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A Débil- Cesário Verde

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by

Levi Galaio

on 4 June 2013

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Transcript of A Débil- Cesário Verde

Cesário Verde A Débil Extrutura Interna Estrutura Externa Escanção Métrica Expressividade da linguagem Rima Divisão Temática A Débil Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

"Ela aí vem!" disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, — talvez que não o suspeites! -
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada. Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Adorável! Tu, muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal.

Sorriam, nos seus trens, os titulares;
E ao claro sol, guardava-te, no entanto,
A tua boa mãe, que te ama tanto,
Que não te morrerá sem te casares!

Soberbo dia! Impunha-me respeito
A limpidez do teu semblante grego;
E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar sobre o teu peito.

Com elegância e sem ostentação,
Atravessavas branca, esbelta e fina,
Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação. Este poema põe em relevo uma figura feminina que escapa à típica mulher dos poemas de Cesário, sendo esta uma mulher citadina mas com as caracteristicas da mulher que surge no espaço rural.

Assim, pegando na dicotomia campo/cidade presente nas obras do autor, encontramos neste poema uma mulher que sobressai no meio citadino não pela sua excentricidade mas sim pela sua pureza e simplicidade - Numa primeira parte o sujeito poético cria uma relação imaginária com a mulher desejada (primeira estrofe).

- Na segunda parte (2-12 estrofe) é abordada a observação do espaço que envolve o sujeito poético, alternando esta observação entre o "eu", "tu" e "os outros" que coexistem nesse meio. Aqui é apresentada uma mulher que, perante toda a decadencia e corrupção da cidade, poderá redimir o sujeito poético, salvando-o da decadencia em que se afunda.

- Na terceira parte (13ª estrofe) temos então a dedicação de sujeito poético à mulher regeneradora. Todo o poema é composto por decassílabos:

Eu/, que/ sou/ fei/o, /só/li/do, le/al],
A/ ti/, que és/ be/la/, frá/gil/, as/sus/ta]da, Que/ro es/ti/mar/-te/ sem/pre/, re/ca/ta]da Nu/ma e/xis/tên/cia hon/es/ta/, de/ cri/stal].
Podemos encontrar várias figuras de estilo neste poema, tais como:
- Metáforas: "Nesta Babel tão velha e corruptora"

- Adjetivações: "A ti, que és bela, frágil, assustada"

- Antiteses: "Uma pombinha tímida e quieta /Num bando ameaçador de corvos pretos. " Todo o poema é composto por quartetos com rima emparelhada e interpolada (ABBA):

"Sentado à mesa dum café devasso,

Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,

Nesta Babel tão velha e corruptora,

Tive tenções de oferecer-te o braço. " "Mas se a atropela o povo turbulento! Se fosse, por acaso, ali pisada!" De repente, paraste embaraçada Ao pé dum numeroso ajuntamento.

E eu, que urdia estes fáceis esbocetos, Julguei ver, com a vista de poeta, Uma pombinha tímida e quieta Num bando ameaçador de corvos pretos.

E foi, então, que eu, homem varonil, Quis dedicar-te a minha pobre vida, A ti, que és ténue, dócil, recolhida, Eu, que sou hábil, prático, viril. Emparelhada Interpolada
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