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Relatos do EU

Seminário de Didática
by

Juliana Fonseca

on 25 October 2012

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Transcript of Relatos do EU

EU Inserido no Crônicas publicadas nas colunas:
.“Confissões” - O Globo
.“Memórias”- Correio da Manhã
No período de 1969 a 1974 COTIDIANO
PONTO DE VISTA SUBJETIVO Minha história HISTÓRIA EVENTOS HISTÓRICOS
EVENTOS PÚBLICOS EXERCÍCIO A) Selecione do trecho apresentado uma frase com marcas literárias e outra com características jornalísticas. Justifique suas escolhas.

B) Escreva um breve comentário com seu ponto
de vista sobre alguma situação cotidiana ou evento histórico. MUNDO “Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue está começada a crônica." (...) Machado de Assis "Crônicas Escolhidas". São Paulo: Editora Ática, 1994. CRÔNICA Passei, no princípio da semana, dois dias em São Paulo. Com duas horas, e não mais, percebi que há, realmente, um fatal abismo entre o carioca e o paulista. Foi no almoço que percebi toda a verdade. Imaginem que entrei no, talvez, melhor restaurante da cidade. Todas as mesas ocupadas, gente até no lustre. Comi o meu bom filé. Depois, escolhi a sobremesa: — melão. Enquanto o garçom ia e vinha, levantei-me e fui lá dentro. Quando volto, olho e não vejo ninguém, a não ser os garçons e as moscas vadias.

Imaginei-me vítima de uma alucinação. Quando o garçom chegou com o melão, perguntei-lhe, irritado: — Cadê o pessoal que estava aqui? Isso não estava cheio?” O garçom pôs o prato na mesa: — Perfeitamente.” E eu: “Não tem mais ninguém, por quê?” Antes de responder, indagou: — “O senhor é do Rio?” Era do Rio. Deu a explicação sucinta e lapidar: — Aqui, trabalha-se.” Trecho da crônica
“Uma Paisagem sem Paulistas” Muitos blogs expõem um olhar subjetivo
de pessoas envolvidas em situações extremas
(conflitos políticos, guerras, desastres ecológicos) CHEGUEI AO CAIRO num dia e no outro começaram as manifestações que culminaram no 25 de janeiro. Mudei-me para o meu prédio num dia e no outro o elevador quebrou. Um livro que organizei para a Editorial Al-Jamal, de Beirute e Bagdá, ia ser lançado na Feira do Livro do Cairo, [...] e acabou sendo cancelada até segunda ordem.

"Vou-me embora, estou dando azar ou vivendo alguma espécie de inferno zodiacal", digo a um amigo, o jornalista jordaniano Riyad Abou-Awwad que responde: "Se quiser viver um momento histórico de verdade, fundamental para a história do mundo árabe e da região, fique e registre em português. Caso contrário, fuja feito um covarde, pois ainda é tempo".

"Ok, mas tenho medo de morrer", protesto.

"E o que significa a porcaria da tua vida comparada a uma revolução?", completa ele. O argumento me convence e fico, quase não sentindo que a "porcaria da minha vida" estivesse em risco.

