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Fernando Pessoa - Texto XXVI

Alberto Caeiro, "O Guardador de Rebanhos"
by

Diogo Passos

on 11 December 2012

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Transcript of Fernando Pessoa - Texto XXVI

Fernando Pessoa
Texto XXVI Alberto Caeiro
"O Guardador de Rebanhos" Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível! Conteúdo do Poema Audição do Poema A escrita de Alberto Caeiro Análise do Texto XXVI Alberto Caeiro e o Texto XXVI Utilização do presente do indicativo;
Figuras de estilo muito simples;
Vocabulário simples;
Uso da coordenação na ligação de frases;
Frases incorretamente estruturadas;
Linguagem objetiva, familiar e simples;
Utilização de paralelismos e repetições;
Pouca adjetivação;
Irregularidade métrica e estrófica;
Ausência de rima;
Versos livres;
Estilo coloquial e espontâneo;
Poeta naturalista. Ao longo do poema deparamo-nos com irregularidade métrica, linguagem simples e familiar e a utilização do presente do indicativo. "Às Vezes, Em Dia De Luz Perfeita E Exacta" é um poema de autoria de Alberto Caeiro, escrito no dia 11/03/1914. Neste poema, o eu-lírico reflete a respeito da beleza e o motivo pelo qual a atribuímos às coisas. "Como é típico de Alberto Caeiro, o poema tem um estilo discursivo, entre o argumentativo e o aforístico, e não há utilização de rima.
O poeta começa por sugerir algo abstracto, a beleza, que não entende que possa servir para classificar um objecto. Acaba por demonstrar que não é assim que se deve fazer, é preferível classificar com dados concretos (como a cor e a forma). Explica essa sua maneira de pensar, recorrendo à Natureza de que tanto deseja fazer parte e onde se pretende diluir (“Tem beleza acaso um fruto?”).
Outra característica de Alberto Caeiro que se encontra no texto é a sua despreocupação com o sentido da vida (“que vivo só de viver” / “vêm ter comigo as mentiras dos homens (…) perante coisas que simplesmente existem”), comparando-se sempre com a simplicidade das coisas.
Tudo o que o poeta pretende mostrar é que as coisas são o que são, apenas aquilo que vemos e nada mais, no que temos a prevalência do sensacionismo de Caeiro. Não é necessário tentar explicar algo que simplesmente existe." TEXTO XXVI Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!

PESSOA, Fernando. Op. cit. "Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

Fernando Pessoa Questões? Diogo Passos Paul Klee, Três Flores, 1920 "...luz perfeita e exacta" (verso 1) DUPLA ADJETIVAÇÃO
"Pergunto" (verso 3) PRESENTE DO INDICATIVO
"Uma flor acaso tem beleza?" (verso 6) FRASE MAL ESTRUTURADA
"...digo eu das cousas: são belas?" (verso 13) INTERROGAÇÃO RETÓRICA "Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem." (versos 15-17)
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