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O método científico: indutivismo versus falsificacionismo

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by

José Joaquim Fernandes

on 24 May 2015

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Transcript of O método científico: indutivismo versus falsificacionismo

O problema do
método científico:

Este problema pode ser colocado nos seguintes termos:

como se desenvolve o trabalho de investigação dos cientistas que lhes permite chegar à formulação de
leis científicas
? Como decorre o trabalho de descoberta científica?
Abordaremos 2 perspectivas filosóficas rivais sobre este problema: o
indutivismo
e o
falsificacionismo.
O indutivismo
De acordo com os defensores do indutivismo, no método científico
os dados da observação são determinantes
e o raciocínio dos cientistas segue um esquema lógico idêntico às
inferências indutivas (generalizações e previsões)
que caracterizámos quando falámos da lógica não dedutiva.
Uma investigação seguiria os seguintes passos:
1) Os cientistas, começam o seu trabalho com
observações
repetidas e controladas; fazem uma recolha rigorosa, objectiva e sistemática de factos ou dados empíricos que depois são tratados e organizados segundo modelos matemáticos ou classificativos de vários tipos.
Assim, num outro exemplo, um meteorologista para realizar uma previsão do tempo recolhe informações sobre pressão atmosférica, humidade, velocidade do vento, temperatura, etc..
Seguidamente, introduz esses dados num programa informático que os "trata" de acordo com certos modelos previamente testados.
2) Recolhida toda esta informação, os cientistas ainda não têm uma
explicação
para os factos observados.
É a fase da construção das
hipóteses
: os investigadores procuram descobrir nessa informação certas regularidades ou repetições com base nas quais se estabelecem relações de causa/efeito entre certo tipo de fenómenos.
.
3. Formulada uma hipótese que parece prometedora (que se parece ajustar bem aos factos), ela é é submetida a
testes experimentais
com o objectivo de verificar a sua eficácia e assegurar o seu poder explicativo.
Objecções ao indutivismo
Existem 2 tipos de objecções colocadas pelos filósofos da ciência à concepção indutivista do método científico:
1)
Defendem alguns filósofos que a observação pura e imparcial dos factos é impossível.
A observação está “contaminada” pelos interesses teóricos ou práticos dos investigadores o que leva inevitavelmente a uma selecção dos factos observados.
2.
A ciência mais avançada introduz muitos conceitos e teorias que se referem a realidades inobserváveis como por exemplo as partículas sub-atómicas, ou os campos electromagnéticos ou as moléculas de ADN, etc.
Nenhuma das teorias que descrevem factos da natureza deste tipo pôde ter origem em informação recolhida a partir de observações.
O falsificacionismo
Popper, do mesmo modo que rejeita a possibilidade de uma teoria científica ser objecto de verificação ou confirmação definitiva, não aceita que os cientistas trabalhem indutivamente. Do seu ponto de vista, a investigação científica segue outro caminho:
1.
A investigação inicia-se com o confronto com um
problema
.
Por vezes estes problemas surgem ao cientista observações enigmáticas mas, o mais comum, é estes problemas resultarem de insuficiências ou falhas detectadas nas teorias já formuladas sobre um dado problema ou um dado campo de investigação.
2. Colocado face a um problema devidamente identificado, o cientista é desafiado a apresentar
hipóteses
ou
conjecturas
que superem as teorias anteriores e consigam fornecer um avanço no conhecimento do problema.

Estas novas
hipóteses
raramente são resultado de novas observações; são resultado da
argúcia, inteligência e criatividade dos cientistas
aliadas a um conhecimento profundo das respostas anteriormente dadas .

