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Untitled Prezi

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A violência contra a mulher

“ E a Leila insultou um jovem e ele espancou-a. Lhe jogou no solo e deu um ponta-pé no rosto. O ato é selvagem. [...] Ele não queria espancá-la. Mas ela desclassificou-lhe demais.
Ele deu-lhe tanto que até
arrancou-lhe dois dentes.
E por isso o apelido dele
aqui na favela é Dentista.
A Leila ficou com o rosto
tão inchado que foi preciso
tomar penicilina.” pg.86.
Quarto de despejo
Carolina Maria de Jesus
Diário de uma favelada
Elaine Cristina
Giuli Monique
Jaqueline Nunes


Nasceu em Sacramento, Minas Gerais, por volta de 1914.

Foi alfabetizada até o 2º ano primário, no colégio Allan Kardec (primeiro colégio Espírita do Brasil).

Em 1947 saiu de Sacramento tentando fugir da pobreza da zona rural.

Perambulou pelo interior do estado até chegar a São Paulo.
Trabalhou como empregada doméstica em casa de pessoas importantes, como a família Zerbini por exemplo.

Não se adaptando ao trabalho doméstico, Carolina mudou-se para a favela do Canindé, nos arredores da cidade, passando a trabalhar como catadora de papel.

Carolina era negra, jovem, bonita, inteligente, mãe solteira e independente. Ela despertava a inveja das vizinhas e a cobiça dos homens.
Carolina Maria de Jesus
Carolina dividia seu tempo entre as tarefas de catar papéis, cuidar dos afazeres domésticos e a escrever o seu diário, onde registrava os fatos corriqueiros de uma favela.

A publicação de Quarto de Despejo se deve ao jornalista Audálio Dantas, que entendeu a importância do diário da favela do Canindé. Ele afirma que mexeu na pontuação, e alterou algumas palavras cuja grafia poderia levar à incompreensão da leitura.

Reconhecida de início como uma revelação, Carolina teve um brilho efêmero.

O sucesso da obra se explicaria pelo fato de ter sido lançado num momento em que estavam em voga a contracultura e a bossa nova.
Carolina Maria de Jesus chegou a ser mundialmente conhecida com a publicação de seu primeiro livro.

Quarto de despejo é um Best-seller traduzido para 13 línguas, é um referencial importante para estudos culturais e sociais, tanto no Brasil como no exterior. Teve tiragem inicial de dez mil exemplares (esgotados na primeira semana).

Além de Quarto de desejo, Carolina também escreveu:

Casa de Alvenaria (1961);
Pedaços de Fome (1963);
Provérbios (1963);
Diário de Bitita (1982, póstumo).
Carolina, com a publicação de Quarto de despejo, conseguiu o suficiente para deixar a favela, porém não o bastante para escapar à pobreza.

Quase esquecida pelo público e pela imprensa, a escritora morreu em um pequeno sítio na periferia de São Paulo, em 13 de fevereiro de 1977.

A história de Carolina atraiu a atenção de diversos artistas. O compositor B. Lobo, escreveu a letra de um samba com o nome do livro "Quarto de despejo".

No teatro, foi adaptada por Edy Lima. Na televisão, virou "Caso Verdade" exibido em 1983 pela Rede Globo. Na Alemanha transformaram sua história no filme "Despertar de um sonho".


1955 – 1960, governo de Juscelino Kubitsck;
Com o lema:
“Cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo”.

SÃO PAULO

CRESCIMENTO ACELERADO;

MIGRAÇÃO NORDESTINA;
CONTEXTO HISTÓRICO
Síntese da obra

QUARTO DE DESPEJO
É um diário, escrito por Carolina Maria de Jesus, que descreve os fatos ocorridos na favela do Canindé Paulista. Escrevendo sobre as pessoas e a vida que levam. Relata brigas entre marido e mulher, e entre vizinhos, a fome, mostrando uma sociedade que foi esquecida pelos os governantes.
1955 – 1960, período que Carolina registra a vida na favela;
A fome;
“Como é horrivel ver um filho comer e perguntar: “Tem mais”? Esta palavra “tem mais” fica oscilando dentro do cerebro de uma mãe que olha as panelas e não tem mais.” (JESUS.p.39)
“ Há de existir alguem que lendo o que eu escrevo dirá... Isto é mentira! Mas, as miserias são reais” (JESUS. P.47)
A miséria é tão chocante
A favela e seus barracos;

“(...) Cheguei na favela: eu não acho jeito de
dizer que cheguei em casa. Casa é casa.
Barracão é barracão. O barraco
tanto no interior como no exterior
estava sujo”. (JESUS.p.48)
O contraste entre a favela e a cidade;
“Quando eu vou na cidade tenho a impressão que estou no paraizo. Acho sublime ver aquelas mulheres e crianças tão bem vestidas. Tão diferentes da favela. As casas com seus vasos de flores e cores variadas. Aquelas paisagens há de encantar os olhos dos visitantes de São Paulo, que ignoram que a cidade mais afamada da América do Sul está enferma. Com as suas ulceras. As favelas.” (JESUS. P.85)

