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Memorial do Convento - Capitulo 19

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by

Natália Pinho

on 5 May 2015

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Transcript of Memorial do Convento - Capitulo 19

A descrição da "Pedra"
"A Epopeia"
As Personagens
- Neste capítulo, o narrador faz sobressair o povo e nele elege os seus heróis, os construtores da obra, que sempre ficavam no anonimato.
- Epopeia cujo herói é o povo que, humilhado, sacrificado e miserável, alcança uma dimensão trágica e se eleva aos nossos olhos pela sua força e humanidade, superando de longe as outras duas classes.
- Destaca-se a força, o suor, o sacrifício e até a morte dos homens que, pela sobrevivência, trabalham sem descanso para tornar possível o cumprimento da promessa do rei.
É o espaço da megalomania do rei, onde habitam milhares de trabalhadores que vieram das suas terras de origem, voluntariamente ou forçados, para trabalhar na construção do convento.
Este espaço representa o esforço desmedido, a doença e a morte, mas também a solidariedade, o companheirismo e a cumplicidade dos trabalhadores.
Macroespaço: MAFRA
Microespaço: DA VILA DE MAFRA A PÊRO PINHEIRO, PASSANDO POR CHELEIROS
Espaço Físico
Quanto à Presença: Heterodiegético
O Narrador
Quanto à Ciência: Omnisciente
Quanto à Posição: Subjetivo