3. Destas hipóteses teóricas é possível deduzir consequências empíricas que, por sua vez devem ser confrontadas com testes que as ponham à prova.
O objectivo dos testes é submeter as teorias a condições tão “duras” quanto possível
. Se resistirem, são reconhecidas como a melhor resposta que temos para o problema. Se não resistirem são refutadas ou falsificadas e devem ser substituídas.
Assim, num exemplo muito simples, os geneticistas a partir da análise de um conjunto muito alargado de doentes com certos sintomas - o síndroma de Down - aperceberam-se que todos os pacientes examinados tinham um cromossoma a mais: 47 em vez de 46.
Esta passou a ser a hipótese considerada, quando aparecia uma pessoa com estes sintomas.
Em 1640, o Duque de Toscania, na Itália, convidou Leonardo da Vinci para construir um poço com 15m de profundidade para nele instalar uma bomba de sucção com vista à irrigação dos seus jardins. A bomba funcionou normalmente, mas, surpreendentemente, depois de um verão excepcionalmente seco em que o nível da água baixou abaixo dos 10,33m, a bomba deixou de ser capaz de extrair a água.
Galileu
foi chamado para tentar resolver o problema, mas não encontrou uma explicação: não se tratava de um problema mecânico da bomba.
Face a este problema, foi chamado um outro físico chamado
Torricelli
. Nenhuma observação dos factos nem dados das teorias conhecidas permitia encontrar uma solução para o problema. Como explicar o que estava a acontecer?
Em relação à situação descrita, Torricelli partindo da sua hipótese de que
a força da pressão atmosférica era equivalente a uma coluna de água com 10,33m de altura
fez o seguinte raciocínio dedutivo:
Sabendo que o mercúrio é 13, 6 vezes mais denso que a água, então uma coluna de água de 10,33m seria equivalente a cerca de 76 cm de mercúrio.
Seguidamente testou esta conclusão numa famosa experiência:
Não satisfeito com este teste, Torricelli quis levar mais longe o teste da sua teoria e retirou dedutivamente da sua hipótese uma outra consequência:
Se a sua hipótese estiver correcta, então à medida que a altitude em que nos encontrarmos aumentar, a pressão atmosférica deve diminuir e a coluna de mercúrio baixar dos 76 cm.
Torricelli deslocou-se para altitudes elevadas e o teste decorreu de acordo com a previsão da sua hipótese.
Torricelli, para encontrar uma solução para o problema teve que criar uma
hipótese nova, arrojada
: a subida da água no tubo devia-se, não ao vácuo, mas a uma pressão exercida pelo ar da atmosfera sobre a superfície da água no fundo do poço e era essa pressão que "obrigava" a água a subir pelo tubo...
Onde terá ido Torricelli buscar uma ideia como esta, numa altura em que o conceito de
pressão atmosférica
não existia?
Concluindo: de acordo com o falsificacionismo de Popper na origem do conhecimento científico não estão observações, mas respostas inovadoras e arrojadas a problemas e o papel da experiência não é confirmar teorias mas colocá-las à prova em testes tão exigentes quanto possível numa tentativa de encontrar nelas falhas que obriguem os cientistas a reformulá-las.
Exercícios:

1. Distinga o ponto de partida da investigação científica para um indutivista e para um falsificacionista.
2. Qual o papel da experiência para um defensor do método indutivista?
3. Qual o papel dos testes experimentais para um defensor do falsificacionismo?
Exercícios:
1. Qual o ponto de partida da investigação científica para um indutivista e para um falsificacionista?
2. Qual o papel dos testes de acordo com um defensor do indutivismo? E para um falsificacionista?
3. Em que condições fica uma teoria científica verificada para um indutivista?
4. Alguma teoria científica está verificada para um falsificacionista? Porquê?
indutivismo
versus
falsificacionismo

Na descrição que acabamos de analisar sobre a migração dos salmões´há certos dados da observação que levantam interrogações aos investigadores e estes, partindo desses dados, tentam, através da formulação de hipóteses, "adivinhar" que se passa na realidade.
O que é mais decisivo: os
dados empíricos
, ou o
espírito inventivo
dos cientistas?
O objetivo da ciência é estabelecer leis universais capazes de fazer previsões rigorosas, partindo de um número elevado de observações e testes experimentais. Nesse sentido, a ciência seguiria um processo indutivo.
No caso da migração dos salmões, os biólogos procurarão conhecer em pormenor o comportamento e o trajeto seguido ao longo de centenas de quilómetros pelos peixes.
Podem, para uma recolha rigorosa de informação, instalar, por ex., equipamento GPS em alguns salmões de modo a conhecer em profundidade os factos.
Vimos isso com o estudo dos salmões: foram concebidas várias hipóteses e foram construídos testes numa tentativa de confirmar se elas, de facto, explicavam o comportamento dos peixes. Algumas dessas hipóteses não resistiram aos testes e foram postas de parte.
4) Confirmada uma dada hipótese por repetidos testes, ela é convertida através de uma generalização indutiva numa
lei geral da natureza
aplicada a todos os fenómenos ou casos, sem exepção.
Quem faz, hoje, investigação não anda pelo mundo em busca de novas observações: na esgadora maioria dos casos um investigador é alguém que se especializou num dado campo e está encerrado num laboratório ou gabinete trabalhando sobre problemas há muito conhecidos mas nunca completamente resolvidos...
Vamos a um exemplo!
A teoria em vigor explicava a subida da água no tubo devido à criação de vácuo pela bombaHavia uma lei da Física que afirmava que "
a natureza tem horror ao vácuo
".
Experimentou-se montar uma bomba mais potente, mas o resultado foi exatamente o mesmo: a água subia no tubo até à altura de 10,33m e, continuando a manobrar a bomba, este resultado não se alterava.
Diferentemente do que defendem os indutivistas - para quem os testes servem para verificar ou confirmar hipóteses -,
para Popper o papel dos testes é submeter uma teoria a condições tão exigentes que essa teoria "ceda" em algum ponto e seja, consequentemente, falsificada
.
A ciência avança a partir de um método de
conjecturas (hipóteses) e refutações
. Não existem resultados da investigação científica imunes ao erro e à crítica.
A investigação avança detetando e corrigindo erros e colocando as novas teorias à disposição dos cientistas que trabalham na mesma área para que eles tentem falsificá-las em algum aspeto apresentando melhores soluções para os problemas a que elas respondem.
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