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Aula I - Mundo do trabalho

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Douglas Voks

on 1 October 2012

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Transcript of Aula I - Mundo do trabalho

Disciplinarização dos Indivíduos e construção de uma nova ética do trabalho. 1. Trabalhador Liberto Com o fim da escravidão e início do trabalho assalariado as elites brasileiras se depararam com um problema muito grande, pois com essa transição precisou-se realizar reajustes no universo mental, adequando a visão de mundo com as transformações socioeconômicas que estavam em andamento. O trabalho não podia mais ser associado com a imagem degradante que tinha no período da escravidão, dever-se-ia criar uma imagem positiva para o trabalho O fim da escravidão era visto como um problema, pois nivelava de um dia para outro todas as classes sociais. A República nasceu sob o signo da ordem pública e do progresso ordeiro. Havia o consenso que a ordem estava ameaçada, por isso do uso da repressão violenta. Sendo que o principal foco para esse enquadramento era o liberto, pois estes eram em geral pensados como indivíduos que não estavam preparados para a vida em sociedade Discurso do deputado Mac-Dowell:
Votei pela utilidade do projeto, convencido, como todos estamos, de que hoje, mais do que nunca, é preciso reprimir a vadiação, a mendicidade desnecessária, etc. [...] Há o dever imperioso por parte do estado de reprimir e opor um dique a todos os vícios que o liberto trouxe de seu antigo estado, e que não podia o efeito miraculoso de uma lei fazer desaparecer, por que lei não pode de um momento para outro transformar o que está na natureza. Procurava-se uma justificativa ideológica para o trabalho, isto é, razões que pudessem justificar a sua obrigatoriedade para as classes populares Discurso do deputado Rodrigues Peixoto;

[...] é preciso que tenham todos uma ocupação por que V. Exa. Sabe que que, desde que o indivíduo respira, como que contrai uma dívida com a sociedade, a qual só pagará com o trabalho. Dentro desse projeto estava previsto que os ociosos iriam para uma colônia de trabalho, onde seriam internados com o objetivo de adquirir o hábito do trabalho, essa pena para os ociosos deveria ser bem longa, de um a três anos para o reincidente, pois o que se desejava não era apenas a punição, mas a sua reforma moral. 2. Trabalhador Nacional Na tentativa de conhecer melhor as causas da ociosidade do trabalhador brasileiro, um deputado afirma que: nos países europeus encontra-se a teoria de Malthus, ou seja, a um excesso de população, por isso as condições lá são mais duras e a população sente a necessidade de trabalhar para poder sobreviver, no Brasil pelo contrário o clima é ameno, o solo é fértil e a abundancia se nota por toda a parte, sendo assim a nossa população não precisa ter hábitos ativos de trabalho, pois tem facilidade de obter carne, peixe e frutas, por isso se tem a necessidade de obrigar o indivíduo ao trabalho, pois a tentação à ociosidade é irresistível. Nesse cenário surge o conceito de “classes perigosas”, um termo que surgiu inicialmente na Inglaterra e que se referia a pessoas que já haviam passado pela prisão ou às que ainda não haviam sido presas, mas que optaram para o seu sustento a prática do furto e não do trabalho. Já no Brasil esse termo classes perigosas passa a ser sinônimo de classes pobres, isso significa que automaticamente os pobres passam a serem vistos como um perigo a sociedade. 3. Trabalhador Imigrante Dentro desse projeto sobre a repressão a ociosidade havia uma discussão sobre o trabalhador imigrante. O estrangeiro reincidente no delito de vadiagem poderia ser expulso do país. Chalhoub conclui que durante a primeira república o universo ideológico estava dividido em dois mundos opostos: de um lado o mundo do trabalho de outro o da ociosidade e do crime. Para o discurso dominante o mundo da ociosidade e do crime está a margem da sociedade, por isso deve ser reprimido e controlado para que não comprometa a ordem. Para isso o discurso do bem e do mal, do certo e do errado se faz muito presente também. Essa visão de mundo é permeada por uma hierarquização. Patrões