Voz narrativa: Manuel Milho
A Notícia
"Convento de sua Majestade"
Linha de Ação
Tempo Cronológico
Primeiro Acidente
História de Manuel Milho
"Moral da História"
- A existência humana.
- O mais importante é o ser humano e a sua essência.
- Cada um é aquilo que as condições e as circunstâncias sociais lhe permitam que seja.
"Moral da História"
- Apesar da rainha ter estatuto e ser considerada superior ao povo, “não sabia se queria ser rainha”, o que demonstra mediocridade por parte dela, inferioridade espiritual, ao invés do povo, uma classe considerada inferior mas bem ciente do que era, “inteligente nas tarefas mais difíceis, para colocar a enorme pedra no cargueiro”
- O narrador condena as diferenças sociais da época, daí surgir
(em homenagem ao povo) a narração da história proferida por Manuel Milho.
Descrição da "Nau da Índia"
Antítese "céu/inferno"
- “Vinha puxada a braço, em grande alarido de quem fazia a força, de quem a mandava fazer, um homem distraiu-se, deixou ficar um pé debaixo da roda, ouviu-se um berro, um grito de dor insuportada, a viagem começa mal.”
- "Escuro ainda tocou a corneta."
Valorização do Povo
A construção do Convento de Mafra.
- referência reiterada aos trabalhos forçados dos homens que participam na construção do convento de sua majestade. - num tom irónico
"A Passarola"
Os Trabalhos
"Terra solta, pedrisco, calhau que a pólvora ou o alvião arrancaram ao pedernal profundo, esse pouco o transportam por mão de homem os carrinhos, enchendo o vale com pó que se vai arrasando do monte ou extraindo dos novos caboucos."
"São trabalhos já ditos, que mais facilmente se recapitulam por serem de força bruta... outro ficando oculto aquele que faz sob aquilo que é feito."
"A Promoção"
- "se olhássemos de alto, por exemplo, pairando na máquina voadora sobre este lugar de Mafra"
- No alto onde se encontra a passarola consegue-se avistar todas as movimentações dos barcos e dos carros que participam nos trabalhos da construção desta obra.
- “trazem estas e outras matérias ao convento de sua majestade"
tom irónico
"A Passarola"
- "não faríamos ideia da grandeza da obra se o padre Bartolomeu Lourenço não tivesse inventado a passarola, a nós nos sustentam no ar as vontades que Blimunda juntou dentro das esferas de metal, lá em baixo outras vontades andam, presas ao globo terra pela lei da gravidade e da necessidade, se pudéssemos contar os carros que se movem por estes caminhos de ir e voltar, próximos ou mais longe, chegaríamos aos dois mil e quinhentos, vistos daqui parece que estão parados, é por ser tão pesada a carga. "
- “Mas os homens, se os quisermos ver, tem de ser de mais perto. "
"Durante muitos meses, Baltasar puxou e empurrou carros de mão, até que um dia se achou cansado de ser mula de liteira, ora à frente, ora atrás, e, tendo prestado públicas e boas provas perante oficiais do ofício, passou a andar com uma junta de bois, das muitas que el-rei tinha comprado."
- mudança de trabalho de Baltasar que se torna boieiro.
"Fora de boa ajuda o José Pequeno porque instou com o abegão que passasse Baltasar Sete-Sóis a boieiro, se já andava com os bois um aleijado, podiam andar dois, fazem companhia um ao outro, e se ele não se entender com o trabalho, não arrisca nada, volta para os carros de mão, em um dia se verá a habilidade do homem."
- Valorização do Povo que constrói o convento.
- "tudo quanto é nome de homem vai aqui, tudo quanto é vida também, sobretudo se atribulada, principalmente se miserável, já que não podemos falar-lhes das vidas, por tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só para isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende, Alcino, Brás, Cristóvão, Daniel, Egas, Firmino, Geraldo, Horácio, Isidro, Juvino, Luís, Marcolino, Nicanor, Onofre, Paulo, Quitério, Rufino, Sebastião, Tadeu, Ubaldo, Valério, Xavier, Zacarias, uma letra de cada um para ficarem todos representados"
Partida para Pêro Pinheiro
- "O cortejo de lázaros e quasímodos está saindo da vila de Mafra, ainda de madrugada, , o que lhes vale é que de noite todos os gatos são pardos e vultos todos os homens "
- Através do recurso ao dom de Blimunda sabe-se que a vontade de cada um daqueles homens era de ser outra coisa, eles não queriam estar lá.
- Tempo Cronológico: Julho
Voz Narrativa: Manuel Milho passa a ser o narrador. A história é proferida durante 6 serões.
Partida para Pêro Pinheiro
- "Soltos de carga, apenas jungidos aos pares, vão desconfiados da fartura e quase sentem inveja dos manos que vêm puxando os carros dos petrechos, é como estar na engorda antes do matadouro."
- Personificação: os bois não sentem inveja dos outros bois, na verdade quem está desconfiado e com inveja são os homens.
- "Os homens, já se disse, vão devagar, calados uns, outros conversando, cada qual puxado aos
amigos
" os bois e os trabalhadores são tratados de igual maneira, daí serem considerados amigos uns dos outros.
Francisco Marques
- "mas a um deles chegou-se-lhe o fogo ao rabo e, mal saiu de Mafra, largou num trote curto, parecia que ia a Cheleiros salvar o pai da forca, era o Francisco Marques que aproveitava a ocasião para ir enforcar-se entre as pernas da mulher" "ou não será tal a ideia"
- “visitar os filhos, dar uma palavra à esposa, corteja-la somente” sem pensar em fornicações que, por sinal, teriam de ser apressadas, uma vez que os companheiros vêm a seguir "e pelo menos a Pêro Pinheiro convém que chegue ao mesmo tempo que eles".
- “e ela perguntou, Já te vais, e ele respondeu, Que remédio, mas na volta, acampando nós perto, fico toda a noite contigo.”
- "Quando Francisco Marques chegou a Pêro Pinheiro a deitar os bofes pela boca, de perna fraca, já estava armado o arraial"
"O Arraial"
- "não havia barracas, não havia tendas, os soldados eram apenas os da vigilância costumada, mas parecia aquilo uma feira de gado, mais de quatrocentas cabeças, e os homens andando pelo meio dos bois, apartando-os para um lado, e com isso espantavam-se alguns animais"
- Através de um discurso enumerativo percebe-se as condições míseras a que estes estão sujeitos.
- “A manhã estava em meio, o sol batia já violento no chão duro e seco, coberto de miúdos fragmentos de mármore, lascas, esquírolas, e, a um lado e outro do rebaixo fundo da pedreira, grandes blocos esperavam a sua vez de ser levados a Mafra. Estava-lhes certa a viagem, mas hoje não. ”
- A sua missão era outra.
Finalmente, a "Pedra"
- "Francisco Marques aproximou-se, compensando o atraso com o empenho de saber, Que é que estão a ver além, por acaso foi o ruivo que lhe respondeu, É a pedra, e outro acrescentou, Nunca vi uma coisa assim em dias da minha vida, e abanava a cabeça, abismado."
- "e ela apareceu, ... A pedra"
- “Era uma laje rectangular enorme, uma brutidão de mármore rugoso que assentava sobre troncos de pinheiro, chegando mais perto sem dúvida
ouviríamos o gemer da seiva
,
como

