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(Re)Pensar o BDSM para além da patologização

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Mafalda Mota

on 9 July 2014

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(Re)Pensar o BDSM para além da patologização
Bússola conceptual
Circulo encantado de Rubin (1980)
Uma visibilidade que não resulta numa maior aceitação ou compreensão, nem produz uma nova narrativa, mas que se centra em representações patologizantes ou humorísticas.

O BDSM só é aceite quando cai sobre a rubrica do normativo ou só é compreendido quando é sintoma de um tipo de desviância.
Teoria Queer
Espaço de construção de resistência aos limites históricos impostos pelo biopoder e que dá voz ao sujeito que desafia as normas regulatórias da sociedade e o sistema normativo e determinista que postula que "sexo = género = papéis sociais = práticas sexuais"

Construccionismo social
O corpo, as identidades de género, os papéis sociais e as práticas sexuais são construídas socialmente, num processo contínuo e histórico-cultural, por oposição às interpretações "essencialistas".
Definição(ões)
do objeto

Sadomasoquismo - conceito redutor e simplista que não traduz a diversidade de práticas e comportamentos experienciados.
BDSM
Bondage e Disciplina
(
B/D
): retenção física e/ou representações de dinâmicas de poder.

Dominação e Submissão
(
D/s
): comportamentos que envolvem a troca de poder consensual.

Sadismo e Masoquismo
(S/M): comportamentos que incluem experiências sensoriais de dor física ou psicológica.


Características
:

Troca de Poder Erótica (estrutura de poder hierárquica D/s)
Estimulação que pode causar dor - dor erótica
Restrição ou privação sensoriais
Jogos de papel
Preferência por certos objetos e práticas não usuais
Consensualidade e segurança
Califia, 1979; Moser, 1994; Mota, 2001; Nordling et al., 2006; Weinberg, Williamos & Moser, 1984; Townsend, 1983 cit in Haymore, 2002
Definições contemporâneas
concebem o BDSM como:
-estilo de vida ou subcultura
-hobbie/atividade de lazer
-identidade sexual
-forma de espiritualidade
(Weinberg, 1995; Williams, 2006; Weiss, 2006)
(Newmahr, 2010)
(Weiss, 2006)
(Beckmann,2007; Kleinplazt,2006;Weiss, 2006)
BDSM pode também ser entendido como a exploração do eros, da erotização do corpo e do potencial erótico, podendo-se estender a aspetos não sexuais.
Patologização
vs Despatologização

Ao longo dos tempos, as sociedades humanas foram impondo limites aos comportamentos sexuais, de acordo com os valores historicossociais. As práticas divergentes foram amplamente estudadas e classificadas.
Krafft-Ebing (1886) -
"Psychopatia Sexualis": medicalização do pecado e visão patologizante do sadomasoquismo

Freud (1905)
: SM como aberração sexual porque se desviou do objeto sexual normal

Psicanálise:
compreensão do desvio sexual como resultado de experiências traumáticas na infância e problemas nos estágios de desenvolvimento psicossexual

Behaviorismo:
punição física na infância associada ao prazer sexual, potencia as práticas na adultez.

CID-10:
transtorno mental e/ou comportamental

DSM-I:
S&M inserido na perturbação sociopatica da personalidade;
DSM II:
desvio sexual nas deserdens de personalidade;
DSM-III:
parafilia nas desordens psicossexuais;
DSM-IV-TR:
parafilia nas perturbações sexuais de identidade de género;
DSM-V:
distúrbio parafilico
Stoller (1991):
praticantes não são nem mais autodestrutivos nem autopunitivos do que os não praticantes.

Cross & Matheson (2006):
não existem diferenças em termos de psicopatologia entre praticantes e não praticantes.

Connolly (2006):
ausência de patologias de transtornos de personalidade e inexistência de diferenças significativas nas escalas de ansiedade, de obsessão-compulsão, desordem da identidade da personalidade sádica e masoquista e de paranóia entre praticantes e a população em geral.

Richter et al.(2008):
práticas não estão associadas a maiores níveis de angústia psicológica e a desordens emocionais ou traumas sexuais prévios.

Sandnabba et al. (1999):
164 homens finlandeses praticantes são bem ajustados psicossocialmente e apresentam maior flexibilidade nas suas atividades sexuais.

