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Conceitos

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Janielly Santos

on 21 August 2014

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Bakhtin e o Círculo
Conceitos


Propostas do Círculo
Mikhail Bakhtin (1999) diferencia conceitos que acaba constituindo como básicos para os estudos da linguagem, como os de infraestrutura e superestrutura que determinam todos os contatos verbais entre os indivíduos. O Círculo não nega que a infraestrutura determine a superestrutura, mas isso se faz por mediações muito finas e complexas, que é preciso desvendar:
MFL: Diversos Conceitos
Já na obra Marxismo e filosofia da linguagem, publicada em 1929, encontra-se uma proposta de estudo da língua que articula conhecimentos para além dos que a Linguística oferece. Afirmando que a língua evolui historicamente na comunicação verbal concreta, não no sistema linguístico abstrato das formas da língua nem no psiquismo individual dos falantes, Bakhtin/Volochínov propõem uma ordem metodológica para seu estudo, a saber:
Dialogismo: princípio constitutivo da linguagem
Todo discurso é orientado para a resposta e ele não pode esquivar-se à influência profunda do discurso da resposta antecipada (...) Ao constituir-se na atmosfera da “já-dito”, o discurso é orientado ao mesmo tempo para o discurso-resposta que ainda não foi dito, discurso, porém, que foi solicitado a surgir e que já era esperado. Assim é todo diálogo vivo (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1993, p. 89).

Todo enunciado (...) comporta um começo absoluto e um fim absoluto: antes de seu início, há os enunciados dos outros, depois de seu fim, há os enunciados-respostas dos outros (ainda que seja uma compreensão responsiva ativa muda ou como um ato-resposta baseado em determinada compreensão). O locutor termina seu enunciado para passar a palavra ao outro ou para dar lugar à compreensão responsiva ativa do outro (BAKHTIN, 2000, p. 294).
Eixos básicos do pensamento do Círculo
Dialogismo, pautado no chamado pensamento participativo, centrado nas questões da linguagem e do discurso;
Todo sujeito/todo sentido é constituído
O conjunto da obra do Círculo de Bakhtin possui alguns pilares sobre os quais toda a concepção de linguagem se ergue: a interação verbal, o enunciado concreto, o signo ideológico e o dialogismo.
Interação verbal
A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas linguísticas nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua (BAKHTIN/VOLOSHINOV, 1993, p. 123). (Grifos do autor).
Signo
Todo signo é ideológico; a ideologia é um reflexo das estruturas sociais; assim, toda modificação da ideologia encadeia uma modificação da língua. O signo dialético, dinâmico, vivo, opõe-se ao “sinal” inerte que advém da análise da língua como sistema sincrônico abstrato. Segundo Bakhtin (1981, p. 32): “Um signo não existe apenas como parte de uma realidade; ele também reflete e refrata uma outra. Ele pode distorcer essa realidade, ser-lhe fiel, ou apreendê-la de um ponto de vista específico.”
A forma linguística é sempre percebida como um signo mutável.
O signo é, por natureza, vivo e móvel, plurivalente; a classe dominante tem interesse em torná-lo monovalente. (BAKHTIN, 1981: p. 15)
1. As formas e os tipos de interação verbal em ligação com as condições concretas em que se realiza.

2. A partir daí, exame das formas da língua na sua interpretação linguística habitual (2009, p.129).
3.As formas das distintas enunciações, dos atos de fala isolados, em ligação estreita com a interação de que constituem os elementos, isto é, as categorias de atos de fala na vida e na criação ideológica que se prestam a uma determinação pela interação verbal.
Based on Jim Harvey's speech structures
A realidade concreta. A Infraestrutura constitui a base da sociedade, as informações, fatos e desdobramentos essenciais para a constituição social de uma determinada comunidade.
Entende-se como sendo um amplo aparato social atuante de forma basilar e indispensável à vida humana em termos de sua constituição e sobrevivência, considerando por sua vez, nesse sentido, as instituições que permeiam a vivência entre as pessoas em questões diretamente ligadas às ações e produções humanas em geral.
INFRAESTRUTURA
SUPERESTRUTURA
Sistema ideológico de um determinado horizonte social. A superestrutura transforma o objeto em signo.
Em consonância com a base estrutural, a superestrutura surge alcançando o espaço das idéias, opiniões, pensamentos, da construção de uma perspectiva ideológica que visualize de que forma se configura o funcionamento das infra-estruturas e por qual representatividade em termos de significação ela projeta no sujeito que a constrói.
Quando escolhemos uma palavra, durante o processo de elaboração de um enunciado, nem sempre a tiramos, pelo contrário, do sistema da língua, da neutralidade lexicográfica. Costumamos tirá-la de outros enunciados, e, acima de tudo, de enunciados que são aparentados ao nosso pelo gênero, isto é, pelo tema, composição e estilo: selecionamos as palavras segundo as especificidades de um gênero. (BAKHTIN, 2000, p. 311-312) (grifos do autor).