ouvimos agora o gemido de espanto
que saiu da boca dos homens, neste instante em que a pedra desafogada apareceu em seu real tamanho. ”
- Foi o oficial da vedoria que primeiro se aproximou da pedra, tomando-a como sua, em nome de sua majestade.
Personificação
Comparação
A força do Povo
- "mas se estes homens e estes bois não fizerem a força necessária, todo o poder de el-rei será vento, pó e coisa nenhuma. Porém, farão a força."
- "Foi para isso que vieram, para isso deixaram terras e trabalhos seus, trabalhos que eram também de força em terras que a força mal amparava"
- “pode o vedor estar sossegado que aqui ninguém se irá negar.” - El Rei pode estar descansado.
Eles vão cumprir,
daí ser uma epopeia.
- As primeiras tarefas eram apurar o corte da laje para acostar a "nau da Índia", abrir uma larga avenida por onde esta passará e uma rampa que vá até à estrada.
"A mãe Pedra"
- "Manuel Milho, que estava ao lado do de Cheleiros, medindo-se com a laje agora tão próxima, disse, É a mãe da pedra, não disse que era o pai da pedra, sim a mãe, talvez porque viesse das profundas, ainda maculada pelo barro da matriz, mãe gigantesca sobre a qual poderiam deitar-se quantos homens,
ou ela esmagá-los a eles
"
Prolepse: recurso narrativo através
do qual se pode descrever o futuro.
- Através de outra prolepse surge a descrição do tamanho da pedra, com as unidades de medida atualmente utilizadas.
- "e quando um dia se acabarem palmos e pés por se terem achado metros na terra"
"A Epopeia da Pedra"
- A pedra será para a varanda da casa, e chama-se Benedictione.

