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Untitled Prezi

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by

Priscila Cupello

on 1 September 2013

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A MULHER (A)NORMAL:
REPRESENTAÇÕES DO FEMININO EM PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E REVISTAS LEIGAS DE GRANDE CIRCULAÇÃO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO (1925-1933)

Mestranda: Priscila Céspede Cupello
Orientadora: Profª Drª Cristiana Facchinetti

Introdução:
Problema:
Investigar como a normalidade feminina foi construída, divulgada e representada nos artigos médicos (
Boletim de Eugenia
e
Arquivos Brasileiros de Higiene Mental
) e como ela foi apropriada em duas revistas leigas (
A Maçã
e
Revista Feminina
).

Espaço Geográfico
:
Rio de Janeiro
-Distrito Federal, divulgador de modelos, sede da LBHM e lócus de publicação e/ou circulação das fontes analisadas.

Recorte Temporal: 1925-1933
Início do recorte: Maior intervenção da psiquiatria no campo social visando a prevenção das doenças mentais (Lei da Assistência a Psicopatas de 1927).
Ano de lançamento dos
Arquivos Brasileiros de Higiene Mental
.

Fim do recorte: Último ano de publicação do
Boletim de Eugenia
Reforma na área do Ministério da Saúde e Educação e entrada do Ministro Gustavo Capanema.
Objetivo Geral:

Investigar as práticas e representações de normalidade feminina divulgadas por médicos, eugenistas e higienistas mentais e contrapô-las às representações presentes em revistas leigas do período, problematizando as apropriações e o alcance de tais normas.


Objetivos específicos:

•Analisar que tipo de “mulher normal” era propagada nos
Arquivos Brasileiros de Higiene Mental
, no
Boletim de Eugenia
, na
Revista Feminina
e em
A Maçã
, investigando a que grupos sociais essas revistas pertenciam e quais eram seus interesses políticos e profissionais;

•Discutir o público-alvo desses periódicos, sua abrangência e consequências para a divulgação de modelos de saúde, de bem-estar e de modernidade;


Quadro Teórico:


“Normal” “Anormal”
e
“Patológico”
- Canguilhem (1990):

Normal:
o que aparece com mais incidência; aquilo que se deseja manter; o que é tido como o melhor; o bom; o saudável; o desejável.
Anormal:
o que se diferencia da norma em quantidade de incidência; aquilo que é anômalo; perfil propenso a adoecer; aquele que precisa ser vigiado.
Patológico:
aquele que precisa da intervenção médica; aquele que precisa ser separado da sociedade.

“o anormal não é o patológico. Patológico implica em pathos, sentimento direto e concreto de sofrimento e de impotência, sentimento de vida contrariada”(Canguilhem, 1990, p.106).

O decreto da Assistência a Psicopatas de 1927 descreveu como “psicopata” os perfis considerados “alienados ou não” (decreto nº 17.805 de 23/05/ 1927).
Objetivos:
Representação social:
O conceito de representação social foi adotado para analisar a maneira como a sociedade foi percebida por seus próprios atores. As representações sociais constituem a realidade do indivíduo, mas extrapolam a sua singularidade (Chartier, 2002).

Apropriação social:
A noção de “apropriação” (Chartier, 2002) é utilizada com a finalidade de inquirir as formas pelas quais o discurso de “normalidade feminina” perpassou, transformou e foi apropriado por pessoas não pertencentes ao grupo de médicos-psiquiatras, higienistas e eugenistas.

Gênero:
Joan Wallach Scott(1994) definiu gênero como o saber que estabelece significados para as diferenças percebidas, sendo, portanto, uma categoria histórica que pode ser usada para analisar as relações sociais.

Quadro Teórico (2):
Capítulo 1:
Abrindo os Arquivos de Fontes:
1.1. Adentrando o universo das fontes

1.2. Autores e Editores: diferentes vozes

1.3. Entre Periódicos Científicos ou Revistas
Leigas: Uma análise do Público-alvo e Leitores
Arquivos Brasileiros de Higiene Mental (1925-1947)

-
Publicação Oficial da LBHM. Tinha o objetivo de difundir os saberes da higiene mental para o público leigo e especializado em medicina.