Pelo menos até ontem, quando fui interpelado, pouco depois do toque de recolher, por membros do comitê popular de defesa de quarteirões. A condição de brasileiro e o nome árabe me salvaram de uma paulada. Como me disse ao telefone o historiador Joaci Furtado, "é um privilégio ver a história em movimento". Desde, claro, que ninguém tente matá-lo. CORRESPONDÊNCIAS - Daria para publicar a correspondência
de algum escritor de nosso tempo? STEVE GATES Correspondências
e mensagens Eletrônicas EXERCÍCIO Relate o mesmo acontecimento de sua vida nos diferentes formatos. Atente para a diferença de linguagem:
CARTA para uma pessoa querida:
Escreva à mão. Desenhe ou use canetas coloridas se quiser.
E-MAIL para a mesma pessoa da carta para a mesma pessoa querida (use emoticons e cores se quiser)
TORPEDO de celular para a mesma pessoa querida
Um TWEET (atenção ao número de 140 caracteres)
Um COMENTÁRIO, POST ou STATUS de rede social (facebook ou orkut, pode incluir links e fotos) Ainda há lugar para as
CARTAS hoje em dia? Você salva os arquivos e relê sua
correspondência eletrônica? Comente as diferenças entre conversar
por e-mail e por mensagem instantânea. ? Debate EU E o(s) outro(s) Os melhores tweets,torpedos,
posts e publicações do maior
poeta da web A CRÔNICA é um texto narrativo em primeira pessoa que: • É, em geral, curto;
• Trata de problemas do cotidiano ou fala subjetivamente de fatos históricos
• É organizado em torno de um único núcleo,
um único problema;
• Tem como objetivo envolver,emocionar o leitor Existe alguém com quem você se corresponda
por qualquer meio, contando sempre detalhes de sua vida? Relatos do eu conhecendo e produzindo Projeto com o tema da AUTOBIOGRAFIA
Para turmas de 8º/9º ano Objetivos Incentivar a leitura por prazer
e a escrita criativa Demonstrar estratégias de leitura para a identificação de um gênero Desenvolver estratégias para escrever apropriando-se de um gênero e estilo Autoconhecimento Diário Crônica Correspondências Autobiografia Percurso Sequência de instrução a) Introdução sobre o autor e a obra
b) Leitura em voz alta de trecho selecionado
c) Discussão em sala de aula incitando a fala dos alunos quanto a suas experiências pessoais
d) Exercício simples sobre o texto visto (Solé, 1998) Trabalho final Com base nas produções autobiográficas estudadas em aula, construa o seu discurso autobiográfico, escolhendo um gênero como modelo.
Você deve ler na íntegra a obra escolhida e se atentar às suas particularidades. INCENTIVO À LEITURA A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede. Carlos Drummond de Andrade “(...) para poder atribuir sentido à realização de uma tarefa, é preciso que se saiba o que se deve fazer e o que se pretende com ela; que a pessoa que a realizar se sinta competente para efetuá-la e que a tarefa em si resulte motivadora” (SOLÉ, 1998) DESAFIOS “Um dos múltiplos DESAFIOS a ser enfrentado pela escola é o de fazer com que os alunos aprendam a ler corretamente. Isso é lógico, pois a aquisição da leitura é imprescindível para agir com autonomia nas sociedades letradas, e ela provoca uma desvantagem profunda nas pessoas que não conseguiram realizar essa aprendizagem.”
(SOLÉ, 1998) Classe organizada em círculo:
favorece a interação LEITURA EM VOZ ALTA: Privilegiar a entonação
Incentivar a interpretação Falar de si Você tem um diário ou blog? Qual é a sua lembrança mais antiga? mais marcante? Qual cheiro, música ou imagem te evoca alguma lembrança? "A experiência pessoal se confunde com a observação do mundo e a autobiografia se torna heterobiografia, história simultânea dos outros e da sociedade” Antônio Candido “(...) eis o primeiro ato da autobiografia: freqüentemente o texto começa, não pelo ato de nascimento do autor (nasci no dia...), mas por um tipo de ato de nascimento do discurso, o “pacto autobiográfico”. Nisso, a autobiografia não inventa: as memórias começam ritualmente por um ato desse gênero: exposição da intenção, das
circunstâncias nas quais se escreve, refutação de objetivos ou de críticas.” Philippe Lejeune, 2008 O Pacto Autobiográfico Você, personagem “Se eu fosse eu”
Clarice Lispector Documentos íntimos Diário e blog Diário Modalidades: diário de bordo,
de guerra, de viagem, íntimo, eletrônico. •Escrita cotidiana
Registro de entrada: datação
Continuidade – regularidade – sequência
Balizas: fragmentação e repetição Marcas de um diário •Memória:
[...] “escrever uma entrada pressupõe fazer uma TRIAGEM DO VIVIDO e organizá-lo segundo eixos, ou seja, dar-lhe uma ‘identidade narrativa’ que tornará minha vida memoriável”
(“Um diário todo seu”. O pacto autobiográfico, Philippe Lejeune, Editora UFMG, 2008). •A leitura – e a escrita – de um diário pode provocar tanto o conhecimento do outro quanto a descoberta de um modo de olhar para si. Debate Por que escrever um diário? •Diferenças entre um blog (relato íntimo a ser publicado) e um diário íntimo
pessoal e secreto. Por que temos necessidade de expressar nossos segredos?
E se alguém descobrir seu diário secreto? •Para que se escreve um diário? Para ser lido na posteridade? Zlata Filipovic nasceu em 3 de dezembro de 1980, em Sarajevo (antiga Iugoslávia). Escreveu seu diário ao longo de dois anos, de setembro de 1991 (pouco antes de completar 11 anos) a outubro de 1993. Ela e seus pais receberam permissão para deixar Saravejo pouco antes do Natal de 1993. Segunda-feira, 30 de março de 1992

