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FICÇÃO E CONFISSÃO (Antonio Candido)

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FÁBIO SOUZA

on 18 September 2013

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Transcript of FICÇÃO E CONFISSÃO (Antonio Candido)

Análise de São Bernardo
(de Graciliano Ramos)

FICÇÃO E CONFISSÃO (Antonio Candido)
Ficção e Confissão é uma reunião de artigos publicados por Antonio Candido, em 1945, no jornal Diário de São Paulo.
Cada artigo fazia uma análise dos cinco livros até então publicados por Graciliano Ramos:

Caetés (1933)
São Bernardo (1934)
Angústia (1936)
Vidas Secas (1938)
Infância (1945)


“A expressão ‘ocupa um lugar à parte na literatura’ é lugar-comum da crítica, usado quando não se tem o que dizer. Apesar disso, sinto a necessidade de recorrer a ele para entrar na análise de São Bernardo”. (p. 23)

“Este grande livro é curto, direto e bruto. Poucos, como ele, serão tão honestos nos meios empregados e tão despidos de recursos; e esta força parece provir da
unidade violenta
que o autor lhe imprimiu”. (p. 24)
O drama que se estabele no romance é a negação do
sentimento de propriedade
.
"E o romance é, mais do que um estudo analítico, verdadeira patogênese deste
sentimento
". (p.24)

Para PH (e seus pares) o mundo divide-se em:
a) os eleitos: que têm e respeitam os
bens materiais
;
b) os réprobos: que não têm e não respeitam tais bens.
=> em uma ÉTICA, uma ESTÉTICA e uma METAFÍSICA

a) Ética: “O próximo lhe interessa na medida em que está ligado aos seus negócios, e na ética dos números não há lugar para o luxo do desinteresse”;
TRECHO DO LIVRO: "Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízos; fiz coisas ruins que me deram lucro." (p. 25).
b) Estética: “Até quando escreve, a sua estética é a da poupança” (idem).
TRECHO: "É o processo que adoto: extraio dos acontecimentos algumas parcelas; o resto é bagaço."
c) Metafísica: “O amor (...) unifica e totaliza." MAS "o sentimento de propriedade (...) separa, porque dá nascimento ao medo de perdê-la [a propriedade] e às relações de concorrência." (p.26)

PH = Patriarca em busca de um herdeiro => casar com Madalena

Esta relação implica em uma desestabilização do personagem central, pois “para adaptar-se, teria sido necessária a PH uma reeducação afetiva impossível à
sua mentalidade, formada e deformada
” (p. 26).

Daí resulta a seguinte situação:
MADALENA: humanitária; generosa
PAULO HONÓRIO: acumulador; avaro; ambicioso; possuidor

TRECHO: “Descobri nela manifestações de ternura que me sensibilizaram. (...) As amabilidades de Madalena surpreenderam-me. Esmola grande. (...) Percebi depois que eram apenas vestígios da bondade que havia nela para todos os viventes.” (RAMOS, 2000, p. 104)
O SENTIMENTO DE PROPRIEDADE
(força que se sobrepõe a PH)

PAULO HONÓRIO
(personalidade dominadora)

PERSONAGENS E DEMAIS ELEMENTOS
(aparecem no romance
“como meras modalidades do narrador”)
A RELAÇÃO PAULO HONÓRIO - MADALENA

"Paulo Honório, vitorioso, de uma vitória que não esperava e não queria, sente (...) a inutilidade do esforço violente de sua vida." (p.27)

“Sou um homem arrasado (...). Nada disso me traria satisfação (...). Estraguei minha vida estupidamente. (...) Madalena entrou aqui cheia de bons sentimentos e bons propósitos. Os sentimentos e os propósitos esbarraram com a minha brutalidade e o meu egoísmo.” (RAMOS, p. 188 e 190)
"Neste estudo patológico de um sentimento, Graciliano Ramos (...) parte do pressuposto de que a maneira de viver condiciona o modo de ser e de pensar." (p.28)

"Dois movimentos o integram: um, a violência do protagonista contra homens e coisas; outro, a violência contra ele próprio." (p.29)
=> São Bernardo - Fazenda X São Bernardo - Livro
"E assim percebemos o papel da violência, que voltada para fora é vontade e CONSTRÓI DESTRUINDO." (p.30)
"(...) Voltada para dentro, a violência é dissolução, e DESTRÓI CONSTRUINDO." (p.30)

Ao escrever suas memórias, PH "obtém uma visão ordenada das coisas e de si, pois no momento em que se conhece pela narrativa destrói-se enquanto homem de propriedade, mas constrói com o testemunho da sua dor a obra que redime."
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