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O Gebo e a Sombra - Raul Brandão

Um pouco da vida do autor, da escola literária, resumo da peça com conclusão e do filme, com referências
by

Ulisses Mascherini

on 26 October 2015

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Transcript of O Gebo e a Sombra - Raul Brandão

O Gebo e a Sombra
Raul Germano Brandão foi um escritor, jornalista e militar português nascido na cidade Foz de Douro no ano de 1867
Em 1903 passou a ter um contato com a vida rural, pois nessa época adquiriu uma casa em Nespereira (a Casa do Alto). Nessa época, além de se dedicar à escrita, voltava seu trabalho para a administração da propriedade. Raul Brandão passou a ter, então, um contato com a vida das comunidades agrícolas, levando suas obras a terem como tema principal o problema de consciência diante dos homens oprimidos e a contrariedade de sentimentos, vista pela primeira vez na obra “Os Pobres”, no início do século XX.
Sua primeira aparição como escritor foi com a coletânea de contos naturalistas “Impressões e Paisagens”.
Com a colaboração da esposa (Maria Angelina), em 1930, escreveu uma narrativa para crianças, “Portugal Pequenino”. Nesse mesmo ano o autor faleceu (5 de dezembro de 1930) com 63 anos, tendo uma obra póstuma em 1931 (“O Pobre de Pedir.”).
Foi em 1917 que deu origem a sua obra prima “Húmus”, dedicada ao amigo Columbano.
Em 1921 dedicou-se mais a dramaturgia, publicando em 1923 o livro “Teatro”, o qual continha a peça “O Gebo e a Sombra”, “O Doido e a Morte” e “O Rei Imaginário”.
Dramaturgia Expressionista
Alemanha – primeira década do século XX;
Influenciou todo o Ocidente;
Transição: Romantismo x Expressionismo
Denúncias políticas-sociais
Movimento de Vanguarda

Raúl Brandão
... Querer meter a Vida tão múltipla dentro duma teoria é sempre uma quimera [...] ... O sofrimento só terminará quando o último ser humano entrar na matéria para ir ser macieira em flor.
RAUL BRANDÃO
O Anarquismo