- "senhoras e senhores visitantes, e agora passemos à sala seguinte, que ainda temos muito que andar".
Prolepse e Sarcasmo.
- "Dêem-me um ponto de apoio para vocês levantarem o mundo."
- Durante todo o dia os homens escavaram a terra, e Baltasar voltou ao carro de mão porque era preciso.
Comparação da Pedra ao Mundo
- "Quando o sol se pôs, estava aberta a avenida, numa extensão de cem passos, até à estrada calcetada."
Início da Epopeia
- "Era uma plataforma de grossos madeiros assente sobre 6 rodas maciças de eixos rígidos, no tamanho um pouco maior que a laje que teria de transportar"
- Esta foi construída em Pêro Pinheiro com o objetivo de transportar a laje.
- Foi levado para uma enfermaria em Morenela, onde Baltasar já outrora tinha passado a noite com Blimunda.
- Referência temporal: 1725
- "é assim o mundo, junta no mesmo lugar o grande gosto e a grande dor, ... para inventar céu e inferno não seria preciso mais que conhecer o corpo humano."
Dia Zero
- Apesar do acidente, os trabalhos prosseguiram.
- Recorrendo a um discurso enumerativo e a várias onomatopeias são descritos os trabalhos dos homens na colocação da pedra na grande carroça.
- A
tarefa desse dia era tirar a grande laje inteira do buraco que os homens escavaram no dia anterior, e colocá-la estável em cima da nau da Índia.
- Espalharam barro na parede de mármore para reduzir o atrito contra a madeira e envolveram a pedra em cordas que posteriormente iriam ser puxadas pelas juntas de bois.
- “Todo o mundo puxa com entusiasmo, pena é que não esteja D. João V no alto da subida, não há povo que puxe melhor que este.” Mais uma vez, o narrador reforça a importância do trabalho destes homens, mostrando como eles são exemplares e cumpridores das tarefas que lhes são incumbidas.
- No fim do dia, a pedra estava estável em cima da Nau da Índia
- "Os homens e os bois já estão no seu jantar, depois será a hora da sesta, se a vida não tivesse tão boas coisas como comer e descansar, não valia a pena construir conventos" ... "Não foi a comida fartura, mas um estômago avisado sabe encontrar muito no pouco"
Dia 1
- "eis senão quando ressoa a corneta"
- "Uma coisa é transportar a pedra para a varanda donde o patriarca, daqui por uns anos, nos há-de abençoar a todos, outra e melhor seria sermos nós a bênção e o abençoador, assim como semear pão e comê-lo."
- "move-se devagar, as rodas trituram os fragmentos de mármore que juncam o chão, pedra como esta de hoje é que nunca daqui saiu."
- "O vedor e certos seus auxiliares graduados já montaram nas mulas, outros deles farão o caminho a pé por necessidade da obrigação".
- "Os moradores de Pêro Pinheiro desceram à estrada para admirar o aparato."
- "há quem comece a ter saudades de ver partir aquela tão formosa pedra, criada aqui nesta nossa terra de Pêro Pinheiro, oxalá não se parta pelo caminho, para isso não valia a pena ter nascido."
Os homens não vão ter o seu esforço recompensado.
- O vedor segue à frente com os seus ajudantes, vão reconhecer o terreno, medir a curva, calcular o declive e prever o acampamento.
- "Neste primeiro dia, que foi só a tarde, não avançaram mais que quinhentos passos."
- “E esta ainda era a parte mais fácil da viagem”
- À noite, durante o descanso, alguns homens juntaram-se à volta de uma fogueira. Entre esses homens estavam José Pequeno, Baltasar, Francisco Marques e, mais tarde, chegara Manuel Milho.
- Manuel Milho começa a contar uma história - voz narrativa.
A Rainha vivia com o rei e os filhos, no palácio, porém, ao contrário do rei, ela não sabia se gostava de ser rainha, pois nunca tinha sido outra coisa para poder comparar. Um dia, foi ter com um ermitão que vivia sozinho no monte, para se aconselhar. A rainha queria saber o que era preciso fazer para uma rainha se sentir mulher e um rei se sentir homem. A conversa que tiveram foi sobre a existência, sobre o que se é e o que se deseja ser e sobre a rebelião necessária para deixar o que não se quer. Foi tao profunda a conversa que provocou dúvidas também no ermitão, no que ele seria ou queria ser. Ambos desejavam não ser o que eram, mas ser apenas um homem e uma mulher. Um dia, fugiram os dois na expetativa de descobrirem o que realmente eram. Não se sabe se juntos ou separados.
O rei, ciumento e humilhado por ter sido deixado, mandou o exército procurar a rainha e o ermitão, mas nenhum foi encontrado e nunca se soube se o ermitão chegou a ser homem e a rainha chegou a ser mulher. Porquê? Porque essas respostas só os próprios as podem alcançar.
Dia 2
- "O dia seguinte foi de grandes aflições." Apesar da estrada ser mais larga, havia mais curvas e o carro tinha de ser arrastado lateralmente, mais subidas que eram resolvidas pela força bruta e mais descidas que se tornaram uma aflição constante.
- "Tantas horas de esforço para tão pouco andar, tanto suor, tanto medo, e aquele monstro de pedra a resvalar quando devia estar parado, imóvel quando deveria mexer-se, amaldiçoado sejas tu, mais quem da terra te mandou tirar e a nós arrastar por estes ermos”.
- Neste segundo dia, a pedra andou 1500 passos, menos de meia légua (menos de 3km).
- Nessa noite Manuel Milho retorna à história, e quando termina já Francisco Marques e José Pequeno estão a dormir e Baltasar ia dando a sua opinião sobre a mesma.
- "Essa história não tem pés nem cabeça, não se parece nada com as histórias que se ouvem contar"
- "para homem que declarou ter voado e ser igual a Deus, és muito desconfiado."
- "Tão grande fora o sofrimento durante este arrastado dia, que todos diziam, Amanhã não pode ser pior, e no entanto sabiam que iria ser pior mil vezes."