Olhe só, meu Diário, sabe o que eu pensei? Anne Frank bem que batizou o Diário dela de Kitty; por que eu não daria um nome a você? Vejamos...
Asfaltina
Sefika
Sevala
Pidzameta
Hikmeta
Mimmy
ou então algum outro?...
Procuro, procuro...
Já escolhi? Você vai se chamar...
MIMMY
Vamos lá.

Dear Mimmy,

Na escola, logo vamos chegar ao fim do trimestre. Todo mundo está se preparando para as provas. Parece que amanhã a gente ia a um concerto em Skenderija. A mestra de classe nos aconselhou a não ir, pois já haveria dez mil pessoas – desculpe, dez mil crianças – e agente correria o risco de ser apanhado como refém ou ser atingido por bombas (?!). Mamãe não deixou. Quer dizer que eu não vou.
Oh não é possível!... Você sabe quem ganhou o concurso Iugovision? A EXTRA NENA!!!
Olhe tenho medo de contar a você o que tia Melica nos contou: no cabeleireiro ela ouviu dizer que no sábado, 4 de abriu de 1992, BUM-BUM, PAM-PAM, BANG Saravejo. Tradução: vão bombardear Saravejo.

Amo você, Zlata Exercício 1) Indique quais são as marcas textuais de um diário.
2) Circule com caneta vermelha todas as palavras que marcam que o texto lido é um relato do “eu”, por exemplo: “eu”, “meu”, etc.
3) Quais são as principais preocupações de Zlata? Perceba que três eventos distintos são tratados ao longo da escrita.
4) O diário não é apenas um objeto. Nesse relato, percebemos que ele é um amigo com o qual Zatla conversa todos os dias. Destaque trechos do texto em que podemos perceber essa relação.
5) Zlata mostra que parte da inspiração para escrita de seu diário partiu da leitura de O diário de Anne Frank. Que tal você se inspirar também? Quarta-feira, 27 de maio de 1992

Dear Mimmy,

UMA CARNIFICINA! UM MASSACRE! UM HORROR! UMA ABOMINAÇÃO! SANGUE! GRITOS! CHORO! DESESPERO!

Eis a rua Vaso Miskin hoje. Duas granadas caíram na rua Vaso Miskin, outra no mercado. Mamãe estava por perto na hora. Ela foi correndo refugiar-se na casa de vovô e vovó. Papai e eu estávamos ficando quase loucos porque ela não voltava. Vi essas coisas pela televisão e não consigo acreditar que vi mesmo. É inacreditável. Minha garganta estava apertada, meu estômago doía. O PÂNICO. Estavam transportando os feridos para o hospital. Para um abrigo. Passávamos o tempo todo olhando pela janela na esperança de ver mamãe chegar e nada. Ela não voltava. Comunicaram a lista das vítimas e feridos. Nada sobre mamãe. Papai e eu desesperados. Será que mamãe estava viva? Às 16h00 papai resolveu ir procurar no hospital. Vestiu-se para sair e eu já estava indo para a casa do Bobar para não ficar sozinha em casa. Olhei uma última vez pela janela e... VI MAMÃE ATRAVESSAR A PONTE CORRENDO! Depois que ela chegou ao apartamento, começou a tremer e caiu no choro. Atrás das lágrimas, disse que tinha visto gente despedaçada. Aí todos os vizinhos chegaram, de tanto que haviam ficado preocupados com ela. Obrigada, meu Deus, mamãe já está conosco. Obrigada, meu Deus.

