Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

PERÍODO COLONIAL: QUINHENTISMO, BARROCO E ARCADISMO

No description
by

Fernando Juarez de Cardoso

on 3 January 2016

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of PERÍODO COLONIAL: QUINHENTISMO, BARROCO E ARCADISMO

Quinhentismo
Barroco (1601 - 1768)
Arcadismo
(1768 - 1836)

Literatura Brasileira
Período Colonial (1500-1836)
Literatura diretamente ligada à expansão territorial liderada pelos países da Península Ibérica - Portugal e Espanha, a partir do século XV.
Considerada a 'Arte da Contrareforma, o Barroco encarna as dúvidas e contradições advindas da crise do Renascentismo, após a queda do Império Romano do Ocidente.
Arte essencialmente ligada ao Iluminismo, faz uma intensa recusa do movimento Barroco, através das seguintes características:
A literatura dos conquistadores (1500-1601)
A conquista desses novos territórios, incluindo a 'descoberta da América', foi um processo nunca antes visto no mundo, e que modificou radicalmente os limites do mundo europeu.
Contudo, esse processo de descoberta e colonização se deu de forma violenta, já que os povos autóctones acabaram por serem dizimados rapidamente pelos europeus.
Tendo em conta esse processo, teremos, então, duas manifestações literárias predominantes: a literatura informativa e a literatura jesuítica.
A Literatura Informativa
A Literatura Jesuítica
É a manifestação predominante do período em questão, e que tem como principal preocupação informar sobre as características e riquezas das novas terras descobertas pelos colonizadores.
Há de se notar que estes documentos (cartas) não possuem preocupações artísticas, já que seu intuito é apenas informar e relatar as conquistas efetuadas pelos navegadores e exploradores.
Dentre os relatos mais conhecidos, temos a famosa 'Carta do achamento' de Pero Vaz de Caminha (maio de 1500).
Esta é considerada o primeiro relato sobre o território brasileiro, falando sobre a sua natureza e seus habitantes, e é dirigida ao rei D. Manuel.
No entanto, temos de lembrar o seu caráter puramente informativo, e que não carrega nenhum traço artístico, tal qual recursos narrativos.
"Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha."
"O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de ouro e mui grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa por estrado. [...] Entraram. Mas não fizeram sinal de cortesia, nem de fala ao Capitão nem a ninguém."
"Porém um deles pôs olho no colar do Capitão, e começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos dizendo que ali havia ouro. [...] Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhes dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço."
"Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo."
Sobre as índias nativas:
O primeiro contato em terra:
"Porém, e com tudo isso, andam muito bem curados e muito limpos. E naquilo me parece ainda mais que são como aves ou alimárias monteses, às quais faz o ar melhor pena e melhor cabelo que às mansas, porque os corpos seus são tão limpos, tão gordos e tão formosos, que não pode mais ser."
Sobre a higiene dos índios:
"De ponta a ponta, é toda praia, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa."
"Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infindas."
"E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar."
Da natureza e suas riquezas
Outras manifestações da literatura informativa
Pedro Gândavo - 'História da província de Santa Cruz'
Gabriel Soares de Souza - 'Tratado descritivo do Brasil'
Fernão Cardim - 'Tratados da terra e gente do Brasil'
Hans Staden - 'Duas viagens ao Brasil'
Manifestação literária que tinha como intuíto principal catequizar os nativos das novas terras, 'civilizando-os' aos moldes europeus e cristãos.
Dentre os seus representantes principais, estavam os jesuítas, que exerceram através do ensino religioso um forte trabalho de catequização do índio.
Sem dúvida, entre os jesuítas, o que obteve maior destaque nesse período foi o Pe. José de Anchieta (1534-1597).
Suas obras, dotadas de uma refinada cultura humanística e compostas em latim, se dividia entre poemas, monólogos, e, principalmente, peças de teatro.
Benedito Calixto - Anchieta e o Evanchelho das Selvas (1839)
Principais autores
Na poesia lírica
Na poesia épica
Cláudio Manoel da Costa
(1729 - 1789)
Tomás Antônio Gonzaga
(1744 - 1810)
Silva Alvarenga
(1749 - 1814)
Basílio da Gama
(1741 - 1795)
Santa Rita Durão
(1722 - 1784)
Pseudônimo: Glauceste Saturnino
Principais obras: 'Obras poéticas' e 'Vila Rica'
Pseudônimo: Dirceu
Principais obras: 'Marília de Dirceu' e 'Cartas Chilenas'
Pseudônimo: Alcindo
Principais obras: 'Glaura'
Considerado o poeta de transição entre o Barroco e o Arcadismo, tem como principal tema o sofrimento.
Poeta tipicamente árcade, preso aos esquemas bucólicos pastoris e ao amor galante.
Celebração da pastora Glaura, ora num tom galante, ora num tom melancólico.
Sua principal obra, 'O Uraguai', tem como tema a tomada das Missões jesuíticas pelas tropas luso-espanholas.
Principais personagens:
Sepé
Cacambo
Lindóia
Baldeta
Pe. Balda
Gomes Freire de Andrade
Em 'Caramuru', Durão faz a glorificação do colonizador branco.
Principais personagens:
Diogo Álvares Correia
Paraguaçu
Moema
Logo, nessa nova manifestação artística, teremos uma série de antíteses que serão incorporadas pelo homem Barroco.
Dentre estas, sem dúvida a principal é o conflito entre o 'corpo' e a 'alma', o qual representa também o conflito entre Antropocentrismo (pensamento Renascentista) e Teocentrismo (pensamento Barroco).
Além disso, esse conflito será expresso por uma forma conturbada, através de antíteses, inversões, paradoxos e outras figuras de linguagem, que serão a tradução dos conflitos interiores do período.
Outra temática importante da arte barroca é a passagem do tempo, já que o homem barroco se mostra indeciso entre viver a sua vida defrutando dos seus prazeres (corpo) ou preparar-se para a morte (alma).
Barroco no Brasil
Contexto histórico: Nordeste brasileiro, durante o séc. XVII, se extendendo por dois séculos na arquitetura e na escultura.
Na Literatura, falando de obras, tem o seu início em 1601, com a publicação de 'Prosopopéia', de Bento Teixeira.
Há que se ressaltar que, no Brasil, o Barroco é uma arte transplantada, levando a uma necessidade de adaptação da mesma ao contexto local, que divergia do contexto europeu.
Assim, a rígida ordem moral e religiosa em oposição à promiscuidade sexual existente na colônia segue sendo um dos conflitos principais do artísta barroco brasileiro.
Principais autores
SINTETIZANDO
O Barroco é uma arte dualista, no sentido de ser composta basicamente por oposições:
Ainda, o Barroco expressa uma profunda e constante angústia:
Teocentrismo x antropocentrismo
Obscuridade x complexidade
Corpo x alma
Morte x salvação eterna
Cultismo x conceptismo
Angústia mística:

