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Copy of Imaginação e criação na infância

Lev S. Vigotski
by

Alexandre Nelton

on 22 October 2013

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Transcript of Copy of Imaginação e criação na infância

1. Criação e imaginação
2. Imaginação e realidade
3. O mecanismo da imaginação criativa
4. A imaginação da criança e do adolescente
5. "Os suplícios da criação"
6. A criação literária na idade escolar
7. A criação teatral na idade escolar
8. O desenhar na infância
Criação
Chamamos atividade criadora do homem aquela em que se cria algo novo. Pouco importa se o que se cria é um objeto do mundo externo ou uma construção da mente ou do sentimento, conhecida pela pessoa em que essa construção habita e se manifesta.
Reprodução
Chamamos de atividade reprodutiva aquela ligada de modo íntimo à memória; sua essência consiste em reproduzir ou repetir meios de conduta anteriormente criados e elaborados ou ressucitar marcas de impressões precedentes.
Significado da conservação
Adaptação por meio de hábitos permanentes
Plasticidade
da substância nervosa
alteração
conservação das marcas da alteração
Ex: folha de papel
marca da roda na terra
Nosso cérebro e nossos nervos, que possuem uma enorme plasticidade, modificam com facilidade sua estrutura mais tênue sob diferentes influências e, se os estímulos são suficientemente fortes ou repetidos com bastante frequência, conservam a marca dessas modificações.
Atividade reprodutiva torna o homem capaz de se adaptar a condições habituais e estáveis do meio que o cerca.
Imaginação - quadro do futuro ou quadro longínquo da vida pré-histórica;
O cérebro não é apenas o órgão que conserva e reproduz nossa experiência anterior, mas também o que combina e reelabora, de forma criadora, elementos da experiência anterior, erigindo novas situações e novo comportamento.
Criação
Imaginação
&
A psicologia denomina de imaginação ou fantasia essa atividade criadora baseada na capacidade de combinação do nosso cérebro. (p. 14)
Ciência
Cotidiano
Fantasia, tudo aquilo que não é real.
A imaginação é a base de toda atividade criadora e manifesta-se em todos os campos da atividade cultural, tornando também possível a criação artística, científica e a técnica.
Cultura
Imaginação cristalizada
A criação não existe apenas quando se criam grandes obras históricas, mas por toda parte em que o homem imagina, combina, modifica e cria algo novo, mesmo que esse novo se pareça a um grãozinho, se comparado às criações dos gênios. Se levarmos em conta a presença da imaginação coletiva, que une todos esses grãozinhos não raro insignificantes da criação individual, veremos que grande parte de tudo o que foi criado pela humanidade pertence exatamentee ao trabalho criador anônimo e coletivo de inventores desconhecidos.
Regra
Na vida cotidiana que nos cerca, a criação é condição necessária da existência, e tudo que ultrapassa os limites da rotina, mesmo que contenha um iota do novo, deve sua origem ao processo de criação do homem.
Infância
&
Criação
Uma das questões mais importantes da psicologia e da pedagogia infantis é a da criação na infância, do desenvolvimento e do significado do trabalho de criação para o desenvolvimento geral e o amadurecimento da criança.
Brincadeira
Já na primeira infância, identificamos nas crianças processos de criação que se expressam melhor em suas brincadeiras. A brincadeira da não é uma simples recordação do vivenciado, mas uma reelaboração criativa de impressões vivenciadas. É uma combinação dessas impressões e, baseada nelas, a construção de uma realidade nova que responde às aspirações e aos anseios da criança. Assim como na brincadeira, o ímpeto da criança para criar é a imaginação em atividade.
É a capacidade de fazer uma construção de elementos, de combinar o velho de novas maneiras, que constitui a base da criação.
De onde surge, a que está condicionada e, em seu curso, a que leis se subordina?
Atividade criadora de combinação
A análise da atividade criadora indica sua enorne complexidade. Ela não irrompe de uma vez, mas lenta e gradativamente, desenvolvendo-se de formas mais elementares e simples para outras mais complexas. Em cada estágio etário ela tem uma expressão singular; cada período da infância possui uma forma característica de criação. Além disso, não existe de modo isolado no comportamento humano, mas depende diretamente de outras formas de atividade, em particular do acúmulo de experiência.