UM DIA PAVOROSO. IMPOSSÍVEL DE ESQUECER.
QUE HORROR! QUE HORROR! Sua Zlata Exercício 1) No primeiro relato que lemos, Zlata tratava de três eventos diferentes que ocorriam em sua vida: a escola, o programa de música na televisão e o começo das conversas sobre a guerra. Qual é o único evento que Zlata trata no segundo trecho? Por quê?
2) Nos dois recortes trabalhados, percebemos que quando Zlata quer intensificar um dos eventos narrados, ela utiliza um recurso de escrita diferente. Qual é ele?
3) Já ocorreu algum evento muito impactante em sua vida? Em que você sentiu muito medo? Escreva em uma página de diário como foi esse dia. Outras obras que podem ser utilizadas •Diário de guerra: "O diário de Anne Frank" -– Anne Frank
•"Diário íntimo: Minha vida de menina"
- Helena Morley
•"Diário de Bordo: Antártica: Um mundo feito de gelo" - Maristela Colucci
•Blog: caderno.josesaramago.org no Tempo EU “O autobiógrafo é antes de tudo seletivo, o que implica uma MODELAÇÃO DA PRÓPRIA IMAGEM ao longo da escrita” Elizabeth Gonzaga de Lima
“Cartografias da intimidade na literatura brasileira: os diários de Lima Barreto” in Revista brasileira de literatura comparada, n° 12, 2008) Relato autobiográfico – Romance autobiográfico ou de memórias *Reconstrução do passado –
* Compromisso com o ontem –
*Fixação do tempo que passou. Jogo entre o passado e o presente: quem redige situa-se no presente e refere-se o tempo todo ao passado. Avaliação e análise do que viveu Ponto de vista: a narração da memória é submetida ao olhar de quem as realiza por meio da linguagem. O receptor da mensagem pode se colocar como contemporâneo do presente narrado (identificação)
ou vê-lo como um momento do passado que as memórias recriam. •Tradição autobiográfica brasileira:
José de Alencar, Joaquim Nabuco, Visconde de Taunay, Graça Aranha, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Ciro dos Anjos, Murilo Mendes, Pedro Nava, entre outros.

•Romances que assumem feição de memória: Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e São Bernardo. O que esperar de um romance autobiográfico?