Periodicidade: Irregular (mensal, semestral)

Custava: 2$500 preço avulso

Leitores: médicos e camadas médias e altas
Boletim de Eugenia (1929-1933)

-
Fundado por Renato Kehl com o objetivo de difundir os princípios da eugenia para o público leigo.

Periodicidade: Mensal

Distribuido gratuitamente até 1929 quando passou a custar 5$000 de assinatura anual.

Leitores: Camadas médias e altas
Revista Feminina

Fundada em 1915 por Virgilina de Souza Salles e era propriedade da Empresa Feminina Brasileira,

Em janeiro em 1924, a revista abriu uma sucursal no Rio de Janeiro (Freire, 2009, p.27)

A revista tinha o objetivo central valorizar a mulher na defesa da família e na educação dos filhos.

Periodicidade: Mensal

Custava: 2$000 preço avulso

Mais caro que uma passagem do Centro para a Tijuca (1$200)

Leitores: camadas médias e altas
A Maçã

Fundada em 11/02/1923 pelo jornalista e literato Humberto de Campos, que assinava sob o pseudônimo de “Conselheiro XX”

A revista era tida pela crítica como a mais escandalosa e agressiva do período (Buitoni, 2009, p. 65)

Periodicidade: Quinzenal

Custava: 1$000 preço avulso

Leitores: diferentes camadas sociais (grande público de estudantes)
Capítulo 2:
Projetos de Modernização Nacional: Entre impasses e soluções
2.1. A Intervenção Psiquiátrica no Brasil: da cura à prevenção
Projetos de modernização - Reforma Urbana e Sanitária;

2.2. Os Projetos da Higiene Mental para a Modernização do Brasil
Liga Brasileira de Higiene Mental (Fundada em 1923) - Estatuto da LBHM (1925) - "Prevenção das doenças nervosas e mentais".
Dificuldades da LBHM

2.3. A circulação dos saberes eugênicos no Brasil: entre propostas e contradições
O discurso higiênico mental e eugênico centrava-se na afirmação de que não apenas os fatores hereditários mas também os ambientais produziam degeneração.
Conforme a argumentação de Kehl, " a esterilização é indicada e valiosa em casos especiais de doença e miséria: (...) ela deve ser aplicada compulsoriamente, a certos criminosos e em certos degenerados somatopsíquicos" (Kehl, Arquivos, 1925, I, 2, p.73).
Exames pré-nupciais.

2.4. A cidade, o capitalismo e o modo de vida burguês
A vida citadina e o capitalismo causariam danos irreversíveis à saúde, moral e aos bons costumes das famílias brasileiras.
De acordo com o psiquiatra Henrique Roxo, "uma vida de constantes dificuldades financeiras, de desajuizados domésticos diários, de trabalho excessivo sem compensador repouso imprescindível, condicionará uma susceptibilidade psicopática, quiçá irremediável" (Roxo, Arquivos, 1925, I, 2, p.5).
Capítulo 3:
Representações do Feminino em Periódicos Científicos e em Revistas Leigas
3.1. A Mulher Normal: a visão da Higiene Mental

3.2. “Quem é bom já nasce feito”: Representações da mulher normal nas propostas eugênicas

3.3. Representações do feminino na revista A Maçã (1923-1929)

3.4. Representações do feminino na Revista Feminina (1914-1936)
A mulher era um alvo da eugenia, pois além de educar os filhos contribuiria também com “75% da determinação sobre a constituição da prole, ao passo que a influência do homem seria apenas de 25%” (Kehl apud Souza, 2006, p. 173).
Porto-Carrero afirmava que “esposa-mãe” seria o “tipo completo de mulher normal” (Porto-Carrero, 1933, p. 91). O médico também alegava que a “mulher puramente companheira de trabalho [do homem] é um ser que mente a sua finalidade” (Porto-Carrero, Arquivos, 1930, III, 5, p.164).


