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Arcadismo - A lírica de Bocage

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by

Camila Leonardo

on 10 October 2014

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Transcript of Arcadismo - A lírica de Bocage

Arcadismo - A lírica de Bocage
Retrato gravado a buril e água-forte por Joaquim Pedro de Sousa
Obs: O retrato original foi feito em preto e branco.
Manuel Maria de Barbosa du Bocage
(1765-1805)
Barroco

Termo de duvidosa etimologia, mas a priori designa um tipo de pérola de forma irregular;
Iniciado na Espanha e foi introduzido em Portugal durante o período de reinado de Felipe II;
Período de grande transfomação cultural;
Contrarreforma.

Tendência estética que utiliza:
Jogo de paradoxos;
Dicotomias barrocas: claro x escuro, alma x corpo etc.;
Linguagem rebuscada (neologismos, hipérbatos, trocadilhos, dubiedades etc.).



Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!




Terremoto em Lisboa
Antes
Depois
Lisboa
Palácio Real
Coração cerimonial e comercial da cidade.
Lisboa
Grande porto que se beneficiou do fluxo de produtos coloniais da Ásia e da América do Sul e do comércio de escravos e de ouro na África Ocidental.
Danos causados pelo terremoto
Outros terremotos
1344 (7-8 graus)
1532 (7-9 graus)
1755 (8,5-9 graus)
1969 (6 graus)
Danos causados pelo terremoto
55 mosteiros danificados
O Cais Ribeirinho afundou
O Palácio Real foi destruído
Entre 10 mil e 15 mil pessoas morreram
A parte da cidade próxima da água, onde ficavam o Palácio Real, a Casa da Alfândega e a Casa da Índia, foi reduzida a um "monte de entulho". Os abalos foram sentidos em Veneza, no sul da França, Marrocos e no Norte da África.
Terremoto de Lisboa
"terrível terremoto que deixou em ruínas a capital de Portugal..."
"um espetáculo de horror e incredulidade, assim como desolação para as testemunhas, como talvez não tenha havido igual desde a fundação do mundo."
Casa da Ópera, em Lisboa, após o terremoto de 1755.
Impacto cultural do terremoto
"Talvez o Demônio do Medo nunca tivesse espalhado de modo tão rápido e poderoso seu terror sobre a Terra."
Impacto cultural do terremoto
A reação de Voltaire
Goethe
(…) Ó infelizes mortais! Ó deplorável terra!
Ó agregado horrendo que a todos os mortais encerra!
Exercício eterno que inúteis dores mantém!
Filósofos iludos que bradais «Tudo está bem»;
Acorrei, contemplai estas ruínas malfadas,
Estes escombros, estes despojos, estas cinzas desgraçadas,
Estas mulheres, estes infantes uns nos outros amontoados
Estes membros dispersos sob estes mármores quebrados
Cem mil desafortunados que a terra devora,
Os quais, sangrando, despedaçados, e palpitantes embora,
Enterrados com seus tetos terminam sem assistência
No horror dos tormentos sua lamentosa existência!
Aos gritos balbuciados por suas vozes expirantes,
Ao espectáculos medonhos de suas cinzas fumegantes,
Direis vós: «Eis das eternas leis o cumprimento,
Que de um Deus livre e bom requer o discernimento?»
Direis vós, perante tal amontoado de vítimas:
«Deus vingou-se, a morte deles é o preço de seus crimes?»
Que crime, que falta cometeram estes infantes
Sobre o seio materno esmagados e sangrantes?
Lisboa, que não é mais, teve ela mais vícios
Que Londres, que Paris, mergulhadas nas delícias?
Lisboa está arruinada, e dança-se em Paris.(…)

Vale lembrar que o terremoto ocorreu em um momento crítico do Iluminismo
Voltaire
versus
Rousseau
Reação prática
O rei de Portugal, D. José I de Bragança, ficou totalmnete paralisado e aterrorizado com o terremoto

A família real mudou-se para Belém, onde estava durante o terremoto e o maremoto.
Reação prática
Sebastião José de Carvalho e Melo, poderoso e ambicioso ministro do rei, encarregou-se do governo da cidade.

Primeiros atos:

Enterrar os mortos, para que não fossem disseminadas pestes e doenças;
Alimentar a população;
Estabelecer a ordem.
"Enterrem os mortos e alimentem os vivos"
Reconstrução de Lisboa
Robert Adam, um jovem arquiteto escocês.
Mesmo com a extravagância teatral barroca do projeto de Adam, ele não foi aprovado.
Lisboa ficou com uma imagem mais recatada, comercial, prática e pragmática, marca do regime de Pombal.
Reconstrução de Lisboa
Marquês de Pombal imediatamente entregou aos engenheiros militares o projeto da cidade reinventada;
Manuel da Maia, principal engenheiro militar;
Eugênio dos Santos, coronel do corpo de engenharia;
Carlos Mardel, servidor no corpo de engenharia militar.
Reconstrução de Lisboa
Após muitas discussões sobre as questões fundamentais de reconstrução e vários projetos detalhados da nova cidade, o escolhido foi o de Eugênio dos Santos e Carlos Mardel, que representava uma total reformulação do centro e da cidade e que reformulava completamente o antigo padrão de ruas e limites de propriedade.
A nova Lisboa
A nova Lisboa pretendia ser uma cidade comercial burguesa e utilitária, orientada para o desenvolvimento econômico com o fito de modernizar Portugal.
Bocage
É considerado o maior poeta português do século XVIII;
Nasceu em Setúbal no ano de 1765;
Casou-se cedo com Gertrudes ("Gertrúria");
Alistou-se na Marinha de Guerra em 1783;
Caiu em desgraça quando soube que Gertrudes se casou com o irmão dele;
21/12/1805: ano de sua morte.
"Elmano Sadino".




Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!


Bocage





Já Bocage não sou!... À cova escura
• Bocage vulgar: anedotas com obscenidades grosseiras
X
• Bocage literário: fracionado em dois setores:
1) o satírico e 2) o lírico

Bocage satírico
• “estrela de primeira grandeza, ao lado dum Gregório de Matos”
• “Pena de Talião”, em resposta a José Agostinho de Macedo, com quem travou batalha poética

(...)
“Sanguessuga de pútridos autores,
Que vais com cobre vil remir das tendas,
Enquanto palavroso impõe aos néscios
E a crédulo tropel, roncando, afirmas
Que resolveste o que roçaste apenas
(Falo das Artes, das Ciências falo);
Enquanto a estátua da Ignorância elevas,
Os dias eu consumo, eu velo as noites
Nos desornados, indigentes lares;
Submisso aos fados meus ali componho
À pesada existência honesto arrimo,
Co'a mão, que Febo estende aos seus, a
poucos.”
(...)
Bocage literário
• Conservou as líricas elegíaca, bucólica e amorosa
• Destacou-se tanto nos sonetos que, ao pé de Camões e Antero, é considerado um dos maiores sonetistas de Língua Portuguesa

Bocage literário
• Usou uma adjetivação tida como diabólica, teatral, alucinada e subjetiva
• Seus sonetos pressagiaram os de Antero pelo pessimismo e pela presença da morte
• Libertarismo emocional, ora violento e gritante, ora calmo e idealista

Poesia lírica
• 1ª fase: um Bocage que se submetia ao Fingimento e à Dependência, espécies de convenções do período neoclássico arcádico

• Uso de imagens mitológicas e clássicas


“Olha, Marília, as flautas dos pastores / Que bem que soam, como estão cadentes! / Olha o Tejo, a sorrir-se! Olha, não sentes / Os Zéfiros brincar por entre as flores?”

Poesia lírica
• 2ª fase: Uma poesia de confissão e de emoção
• Sentimento de desamparo e de solidão existencial
• Tema central: Morte

Poesia lírica
• 2ª fase: O interessante nessa fase da poesia bocageana é que ele provoca uma autossondagem tão extrema que propõe ser universal


SUBJETIVISMO EGÓLATRA X UNIVERSALISMO

Razão <<<>>>> Bocage <<<>>> Sentimento
Universal Subjetivo


“Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão n’altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno”

“Deus... ó Deus, quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube!”

Bocage e Camões

“Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho meu fado ao teu quando os cotejo!
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo
Arrostar co sacrílego gigante.

Como tu, junto ao Ganges sussurrante
Da penúria cruel no horror me vejo,
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo
Também carpindo estou, saudoso amante.

Ludíbrio como tu da sorte dura,
Meu fim demandando ao Céu pela certeza
De que só terei paz na sepultura.

Modelo meu tu és, mas ó tristeza,
Se te imito nos transes da Ventura
Não te imito nos dons da Natureza.”


Origem do termo

A origem do termo Arcadismo surgiu de uma região da Grécia antiga. Lá moravam pastores que viviam uma vida simples. Cantavam e se divertiam fazendo jogos poéticos para celebrar a vida.
Os poetas italianos criaram uma academia literária que se chamava Arcádia em 1690, inspirada na lenda antiga. O objetivo era retomar as ideias clássicas para combater o “mau gosto” na arte.

Arcadismo
Barroco
versus
Arcadismo

-Retomada dos ideais da poética clássica
-Criticar o estilo dificultoso do Barroco

Objetivos do Arcadismo
Principais lemas dos poetas árcades
Inutilia truncat
Significa “cortar as inutilidades”, ou seja, simplificar a escrita.

Aurea mediocritas
Significa a busca da justa medida, do equilíbrio, da busca do meio termo, da simplicidade e sem exageros.

Ex: Não cobre vastos campos o meu gado
O maioral não sou da nossa aldeia,
Do meu trabalho como, mas, Dirceia,
Ainda que sou pobre, vivo honrado.
No jogo da carreira e do cajado
Até o destro Algano me receia,
Qual loura espiga de grãozinhos cheia
Me alegra ver teu rosto delicado.

Fugere urbem
“Fugir da cidade” ou Sequi naturam, “seguir a natureza”. A opção pela vida no campo ao invés da vida na cidade.

Locus amoenus
Designa um lugar ideal, favorável para a celebração do amor.

Ex: Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Análise literária
Temática: Morte
Há no soneto não só uma preparação para a morte, como também há o arrependimento causado pela vida que não teve.
Bocage constantemente se vê aprisionado no próprio <<eu>>;
O poeta introduz a si próprio como personagem, traço moderno que é retomado pelo Romantismo.
Características
O soneto evoca a autobiografia e uma autocrítica;
Ambiente:
locus horrendus;
Esquema rimático
1º quarteto: abba
2º quarteto: abba
1º terceto: cdc
2º terceto: dcd
Características Pré-Românticas
Procura uma linguagem nova e tom declamátório: pontuação expressiva;
Marcas autobiográficas;
Vocabulário convencional do ambiente e sentimentalismo romântico.
Na forma:
No conteúdo:
Naturaza:
locus horrendus
;
Desengano e fatalismo;
Manifestação de estados de alma doentios;
Morte como libertação;
Expressão hiperbólica dos sentimentos.
A partir dessa perspectiva vemos que a obra de Bocage, por um lado reproduz o
arcadismo
a que se pode assimilar a poesia do século XVIII e por outro, anuncia o
romantismo
que se identificará com o século XIX. Por isso, que muitos o consideram como poeta de transição.
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