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Levinas e a alteridade

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by

fred trevisan

on 9 October 2015

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Transcript of Levinas e a alteridade

Ética
Emmanuel Levinas
Levinas
Vida
Vida
A ética da Alteridade implica num comportamento de imparcialidade, justiça, humildade e interpelação do Outro, do acolhimento. A diferença presente no diferente ao ser reconhecido, acaba tendo a incidência como uma atitude, pois ética é um embasamento que se manifesta em ações que não visa subtrair nada de ninguém, mas edificar nas pessoas uma intenção de agir de forma justa, pois o objetivo maior da ética é o Bem que inclui a todos. Ao falarmos da ética da Alteridade, em Levinas, queremos contribuir reflexivamente com a sociedade em que vivemos, pois segundo o que postula o nosso autor, a fundamentação ética a partir da Alteridade busca tratar, em primeiro lugar, da valorização do humano. Isso a partir do reconhecimento e da valorização do Outro.
O pensamento filosófico desenvolvido por Emmanuel Levinas (1906-1995) procura fazer uma reconstrução da subjetividade não mais a partir do ideal de sujeito autônomo e livre que caracteriza a construção do sujeito moderno. Inversamente, nesse processo de reconstrução, compreende a subjetividade situada, fundamentalmente, em um horizonte ético aberto pela idéia do infinito. Esse novo caminho para se pensar a subjetividade na sua relação com o outro fica expresso no prefácio de sua obra Totalidade e Infinito (1961), ao afirmar que “este livro apresenta-se, pois como uma defesa da subjetividade, mas não a captará ao nível do seu protesto puramente egoísta contra a totalidade, nem na sua angústia perante a morte, mas como fundada na idéia de infinito” (TI. p.13). Nessa afirmação identificamos o anúncio de uma estreita relação entre a idéia do infinito e a constituição da subjetividade.
Sua vida teve começo na Lituânia, em Kaunas, janeiro de 1906. Herdeiro de uma cultura judaica cresceu em um ambiente em que as vozes soavam russo e hebraico, idiomas falados e estudados em sua casa. Aos nove anos de idade Lévinas sua infância recebia de seu pai, um livreiro, a influencia pelos livros. Foi quando, nesta época, os judeus foram expulsos da Lituânia e sua família foi obrigada a emigrar para a Ucrânia, onde Lévinas fez o curso secundário. Somente em 1929, aos vinte e três anos é que a família volta para Lituânia, porém o filósofo logo resolve morar sozinho, matriculando-se na Universidade de Estrasburgo.
Sua vida intelectual começa por curto período quando se torna seguidor da filosofia do processo de Henry Bérgson, seguido pela escola da fenomenologia de Edmund Husserl, ali estudo de 1928 a 1929, quando encontra Martin Heidegger. Porém, o filósofo segue para França a fim de completar sua primeira obra, A TEORIA DA INTUIÇÃO NA FENOMENOLOGIA DE HUSSERL, onde retém os princípios do método fenomenológico, que são, eminentemente primeiro, uma descrição dos atos do espírito, de sua intencionalidade e de suas afeições (de sua sensibilidade); segundo, uma reflexão a partir do indivíduo. É a partir dessas posições que emerge uma concepção particular de ética, compreendida como o permanente reconhecimento do outro. Também trabalha na tradução MEDITAÇÕES CARTESIANAS. No entanto mantinha distância das interpretações radicais dos textos fenomenológicos.
Fim da guerra. Lévinas tornou-se diretor de um instituto de estudos judaicos e durante quatro anos dedicou-se ao estudo intensivo do Talmude que resultou num escrito volumoso sobre JUDEIDADE. 1961 apresenta sua obra TOTALIDADE E INFINIDADE. 1973 ocupou a cátedra de filosofia na Sorbonne, aposentando-se em 1979. Leciona depois na universidade de Paris-Sorbone (1973-1984). Lévinas morreu dia 27 de dezembro de 1995,menos de uma semana antes de seu aniversário de 90 anos.
Levinas concede a ética como interpelação justificante, como linguagem que transita na interpelação voltada para o outro enquanto tal. Mas essa linguagem não se apresenta apenas em seu caráter dialogal, pois no seu seio pode surgir o caráter totalizante do discurso coerente. A violência desse discurso totalizante se enraíza na história, se reporta à ética, pois se ela se apresenta como um modo de ser na relação para com o outro, que consiste em negá-lo na sua identidade e, consequentemente na sua diferença para comigo.