A atividade de criação está intimamente ligada ao mescanismo psicológico da imaginação. Por isso, deve-se entender que existe relação íntima entre fantasia e realidade, ou seja, entre a atividade de imaginação e a realidade.
Atividade de imaginação
&
Não é um divertimento ocioso da mente, mas uma função vital necessária.
1ª forma de relação
2ª forma de relação
3ª forma de relação
4ª forma de relação
A primeira forma de relação entre imaginação e realidade consiste no fato de que toda obra da imaginação constrói-se sempre de elementos tomados da realidade e presentes na experiência anterior da pessoa. Seria um milagre se a imaginação inventasse do nada ou tivesse outras formas para suas criações que não a experiência anterior. Somente as representações religiosas e místicas sobre a natureza humana atribuem a origem de obras da fantasia a uma força estranha, sobrenatural, e não à nossa experiência.
A análise científica das construções fantasiosas e distantes da realidade, por exemplo, dos contos, mitos, lendas, sonhos, etc., convence-nos de que as criações mais fantásticas nada mais são do que uma nova combinação de elementos que, em última instância, foram hauridos da realidade e submetidos à modificação ou reelaboração da nossa imaginação. Apenas a combinação de elementos é fantástica.
Na enseada, há um
carvalho
verdejante
Nesse carvalho, há uma
corrente
de ouro,
E um
gato
sábio, de dia e de noite,
Anda em círculos pela corrente.