Empregados Ociosos Mundo do Crime Dentro desse universo do mundo do trabalho entre trabalhadores imigrantes, nacionais e ex-escravos existia uma grande competição, não só por diferenças étnicas, mas pela própria questão de conseguir se manter no mundo do trabalho. Relação Patrão/Empregado Nesse contexto do mundo do trabalho, o paternalismo era o elemento fundamental, a autoridade do patrão é enfatizada e considerada essencial para que o trabalhador se veja obrigado a desempenhar suas tarefas com a eficiência exigida. Aparato Repressivo A maior parte das prisões se deu por prática de contravenção, ou seja, crimes sem vítimas, como embriagues, desordem e vadiagem. Desordem / Vadiagem Devemos ter uma atenção maior para os termos usados pelo aparato repressivo para classificar pessoas e comportamentos sociais indesejados, para podermos desvendarmos os mecanismos de controle social em ação na sociedade brasileira. O uso permanente, sem-cerimônia, ilegal e impune do aparato policial para estancar o protesto dos espoliados, tirar de circulação a força de trabalho desnecessária e restabelecer a ordem social nos moldes requeridos pelos interesses da classe dominante foi traço profundo da vida social brasileira nesse período, aliado à incipiência das instituições de disciplinamento mais hábil. E a brutalidade sem tamanho da polícia contribuía para aumentar ainda mais “a distância entre o país real e o país legal”, o que indica que fazer valer as leis, e não substituí-las pela norma, era a grande dívida da classe dirigente brasileira para com o ideário liberal que professava. Numa sociedade na qual o medo da polícia era poderoso instrumento disciplinador, a barbárie um fato e a cidadania não estava nem mesmo no horizonte mais remoto faz sentido perguntar se o disciplinamento dos pobres esteve por conta de médicos e educadores. Revolta da Vacina A Revolta da Vacina foi uma manifestação popular ocorrida na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 10 e 16 de novembro de 1904, contra a imposição da vacinação obrigatória, cujo objetivo era erradicar doenças tropicais como febre amarela, varíola, malária e peste, além de melhorar as condições de higiene da então capital da república. O plano de saneamento, organizado por Oswaldo Cruz, foi elaborado em sintonia com a política de modernização do espaço urbano do prefeito Pereira Passos. Para cumprir o proposto, Oswaldo Cruz encaminhou ao Congresso Nacional, a 31 de outubro, uma proposta de lei sobre a obrigatoriedade da vacinação, a chamada Lei da Vacina Obrigatória. Revisão historiográfica José Murilo de Carvalho ;
Sevcenco;
Teresa Meade;
Jeffrey Needell Para Sevcenco a revolta não foi contra a vacina, mas contra a história, para Carvalho o inimigo não era a vacina em si, mas contra o governo, para Needell a vacinação obrigatória foi apenas uma faísca que ateou fogo em problemas que vinham se acumulando, e para a Teresa Meade essa oposição popular origina-se de um leque bastante amplo de ressentimentos. E como que o Chalhou resolve esse problema? Mais do que evidência de ímpeto disciplinador dos médicos, a violência com que o poder público brasileiro executava as leis e projetos de saneamento repetia a forma tradicional de relação entre dominantes e dominados. As ações repressivas em nome das medidas higiênicas aprovadas nos congressos médicos eram realizadas quase sempre sob a coordenação do secretário de polícia, a quem cabia vigiar usos e costumes, aplicar multas, promover despejos e dar voz de prisão aos infratores. A repressão grosseira, mais do que as sutilezas disciplinadoras, foi, portanto, o instrumento por excelência do movimento higienista brasileiro. No desenho de Leônidas, publicado na revista O Malho de 29 de outubro de 1904, a legenda reproduzida a seguir antecipava a Revolta da Vacina, que viria a ocorrer dias depois, entre 12 e 15 de novembro, quando a população enfrentou Oswaldo Cruz e sua guarda: “Espetáculo para breve nas ruas desta cidade. Oswaldo Cruz, o Napoleão da seringa e lanceta, à frente das suas forças obrigatórias, será recebido e manifestado com denodo pela população. O interessante dos combates deixará a perder de vista o das batalhas de flores e o da guerra russo-japonesa. E veremos no fim da festa quem será o vacinador à força !....”
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