Levinas também se interessa pela violência, mas uma violência ética e não o seu aspecto exterior, histórico-social, em que ela se mostra. Se a violência é a colocação em ação de uma atitude determinada, que é à vontade de poder, que está inserida no ser do homem, com isso, o que Levinas propõe, é a ultrapassagem da ontologia, ou, da diferença ontológica de Heidegger, pela ética como filosofia primeira. Para ele, a ontologia surge como necessária para a distinção entre o Ser e o ente, porém, ela é posterior a filosofia primeira
O poder da ética vai se expressar na lei, a qual impõe a proibição, podendo, mesmo assim, ainda ser infligida. A possibilidade da ética é inseparável da possibilidade de suas proibições, como as da violência, da guerra, da injustiça. A ética da lei não é capaz de eliminar a possibilidade de imortalidade e do mal. Embora sendo real, o mal não tem a sua justificativa pela possibilidade ética, mas sim pela “vontade de poder” sobre o Outro. A verdadeira relação ética para Levinas não é a da união, mas sim da relação “face a face”. Ele se expressa assim: “na relação interpessoal, não se trata de pensar conjuntamente o Eu e o Outro, mas de estar diante. A verdadeira união ou junção não é uma função de síntese, mas uma junção de frente a frente” (Levinas, 2000a, p.69). Levinas fala na obra “Totalidade e Infinito” de uma relação “que consiste na responsabilidade por outrem” (Levinas, 2000a, p. 73), na relação mútua da alteridade ou do face a face, a responsabilidade pelo Outro é estrutura fundamental da subjetividade.
Levinas ao falar desta relação de responsabilidade pelo Outrem, o estar frente a frente, é dado pelo fundamento do reunir-se em sociedade, que se expressa no seu conceito de “rosto”. Nesse sentido, o autor nos diz que esse “estar frente a frente ou face a face”, é um acesso ao rosto, que em um primeiro momento, é ético. A partir daí, acabo me tornando responsável pelo Outro.
Em Levinas, essa relação que ocorre, o face a face, é uma relação de responsabilidade, pois ao momento que estou de frente para o Outro eu sou responsável por ele. Esta é uma relação desinteressada. Não me relaciono com o Outro porque quero algo em troca, mas sim pelo simples fato de estar com ele. É essa relação de desinteresse que permite a presença do outro ser. É um ser para o Outro. A relação proposta por Levinas para alcançar a Alteridade é dada pela exterioridade, sendo, não uma preocupação para comigo, mas sim para com o Outro. Já, Martin Buber nos fala de uma relação através da reciprocidade, onde me relaciono sempre com uma segunda intenção.
Levinas refere-se a dois grandes modelos de referência a ética: a ética da natureza, e a ética do projeto. O primeiro encontra o seu traço característico numa compreensão da ética como conformidade das leis profundas da realidade, reconhecidas pelo uso da racionalidade reflexiva, a ética encontra o seu espaço fundando-se na “metafísica”, que Levinas chamaria de ontologia, que desenha antecipadamente as estruturas e características, isto é, a natureza do sujeito e da realidade. Através da conformidade a tal ordem, a vida humana realiza o próprio sentido no mundo. o segundo modelo, a ética do projeto, baseia-se na liberdade do homem, compreendida como negação da submissão e sinônimo da emancipação e “autonomia”. A realidade é interpretada como material a ser transformado conforme as próprias intenções. O homem secularizado, que vive a liberdade libertária, tendente para o arbítrio, torna-se um homem desprovido de projetividade. O seu estilo de vida torna-se fragmentário e incerto, um “homem sem qualidades”, marcado por uma identidade frágil.
A metafísica, a transcendência, o acolhimento do Outro pelo Mesmo, de outrem por mim produz-se concretamente como impugnação do Mesmo pelo Outro, isto é, como ética que cumpre a essência critica do saber. E tal como critica precede o dogmatismo, a metafísica precede a ontologia. A filosofia ocidental foi, na maioria das vezes, uma ontologia: uma redução do Outro ao Mesmo, pela intervenção de um termo médio e neutro que assegura a inteligência do ser (Levinas, 2000, p.30-31)
A ética julga porque ela é anterior à visão, à intelecção, ao saber, à representação, a dogmatização, à cura, à liberdade dogmáticoontológica do eu que se move nos modos do encontrar-se, do compreender, da fala, da consciência de si e da consciência de objetos. A ética é primeira e anterior porque é relação entre entes-humanos concretos e não relação entre um ente-inteligente e o ser (qüididade) de um outro ente-inteligível. A relação de ente-humano a ente-humano é anterior, mais antiga e mais grave que a compreensão, a intelecção, a representação, especulação e sistematização de um ente-inteligente sobre o ser (qüididade) de um outro ente-inteligível à do ser em geral (Costa, 2000, p.27).
A Ética em Levinas
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