Ao ir à direita, canta uma canção;
Vai à esquerda, conta um conto.
Lá há magias e
silvanos
,
E uma
sereia
nos galhos;
Lá nas trilhas misteriosas,
Há pegadas de animais nunca vistos;
A isbá lá tem patas de galinha,
Não tem janelas, nem portas.
Os elementos primários dos quais se cria uma representação fantástica distante da realidade serão sempre impressões da realidade.
Primeira e mais importante lei a que se subordina a atividade da imaginação:
A atividade criadora da imaginação depende diretamente da riqueza e da diversidade da experiência anterior da pessoa, porque essa experiência constitui o material com que se criam as construções da fantasia. Quanto mais rica a experiência da pessoa, mais material está disponível para a imaginação dela. Eis porque a imaginação da criança é mais pobre que a do adulto, o que se explica pela maior pobreza de sua experiência.
Smolka - um dos pontos mais polêmicos apresentados no texto. Vigotski fala em riqueza e pobreza de experiência relacionada ao acúmulo ou quantidade. O problema, então, é como quantificar e qualificar a experiência. Há que se entender esse argumento, no entanto, com base no princípio da natureza social do desenvolvimento humano. Se pensarmos no caso de crianças abandonadas, sem contato com outros seres humanos, poderemos compreender melhor a posição de Vigotski. A experiência social faz a diferença.
A conclusão pedagógica a que se pode chegar com base nisso consiste na afirmação da necessidade de ampliar a experiência da criança, caso se queira criar bases suficientemente sólidas para a sua atividade de criação. Quanto mais a criança viu, ouviu e vivenciou, mais ela sabe e assimilou; quanto maior a quantidade de elementos da realidade de que ela dispõe em sua experiência - sendo as demais circunstâncias as mesmas -, mais significativa e produtiva será a atividade de sua imaginação.
A atividade combinatória do nosso cérebro não é algo completamente novo em relação à atividade de conservação, porém torna-a mais complexa. A fantasia não se opõe à memória, mas apoia-se nela e dispõe de seus dados em combinações cada vez mais novas. A novidade dessa função encontra-se no fato de que, dispondo dos traços das excitações anteriores, o cérebro combina-os de um modo não encontrado na experiência real.
Esta segunda relação é mais complexa e diz respeito à articulação entre o produto final da fantasia e um fenômeno complexo da realidade.
Ex.
Quando, baseando-me em estudos e relatos de historiadores ou aventureiros, componho para mim mesmo um quadro da Grande revolução Francesa ou do deserto africano, em ambos o quadro resulta da atividade de criação da imaginação. Ela não reproduz o que foi percebido por mim numa experiência anterior, mas cria novas combinações dessa experiência.
Esses produtos da imaginação consistem em elementos da realidade modificados e reelaborados. É preciso uma grande reserva de experiência anterior para que desses elementos seja possível construir imagens. Desse modo, se eu não tiver alguma ideia de aridez, de enormes espaços e de animais que habitam o deserto, não posso, é claro, criar a minha imagem daquele deserto. Igualmente, se eu não tiver inúmeras representações históricas, também não posso criar na imaginação um quadro da Revolução Francesa.
Tanto o quadro da enseada com o gato sábio quanto o deserto africano que nunca vi são, na verdade, as mesmas construções da imaginação, criadas pela fantasia combinatória de elementos da realidade. Mas o produto da imaginação, a própria combinação desses elementos, num caso, é irreal (um conto) e, no outro, a relação entre os elementos, o produto da fantasia, e não os elementos em si, corresponde a algum fenômeno da realidade.
Há uma dependência dupla e mútua entre imaginação e experiência. Se no primeiro caso a imaginação apoia-se na experiência, no segundo é a própria experiência que se apoia na imaginção.
Essa relação do produto final da imaginação com algum fenômeno real é a forma segunda, ou superior, de relação entre fantasia e realidade e torna-se possível somente graças à experiência alheia ou experiência social.
Se ninguém nunca tivesse visto nem descrito o deserto africano e a Revolução Francesa, então uma representação correta desses fenômenos seria completamente impossível para nós. É devido ao fato de que a minha imaginação, nesses casos, não funciona livremente, mas é orientada pela experiência de outrem, atuando como se fosse por ele guiada, que se alcança tal resultado, ou seja, o produto da imaginação coincide com a realidade.
Nesse sentido, a imaginação adquire função muito importante no comportamento e no desenvolvimento humanos. Ela transforma-se em meio de ampliação de experiência de um indivíduo porque, tendo por base a narração ou a descrição de outrem, ele pode imaginar o que não viu, o que não vivenciou diretamente em sua experiência pessoal. A pessoa não se restringe ao círculo e a limites estreitos de sua própria experiência, mas pode aventurar-se para além deles, assimilando, com a ajuda da imaginação, a experiência histórica ou social alheias. Assim configurada, a imaginação é uma condição totalmente necessária para quase toda atividade mental humana.
Pela leitura e estudo tomamos conhecimento de milhares de coisas que não testemunhamos diretamente. Nota-se, nesses casos, que a imaginação serve à nossa experiência.
Qualquer um sabe que vemos as coisas com olhares diferentes conforme estejamos na desgraça ou na alegria.
Qualquer sentimento não tem apenas uma expressão externa, corporal, mas também uma interna, que se reflete na seleção de ideias, imagens, impressões. Tal fenômeno é denominado (por alguns psicólogos, diz o autor) de lei da dupla expressão dos sentimentos
ou fantasia
Realidade
O sentimento influencia na percepção dos objetos
"gralha assustada tem medo de arbusto"
As imagens da fantasia servem de expressão interna dos nossos sentimentos.
"a desgraça e o luto de uma pessoa são marcados com a cor preta; a alegria, com a cor branca; a rebelião, com o vermelho"
As imagens e as fantasias propiciam uma linguagem interior para o nosso sentimento. O sentimento seleciona elementos isolados da realidade combinando-os numa relação que se determina internamente pelo nosso ânimo, e não externamente, conforme a lógica das imagens.
Os psicólogos denominam essa influência do fator emocional sobre a fantasia combinatória de lei do signo emocional comum. A essência dessa lei consiste em que as impressão ou as imagens que possuem um signo emocional comum, ou seja, que exercem em nós uma influência emocional semelhante, tendem a se unir, apesar de não haver qualquer relação de semelhança ou contiguidade explícita entre elas. Daí resulta uma obra combinada da imaginação em cuja base está o sentimento ou o signo emocional comum que une os elementos diversos que entraram em relação.
1. O sentimento ou fator emocional influencia na imaginação (constitui o tipo de imaginação mais subjetivo, mais interno).
Como exemplo simples desse tipo de combinação de imagens que têm um mesmo signo emocional pode-se apontar casos cotidianos de associação de duas impressões diversas que, sem dúvida, nada têm em comum além do fato de nos provocarem estados de ânimo semelhantes.