• Aceitação dos leitores?
• Testemunho real dos processos históricos-sociais?
• Satisfação íntima?
• Reencontro consigo mesmo? Debate Uma autobiografia é sempre um relado da verdade “pura”? Devemos observar a posição assumida por quem narra em relação àquilo que é narrado. •É possível que uma autobiografia relate toda a vida de uma pessoa? Nem tudo pode – e deve – ser contado. O recorte escolhido pelo autor pode transformar eventos “banais” em registros interessantes. • Envolvimento emocional É possível contar eventos de sua vida sem envolver-se afetivamente? O autobiógrafo está livre do julgamento de valor? “Verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia. Só isso.” Monteiro Lobato, Memórias de Emília. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994 "Infância" é o relato autobiográfico do escritor Graciliano Ramos (1892-1953), esse romance de memórias mostras as experiências do autor enquanto criança no interior de Alagoas. Filho mais velho de um casal de sertanejos, o menino cresce distanciado de gestos de afetos e de brincadeiras infantis. [...] Deixei-me persuadir, sem nenhum entusiasmo, esperando que os garranchos do papel me dessem as qualidades necessárias para livrar-me de pequenos deveres e pequenos castigos. Decidi-me.
E a aprendizagem começou ali mesmo, com a indicação de cinco letras já conhecidas de nome, as que a moça, anos antes, na escola rural, balbuciava junto ao mestre barbado. Admirei-me. Esquisito aparecerem, logo no princípio do caderno, sílabas pronunciadas em lugar distante, por pessoa estranha. Não haveria engano? Meu pai asseverou que as letras eram realmente batizadas daquele jeito.
No dia seguinte surgiram outras, depois outras – e iniciou-se a escravidão imposta ardilosamente. Condenaram-me à tarefa odiosa, e como não me era possível realizá-la convenientemente, as horas se dobravam, todo o tempo se consumia nela. Agora eu não tocava nos pacotes de ferragens e miudezas, não me absorvia nas estampas das peças de chita: ficava sentado num caixão, sem pensamento, a carta sobre os joelhos.
Meu pai não tinha vocação para o ensino, mas quis meter-me o alfabeto na cabeça. Resisti, ele teimou – e o resultado foi um desastre. Cedo revelou impaciência e assustou-me. Atirava rápido meia dúzia de letras, ia jogar solo. À tarde pegava um côvado, levava-me para a sala de visitas – e a lição era tempestuosa. Se não visse o côvado, eu ainda poderia dizer qualquer coisa. Vendo-o, calava-me. Um pedaço de madeira, negro, pesado, da largura de quatro dedos.
Minha mãe e minha irmã natural me protegeram: arredaram-me da loja e, na prensa do copiar, forneceram-me as noções indispensáveis. Arrastava-me, desanimado. O folheto se puía e esfarelava, embebia-se de suor, e eu o esfregava para abreviar o extermínio. Isso de nada servia. Chegava outro folheto – e as linhas gordas e safadas, os três borrões verticais, davam-me engulhos. Que fazer? A lembrança do côvado me arregalava os olhos. Mas ia-me pouco a pouco entorpecendo, a cabeça inclinava-se, os braços esmoreciam - e, entre bocejos e cochilos, gemia a cantiga fastidiosa que Mocinha sussurrava junto a mim. Queria agitar-me e despertar. O sono era forte, enjoo enorme tapava-me os ouvidos, prendia-me a fala. E as coisas em redor mergulhavam na escuridão, as ideias se imobilizavam. De fato eu compreendia, ronceiro, as histórias de Trancoso. Eram fáceis. O que me obrigava a decorar parecia-me insensato.
Enfim consegui familiarizar-me com as letras quase todas. Aí me exibiram outras vinte e cinco, diferentes das primeiras e com os mesmos nomes delas. Atordoamento, preguiça, desespero, vontade de acabar-me. Veio terceiro alfabeto, veio quarto, e a confusão se estabeleceu, um horror de quiproquós. Quatro sinais com uma só denominação. Se me habituassem às maiúsculas, deixando as minúsculas para mais tarde, talvez não me embrutecesse. Jogaram-me simultaneamente maldades grandes e pequenas, impressas e manuscritas. Um inferno. Resignei-me – e venci as malvadas. Duas porém, se defenderam: as miseráveis dentais que ainda hoje me causam dissabores quando escrevo.
[...] EXERCÍCIO 1) Identifique características específicas da autobiografia. O que diferencia esse tipo de texto dos demais, como contos, fábulas e notícias jornalísticas.
2) Qual é a experiência narrada por Graciliano Ramos? Como foi essa experiência?
3) Qual é o tempo verbal mais utilizado nesse tipo de relato? Transcreva exemplos? Jerônimo Barreto Apareceu-me uma dificuldade insolúvel durante meses. Como adquirir livros? No fim da história do lenhador, dos fugitivos e dos lobos havia um pequeno catálogo. Cinco, seis tostões o volume. Tencionei comprar alguns, mas José Batista me afirmou que aquilo era preço de Lisboa, em moeda forte. E Lisboa ficava longe.

