos, desvios sintácticos;
Na fase intimista, modera o nível de expressão, mas não abandona a tendência para o exagero.

" ...pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou a mim nem à vida. “
Fernado Pessoa

"Tabacaria"
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.
Pertenço a um género de portugueses

Que (...) Ficaram sem trabalho

Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Ser herói, doido, amaldiçoado ou bélo!
E afinal o que quero é fé, é calma,

E não ter estas sensações confusas"
Opiário
Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro

É antes do ópio que a minh'alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.
(…)
É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.
(…)
Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, cânfora na aurora.

Perdi os dias que já aproveitara.
Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.

E fui criança como toda a gente.
Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.
Gostava de ter poemas e novelas
(…)
A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.

Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.

Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.
(…)
Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avòzinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.
(…)
Gostava de ter crenças e dinheiro,
Ser vária gente insípida que vi.
Hoje, afinal, não sou senão, aqui,
Num navio qualquer um passageiro.

Não tenho personalidade alguma.
(…)
Não posso estar em parte alguma. A minha
Pátria é onde não estou. Sou doente e fraco.
(…)
Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.
(…)


Caio no ópio por força
(…)
Que um raio as parta! E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!
(…)
E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida... Ora! um rapaz...
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.

Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?
(…)
Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co'os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!

Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.
(…)
E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!

(No Canal de Suez, a bordo)


Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa


Sentir mais inocente, assumir de um sensacionismo pleno, ainda sem estar desenvolvido numa verdadeira teoria.
No mar entre o Oriente e Portugal, em algum lugar pelo Canal de Suez sob efeito de ópio, Álvaro manifesta emoções dispersas e violentas em relação à estrutura moderna de vida.
Quando foi da publicação de «Orpheu», foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema «antigo» do Álvaro de Campos — um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu
mau, e que dá o Álvaro em botão. . .
Génese do poema
Carta a Adolfo Casais Monteiro de Fernando Pessoa
Dados Autobiográficos
Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, cânfora na aurora.

E fui criança como toda a gente.
Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.

Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avòzinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.
E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida... Ora! um rapaz...
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.
«Trabalhei para ter só o cansaço»
Trabalho
dinheiro direitos
deveres esforço
sacrifício dedicação
cansaço
Trabalho não trouxe nada de bom, apenas os apetos negativos
«Quem trabalha por gosto não cansa.»
O cansaço já faz parte dele, como um traço da sua personalidade
Visões de cadafalsos
Espécie de pequeno palco com uma forca, que se montava antigamente na rua, para matar os condenados
referência à morte, que é certa, vista num delírio
ação do ópio; ilusão, imaginação
«(...)jardim onde há flores no ar, sem hastes»
Haste=Caule
terreno
Relativo àquilo que se vê ou é palpável
aéreo
Celeste, sensorial, imaginativo
Repetição
: «Um Oriente ao oriente do Oriente»
Sonho embriegado pelo Oriente

«Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes»
Antítese
: «Sentir a vida convalesce e estiola»
*convalescer
: recuperar a saúde e o vigor depois de uma doença ou acidente
*estiolar
: perder as forças, debilitar-se
Procura exagerada e excessiva
incentivo, impulso, vontade
Continua perdido
Metáfora
:
«(...)vida de bordo»
Vida real, marcada pelas suas viagens
Incapaz de se integrar na sociedade; Incapaz de encontrar a sua personalidade
*febre
: desejo intenso de realizar e obter
mola: volta à forma inicial depois de ser esticada
não encontra
repetitiva, rotineira, aborrecida
«(...)febre na cabeça»
Pensa (procura) demasiado: algo louco
«Procure até que adoeça»
«já não encontro a mola para adaptar-me»
Parece aumentar a sua falta de confiança em si mesmo.
Procura fuga da vida
Símbolo: ópio
impaciente
nova alma
maneira de sentir no presente essa sensação futura.
Ópio
sedativo
analgésico
estupefaciente
afastamento da realidade
consolo,
alívio momentâneo
É antes do ópio que a minh'alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Ópio
Doente
porque sente a vida
não esquece a realidade que o afoga
Perdido
Caio no ópio por força
Trabalhador cansado e sem futuro na sua profissão
um descrédito completo e impossível de ultrapassar
Alma sensível, portuguesa e cansada
O que resta aos portuguesas depois das descobertas
uma vontade de fazer nada
um povo que se derrotou a si mesmo porque fez demasiado
caráter de negatividade
Perdi os dias que já aproveitara.
Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.

Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.

Inadaptado e indefinido
Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.
A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.

Não posso estar em parte alguma. A minha
Pátria é onde não estou. Sou doente e fraco.
Não tenho personalidade alguma.
Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?
Poeta frustrado e entediado
A teoria principal de Campos é que as viagens são para se fazerem dentro da alma. Campos ébrio pelo torpor da droga, que lhe revela mais do que ele próprio pensa ser possível revelar: que a sua vida é uma mentira.
Gostava de ter poemas e novelas
Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.
Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.
O esquecimento, a morte, a loucura
Campos sente por dentro todas estas
sensações contraditórias
– o
tédio e a vontade de superação do tédio
. Há três meios para
deixar para trás
o desespero que vem com o
pensamento obsessivo
das coisas reais: o
esquecimento
, a
morte
e a
loucura
. Campos
não consegue esquecer
, nem mesmo através da droga, do opio.
Nem
consegue
aceitar a morte como solução
visível para o seu sofrimento.
A loucura parece-lhe apenas em momentos aceitável
como objetivo.
É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.
Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co'os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!
Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.
Sentir tudo de todas as maneiras
Sentir é tudo: é lógico concluir que o melhor é sentir toda a casta de coisas de todas as maneiras.
Nunca interroga, sente. É o filho indisciplinado da sensação. Em Álvaro de Campos, as coisas devem ser simplesmente sentidas.

Afinal o que define melhor o Campos futurista do que esse desejo íntimo de ter em si mesmo todas as almas do mundo, de ser tudo, toda a gente?
Há uma necessidade de confluir numa só
onda
a confusão dos sinais do mundo, as
sensações confusas
, que podem continuar a ser assimiladas sem significado aparente pelo cérebro desta alma sensível. A
solução
é deixar-se levar pelas
águas revoltas
que saem sem regulação das eclusas abertas, isto é, pela
confusão de sinais
, pela
vida
, pela
realidade
em todos os sentidos óbvios e ocultos.
O que se percebe é essa
vontade de deriva
,
vontade de desencontrar-se
de si, de tudo que é sua marca pessoal e identitária.
Gostava de ter crenças e dinheiro,
Ser vária gente insípida que vi.
Hoje, afinal, não sou senão, aqui,
Num navio qualquer um passageiro.
Que um raio as parta! E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!
E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!
Campos - Pessoa
Campos representa a Terra, as sensações da Terra. É assim que o devemos ver. É a ligação fixa a algo que Pessoa nunca conseguiu ter; dar aparência de verdadeiro a todas as sensações misturadas no mundo, mesmo que este nunca saia de dentro dele.
Este poema tem marcas da viagem do seu ortónimo, em 1905 para Lisboa. Pessoa chega a confundir o seu método filosófico com as suas próprias memórias de infância, de criança assustada que viaja no vapor para África, e que se refugia cada vez mais na sua viagem interior.
Afinal Opiário não será pouco mais do que uma grande metáfora para a viagem interior de Campos? Da sua viagem do Ocidente (o cosmos) para o Oriente (o caos). Campos viaja para o Oriente. Podemos dizer que caminha para um renascimento, para a iluminação.
A viagem é afinal a definição deste heterónimo – ele viaja não só para o Oriente, mas também viaja dentro de si mesmo, em busca da verdade. Campos empreende uma viagem que é simultaneamente uma viagem do corpo e uma viagem do espírito: ele está a transmutar-se numa outra coisa, a encontrar uma nova maneira de viver e de olhar a realidade.
Viagem ao Oriente
a
b
b
a
c
d
d
c
Disfemismo
: «A morte é certa»
Reforçar ideia de frustração e negatividade
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