“(...) Eu classifico São Paulo assim: o Palacio é a sala de visita. A prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a
favela é o quintal onde
jogam o lixo”. (JESUS.p.32)
Carolina e a relação política do país;
“...Quando um politico diz nos seus discursos que está ao lado do povo, que visa incluir-se na politica para melhorar as nossas condições de vida pedindo o nosso voto prometendo congelar os preços, já está ciente que abordando este grave problema ele vence nas urnas. Depois divorcia-se do povo. Olha o povo com os olhos semi-cerrados. Com um orgulho que fere a nossa sensibilidade”. (JESUS. P.39)
“O que posso esperar do futuro? Um leito em Campos do Jordão. Eu quando estou com fome quero matar o Janio, quero enforcar o Adhemar e queimar o Juscelino. As dificuldades corta o afeto do povo pelos politicos”. (JESUS. P.33)
“...Quando cheguei do palacio que é a cidade os meus filhos vieram dizer-me que havia encontrado macarrão no lixo. E a comida era pouca, eu fiz um pouco do macarrão com feijão. E meu filho João José disse-me: - Pois é. A senhora disse-me que não ia mais comer as coisas do lixo.
Foi a primeira vez que vi a minha palavra falhar. Eu disse:
-É que eu tinha fé no Kubstchek.
-A senhora tinha fé agora não tem mais?
-Não, meu filho. A democracia está perdendo os seus adeptos. No nosso paiz tudo está enfraquecendo. O dinheiro é fraco. A democracia é fraca e os politicos fraquissimos. E tudo que está fraco, morre um dia.
...Os politicos sabem que eu sou poetisa. E que o poeta enfrenta a morte quando vê o seu oprimido”. (JESUS. P.40)
“...Mas eu já observei os nossos políticos. Para observá-los fui na Assembleia. A sucursal do Purgatório, porque a matriz é a sede do Serviço Social, no Palácio do Governo. Foi lá que eu vi ranger de dentes. Vi os pobres sair chorando. E as lagrimas dos pobres comove os poetas. Não comove os poetas de salão. Mas os poetas do lixo, os idealistas das favelas, um expectador que assiste e observa as trajedias que os políticos representam em relação ao povo”. (JESUS. P.54)
“ Despertei. Não adormeci mais.
Comecei sentir fome. E quem está com fome não dorme. Quando Jesus disse para as mulheres de Jerusalem: - “Não chores por mim. Chorae por vós” – suas palavras profetisava o governo do Senhor Juscelino. Penado de agruras para o povo brasileiro. Penado que o pobre há de comer o que encontrar no lixo ou então dormir com fome.
Você já viu um cão quando quer segurar a cauda com a boca e fica rodando sem pegá-la?
É igual o governo do Juscelino!” (JESUS.p.134)
Outros pontos importantes na obra
Coisas que não agradavam Carolina
“ A Zefa é mulata. É bonita. É uma pena não saber ler. Só que ela bebe muito. Ela já teve duas filhas, e bebia muito. Esquecia de alimentar as crianças e elas morreram.” pg.109.
Alcoolismo
“... A I. e a C. estão começando a prostituir-se. Com os jovens de 16 anos. É uma folia. Mais de 20 homens atrás delas.”
“... Vi as moças da Fabrica de
Doces, tão limpinhas. A I. e a
C. podiam trabalhar. Ainda não
tem 18 anos. São infelizes que
iniciam a vida no lodo.” pg.137.
Prostituição
“.. De manhã o padre veio dizer missa. Ontem ele veio com o carro capela e disse aos favelados que eles precisam ter filhos. As mulheres dizia que o padre disse-lhes que podem ter filhos e quando precisar de pão podem ir buscar na igreja.
Para o senhor vigario, os filhos de pobres criam só com pão. Não vestem e nem calçam.” pg.143.
Falsos discursos religiosos
“... Eu escrevia peças e apresentava aos diretores de circo. Eles respondia-me:

- É pena você ser preta.” pg.65.
Preconceito
Leitura e escrita

“Gosto de ficar sozinha e lendo. Ou escrevendo!” pg.25
“Todos tem um ideal. O meu é gostar de ler.” pg.27
Coisas que agradavam Carolina
“... Contemplava extasiada o céu cor de anil. E eu fiquei compreendendo que eu adoro o meu Brasil. O meu olhar pousou nos arvoredos que existe no início da rua Pedro Vicente. As folhas movia-se.Pensei: elas estão aplaudindo este meu gesto de amor a minha patria.” pg.36.
“ E eu pensei no Casimiro de Abreu, que disse: “Ri criança. A vida é bela”. Só se a vida era boa naquele tempo. Porque agora a epoca está apropriada para dizer: “ Chora criança. A vida é amarga”.”pg.36 e 37.
“... Os filhos estão com receio de eu morrer. Não me deixam sozinha. Quando um sai, outro vem vigiar-me. Dizem:
- Eu quero ficar perto da senhora, porque quando a morte chegar eu dou uma porretada nela.” pg.158

Os filhos
“ ... Eu adoro a minha pele negra , e o meu cabelo rustico. Eu até acho o cabelo de negro mais iducado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto onde põe, fica. É obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça ele já sai do lugar. É indisciplinado. Se é que existe reincarnações, eu quero voltar sempre preta.” pg.65.
Orgulho de ser negra
Concluindo a obra

Quarto de despejo é mais do que o retrato de uma favela. É a denúncia das condições de vida de uma comunidade marginalizada por alguém que soube usar muito bem a "palavra" como nenhum outro. Carolina relatou, descreveu, mostrou o sofrimento, a fome, a misésia, não se preocupando com o uso formal da linguagem, e sim com o conteúdo da mensagem que ela queria passar. E assim, o sonho de escrever um livro, enfim se realizou.
Referências

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2007. 9ed. 200p. ISBN 978 85 08 10531-1

Disponível em: http://retro55a68.wordpress.com/politica/ Acesso em 08 de junho de 2013.
"Não há coisa pior na vida do que a própria vida"
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