Conclusão teórica
Nossa conclusão
A peça analisada de Brandão pode ser considerada expressionista;
A dor, a mentira, o desespero e o grotesco perpassam a peça do começo ao fim indo de encontro as teorias apresentadas;
Raul Brandão soube mostrar-nos o que há de mais doloroso, miserável e mesquinho no íntimo do ser humano;
O clima obscuro, depressivo e angustiante da peça conseguiu ser captado nas lentes de Manoel de Oliveira, apesar de apresentar um final diferente do esperado;
A grandeza da escrita de Brandão na literatura portuguesa (escrita caótica, porém original);
Originalidade do dramaturgo sempre nos surpreende, desde Húmus até outras peças e narrativas.
“O Gebo e a Sombra” – Manoel de Oliveira (inspirada na peça de teatro de Raul Brandão)
O filme é dirigido pelo cineasta português Manoel de Oliveira
Filmado em 2012
Exibido no Festival de Veneza e na Cinemateca Francesa em Paris
Filme no idioma francês
Elenco: Claudia Cardinale, Michael Lonsdale, Luís Miguel Cintra, Leonor Silveira, Jeanne Moreau
O filme “O Gebo e a Sombra” trata-se de uma releitura da peça homônima de Raul Brandão escrita em 1923. O Cineasta Manoel de Oliveira busca com essa adaptação retratar um período da crise europeia que pode ser relido atualmente. Diferentemente da peça original composta por quatro atos, o filme terminará no “terceiro” ato da peça. O filme buscou recriar o espaço do teatro e se manteve o mais fiel possível à obra.
Significado etimológico de “Gebo” e “sombra”.
Nota-se que dessas duas palavras surge uma possível dualidade ou até um possível embate, que centralizará o filme. “Gebo”, senhor de moral rígida e, pelo que vemos irrepreensível; o dicionário acrescenta: indivíduo que se veste mal, sem elegância e cujo aspecto é ordinário – modo pelo qual Gebo é visto pelo descendente. Já a “sombra” é o seu filho João, rapaz que explora e humilha seus pais; ladrão por necessidade.
O diretor trouxe, de maneira fiel, a estética e abordagem teatral para as telas. Causando, desde o início, um estranhamento palpável, a combinação entre o digital e o tratamento de teatro confere à película um tom singular. Novamente, a dualidade “novo”/ “antigo” mostra-se presente, enfatizando importantes aspectos da obra. O citado “embate” pode ser lido e interpretado por diversos ângulos, mas, apesar disso, quase nunca foge de seu foco principal. A honestidade cada vez mais rara revela-se consequência do encanto proporcionado pelo dinheiro (sequela evidente em João); mesmo localizando-se no século XIX, a ideia pode ser facilmente aplicada aos dias atuais.
Essa habitação é o paradigma desta família. Outrora com esperança, esta é agora marcada pela umidade nas suas paredes, pelo desgaste dos seus móveis, marcada pela luz difusa que permeia o cenário do filme. Esta casa é praticamente o único cenário do filme, com exceção da cena inicial onde vemos uma personagem no porto de fronte ao mar, mais tarde descobriremos tratar-se de João. De início, afora essa breve cena inicial, que termina com algo parecido com um crime ou um assalto, que não se vê bem, João é apenas um nome, mencionado na sala de jantar.
O Gebo e a Sombra é um drama sobre a honestidade, ou sobre a cobiça. Ou, o que resume tudo, sobre o dinheiro, e de como a relação com ele define as pessoas.
O Gebo e sombra, Raul Brandão
O tempo da peça vai se modificando em cada ato: 1º ato – inverno (cinco horas) – Anoitece; 2º ato: O tempo parece ser o mesmo, assim como o cenário; 3º ato: mesmo tempo; 4º ato: Três anos depois da prisão de Gebo.
O espaço é sempre o mesmo: peça situada na casa de Gebo, especificamente na sala, iluminada à luz de velas, chove lá fora quase o tempo todo.
Gebo
A vida é sempre a mesma coisa.
Doroteia
A nossa vida. Usar trapos, remendar trapos, tornar a usá-los.
Sofia
E se nos acontecesse alguma coisa?
Doroteia
Que coisa?
Gebo
A felicidade na vida é não acontecer nada.
Sofia

É o hábito?
Gebo
Talvez seja o hábito. É a gente fazer sempre o mesmo trabalho e dizer sempre as mesmas palavras.
Sofia

