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As representações da mulher n’ O Crime do Padre Amaro

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by

Carminda Soares

on 21 May 2015

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Transcript of As representações da mulher n’ O Crime do Padre Amaro

As representações da mulher n’ O Crime do Padre Amaro
O Crime do Padre Amaro
é considerado um dos maiores romances da obra queirosiana e foi também um dos romances que causou maior controvérsia, essencialmente a nível moral, pela forma como retrata o lado mais obscuro da classe clerical.

Três versões: 1875, 1876 e 1880.
O Crime do Padre Amaro
“Depois de casada podia bem ver o senhor padre Amaro. E a mesma ideia voltava subitamente, mas numa forma tão honesta agora que a não repelia: decerto, o senhor padre Amaro podia ser o seu confessor; era em toda a cristandade a pessoa que melhor guiaria a sua alma, a sua vontade, a sua consciência; haveria então entre eles uma troca deliciosa e constante de confidências, de doces admoestações; todos os sábados iria receber ao confessionário, na luz dos seus olhos e no som das suas palavras, uma provisão de felicidade; e aquilo seria casto, muito picante, e para a glória de Deus. (…) E daí a pouco dormia serenamente, sonhando que estava em sua casa, com o seu marido, e que jogava a manilha com as velhas amigas, no meio de contentamento de toda a Sé, sentada nos joelhos do senhor pároco".
Amaro - Amélia
“era uma rapariga de vinte e três anos, bonita, forte, muito desejada”;
Vive com a mãe, S. Joaneira, numa pequena casa na Rua da Misericórdia;
Educada num ambiente de padres e beatas;
Na sua relação com Amaro está presente um falso sentimento de uma devoção.
Amélia
“Aquilo no fundo é uma pobre gente, uma boa gente, vítimas da confusão moral no meio de que nasceram, fazendo o mal inocentemente, em parte, porque os arrasta a paixão, o instinto, como pobres seres espontâneos, sem a menor transcendência” (Antero de Quintal).
"Cenas da Vida Devota"

“Perdôem-me, gentis meninas, se a nossa pena nem sempre fôr glorificadora como um soneto de Petrarca: mas a tinta moderna sai do poço da Verdade.” (Eça de Queiroz)

O papel da mulher
“Amaro olhou para ela, então, pela primeira vez. Tinha um vestido azul muito justo ao seio bonito; o pescoço branco e cheio saía de um colarinho voltado; entre os beiços vermelhos e frescos o esmalte dos dentes brilhava; e pareceu ao pároco que um buçozinho lhe punha aos cantos da boca uma sombra subtil e doce".
Amélia
“Desesperou-se então contra Amélia: acusou-a, com o punho fechado, das comodidades que perdera, da falta de mobília, da despensa que ia ter, da solidão que o regelava! Se fosse mulher de coração devia ter vindo ao seu quarto e dizer-lhe: «Senhor padre Amaro, para que sai de casa? Eu não estou zangada!» Porque enfim quem irritara o seu desejo? Ela, com as suas maneirinhas ternas, os seus olhinhos adocicados! Mas não, deixara-o emalar a roupa, descer a escada, sem uma palavra amiga, indo tocar com estrondo a valsa do «Beijo»!”
Amélia culpada
“Várias circunstâncias do Crime do Padre Amaro levam o leitor a descobrir um preconceito antifeminino nas suas páginas. Personagem alguma mulher é atraente, simpática, sequer Amélia. As beatas são detestáveis: ignorantes, passivamente manipuladas pelos padres que as exploram (dinheiro, sexo, manjares), cheias de orgulho vão e vaidadezinhas mesquinhas, tirânicas em relação aos inferiores, etc.
Amélia, jovem e bonita, não atrai o leitor, pela estupidez com que se abandona às mãos de Amaro. Fútil, histérica, vive só de aparências e dos sonhos da sua imaginação doentia.” (Beatriz Berrini)

A representação da mulher
“Amaro achava-a mudada, um pouco inchada nas faces, com uma ruga de velhice aos cantos da boca”.