Quando dizemos que o tom de azul-claro é frio e o vermelho é quente, aproximamos a impressão azul e a impressão frio apenas com base nos estados de ânimo que ambos induzem em nós.
2. A imaginação influi no sentimento, fenômeno que pode ser chamado de lei da realidade emocional da imaginação.
Qualquer construção da fantasia influi inversamente sobre nossos sentimentos e, a despeito de essa construção por si só não corresponder à realidade, todo sentimento que provoca é verdadeiro, realmente vivenciado pela pessoa, e dela se apossa.
Exemplos
Por um lado liga-se intimamente com a que acabamos de descrever. Por outro, diferencia-se dela de maneira substancial.
A sua essência consiste em que a construção da fantasia pode ser algo completamente novo, que nunca aconteceu na experiência de uma pessoa e sem nenhuma correspondência com algum objeto de fato existente; no entanto, ao ser extremamente encarnada, ao adquirir uma concretude material, essa imaginação "cristalizada", que se fez objeto, começa a existir realmente no mundo e a influir sobre outras coisas.
Qualquer dispositivo técnico como uma máquina ou um instrumento pode servir como exemplo. Tais dispositivos são criados pela imaginação combinatória do homem e não correspondem a nenhum modelo existente na natureza. Entretanto, mantêm uma relação persuasiva, ágil e prática com a realidade, porque, ao se encarnarem, tornam-se tão reais quanto as demais coisas e passam a influir no mundo real que o cerca.
Eis o círculo completo da atividade criativa da imaginação:
Os elementos de que são construídos os dispisitivos foram hauridos da realidade pela pessoa. Internamente, em seu pensamento, foram submetidos a uma complexa reelaboração, transformando-se em produtos da imaginação. Finalmente, ao se encarnarem, retornam à realidade, mas já como uma nova força ativa que a modifica.
Destaca-se que esse círculo completo também acontece na esfera da imaginação emocional, ou seja, da imaginação subjetiva, não se restringindo, portanto, ao campo da ação prática sobre a natureza. Este círculo revela que os fatores intelectual (pensamento) e emocional (sentimento) são igualmente necessários para o ato de criação humana.
Qualquer pensamento preponderante é sustentado por alguma necessidade, ímpeto ou desejo, ou seja, por um elemento afetivo, pois seria um absurdo crer na constância de qualquer pensamento que, supostamente, se encontraria num estado puramente intelectual, em toda a sua aridez e frieza.
Podemos ver que pensamento preponderante e emoção preponderante são termos quase equivalentes porque tanto um quanto o outro envolvem os dois elementos inseparáveis e indicam apenas a preponderância de um ou de outro.
Ribot
As obras artísticas são o grande exemplo disso, pois elas influenciam o nosso mundo interior, nossas ideias e sentimentos, da mesma forma que o fazem os instrumentos técnicos sobre o mundo externo, o mundo da natureza.
As obras de arte partem da realidade e nela influem. Só que essa realidade não é externa, e sim interna - o mundo das ideias, dos conceitos e dos sentimentos próprios do homem. Dizem dessas obras que elas são fortes não pela verdade externa, mas pela verdade interna.
O que não pode ser feito de um modo frio, em prosa, realiza-se na história pela linguagem figurativa e emocional. Eis por que Puchkin está certo quando diz que o verso pode golpear o coração com uma força nunca vista.
As obras de arte podem exercer influência sobre a consciência das pessoas apenas porque possuem sua própria lógica interna. O autor de qualquer obra artística combina as imagens da fantasia não à toa e sem propósito ou amontoando-as casualmente, como num sonho ou num delírio. Pelo contrário, as obras de arte seguem a lógica interna das imagens em desenvolvimento, lógica essa que se condiciona à relação que a obra estabelece entre o seu próprio mundo e o mundo externo.
1. Criação e Imaginação
2. Imaginação e realidade
3. O mecanismo da imaginação criativa
4. A imaginação da criança e do adolescente
5. "Os suplícios da criação"
6. A criação literária da idade escolar
7. A criação teatral na idade escolar
8. O desenhar na infância
A imaginação é um processo extremamente complexo. Toda atividade de imaginação tem sempre uma história muito extensa e o que denominamos de criação costuma ser apenas o ato catastrófico do parto que ocorre como resultado de um longo período de gestação e desenvolvimento do feto.
Processo de criação
Gestação
Material da experiência + Reelaboração = Cristalização
Produto da criação
Bebê
Bem no início do processo estão sempre as percepções externas e internas, que compõem a base da nossa experiência. O que a criança vê, ouve, dessa forma, são os primeiros pontos de apoio para sua futura criação. Ela acumula material com base no qual, posteriormente, será construída a sua fantasia. Segue-se, então, um processo complexo de reelaboração desse material.
Dissociação
- Modificação ou distorção dos elementos dissociados
Associação
- Construção de um quadro complexo
das impressões percebidas
das impressões percebidas
A dissociação consiste em fragmentar o todo complexo (impressão) em partes separadas, de modo que algumas dessas partes se destacam das demais, umas se conservam e outras são esquecidas. A dissociação é condição necessária para a atividade posterior da fantasia, é um processo de extrema importância em todo o desenvolvimento mental humano e está na base do pensamento abstrato, da formação de conceitos. Saber destacar traços específicos de um todo complexo é significativo para qualquer trabalho criativo humano com as impressões. A esse processo segue-se o de modificação.
Tal processo de modoficação ou de distorção baseia-se na natureza dinâmica dos nossos estímulos nervosos internos e nas imagens que lhes correspondem. As marcas das impressões externas não se organizam inercialmente no nosso cérebro, como os objetos numa cesta. São, em si mesmas, processos; movem-se, modificam-se, vivem e morrem. Nesse movimento está a garantia de sua modificação sob a influência de fatores internos que as distorcem e reelaboram.
Um exemplo dessa modificação interna é o processo de exacerbação e atenuação de alguns elementos das impressões, cujo significado para a imaginação é enorme e, em particular, para a imaginação da criança.
As impressões supridas pela realidade modificam-se aumentando ou diminuindo suas dimensões naturais. A paixão das crianças pelo exagero, do mesmo modo que a dos adultos, tem fundamentos internos muito profundos, que, em grande parte, consistem na influência que o nosso sentimento interno tem sobre impressões externas. Exageremos porque queremos ver as coisas de forma exacerbada, porque isso corresponde à nossa necessidade, ao nosso estado interno. A paixão das crianças pelo exagero é maravilhosamente registrada em imagens de contos.
Ex. (narração de uma menina de 5 anos e meio)
"Era uma vez um rei que tinha uma filha pequena. Ela estava no berço, ele aproximou-se dela e viu que era sua filha. Depois disso, eles casaram-se. Quando estavam à mesa, o rei disse-lhe: 'Por favor, traga-me cerveja num copo grande'. Então, ela levou-lhe um copo de cerveja de 6,39 metros".
Gros
Esse exagero resulta do interesse por tudo que é notável e extraordinário; conjuga-se ao sentimento de orgulho pela posse imaginária de algo especial.

