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A (Re)Construção do Multilinguismo em Angola

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Transcript of A (Re)Construção do Multilinguismo em Angola

Período Pós-Independência
Partidos políticos de Angola:

FNLA: anticomunista; etnia bacongo; predominante língua kikongo; guardiões das tradições culturais.
MPLA: marxista; etnia quimbundo; falantes de quimbundo e português; assimilou a influência europeia mas resistiu mais que o ovimbundos.
UNITA: primeiro maoísta, depois anticomunista; etnia ovimbundo; predominante língua umbundo; mais se adaptou à presença do europeu.
Introdução
Angola se havia bem com sua diversidade linguística e étnica. A colonização portuguesa, no entanto, levou a Angola sua própria concepção linguística como meio latente de dominação.

Pautadas na teoria de línguística crítica e colonial e no integracionismo, refletiremos sobre a invenção das línguas, a divisão linguística e étnica e a valorização das línguas nacionais.

Concebendo a língua como construção social e histórica, cotejaremos conhecimentos de políticas linguísticas, ciências políticas e fatos históricos.
Referencial Teórico
Objetivos Específicos
Explanar o contexto de pós-independência angolana, enfatizando sua dimensão linguístico-discursiva.

Analisar excertos de discursos agolanos na esfera oficial e acadêmica com o intuito de ilustrar posicionamentos oficiais contraditórios sobre o assunto.

Correlacionar esses posicionamentos com as ideologias presentes nos anos de colonização, independência, guerra e libertação.
Metodologia
Pesquisa bibliográfica com o intuito de fazer emergir discursos controversos sobre o problema linguístico em Angola.

Corpus heterogêneo para satisfazer perspectiva dialógica, estabelecendo relação entre os discursos, suas construções de concepção de língua e o papel das línguas no contexto angolano.
A (Re)Construção do Multilinguismo em Angola

Justificativa
Em África não existia a concepção de língua como marca de identidade. A introdução do envagelismo cristão e do letramento trouxe consigo conceitos como "Uma língua, uma nação", os quais facilitavam o domínio dos africanos pelo europeu.
Essa imposição era incapaz de corresponder à realidade dos povos da África, os quais possuem o multilinguismo como sua língua franca.
Objetivo Geral
Analisar a relação da língua portuguesa com as línguas africanas no contexto angolano.
Explanar o contexto de pós-independência angolana, enfatizando sua dimensão linguístico-discursiva.
Trabalho de Conclusão de Curso, por Heloisa Tramontim.

Makoni e Meinhof (2006): linguística crítica pautada na teoria de invenção das línguas sob reforço das tecnologias de gramatização, dando impulso a visões de mundo e discursos eurocristãos.

Harris (1981): abordagem integracionista preocupada com a dinâmica concreta da vida política e social. Leva em conta a complexidade da comunicação linguística, interpretada sob aspectos ideológicos, políticos e morais da vida.

Rajagopalan (2008): consciência crítica se dá intervindo na linguagem, fazendo reivindicações e aspirações políticas. Trabalhar com linguagem é agir politicamente, com toda responsabilidade ética que isso acarreta.
O PAPEL DOS INTELECTUAIS NO NACIONALISMO LOCAL E NA LUTA PELA LIBERTAÇÃO
É premente o papel dos intelectuais nos movimentos de independência de Angola e na tentativa do resgate de uma cultura angolana a partir do reestabelecimento da soberania da nação.

No entanto, os intelectuais, sozinhos, não puderam formular, moldar, influenciar um sentimento. A elite não pôde conceber a invenção de nação sem a existência de práticas sociais que a sustentassem.
MPLA e as línguas
O Estado independente angolano, governado pelo MPLA, embora oficialmente declare em sua Constituição, no artigo 19º, reservado às línguas, "a promoção e a valorização do estudo, ensino e utilização das demais línguas de Angola", sempre se utilizou da língua portuguesa como bandeira de unificação do país. Justificava que, multilíngue, alimentava a diferenciação entre os grupos e a tribalização por conta da vastidão de línguas e dialetos regionais étnicos.
Visão contemporânea sobre língua
"Os efeitos de língua são a maneira como as línguas são materializadas através dos discursos que as descrevem." Pennycook
Construção da norma no português angolano
[...] uma nova realidade linguística em Angola, a que chamamos de "português de Angola" ou "angolano", à semelhança do que aconteceu ao brasileiro ou ao crioulo. Embora em estado embrionário, o "angolano" apresenta já especificidades próprias [...] Pensamos que, no nosso país, o "português de Angola" sobrepor-se-á ao "português padrão" como língua segunda dos angolanos. (MINGAS, 1998, p. 115)
O PAPEL DAS UNIVERSIDADES NAS LÍNGUAS
Qual é a diferença de designação entre línguas nacionais e línguas angolanas?
Sassuco: O conceito de línguas nacionais, não fomos nós da Universidade que demos, mas foi o governo que as nomeou como línguas nacionais. A nossa interpretação do conceito de línguas nacionais é o de nomear essas línguas como línguas auxiliares à língua oficial da administração do país. Será que essas línguas têm esse papel? Não. Na verdade essas línguas não funcionam como tal em paralelo com o português. Vê-se que em todos os contextos é a língua portuguesa que funciona, e não as línguas nacionais. Esse é o problema da definição das políticas linguistícas no país. Enfim, é um problema sério, mas vamos procurar, academicamente e cientificamente falando, tentar minimizar este facto e sempre procurar algumas soluções de forma que gerações que venham não tenham os mesmos problemas que nós estamos a enfrentar.
Educação Bilíngue e as Escolas Rurais
Segundo Makoni e Meinhof (2006), sugere-se que a língua de escolarização mude, correspondendo o ensino do aluno ao ensino da língua da família. Caso alguns sejam excluídos, adotar o mesmo procedimento que promove a língua padrão para o uso institucional geral, mas reconhece as variedades em outros domínios. Em relação a ortografia, as línguas poderiam ser construídas de modo a permitir a variação máxima, pois as línguas não precisam ser padronizadas para serem ensinadas.
Instituto das Línguas Nacionais
A exagerada complexidade faz com que o planejamento linguístico pareça mais difícil do que é. Cria a imagem de uma situação sociolinguística africana constituída por numerosas unidades distintas e fronteiras linguísticas artificiais. Isso esconde o fato de que as fronteiras linguísticas podem não corresponder a nenhuma realidade funcional e social.
Conclusão
A separação dessas línguas denominadas nacionais está longe de ser clara. O desfecho de argumentos sobre "invenção", "narração" e "imaginação" tem sido o de demonstrar, de uma forma convincente, que a etnia e as instituições culturais, como sistemas jurídicos tradicionais, são um produto da ideologia colonial e não existiam anteriormente no espaço africano.
Referências
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