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A Metalinguagem nas Artes Plásticas

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Maurício Soares Filho

on 23 March 2015

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Transcript of A Metalinguagem nas Artes Plásticas

Maurício Soares Filho
A METALINGUAGEM NAS ARTES PLÁSTICAS:
Diferentes formas para a arte discutir a si mesma

Ritmo de outono (número 30) , Jackson Pollock – esmalte sobre tela ,1950.

Introdução
Pintura como linguagem
- como código que permite determinadas organizações dentro de normas já estabelecidas.

Opção do artista
em abordar, por meio da obra, a linguagem empregada em sua composição – metalinguagem.

Categorização da presença de
elementos metalinguísticos
na pintura.

Análise da metalinguagem nas telas de
Velázquez, Magritte e Pollock
.

Conceito de metalinguagem:

linguagem utilizada para descrever a si mesma, ou, por extensão de sentido, a qualquer sistema de significação.

não é apenas um instrumento científico necessário, utilizado pelos lógicos e pelos linguistas; desempenha também papel importante em nossa linguagem cotidiana. (...) praticamos a metalinguagem sem nos dar conta do caráter metalinguístico de nossas operações. JAKOBSON (2003: 85 )

Metalinguagem e suas manifestações nas artes
O texto dentro do texto.

Um texto que dá origem a outro.

O instrumento do artista representado.

A obra em execução.

O artista autorretratado.

O leitor/espectador incluso na obra.

Convite direto à reflexão sobre a obra.

A explicitação da técnica e/ou linguagem como tema da obra de arte.

O texto dentro do texto
Desta vez o que mais aborreceu Laiévski em Nadiéjda Fiódorovna foi o pescoço branco, nu, e os cachos de cabelo na nuca; lembrou que Anna Kariênina, quando deixou de amar o marido, detestava mais do que tudo as suas orelhas, e Laiévski pensou: ‘Como isso é certeiro! Como é certeiro!’ TCHEKOV (2014: 19)
Marriage à la mode: A toalete , William Hogarth, óleo sobre tela, 71 X 91cm , 1743-45

Um texto que dá origem a outro
Tomemos como exemplo o trecho inicial da música “Até o Fim”, de Chico Buarque de Holanda:

“Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim”

Vejamos agora o início do “Poema das sete faces”, publicado por Carlos Drummond de Andrade em seu primeiro livro, Alguma poesia, de 1930.

“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.” ANDRADE (2006: 21)

Inocêncio X, Diego Velázquez, Estudo do retrato do papa Inocêncio X de Velázquez, Francis Bacon,
óleo sobre tela, 165 óleo sobre tela, 1953
Majas à varanda(1810-12) O balcão (1869) O balcão de Manet (1950)
Francisco Goya Edouard Manet René Magritte
O instrumento do artista representado
Aqui, sentado à mesa da sala de jantar, fumando cachimbo e bebendo café, suspendo às vezes o trabalho moroso, olho a folhagem das laranjeiras que a noite enegrece, digo a mim mesmo que esta pena é um objeto pesado. Não estou acostumado a pensar. RAMOS (2014: 12)
Autorretrato com máscaras, James Ensor,
óleo sobre madeira, 1936.
A obra em execução

Nasce o poeta

em solo humano
o nome é lançado
(ou cai
do acaso)

uma aurora
oculta num barulho

uma pedra
turva

a palavra
dita entre ráfagas
de chuva
e lampejos na noite:

lobo

um sopro
um susto
um nome
sem coisa

o uivo
na treva
o golpe
na vidraça

é o vento?

é o lobo

a palavra sem rosto
que se busca no espelho GULLAR (2013: 24)

Mãos desenhando, Litografia, M.C. Escher, 1948.

A arte da pintura (O atelier do artista) , Jan Veermer, óleo sobre tela,1666-69,

A obra em execução
O artista autorretratado
Autorretrato, Rembrandt, Autorretrato, Van Gogh, Autorretrato, Picasso
óleo sobre tela ,1669 óleo sobre tela, 1888 óleo sobre tela,1907
O leitor/espectador incluso na obra
Os leitores devem estar lembrados de que o nosso antigo conhecido, de quem por algum tempo nos temos esquecido, o Leonardo-Pataca, apertara-se em laços amorosos com a filha da comadre, e que com ela vivia em santa e honesta paz. ALMEIDA (2003: 201)
O leitor/espectador incluso na obra
A escola de atenas (1509-11), Rafael Sanzio,
afresco, 1509-11.
Detalhe
Convite direto à reflexão sobre a obra
“ – Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!
Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequena vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala.
- Não pode? Perguntei com assombro. E por quê?
Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.
- Foi assim que sempre se fez. A literatura é literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.” RAMOS (2014: 09)

Convite direto à reflexão sobre a obra
A condição humana, René Magritte
óleo sobre tela, 1933
A explicitação da técnica e/ou linguagem como tema da obra de arte
A explicitação da técnica e/ou linguagem como tema da obra de arte
"Aquilo na noite do nosso teatrinho foi de Oh. O estilo espavorido. Ao que sei, que se saiba, ninguém soube sozinho direito o que houve. Ainda, hoje adiante, anos, a gente se lembra: mas, mais do repente que da desordem, e menos da desordem do que do rumor." ROSA (1988: 38)
Improvisação “Klamm”, Wassily Kandinsky,
óleo sobre tela, 1914
Composição A: composição com preto, vermelho, cinza, amarelo e azul,
Piet Mondrian - óleo sobre tela, 1920.
AS MENINAS DE DIEGO VELÁZQUEZ
As meninas, Diego Velázquez, óleo sobre tela, 1656
OS CACHIMBOS E NÃO CACHIMBOS DE
RENÉ MAGRITTE

A traição das imagens, René Magritte, Os dois mistérios, René Magritte,
óleo sobre tela, 1928-29 óleo sobre tela, 1966
O ritmo de Jackson Pollock
Ritmo de outono (número 30) , Jackson Pollock – esmalte sobre tela, 1950
Muito obrigado!
O instrumento do artista representado
Um texto que dá origem a outro
Um texto que dá origem a outro
O texto dentro do texto
Considerações finais

A metalinguagem é empregada na pintura desde que o homem começou a se comunicar por meio de imagens.

A utilização da metaliguagem tem um caráter transgressor, uma vez que a pintura não tem como atributo principal discutir a si mesma.

Velázquez, Magritte e Pollock estão ligados pela opção em eleger seu próprio ofício como tema central de suas obras.

Representar a si mesmo e apresentar seu processo como centro da discussão é, para o artista, colocar-se em risco, revelar-se vivo, presente e parte do que produz.
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