Invoquei, num desespero, o socorro de Emília. Eu precisava ler, não os compêndios escolares, insossos, mas aventuras, justiça, amor, vinganças, coisas até então desconhecidas. Em falta disso, agarrava-me a jornais e almanaques, decifrava as efemérides e anedotas das folhinhas. Esses retalhos me excitavam o desejo, que se ia transformando em ideia fixa.
Queria isolar-me, como fiz quando nos mudamos em razão de consertos na casa. Para bem dizer, os outros é que se mudaram. A pretexto de ver os trabalhos, escapulia-me com o romance debaixo do paletó, voltava, desviava-me dos pedreiros, serventes e pintores, ia esconder-me na sala. Mergulhava numa espreguiçadeira e, empoeirado, sujo de cal, sentindo o cheiro das tintas, passava horas adivinhando a narrativa, à luz que se coava pelos vidros baços. Privara-me desse refúgio. E onde conseguir livros? EXERCÍCIO 1) O que mudou na relação de Graciliano Ramos com a leitura? Como você acha que essa mudança pode ter ocorrido?
2) Você se lembra de como aprendeu a ler? Quem te ensinou as primeiras letras? Quais foram as maiores dificuldades? Qual foi o primeiro livro / texto que você leu? Apoiando-se no exemplo de Graciliano Ramos narre o seu primeiro contato com a leitura.
3) Agora, narre esse mesmo evento “de fora”. Finja que você é um personagem de sua própria história. Atente-se para a mudança dos pronomes de tratamento e do ponto de vista do narrador. •O filho eterno - Cristovão Tezza
•Feliz ano velho - Marcelo Rubens Paiva
•Confesso que vivi - Pablo Neruda
•Memórias do cárcere - Graciliano Ramos Outras obras que podem ser trabalhadas O nascimento da crônica Gênero entre o JORNALISMO e a LITERATURA Crônica e Jornalismo:
Publicada em jornal ou revista semanal ou diariamente
Privilegia a OBSERVAÇÃO atenta da realidade cotidiana Enquanto a NOTÍCIA jornalística busca relatar os fatos com exatidão
a CRÔNICA analisa os fatos imprimindo um ponto de vista subjetivo e singular.

Da literatura a Crônica recebe a construção da linguagem e o jogo verbal.

Usa em geral uma linguagem simples e espontânea, situada entre a linguagem oral e a literária. "Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como?não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.
"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais". Texto extraído do livro A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, editora Rocco, pg. 156. relação com seu tempo
contemporaneidade do grego χρόνοςchrónos (tempo) Amigos, os idiotas da objetividade negam o milagre. Mas o que foi a deslumbrante vitória do Fluminense, senão isso mesmo ou seja um cínico e deslavado milagre? Pela primeira vez na história do homem, um lanterninha e, pior do que lanterninha, um time "sem conjunto, nem valores individuais" - é campeão contra tudo e contra todos.

E, antes de continuar, duas palavras sobre o profeta. Depois dos 3x1 de ontem, ele está promovido e está reabilitado. No ano passado, quase acertou, quase. Mas este ano soou a sua grande hora. Ele disse que o Fluminense ia ser campeão e o tricolor cinge uma faixa épica, a mais linda, a mais merecida que se possa imaginar. Desde ontem, o profeta podia desfilar na bandeja, e de maçã na boca, como o tal leitão assado.

Claro que a grande vitória não se improvisa, nem depende de fatores circunstanciais. Há seis mil anos estava escrito que, ontem, Joaquinzinho ia encaçapar o primeiro e, em seguida, Jorginho e Gílson Nunes iam estourar às redes do Bangu. O nosso título é, pois, uma fatalidade de sessenta séculos. Mas é óbvio, por outro lado, que a Fatalidade precisa ser umedecida, precisa ser lubrificada pelo suor do homem. Houve momentos, na peleja, em que o Fluminense lutou tanto que o suor do time passou a ser grosso e elástico como o dos cavalos. Trecho da crônica
"O personagem da semana" A carta, segundo Michel Foucault, é a forma mais desinibida e sublime da “escrita de si”. Fátima Cristina Dias Rocha vê a carta como um veículo primordial de subjetivação, na qual o autor exercita formas de se posicionar em relação a si mesmo e de se manifestar em relação aos outros. Arranjei uma pequena cascata, algumas montanhas verdes, ótimos vizinhos inexpressivos. Restava-me entoar hinos à paz e repousar. Mas ando de um lado pra outro, dentro de mim, as mãos abandonadas, pronta pra inventar uma tragédia russa, pronta pra criar um motivo que me acorde... horrível. Estou tão vaga, tinha vontade de fazer um embrulho de mim, com papel de seda, lacinho de fita, e mandá-lo pra você. Aceita?” (LISPECTOR, 2002, p. 20). trecho da carta de Clarice Lispetor a Maury Gurgel Valente 2 de janeiro de 1942 CONCLUSÃO Relatos do eu conhecendo e produzindo EU
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