Alfredo de Britto descreveu algumas das tipificações referentes à "mulher normal":

mulher-mãe
mulher-professora,
mulher-noiva,
mulher-esposa

(Britto, Arquivos, 1930, III, 6, p. 205).
A Maçã
A crônica da “tentadora” Mariazinha narra a história da personagem que vai ao “Banco de Hypotecas e Contratos Rurais” se encontrar com o banqueiro Bernardo Corrêa Lopes para pedir-lhe uma vaga de emprego para seu marido que, segundo ela, “não tinha coragem de pedir a ninguém uma colocação”. (Morelli, A Maçã, 07/02/1925, III, 157, s/p).

A crônica termina com o autor afirmando que, dias depois, quem passasse na porta da residência de Bernardo Corrêa, podia ouvir os barulhos suaves de beijos que vinham de sua residência.

A tenista Helen Wills destacou três tipos de mulher moderna: a que pratica esporte, a mulher que trabalha e a la "garçonne"(‘Entrevista com Helen Willis’, Rev. Fem., 01/1930, s/pg).
O livro La garçonne de Victor Margueritte, publicado em 1922, no qual a heroína Monique Lerbier, além de cortar o cabelo curto como o dos homens, também engravidou e teve um filho sem se casar.
Embora Ana de Castro Osórioa afirmasse que o casamento não era o único fim para as mulheres, ela ratificava que a “felicidade extraordinária” só era conquistada pela mulher que conseguisse se casar e criar a sua própria família, além de exercer alguma ocupação fora do lar (Osório, Rev. Fem.,12/1925, s/pg.).

No artigo intitulado "O poder social da mulher cristã" afirmava-se que a mulher católica tinha grande importância para a realização do "saneamento moral da sociedade" (Furtado, Rev. Fem., 05/1925).


A crônica assinada por "Um marido atormentado" narra a história da esposa que somente pratica atividades domésticas e por isso incomoda o marido perguntando sobre as novidades da cidade. Esta crônica salienta a importância das mulheres buscarem uma atividade fora do lar para terem o que conversar com o marido (Rev. Fem., 01/1930).




Capítulo 4:
A “Esposa-Mãe”: Mulher, Casamento e Maternidade
4.1. A importância da Mulher no Projeto de Modernização Nacional
Criança futuro da Nação
Maternidade científica
Puericultura

4.2. Mães e Crianças no foco do Projeto de modernização Nacional
Educação sexual
Escolha eugenica de um bom marido e esposa

Considerações Finais:
Nesta análise não nos deparamos com uma apropriação extensiva do saber médico-mental nos grupos leigos de editores e leitores das revistas selecionadas, mas uma polifonia de vozes acerca da conceituação da "mulher normal" elaborada pelos diferentes grupos analisados.

A análise das revistas demonstra que o discurso médico nem sempre era apropriado pela sociedade. Quando comparecia, vinha articulado com outros saberes e práticas, como por exemplo: a religião, a política, o movimento feminista etc.

Assim, a apropriação do discurso médico-mental realizado pelo público leigo articulou discursos teoricamente dicotômicos para habitarem o mesmo espaço social e lutarem pelos mesmos interesses.
Portanto, ao longo da dissertação verificamos que o discurso de normalidade advindo da psiquiatria, da higiene mental e da eugenia era mais um dos que circulavam nas esferas sociais da cidade do Rio de Janeiro das décadas de 1920 e 1930. Sendo assim, não encontramos evidências de que este discurso fosse hegemônico e/ou vitorioso, de modo que adentrasse de forma vertical e autoritária os diferentes espaços sociais.

Revista Feminina
Revista Feminina
Revista Feminina
A eugenia tem por fim cooperar para o aumento progressivo dos homens física, psíquica e moralmente sadios; para a diminuição paulatina do contingente dos fracos, doentes e degenerados, – concorrendo, desse modo, para a constituição de uma sociedade mais sã, mais moralizada, em suma, uma humanidade equilibrada, composta de indivíduos fortes e belos, elementos de paz e de trabalho (Boletim, 1929, I, 4, p. 1).
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