Como a chuva. E não cismar.
Personagens
O GEBO, cobrador da Companhia Auxiliar
DOROTEIA, mulher do Gebo
JOÃO, filho do Gebo e de Doroteia
SOFIA, mulher de João
CHAMIÇO, músico de feira
CANDIDINHA
Um polícia e vizinhos
O Gebo (corcunda)
Protagonista da história; personagem de transformação, principal afetado pela ação dramática; carrega um enorme fardo; cumpre sempre o seu dever; elo de ligação entre as personagens.
Sua honestidade e postura correta diante dos deveres o levam a assumir a culpa perante roubo de seu próprio filho João;
Cobrador numa Companhia Auxiliar, orgulhoso por cumprir com seu dever – sente-se importante, útil e honesto por isso;
“Como tema central, além da mentira necessária, há estoutro, formulado numa pergunta de Sofia: “Neste mundo atroz, neste mundo onde não há a esperar nem piedade nem justiça, só os desgraçados é que têm que cumprir o seu dever?” (LOPES, p. 185)
Doroteia (esposa de Gebo)
Personagem com grandes traços simbolistas, apegada ao sonho de reencontrar o filho “desaparecido” e obcecada pela não realização deste; prefere o sonho à realidade.
Deprimida e amargurada pela condição social em que está inserida;
Culpabiliza a todo momento seu marido pela falta de ambição dele e por conformar-se com sua situação financeira e psicológica;
Exalta a imagem do filho durante os três primeiros atos, mostrando suas virtudes e seu lugar na família;
Sofia (esposa de João/nora de Gebo)
Personagem que se identifica com Gebo e demonstra enorme afeto e respeito por ele = par psicológico de Gebo (segundo Junqueira);
Muito consciente da sua situação e da realidade das coisas; sempre indaga Gebo;
Oscila entre a realidade e o sonho (outro realidade);
Sofia pode ser vista na peça como aquela que sempre questiona/critica a situação e induz Gebo a pensar; Ela quer entender o sentido das coisas, quer compreender o “porquê viemos a essa vida”, seria somente para sofrer?”;
É única a compreender e aceitar ao final que nenhum deles se conhece verdadeiramente;
Caráter religioso – há algo maior sobre eles que ela não sabe o que é, mas pressente;
Característica expressionista: Sofia, várias vezes durante a peça, tenta gritar, porém seu grito é abafado, proibido: “quando quero gritar e tenho que tapar a boca”. Só consegue gritar em dois momentos: quando vê João roubando e ao final, em que sofre ao ver que tudo foi em vão.
À luz de uma teoria
"Um dos temas capitais [em Brandão] é o da pergunta metafísica sobre o “para quê” do sofrimento [...] Mouca, Luisa, Gebo, Gabiru – pseudóminos. O nome real, o verdadeiro nome de todos eles é um só: a Dor. Para maior dramatismo, a dor brandoniana nunca assume a dignidade convencional da tragédia clássica: pelo contrário, o seu aspecto e circunstância têm sempre um ar quanto possível grotesco, mesquinho, reles ou repulsivo." (LOPES, 1999, p. 186).
João (filho de Gebo e Doroteia)
João por sua vez é o contrário de Gebo, é instintivo, fugaz, ladrão e egoísta; nele vemos traços da estética Realista;
Contrário, avesso = o faz ser a sombra de Gebo;
Prefere viver a pior das realidades à conformar-se com a vida, com a pobreza, com a “mesmas ações de sempre”;
Avesso de Gebo porém, complemento de sua mãe Doroteia: ambicioso, indignado, maldoso por vezes;
João é o transgressor das leis, dos deveres e da honestidade, pois indignado com a sua condição social busca uma vida diferente, baseada no roubo, no luxo, na aquisição de coisas materiais;
Rouba seu próprio pai e não sente remorso ou arrependimento disso;
Ele se vê como um “outro” ser , um desajustado na família, alguém que foge às regras sociais e existenciais; deformação da imagem de João durante o segundo e terceiro ato (nem sua própria mãe o reconhece mais – característica expressionista); Observa as pessoas a sua volta e se revolta, não se sente pertencente à eles;
À luz de uma teoria
"Um dos temas capitais [em Brandão] é o da pergunta metafísica sobre o “para quê” do sofrimento [...] Mouca, Luisa, Gebo, Gabiru – pseudóminos. O nome real, o verdadeiro nome de todos eles é um só: a Dor. Para maior dramatismo, a dor brandoniana nunca assume a dignidade convencional da tragédia clássica: pelo contrário, o seu aspecto e circunstância têm sempre um ar quanto possível grotesco, mesquinho, reles ou repulsivo." (LOPES, 1999, p. 186)
Primeiro ato: “Reconhecimento ou apresentação”
A peça é dividida em 4 atos;