Ex.: acabei de ver uma borboleta do tamanho de um gato; não, do tamanho de uma casa!
Na criança, tal processo de modificação, em particular o de exacerbação, permite-lhe o exercício de opração com valores que não estão diretamente disponíveis em sua experiência. O valor do processo de modificação, em especial dos exageros, é muito importante para o ser humano. O exagero, assim como a imaginação, em geral, é necessário tanto na arte quanto na ciência. Não fosse essa capacidade, comicamente manifestada na história da menina de cinco anos e meio, a humanidade não teria criado a astronomia, a geologia, a física.
Associação, isto é, a união dos elementos dissociados e modificados pode ocorrer em bases diferentes e assumir formas variadas: desde a união subjetiva de imagens à cientificidade objetiva, correspondente, por exemplo, a conceitos geográficos.
Por fim, o último momento do trabalho preliminar da imaginação é a combinação de imagens individuais, sua organização num sistema, a construção de um quadro complexo.
A cristalização, que é a passagem da imaginação para a realidade, depende, assim como os processos anteriores (reelaboração, dissociação, modificação, exacerbação, associação), de fatores psicológicos internos:
1.
O primeiro desses fatores é sempre a necessidade do homem de se adaptar ao meio que o cerca, pois, se a vida ao seu redor não o coloca diante de desafios, se suas reações comuns e hereditárias estão em equilíbrio com o mundo circundante, então não haverá base alguma para a emergência da criação.
No entanto, Ribot adverte que por si sós, as necessidades e os desejos não podem criar nada. Eles são apenas estímulos e molas propulsoras, pois, para a invensão acontecer, é necessária ainda a presença de uma condição adicional que é a ressureição espontânea de imagens, que ocorre de repente, sem motivos aparentes que a provoquem. De fato, os motivos existem, mas suas ações estão ocultas em formas latentes do pensamento por analogia, do estado afetivo, do funcionamento inconsciente do cérebro.
2.
Em síntese, a atividade da imaginação subordina-se à experiência, às necessidades e aos interesses na forma dos quais essas necessidades se expressam.Tal atividade depende também da capacidade combinatória e do seu exercício, isto é, da encarnação dos frutos da imaginação em forma material que, por sua vez, depende ainda do conhecimento técnico e das tradições, ou seja, dos modelos de criação que influenciam a pessoa.
A dependência em relação aos conhecimentos técnicos e das tradições leva à discussão em torno da ação de um outro fator, que é, mais precisamente, o meio circundante. Segundo Vigotski, este fator é menos evidente e, por isso, bem mais importante.
À primeira vista, os processos de imaginação por si sós - e seu direcionamento - parecem ser apenas internamente orientados pelos sentimentos e pelas necessidades da própria pessoa, estando, dessa forma, condicionados a motivos subjetivos e não objetivos.