Dia 3
- "Em todo aquele Verão não houve dia mais quente, a terra parecia uma braseira, o sol uma espora cravada nas costas."
- "Perto da hora de jantar chegaram a um alto donde se via Cheleiros, no fundo do vale.”.
Dia 4
- A pedra da varanda tinha que ser uma pedra una porque o rei era uno e, por isso, deveria simbolizar o seu poder.
- “se achar que não tem o caso supremas dificuldades é porque não levou esta pedra de Pêro Pinheiro a Mafra e apenas assistiu sentado, ou se limita a olhar de longe, do lugar e do tempo desta página.”
- No final do parágrafo, surge uma referência ao diabo que está no vale assistindo pasmado da sua própria inocência e misericórdia por nunca ter imaginado suplício assim para coroação dos castigos do seu inferno.
Dia 5
- "Não se nota a falta deles. O carro vai ladeira acima, tão devagar como tem vindo, se Deus houvesse piedade dos homens teria feito um mundo rasinho como a palma da mão, levariam as pedras menos tempo a chegar. "
- “Êeeeeeüi-ô, berra a voz, taratatá-tá, sopra a corneta,
verdadeiramente isto é um campo de batalha,
nem lhe faltam os seus mortos e os seus feridos”
- O caminho é melhor mas o cansaço vai-se acumulando. Mesmo assim ninguém se queixa “para isto mesmo lhes foram dados”. Estes homens assumem que foram concebidos por Deus para servirem o Rei e, portanto, resignam-se à sua tarefa.
- Neste dia choveu pela primeira vez, desde que saíram de Pêro Pinheiro, e a chuva foi muito bem-vinda pelos trabalhadores.
- "Manuel Milho a contar a sua história, falta aqui um ouvinte, só eu, e tu, e tu, damos pela ausência, outros nem sabiam quem fosse Francisco Marques, alguns o viram morto, a maior parte nem isso, não se vá julgar que desfilaram seiscentos homens diante do cadáver em última e comovida homenagem, são coisas que só acontecem nas epopeias".
Dia 6
- No sexto dia, domingo, houve missa e sermão. O padre subiu para cima do carro e da pedra e improvisou um púlpito para se fazer ouvir às centenas de trabalhadores.
- “e não se dava conta o imprudente de que cometia a maior das profanações, com as sandálias ofendendo esta pedra de ara“.
- O narrador critíca quer o padre, quer a pedra. O padre por não se ter descalçado em cima da pedra, e a pedra por ser considerada “sagrada” por ter sido “sacrificado com sangue inocente”.
- Todo este sermão é alvo de crítíca, ironia e sarcasmo à igreja, por parte do narrador.
- Para o padre, levar esta pedra “é certo que pesada, mas muito mais pesados são os vossos pecados” é uma bênção para estes homens.
- Para a igreja, os trabalhadores são uns privilegiados porque estão a cumprir uma penitência que lhes dará a vida eterna e, mesmo assim, recebem salário para o fazerem. O transporte desta pedra, e a construção do convento de Mafra são vistos como uma obra santa.
- O padre faz também referência a Francisco Marques, homem que morreu dois dias antes, numa sexta-feira. Afirma que este só está no paraíso (mesmo sem se ter confessado antes de morrer) por ter sido um “cruzado desta cruzada”.
- Aos trabalhadores que morrem de doenças, o padre chama-lhes de “irredimíveis pecadores”.
- O sermão acaba com “Deus nos dê a nós (membros da igreja) paciência, a vós (trabalhadores) força e a el-rei dinheiro para a levar a termo, que muito necessário é este convento para fortalecimento da ordem e alargado triunfo da fé, ámen”.
- Aqui se prova que nestes tempos tudo girava em torno da igreja, até o Rei pois o convento não iria ser usufruído pelo rei nem pelo bebe, mas sim pela igreja.
Dia 7
- Surge apenas uma referência a este dia: "Dormiram ainda uma noite no caminho".
O Fim da Epopeia
"Toda a gente se admirava com o tamanho desmedido da pedra, Tão grande. Mas Baltasar murmurou, olhando a basílica, Tão pequena."
- "Lembravam-se do caminho que descia para o vale de Cheleiros, aquelas apertadas curvas, aqueles declives espantosos, aquelas empinadas encostas que caíam quase a pique sobre a estrada, Como será que vamos passar, murmuravam para si próprios."
- "Levando consigo os ajudantes, o vedor desceu até ao ribeiro que lá em baixo passava, foi de caminho assinalando os lugares mais perigosos, os sítios onde o carro deveria ser encostado para garantir os repousos e maior segurança da pedra."
- Nesta fase, os bois foram dispensados e só os homens puxavam na parte de trás do carro, para que a pedra descesse calmamente.
-
Importância da singularidade da Pedra:
"e tudo por causa de uma pedra que não precisaria ser tão grande, com três ou dez mais pequenas se faria do mesmo modo a varanda, apenas não teríamos o orgulho de poder dizer a sua majestade, É só uma pedra, e aos visitantes, antes de passarem à outra sala, É uma pedra só, por via destes e outros tolos orgulhos é que se vai disseminando o ludíbrio geral."
- “Deve-se a construção do convento de Mafra ao rei D. João V, por um voto que fez se lhe nascesse um filho, vão aqui seiscentos homens que não fizeram filho nenhum à rainha, e eles é que pagam o voto, que se lixam, com perdão da anacrónica voz.”
- "Com isto mesmo é que Francisco Marques vinha contando, quer conseguissem descer quer não, esta noite em companhia da mulher é que ninguém lha tiraria."
Morte de Francisco Marques
- No dia em que Francisco Marques planeava passar a noite com a mulher, quatro colegas seus entregaram o caixão na casa da viúva.
- A noite chega, e os homens caem na realidade sobre-humana do trabalho que estão a fazer, e ficam com medo da morte, “espantados de ainda estarem vivos, uns que outros resistindo ao sono, com medo de ser isso a morte”

