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memorial do convento (cap. X)

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by

Ricardo Pedro

on 22 May 2014

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Transcript of memorial do convento (cap. X)

Memorial do Convento (cap. X)
Escola Secundária Ferreira Dias
Português

Beatriz Duarte Nº.6
Elena Curagau Nº.11
João Conceição No.18
Luis Martins No.20
Renato Cardoso Nº25
Com a última luz do dia chegara o pai de Baltasar, de seu nome João Francisco, filho de Manuel e Jacinta, aqui nascido em Mafra, sempre nela vivendo, nesta mesma casa à sombra da igreja de Santo André e do palácio dos viscondes, e, para ficar a saber-se mais alguma coisa, homem tão alto como o filho, agora um tanto curvado pela idade e também pelo peso do molho de lenha que metia para dentro de casa.
Desajoujou-o
Baltasar, e o velho encarou com ele, disse, Ah, homem, deu logo pela mutilação, mas dela não falou, apenas isto, Paciência, quem foi à guerra, depois olhou para Blimunda, compreendeu que era a mulher do filho, deu-lhe a mão a beijar, daí a pouco estavam a sogra e a nora a tratar da ceia enquanto Baltasar explicava como tinha sido aquilo da batalha, a mão cortada, os anos de ausência,
mas calando que estivera quase dois anos em Lisboa sem dar notícias
, quando as primeiras e únicas só aqui tinham sido recebidas há poucas semanas, por carta que o padre Bartolomeu Lourenço ainda escrevera, enfim a pedidode Sete-Sóis, dizendo que estava vivo e ia voltar, ai a dureza de coração dos filhos, que estão vivos e fazem
dos seus silêncios morte.
1ª Parte
2ª Parte
Ficava por dizer quando tinha casado com Blimunda, se durante o tempo de soldado, se depois dele, e que casamento era esse, qual a eira e quala beira, mas os velhos ou não se lembravam de perguntar ou preferiam não saber, subitamente conscientes do estranho ar da rapariga, com aquele cabelo ruço injusta palavra que a cor dele é a do mel, e os olhos claros, verdes, cinzentos, azuis quando lhes dava de frente a luz, e de repente escuríssimos, castanhos de terra, água parda, negros se a sombra os cobria ou apenas aflorava, por isso ficaram todos calados, era a altura de começarem todos a falar, Não conheci o meu pai, acho que já tinha morrido quando nasci, minha mãe foi degredada para Angola por oito anos, só passaram dois, e não sei se está viva, nunca tive notícias, Eu e Blimunda vamos ficar a viver aqui em Mafra, a ver se arranjo uma casa, Não vale a pena procurares, esta dá para os quatro, já cá viveu mais gente, e por que é que a sua mãe foi degredada, Porque a denunciaram ao Santo Ofício, Pai, Blimunda não é judia nem cristã-nova, isto do Santo Ofício, do
cárcere
e do degredo foi coisa de visões que a mãe dela dizia que tinha, e revelações, e que também ouvia vozes, Não há mulher nenhuma que não tenha visões e revelações, e que não ouça vozes, ouvimo-las o dia todo, para isso não é preciso ser feiticeira, Minha mãe não era feiticeira, nem eu o sou, Também tens visões, Só as que todas as mulheres têm, minha mãe, Ficas a ser minha filha, Sim, minha mãe, Juras então que não és judia nem és cristã-nova, Juro, meu pai, Sendo assim, bem-vinda sejas à casa dos Sete-Sóis, Ela já se chama Sete-Luas, Quem lhe pôs o nome, O padre que nos casou, Padre que tal lembrança tem, não costuma ser fruta que se dê nas sacristias, e com esta todos riram, uns sabendo mais, outros rixentos. Blimunda olhou para Baltasar e ambos viram no olhar do outro o mesmo pensamento, a passarola desfeita pelo chão, o padre Bartolomeu Lourenço a sair o portão da quinta, montado na mula, a caminho da Holanda. Ficava no ar a mentira de não ter Blimunda costela de cristã-nova, se mentira era, quando destes dois sabemos o pouco caso que fazem de tais casos, por salvar maiores verdades se mente às vezes.
3ª Parte
O pai disse, Vendi a terra que tínhamos na Vela, não que a vendesse mal, treze mil e quinhentos réis, mas vai fazer-nos falta, Então por que a vendeu, Foi el-rei quem a quis, a minha e outras, E para que as quis el-rei, Vai mandar construir ali um convento de frades, não ouviste falar disso em Lisboa, Não senhor, não ouvi, Disse aí
o vigário
que foi por causa duma promessa que el-rei fez, se lhe nascesse um filho, quem agora pode ganhar bom dinheiro é o teu cunhado, vão precisar de pedreiros. Tinham comido feijões e couves, apartadas as mulheres e de pé, e João Francisco Sete-Sóis foi à salgadeira e tirou um bocado de toucinho, que dividiu em quatro tiras, pôs cada uma em sua fatia de pão e distribuiu em redor. Ficou a olhar alerta para Blimunda, mas ela recebeu a sua parte e começou a comer tranquilamente Não é judia, pensou o sogro. Marta Maria também olhara, inquieta, depois encarou o marido com severidade, como se estivesse a recriminá-lo pela astúcia. Blimunda acabou de comer e sorriu, não adivinhava João Francisco que ela teria comido o toucinho mesmo que fosse judia, é outra a verdade que tem de salvar.
Referências Históricas
Integração na acção
Rei e Rainha
Sete-Sóis e Sete-Luas
Padre Bartolomeu
Casa de Sete-Sóis
João Francisco

Personagens
Marta Maria
Baltasar
Blimunda
Criticas
“(…) e o velho encarou com ele, disse, Ah, homem (…)”
(“vivendo”; “calando”)
"(...)ai a dureza de coração dos filhos, que estão vivos e fazem dos seus silêncios morte."
“Padre que tal lembrança tem, não costuma ser fruta que se dê nas sacristias”
FIM
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