Na verdade, existe dependência entre criação e meio.
Ex.: suponhamos que nas ilhas Samoa nasça uma criança com o gênio peculiar e exclusivo de Mozard. Ela poderá realizar, no máximo, a expansão de uma escala de três ou quatro tons até sete e criar algumas melodias mais complexas, porém seria incapaz de compor sinfonias.
Qualquer inventor, mesmo um gênio, é sempre um fruto de seu tempo e de seu meio. Sua criação surge de necessidades que foram criadas antes dele e, igualmente, apoia-se em possibilidades que existem além dele. Eis porque percebemos uma coerência rigorosa no desenvolvimento histórico da técnica e da ciência. Nenhuma invenção ou descoberta científica pode emergir antes que aconteçam as condições materiais e psicológicas necessárias para seu surgimento. Portanto, a criação é um processo de herança histórica em que cada forma que sucede é determinada pelas anteriores.
Isso explica a distribuição desproporcional de inovadores e de pessoas criadoras em diferentes classes. As classes privilegiadas detêm um percentual incomensuravelmente maior de inventores na área da ciência, da técnica e das artes porque é nessas classes que estão presentes todas as condições necessárias para a criação.
Ribot
Comumente falam tanto do voo livre da imaginação, dos superpoderes do gênio que se esquecem das condições sociológicas (sem falar das outras) das quais dependem a cada passo. Por mais individual que seja qualquer criação, ela sempre contém um coeficiente social, de modo que nenhuma invenção é restritamente pessoal, já que sempre envolve algo de colaboração anônima.
Imaginação e experiência
Imaginação e emoção
Imaginação se apoia na experiência

Experiência se apoia na imaginação
Imaginação influi na realidade ao ser "cristalizada"
Smolka
Desenvolvimento da imaginação
Criança
Adolescente
Adulto
Período de transição
A atividade da imaginação criadora não é igual na criança e no adulto, visto ser muito complexa e dependente de uma série de fatores que adquirem formas distintas em diversas épocas da infância.
Vimos que a imaginação depende da experiência, e a experiência da criança forma-se e cresce gradativamente, diferenciando-se por sua originalidade em comparação à do adulto. A relação com o meio, que, por sua complexidade ou simplicidade, por suas tradições ou influências, pode estimular e orientar o processo de criação, é completamente outra na criança.
O funcionamento da imaginação na criança e no adulto é diferente pela própria diferença de interesses.
Em que se diferenciam a imaginação da criança e do adulto, e qual é a linha principal de seu desenvolvimento na idade infantil?
A ideia de que a fantasia infantil é exercida de modo mais rico e diversificado do que no homem maduro não encontra confirmação quando analisada pelo prima científico.
Sabemos que a experiência da criança é bem mais pobre do que a do adulto, da mesma forma como seus interesses são mais simples, mais elementares, mais pobres. Suas relações com o meio também não possuem a complexidade, a sutileza e a multiplicidade que distinguem o comportamento do homem adulto e que são fatores importantíssimos na definição da atividade da imaginação.
Eis por que os produtos da verdadeira imaginação criadora em todas as áreas pertencem somente à fantasia amadurecida.
À medida que a maturidade se aproxima, começa também a amadurecer a imaginação e, na idade de transição - nos adolescentes, coincide com a puberdade -, a potente ascensão da imaginação e os primeiros rudimentos de amadurecimento da fantasia unem-se.