“Amélia estava imóvel, com os braços hirtos, as mãos crispadas duma cor de purpura escura – e a mesma cor mais arroxeada cobria-lhe a face rígida.”

Amélia
“A rapariga é um espírito fraco; como a maior parte das mulheres não se sabe dirigir por si; necessita por isso um confessor que a governe com uma vara de ferro, a quem ela obedeça, a quem conte tudo, de quem tenha medo… como deve ser um confessor.”
Amélia inferior
“Que fazem as mulheres em todo o livro? Supervisionam a casa e a comida (têm boas criadas), vão à igreja, falam mal da vida alheia, costuram, por vezes tocam piano e cantam, jogam… E entregam-se aos senhores, de alma e corpo. Vidas inúteis, desprovidas de maior significado. Nem sequer aparecem como procriadoras, salvo a S. Joaneira que, aliás, convivendo com a filha, nada percebe, ou muito pouco, do que lhe acontece. E Amélia, perto de se tornar mãe, chega a odiar o filho que vai nascer.” (Beatriz Berrini)
A Mulher
“Era gorda, alta, muito branca, de aspeto pachorrento. Os seus olhos pretos tinham em redor a pele engelhada; os cabelos arrepiados com um enfeite escarlate, eram já raros aos cantos da testa e no começo da risca; mas percebiam-se uns braços rechonchudos, um colo copioso e roupas asseadas.”
S. Joaneira
S. Josefa é descrita como “«a estação central» das intrigas de Leiria”.

D. Maria de Assunção “tinha no queixo um grande sinal cabeludo; (…) dentes esverdeados, cravados nas gengivas como cunhas. Era viúva, rica, e sofria de um catarro crónico.”

D. Joaquina Gansoso “era uma pessoa seca, com uma testa enorme e larga, dois olhinhos vivos, o nariz arrebitado, a boca muito espremida. (…) Dizia mal dos homens e dava-se toda à igreja (63/64).

D. Ana “era extremamente surda. Nunca falava (…) dizia-se que tinha uma paixão funesta pelo recebedor do correio.”

As beatas
“… nas palestras eclesiásticas em que tão femininamente se deleitam os padres, e que têm a puerilidade de uma caturrice e a tortuosidade de uma conspiração”

“… e a sua carita de fêmea, amarelada”

“Então todos os seus nervos (…) se relaxaram numa fraqueza de mulher sensível – e rompeu a chorar”

Expressões femininas
Amélia morre no parto.

O padre Amaro riu também: e durante um momento os dois sacerdotes pararam apertando as ilhargas. […]
- Ó Amaro, e você a escrever-me que queria retirar-se para a serra. Ir para um convento, passar a vida em penitência…
O padre Amaro encolheu os ombros:
- Que quer você, padre-mestre?... Naqueles primeiros momentos…
Olhe que me custou! Mas tudo passa…


O castigo de Amélia
“No CPA tem-se um exemplo, até certo ponto pelo menos, no relacionamento Amaro-Amélia. Laço algum de consanguinidade existe entre os dois. Todavia há o parentesco espiritual que, segundo a doutrina da igreja católica na Idade Média, poderia dar ocasião a um verdadeiro crime de incesto. Pensamento já totalmente descartado em fins do século XIX. No entanto, no capítulo XIII, vê-se o padre Amaro empenhado junto a D. Josefa, para que esta convença Amélia a tornar-se sua dirigida. Ele quer obter “a direcção da sua alma”. A rapariga, efectivamente, logo depois, passa a ser sua filha espiritual, na expressão corrente da Igreja. Daí a meu ver, uma tonalidade incestuosa, esvaecida embora, a tingir o relacionamento carnal entre eles e que, na óptica católica, era vilipendiado, pelo celibato clerical, como pecaminoso. (Beatriz Berrini)
Incesto para a igreja católica
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