Reconhecimento da ação dramática, no qual as personagens são apresentadas, suas tensões expostas juntamente com o ambiente familiar e suas personalidades;
Ambiente familiar todo tensionado, ilusório, de aparências e muitas mentiras, no qual cada personagem apresenta uma realidade e uma visão de mundo totalmente diferente umas das outras;
Cada personagem apresenta uma realidade e uma visão de mundo totalmente diferente uma da outra, expondo assim a particularidade dos sonhos e temores e justificando/exemplificando assim a grande tensão e desconforto;
Segundo ato: “desenvolvimento da ação dramática”
Este ato esta marcado pela progressão exponencial da tensão; 
João vem abalar as demais realidades dos familiares, quando expõe a sua, o que gera um mal estar e um desconforto maior do que o já presente.
Choque entre a Realidade Verdadeira (João) vs. Realidade Ilusória (Gebo e a família).
João desequilibra um quadro familiar já então muito frágil e sensível;
Num ambiente ao qual todos guardavam no âmago suas angústias, suas frustrações, seus medos, suas expectativas e tudo mais em forma de mentiras para que assim, numa zona de conforto imaginária e pudessem continuar vivendo em suas ilusões;
Num ambiente ao qual todos guardavam no âmago suas angústias, suas frustrações, seus medos, suas expectativas e tudo mais em forma de mentiras para que assim, numa zona de conforto imaginária e pudessem continuar vivendo em suas ilusões;
Terceiro ato: “Clímax”
Ato com as principais características da estética expressionista;
A possível prisão do Gebo pelo crime que não cometeu, ameaça desmascarar todas as mentiras, ilusões e o próprio ambiente familiar no qual se encontravam;
Por meio da estética expressionista, o autor da forma a alma das personagens, mostrando todos os sentimentos de angústia, medo, negação, frustração e raiva (o monstro psicológico que abita dentro de todos os homens) e a principal forma com que ele tece essa imagem é por meio da personificação da verdade, ou Realidade verdadeira;
Gebo frente a frente com a Realidade verdadeira;
Realidade verdadeira, como se ela fosse um monstro real, tátil, visível, que está presente no cenário;
Desconforto no leitor, que vê nua e crua a alma de um homem atormentado pelas mentiras e por esse mundo ficcional em que ele se apoiava tão fortemente;
Apesar de toda essa revelação, o choque final não foi suficiente para o Gebo e as demais personagens despertarem do transe da normalidade e da realidade ilusória.
Quarto ato: “Finalização”
Após a prisão de Gebo, o ambiente familiar continua estagnado;
Troca da realidade ilusória anterior (João como salvador dos problemas familiares) por outro sonho intangível (Gebo como salvação dos problemas familiares);
Metamorfose de Gebo em Lesma;
Aceitação da realidade verdadeira (Gebo e João) vs. Desilusão/pessimismo da realidade ilusória (Sofia e Doroteia).
O essencial sobre Raul Brandão – Antonio M. B. Machado Pires
A peça vai para além do plano social, explorando o lado psicológico e metafisico (Junqueira);
Referências
BRANDÃO, Raul. O Gebo e a sombra. Coimbra: Atlântida Editora, 1970.
GEBO ea Sombra, O. Direção: Manoel de Oliveira. Produção: Manoel de Oliveira. Intérpretes: Claudia Cardinale, Michael Lonsdale, Luís Miguel Cintra, Leonor Silveira, Jeanne Moreau. Portugal, França, 2012. Duração: 98 min. Color.
GUINSBURG, J. O Expressionismo. Perspectiva, 2002.
JORGE, Maria. A alma das coisas. P. 48-55.
JUNQUEIRA, Renata. S. A obsessão das sombras: culto do fragmento e pulverização da identidade no teatro de Raul Brandão. In: A Transgressão de Axel. Leituras no teatro moderno em Portugal. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p. 111-131.
LOPES, Óscar. 5 motivos de meditação: Luís de Camões, Eça de Queirós, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa. Porto: Campo das Letras,1999.
PIRES, António. M. B. Machado. O essencial sobre RAÚL BRANDÃO. Imprensa nacional,1997.
Complementar:
MACHADO, Álvaro. Manuel. Raul Brandão entre o Romantismo e o Modernismo. Ministério da educação, 1984, p. 49-89.
"Esse tipo de expressão não é alemão nem francês. Ele é supranacional. Ele não é somente assunto da arte É exigência de espiríto. Não é programa de estilo. É um problema da alma. Uma coisa da humanidade." (apud TELES, Pág. 191)
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