Além disso, autores que escreveram sobre a imaginação indicaram a íntima relação entre o amadurecimento sexual e o desenvolvimento da imaginação.

Pode-se entender essa relação levando-se em conta que, nessa época, amadurece e conclui-se a grande experiência do adolescente; amadurecem os chamados interesses permanentes; os interesses infantis rapidamente retraem-se e, com o amadurecimento geral, a atividade de imaginação dele obtém uma forma final.
Imaginação criadora - Ribot
Principal lei de desenvolvimento da imaginação:
* em seu desenvolvimento, a imaginação passa por dois períodos, divididos pela fase crítica.
RO - que representa a marcha do desenvolvimento do intelecto, ou razão, começa mais tarde e ascende devagar, porque exige um maior acúmulo de experiência e uma reelaboração mais complexa.
IM - que representa o primeiro período, ascende bruscamente e, depois, mantém-se por um longo período no nível que atingiu.
Somente no ponto M as duas linhas (des. da imaginação e des. da razão) coincidem.
É fácil perceber que desenvolvimento da imaginação e o desenvolvimento da razão divergem bastante na infância e que essa relativa autonomia da imaginação infantil, sua independência em relação à razão, é expressão não de riqueza, mas de pobreza da fantasia infantil.

A criança é capaz de imaginar bem menos do que um adulto, mas ela confia mais nos produtos de ua imaginação e os controla menos. Por essa razão, a imaginação na criança, no sentido comum e vulgar da palavra, ou seja, daquilo que é irreal e inventado, é evidentemente maior do que no adulto.
A partir do momento de encontro entre as duas curvas da imaginação e da razão, no ponto M, o desenvolvimento posterior da imaginação (MN) caminha em paralelo à linha do desenvolvimento da razão (XO). A divergência que era característica da infância sumiu aqui; a imaginação, que se juntou estreitamente ao pensamento, marcha no mesmo passo que ele.
No entanto, nem sempre é assim, pois em muitas pessoas o desenvolvimento assume uma variante (curva MN¹), que decresce com rapidez e assinala a queda ou o retraimento da imaginação.
Ribot - "A imaginação criativa entra em declínio - esse é o caso mais comum. Apenas os dotados de imaginação fértil são exceção; a maioria, aos poucos, entra na prosa da vida prática, enterra os sonhos de sua juventude, considera o amor uma quimera etc. Isso, no entanto, é uma regressão e não um aniquilamento, porque a imaginação criadora não desaparece por completo em ninguém, ela apenas transforma-se em casualidade".
Fase crítica (MX)
Nesse período, ocorre uma profunda reestruturação da imaginação: de subjetiva ela transforma-se em objetiva.

Segundo Vigotski, na ordem fisiológica, o motivo dessa crise é a formação do organismo adulto e do cérebro adulto e, na ordem psicológica, o antagonismo entre a subjetividade pura da imaginação e a objetividade dos processos racionais, ou seja, em outras palavras, entre a instabilidade e a estabilidade da mente.
A idade crítica é a idade da transgressão do equilíbrio do organismo infantil e do equilíbrio ainda não encontrado do organismo maduro.

Nesse período a imaginação caractetiza-se pela ruptura, transgressão e busca de um novo equilíbrio. Dessa forma, a atividade de imaginação, na forma como se manifesta na infância, retrai-se na adolescência.