- “em Cheleiros ficou um homem para enterrar, fica também a carne de dois bois para comer”.
- Francisco Marques trabalhava nos calços. Era um homem competente, que já tinha mostrado a sua destreza ao longo das imensas curvas que tinham aparecido no percurso. Por cada curva eram preciso 20 movimentos deste e outros homens.
- Num momento de descontrolo e distração, em frações de segundo, Francisco Marques morreu esmagado pelo carro e pela pedra.
- Esta personagem simboliza todos aqueles que morreram na construção, só por causa do capricho do Rei.
- Mas este dia não iria acabar sem mais desgraças. Já no fim do vale, a pedra resvalou novamente e entalou dois bois contra a encosta. Os animais ficaram com as pernas partidas e tiveram de ser abatidos. Quem gostou desta notícia foram os moradores de Cheleiros.

- “Distraiu-se talvez Francisco Marques, ou enxugou com o antebraço o suor da testa, ou olhou cá do alto a sua vila de Cheleiros, enfim se lembrando da mulher, fugiu-lhe o calço da mão no preciso momento em que a plataforma deslizava, não se sabe como isto foi, apenas que o corpo está debaixo do carro”
- "excepto aqueles irredimíveis pecadores que foram levados por vergonhosas doenças e, é tanta a misericórdia do céu que se abrem as portas do paraíso até àqueles que morrem de facadas, nessas brigas em que sempre andais metidos."
- Nessa noite, Manuel Milho termina finalmente a sua história. Surgem as questões. José Pequeno pergunta: “Como é que um boieiro se faz homem?”, Manuel Milho não tem resposta para isto e Baltasar diz “Talvez voando”.

- Baltasar Sete Sois não foi destinado a ser boieiro, e tal como a rainha, foi tentar descobrir o que era ser outra coisa.
- Demoraram oito dias completos de Pêro Pinheiro até Mafra. Chegaram no oitavo dia ao Terreiro “como se estivessem chegando duma guerra perdida, sujos, esfarrapados, sem riquezas.”
Este capítulo é considerado um dos mais importantes da obra, uma vez que todo o seu conteúdo nos remete para o título da obra "Memorial do Convento", memórias de um povo que lá trabalhou, morreu e sobreviveu.
Simbolicamente, relata a dicotomia presente nas classes sociais e, portanto, a desigualdade a que o povo foi (é) submetido.
A título de curiosidade, primeiramente José Saramago quis apenas homenagear os construtores do convento com a obra "Memorial do Convento", o que não se sucedeu, mas que explicitamente se percebe que é importante ao longo da obra.
Julho de 1725
- Ao contrário dos dias anteriores, o narrador termina o dia sem referir o descanso dos homens e, consequentemente, a história de Manuel Milho.
- Este dia foi uma pequena "introdução" ao dia terrível que se avizinhava. Esta afirmação pode ser apoiada pela referência textual do dia seguinte "Ontem aquilo foi uma brincadeira de rapazes e a história de Manuel Milho uma fantasia", o pior estava para vir.
- Descrição da azáfama na construção do convento.
- Uma analogia pertinente é o facto do rei só ter “construído” (metaforicamente) o convento graças às vontades do povo, tal como a passarola. Foi construído com base nas vontades do povo.
-Neste excerto surge Franscisco Marques, personagem que estará inserida num episódio trágico da epopeia.
Memorial do Convento
Capítulo XIX
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