Salvação x perdição
Angústia existencial:
Vida x morte
Eemeridade da vida x fugacidade do tempo
Gregório de Matos (1636 - 1696)
Pe. Antônio Vieira (1608 - 1697)
Considerado o 'homem barroco' por excelência, Gregório de Matos encarna todas as facetas dessa escola literária em todas as suas manifestações e contradições.
Por conta disso, escreve poemas tanto religiosos, quanto amorosos e satíricos. Por estes últimos, ficou conhecido pela alcunha de 'Boca do Inferno', dado o alto teor crítico das suas composições, que não poupavam os seus desafetos.
Didaticamente, podemos dividir a poesia de Gregório em três vertentes principais, com suas específicas manifestações:
3) ENCOMIÁSTICA (laudatória)
1) POESIA LÍRICA
a) religiosa
b) reflexiva
c) amorosa
2) POESIA SATÍRICA
a) Graciosa (humor sobre a cidade da Bahia)
b) Fescenina (pornográfica)
Em seu caráter religioso, apresenta o homem ajoelhado diante de Deus; já a faceta reflexiva, mostra um artísta preocupado com a fugacidade da vida; por último, no amor, o poeta se mostra dedicado e gracioso na conquista da sua amada.
Faceta mais conhecida de Gregório, a poesia satírica tende, principalmente, à crítica ácida e incontida que denuncia os mandos e desmandos praticados pelas autoridades, além de denunciar a precariedade do contexto colonial e mostrar um profundo desgosto pelos habitantes portugueses e mulatos.
Menos frequente na produção do poeta, a poesia encomiástica se relaciona aos poemas de circunstância, compostos meramente para o registro destes, bem como para o elogio a certas personalidades.
Sobre o cultismo e o conceptismo
O cultismo (ou Gongorismo) é representado nas composições pelos jogos de palavras, produzindo o efeito de rebuscamento do artísta.
Ainda, temos como outras características do artista cultista a agudeza, descrição e o sensorialismo.
Já o conceptismo (ou Quevedismo) é manifestado pelos jogos de ideias, por conta das frequentes analogias e sutilezas de raciocíonio produzidas.
Outras características dos conceptistas são o engenho das construções, o caráter dissertativo (argumentação) e o intelectualismo.
EXEMPLO DE CULTISMO