Wismeijer & Asser (2013):
praticantes são, comparativamente a não praticantes do grupo de controlo,menos neuróticos, mais extrovertidos e recetivos a novas experiências, exibindo maiores níveis de bem-estar subjectivo.

Riscos

Estigmatização, discriminação e isolamento social
Entrave à cidadania
Desadequação das práticas em psicoterapia
Praticantes receiam divulgar as suas práticas por medo de estigmatização; Relatam experiências negativas com os psicoterapeutas a nível da informação disponibilizada e dos equívocos (e.g.terapeutas assumem que o interesse deriva de um passado de violência e abuso; confundem BDSM consensual com violência e patologia; orientam a terapia para a mudança do comportamento BDSMer).

Metodologia

Aprofundar o conhecimento sobre a comunidade BDSM, no contexto português
Compreender a articulação entre a construção da identidade e o interesse no BDSM
Análise do processo da descoberta e dos significados/sentidos atribuídos a si e ao BDSM;

Que diferenças e semelhanças existem entre praticantes de diferentes idades, etnias, orientações sexuais e papéis desempenhados no BDSM;
Analisar o impacto que a reação social ao BDSM tem nos praticantes
Perceber a importância de tornar públicas as suas preferências sexuais e/ou estilo de vida;

Perceber que preocupações têm ao revelar o seu interesse no BDSM nas relações familiares/sociais e aos profissionais de saúde, e que experiências tiveram aquando da revelação.
Conhecer as percepções e atitudes dos profissionais de saúde face ao BDSM e aos seus praticantes
Compreender se são distintas de acordo com a área de formação/conhecimentos transmitidos pelos currículos universitários;
Perceber se as atitudes e as percepções se relacionam com as representações sociais atuais sobre o tema;
Objetivos
Observação participante
Contexto virtual, na rede social
FetLife

Entrevistas semi-estruturadas
Penetrar no mundo dos sentidos dos sujeitos
Método
(Foddy, 1996)
Praticantes de BDSM
(Thompson, 1994
cit in
Plante, 2006)
(e.g.Hoff, 2003; Kolmes, 2003; Kleinplatz & Moser, 2004; Nichols, 2006)
Festas públicas e privadas
Profissionais de saúde
Reativação dos contatos adquiridos durante a realização da tese de mestrado
Seleção de informante-chave

Criação de um perfil (estatuto 'overt')na rede social
Fetlife
e divulgação do estudo nos grupos portugueses

Método
snowball
: depois da realização da entrevista é pedida a indicação de outros membros da comunidade
Envio por mensagem privada ou por correio electrónico uma carta de apresentação sobre o estudo a realizar e os seus objetivos
Realização da entrevista via presencial e pedido de autorização da gravação áudio da mesma.

*Possibilidade de realizar entrevistas via conversação online, através da utilização do software de conexões de voz sobre IP, Skype.
Procedimentos para chegar aos participantes
Profissionais de saúde
Utilização de contatos pessoais - método snowball

Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica
Praticantes
(Weiss, 2006)
(Louro, 2004;Moris,2007)
Interaccionismo simbólico
Os objetos devem ser vistos como criações sociais decorrentes do processo de definição e interpretação dos atores que têm lugar nas interações sociais.
Os sujeitos são ativos na construção do mundo e agem em relação às coisas com base naquilo que elas significam para si.
Patologização
Despatologização
Intuito de compreender uma realidade particular, abordando o fenómeno "de dentro para fora"

dando visibilidade ao discurso dos atores sociais cuja voz tem sido relegada para segundo plano
recorrendo a material narrativo que permita aceder às experiências destes, segundo as suas perspetivas e significados subjetivamente construídos
"Não se trata de julgar, trata-se de compreender"
Contribuir para a desocultação de um fenómeno que a ciência tem subvalorizado em Portugal

Contribuir para o (re)pensar as práticas de BDSM, entendendo que o comportamento, o prazer e o desejo podem ser deslocados da genitalidade, criando novas possibilidades de satisfação erótico-sexual.

Contribuir para a adoção de uma nova abordagem, por parte dos psicoterapeutas, que seja sensível à diversidade sexual, cultural e individual e que atente que a escolha pelo comportamento BDSMer é manifesto de um príncipio básico de autonomia sexual e autodeterminação.
acesso às opiniões, sentimentos, valores e experiências
mapear circuito das festas e outros eventos
captar as acções simbólicas, as condutas instuídas e a organização social
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