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Claro Enigma

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Anna Wypych

on 26 June 2013

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Transcript of Claro Enigma

Análise dos Poemas - Claro Enigma
Análise - Relógio do Rosário
Vínculo presente entre “A máquina do mundo” e “Relógio do Rosário” é evidente não só pelo fato de ambos constituírem a última parte de Claro enigma, mas também pelas relações antagônicas presentes nos versos de ambos os poemas. No caso do “Rosário”, retomando Nietzsche de O nascimento da tragédia nos versos “Oh dor individual, afrodisíaco/ selo gravado em plano dionisíaco”, Drummond nos remete à dor primeva da individuação, quando, a partir do despedaçamento do mito cósmico do Homem Universal, celebrado em Dioniso, surgiu o primeiro fundamento do mal (a arte, por sua vez, representa a esperança de retorno à unidade primordial de tudo o que existe). Apesar de citar o amor como um caminho possível para a superação da dor da individuação nietzschiana, os demais versos do poema mostram como esse elemento é fugaz e fraco diante do “contato furioso da existência”.
Permanência
Agora me lembra um, antes me lembrava outro.
Dia virá em que nenhum será lembrado.
Então no mesmo esquecimento se fundirão.
Mais uma vez a carne unida, e as bodas
cumprindo-se em si mesma, como ontem e sempre.

Pois eterno é o amor que une e separa, e eterno o fim
(já começara, antes de ser), e somos eternos,
frágeis, nebulosos, tartamudos, frustrados: eternos.
E o esquecimento ainda é memória, e lagoas de sono
selam em seu negrume o que amamos e fomos um dia,
ou nunca fomos, e contudo arde em nós à maneira da chama que dorme nos paus de lenha jogados no galpão.
Relógio do Rosário
Era tão claro o dia, mas a treva,
do som baixando, em seu baixar me leva

pelo âmago de tudo, e no mais fundo
decifro o choro pânico do mundo,

que se entrelaça no meu próprio choro,
e compomos os dois um vasto coro.

Análise - Permanência
Discorre sobre a memória: aqueles que se foram, mas que sobrevivem nas lembranças. Parte que trata da memória da família Drummond, especialmente nas lembranças do pai e uma reflexão sobre o tempo e a aceitação da morte.
Oh dor individual, afrodisíaco
selo gravado em plano dionisíaco,

a desdobrar-se, tal um fogo incerto,
em qualquer um mostrando o ser deserto,

dor primeira e geral, esparramada,
nutrindo-se do sal do próprio nada,

convertendo-se, turva e minuciosa,
em mil pequena dor, qual mais raivosa,

prelibando o momento bom de doer,
a invocá-lo, se custa a aparecer,

dor de tudo e de todos, dor sem nome,
ativa mesmo se a memória some,


dor do rei e da roca, dor da cousa
indistinta e universa, onde repousa

tão habitual e rica de pungência
como um fruto maduro, uma vivência,

dor dos bichos, oclusa nos focinhos,
nas caudas titilantes, nos arminhos,

dor do espaço e do caos e das esferas,
do tempo que há de vir, das velhas eras!

Não é pois todo amor alvo divino,
e mais aguda seta que o destino?

Não é motor de tudo e nossa única
fonte de luz, na luz de sua túnica?

O amor elide a face… Ele murmura
algo que foge, e é brisa, e fala impura.

O amor não nos explica. E nada basta,
nada é de natureza assim tão casta

que não macule ou perca sua essência
ao contato furioso da existência.

Nem existir é mais que um exercício

de pesquisar de vida um vago indício,



a provar a nós mesmos que, vivendo,

estamos para doer, estamos doendo.



Mas, na dourada praça do Rosário,

foi-se, no som, a sombra. O columbário



já cinza se concentra, pós de tumbas,

já se permite azul, risco de pombas.



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