"Se as sobrancelhas vejo,
Setas despedes contra o meu desejo;
Se do rosto os primores,
Em teu rosto se pintam várias cores;
Vejo, pois, para pena e para gosto
As sobrancelhas arco; íris o rosto."

(Manuel Botelho de Oliveira)
EXEMPLO DE CONCEPTISMO

“Quem teme o inferno pelas penas do fogo, teme-o
por amor de si; quem teme o inferno pelas injúrias
de Deus, teme-o por amor de Deus; e quem teme o
inferno não por amor de Deus senão por amor de si,
vai para o inferno; porém quem teme o inferno não
por amor de si senão por amor de Deus, não o pode
Deus lançar no inferno.”

(Padre Antônio Vieira)
“Membro de uma ordem essencialmente militante, fez do púlpito um alto jornalismo falado, esposando as grandes causas do mundo católico pós-medieval e verberando, com audaciosa veemência, vários preconceitos e misérias do seu tempo."
"Muitos dos sermões de Vieira são exemplos incomparáveis de artifício retórico posto a serviço do pensamento crítico. Levado, por formação e por prudência, a amarrar firmemente seus vôos oratórios a passagens das Escrituras, ele deu ao sermão a forma estrita de um comentário interpretativo.”

(José Guilherme Merquior)
Em seus inúmeros sermões, Antônio Vieira faz uso de um estilo conceptista para defender o combate aos ímpios (que desprezam a fé) e aos índios, além de sonhar com o retorno de um 'Grande Império Português', localizado no Brasil.
Principais sermões:

Sermão da sexagésima
Sermão de Santo Antônio dos Peixes
Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal
Racionalismo
Busca da simplicidade
Imitação dos clássicos (mitologia)
Retorno à natureza
Bucolismo e pastoralismo
Amor galante
Ausência de subjetividade (pseudônimos)
Ressurgimento das academias
Ainda, além dessa recusa do meio urbano e do rebuscamento barroco, através da fuga para o campo e da busca pela simplicidade, o Arcadismo, no Brasil, se configura por outras importantes mudanças.
Primeiramente, a mudança do Nordeste (açucareiro, latifúndio) para a região de Minas Gerais (ouro, cidades)
Segundo, temos a instituição, mesmo que de forma incipiente, de um público leitor que consumia as obras produzidas pelos autores desse período.
Isso configura o que vamos chamar de sistema literário, composto pelos três elementos essenciais: Autor > obra > público.
O indianismo na poesia épica
Em Basílio da Gama, temos a glorificação do homem natural que enfrenta os representantes da civilização européia.
Já em Santa Rita Durão, ocorre a glorificação do índio que se converte à religião do dominador luso e o auxilia na conquista da terra.
Poesia épica
É um poema de cunho narrativo que tem por função contar a história de um herói para fixar uma identidade nacional. É cultivado no Arcadismo, justamente porque agora temos uma tentativa de construção de nação.
Destoa ideologicamente dos seus contemporâneos poetas
Defende as posições Jesuíticas
Obra muito criticada
Índio como herói primordial, mas dominado pelo branco
Modelo camoniano no seu poema épico
Perseguido em Portugal
Protegido do Marquês do Pombal
Defensor das idéias despóticas do regente de Portugal
Autor da obra mais importante do Arcadismo nacional
Traz o índio como herói, no melhor modelo “Rousseauniano”
Seu papel no chamado “novo mundo” é de grande destaque, já que além dos seus autos e poemas líricos, é responsável pela primeira gramática que compilava a língua tupi em 1559.
Predominantemente lúdicas, as encenações compostas por Anchieta visavam “o jogo coreográfico, a cor e o som”.
Assim, mesclavam-se “elementos históricos e fictícios, religiosos e profanos”, bem como “pequenos sermões musicados [que] irrompiam no meio das cenas”.
Dessa forma, buscava-se alcançar o grande objetivo de “infundir o pensamento cristão nos índios”.
É tido como o primeiro movimento artístico da chamada Era Moderna da História Ocidental.
Isso é resultado de uma série de acontecimentos na história ocidental, os quais irão se refletir diretamente na arte barroca.
Outras Importantes Mudanças No Mundo Ocidental

• Surgimento dos estados nacionais e do absolutismo;
• Implementação do capitalismo e das colônias;
• Ordenação teocrática da vida religiosa a partir da Contrarreforma;
• Aparecimento da ciência moderna (Newton, Galileu).
Angústia erótica:

Sensualismo x platonismo
Carpe diem
x pessimismo
À mesma d. Ângela

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Soneto a Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.

Se basta a voz irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica todo.
AOS VÍCIOS

Eu sou aquele que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios e enganos,
 
E bem que os descantei bastantemente,
Canto segunda vez na mesma lira
O mesmo assunto em plectro* diferente.
(...)
Define a sua cidade (De dous ff se compõe);
 
MOTE

De dous ff se compõe
esta cidade a meu ver
um furtar, outro foder 
À cidade da Bahia (soneto)

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história.

Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada,
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.
O néscio, o ignorante, o inexperto,
Que não elege o bom, nem o mau reprova,
Por tudo passa deslumbrado e incerto.
 
E quando vê talvez na doce trova
Louvado o bem, e o mal vituperado,
A tudo faz focinho, e nada aprova.
Diz logo prudentaço e repousado:
- Fulano é um satírico, é um louco,
De língua má, de coração danado.
 
Néscio, se disso entendes nada ou pouco,
Como mofas com riso e algazarras
Musas, que estimo ter, quando as invoco.
 
Se souberes falar, também falaras;
Também satirizadas, se souberas,
E se foras poeta, poetizaras.
 
A ignorância dos homens destas eras
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
Que a nudez canoniza bestas-feras. (...)
Recopilou-se o direito,
e quem o recopilou
com dous ff o explicou
por estar feito, e bem feito:
por bem Digesto, e Colheito
só com dous ff o expõe,
e assim quem os olhos põe
no trato, que aqui se encerra,
há de dizer, que esta terra
De dous ff se compõe.
Provo a conjetura já
prontamente como um brinco:
Bahia tem letras cinco
que são B-A-H-I-A:
logo ninguém me dirá
que dous ff chega a ter,
pois nenhum contém sequer,
salvo se em boa verdade
são os ff da cidade
um furtar, outro foder.
Se de dous ff composta
está a nossa Bahia,
errada a ortografia
a grande dano está posta:
eu quero fazer aposta,
e quero um tostão perder,
que isso a há de preverter,
se o furtar e o foder bem
não são os ff que tem
Esta cidade a meu ver.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
Full transcript