A exemplo disso, nota-se com frequência em crianças dessa idade o desaparecimento da paixão pelo desenho, Apenas algumas continuam por serem mais talentosas ou estimuladas pelas condições externas com aulas especiais de desenho etc. O desinteresse pelas brincadeiras ingênuas da primeira infância e também pelos contos de fadas é outro exemplo dessa retração.
A duplicidade da nova forma de imaginação que agora se inicia pode ser facilmente observada pelo fato de que a atividade de imaginação mais difundida e popular nessa idade é a criação literária. Essa criação é estimulada pela ascensão das vivências subjetivas, pela ampliação e pelo aprofundamento da vida íntima do adolescente, de tal maneira que, nessa época, constitui-se nele um mundo interno específico.
Duplicidade
No entanto, esse lado subjetivo, na forma objetiva, tende a encarnar-se em versos, narrativas, nas manifestações criativas que o adolescente percebe da literatura dos adultos que o cerca. O desenvolvimento dessa imaginação contraditória segue pela linha de atrofia de seus momentos subjetivos e pela linha de crescimento e consolidação dos momentos objetivos. Em geral, como regra, rapidamente, para maioria dos adolescentes, ocorre de novo o processo de retração do interesse pela criação literária; o adolescente também começa a ser crítico em relação a si, do mesmo modo que, antes, criticava seus desenhos; ele começa a ficar insatisfeito com a insuficiente objetividade de seus escritos e deixa de escrever. Então, o aumento da imaginação e sua profunda transfiguração são o que caracteriza a fase crítica.
Nessa mesma época apresentam-se dois tipos principais de imaginação:

Plástica (ou externa)

Emocional (ou interna)
A imaginação plástica utiliza predominantemente os dados de expressão externa, ela constrói de elementos tomados de fora. Pode ser chamada de imaginação objetiva.
Ao contrário, a emocional constrói com elementos tomados de dentro. Pode ser chamada de imaginação subjetiva.
A manifestação de um ou outro tipo de imaginação e a sua gradual diferenciação são características dessa idade.
Com relação a isso, destaca-se o duplo papel que a imaginação pode desempenhar no comportamento do ser humano:

Pode levar a pessoa a realidade
Ex: "As grandes hipóteses das quais nascem as grandes teorias são essencialmente frutos da imaginação".

Pode distânciar a pessoa da realidade
Ex: A imaginação induz o cientista descuidado a deixar de lado os raciocínios e as observações, aceitando suas fantasias como verdades comprovadas, afastando-se da realidade com seus enganos encantadores.
Com frequência, em especial na adolescência, manifestam-se esses lados perigosos da imaginação, pois é extremamente fácil satisfazer-se por meio dela. A fuga para o sonho muitas vezes afasta as forças e a vontade do adolescente do mundo real.
Essa sombra do espírito sonhador que se inscreve nessa idade, esse papel duplo da imaginação, faz com que ela se transforme num processo complexo, cujo domínio fica extremamente difícil.
Surge a questão: a atividae da imaginação não depende do talento?

Para Vigotski, esse postulado não é correto, pois se compreendermos a criação, em seu sentido psicológico verdadeiro, como a criação do novo, será fácil chegar à conclusão de que a criação é o destino de todos, em maior ou menor grau, sendo também uma companheira normal e constante do desenvolvimento infantil.
Na infância, encontram-se as chamadas crianças-prodígio, que bem cedo revelam um rápido amadurecimento de algum dom especial. Tal desenvolvimento prematuro e excessivo de um dom é próximo do patológico, anormal.
Porém, é muito mais importante a regra que não conhece exceções segundo a qual as crianças prodígio, amadurecidas precocemente, se se desenvolvessem de uma forma normal, superariam todos os gênios famosos da história. Mas, em geral, à medida que amadurecem, elas perdem seu talento e sua atividade não cria - e até hoje não criou -, na história da arte, nenhuma obra valiosa.
As especificidades comuns da criação infantil são esclarecidas de um modo melhor com crianças comuns e normais, mas isso não significa que o talento não se manifesta na tenra infância. Sabemos que rudimentos dessa genialidade mostram-se em algumas pessoas na primeira infância:
Mozard (3 anos)
Nas artes plásticas acontece mais tarde
(Michelangelo - 13 anos)

PS: na poesia não são encontradas obras que tenham algum valor extrapessoal antes dos 16 anos.
Mas a verdadeira criação grandiosa ainda está distante desses sinais de genialidade futura. Eles são apenas relâmpagos que, com muita antecedência, anunciam a tempestade; são indicações para o futuro desabrochar dessa atividade.
Imaginação se apoia na experiência
Ex. Experiência se apoia na imaginação
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