A experiência verbal individual do homem toma forma e evolui sob o efeito da interação contínua e permanente com os enunciados individuais do outro (...) Nossa fala, isto é, nossos enunciados (que incluem as obras literárias) estão repletos de palavras dos outros, caracterizadas, em graus variáveis, pela alteridade ou pela assimilação, caracterizadas, também em graus variáveis, por um emprego consciente e decalcado. As palavras dos outros introduzem sua própria expressividade, seu tom valorativo, que assimilamos, modificamos. (BAKHTIN, 2000, p. 314) (Grifo do autor).
O objeto do discurso de um locutor, seja ele qual for, não é objeto do discurso pela primeira vez neste enunciado, e este locutor não é o primeiro a falar dele. O objeto, por assim dizer, já foi falado, controvertido, esclarecido e julgado de diversas maneiras, é o lugar onde se cruzam, se encontram e se separam diferentes pontos de vista, visões de mundo, tendências (BAKHTIN, 2000, p. 319).
O primeiro pilar,
a
interação verbal,
constitui para o Círculo de Bakhtin a "realidade fundamental da língua"
(BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 1981, p.123).
Essa afirmação está ancorada numa concepção de linguagem que toma como sua natureza a de comunicar, a de se dirigir ao outro. No texto Os gêneros do discurso, escrito nos anos de 1952-1953, Bakhtin reafirma a centralidade da função comunicativa da linguagem, criticando concepções que tomam por sua natureza a "função de formação do pensamento, independente da comunicação" [...] e "deduzida da necessidade do homem de autoexpressar-se, de objetivar-se" [...]
(BAKHTIN, 2006, p.270).
A linguagem, portanto, é a expressão de um em relação ao outro. A linguagem, cuja realidade fundamental é a interação verbal, é portanto uma atividade que objetiva-se na realidade concreta compartilhada entre o eu e o outro.
E essa atividade, por ser um fenômeno real e concreto, realiza-se num determinado espaço e num determinado momento únicos (já que o tempo não volta), sendo, portanto, irrepetível e sócio-historicamente situada. É justamente a essa atividade realizada que se dá o nome de
enunciado concreto.
A realidade ideológica é uma superestrutura situada imediatamente acima da base econômica.
A consciência individual é um inquilino do edifício social dos signos ideológicos.
Separando os fenômenos ideológicos da consciência individual nós os ligamos às condições e às formas da comunicação social. A existência do signo nada mais é do que a materialização dessa comunicação. É nisso que consiste a natureza de todos os
signos ideológicos
(BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2009, p.36).Um signo não existe apenas como parte de uma realidade, ele também reflete e refrata uma outra. "Todo signo está sujeito aos critérios de avaliação ideológica " (2009, p.32). Logo, a propriedade de refração do signo é fundamental para caracterizá-lo como ideológico.
Pode-se entender por
dialogismo,
grosso modo, a compreensão de que qualquer enunciado é intrinsecamente uma resposta a enunciados anteriores e, uma vez concretizado, abre-se à resposta de enunciados futuros.

É importante ressaltar que dialogismo não é sinônimo de polifonia. Pela compreensão do Círculo de Bakhtin, o dialogismo é uma qualidade ontológica do enunciado concreto


O Marxismo e a Filosofia da Linguagem
Bakhtin expõe bem a necessidade de uma abordagem marxista da filosofia da linguagem, mas ele aborda, ao mesmo tempo, praticamente todos os domínios das ciências humanas, por exemplo a psicologia cognitiva, a etnologia, a pedagogia das línguas, a comunicação, a estilística, a crítica literária e coloca, de passagem, os fundamentos da semiologia moderna. (BAKHTIN, 1981: p. 13)
Bakhtin possui de todos esses domínios uma visão notavelmente unitária e muito avançada em relação a seu tempo. Contudo, e nesse aspecto o subtítulo Tentativa de aplicação do método sociológico em linguística é muito revelador; trata-se, principalmente, de um livro sobre as relações entre linguagem e sociedade, colocado sob o signo da dialética do signo, enquanto efeito das estruturas sociais.
Sendo o signo e a enunciação de natureza social, em que medida a linguagem determina a consciências, a atividade mental. Em que medida a ideologia determina a linguagem? (BAKHTIN, 1981: p. 13)
Bakhtin vai dedicar todo o capítulo 5 à análise de um tipo especial de relações dialógicas manifestas nos diferentes processos daquilo que ele chama de bivocalidade. Voloshinov, por sua vez, vai fazer o mesmo, na Parte III de seu livro Marxismo e filosofia da linguagem, com as diferentes formas do discurso citado.
O problema do texto, ao mesmo tempo em que critica a visão estreita de dialogismo, que confunde relações dialógicas com réplicas do diálogo face-a-face, alerta para outro viés estreito de entender as relações dialógicas: tomá-las apenas como equivalentes a discussão, polêmica ou paródia. (FARACO, 2003: p. 65)
Língua
A língua é, como para Saussure, um fato social, cuja existência se funda nas necessidades da comunicação. Mas ao contrário da linguística unificante de Saussure e de seus herdeiros, que faz da língua um objeto abstrato ideal, que se consagra a ela como sistema sincrônico homogêneo e rejeita suas manifestações (a fala) individuais.
Bakhtin, por sua vez, valoriza justamente a fala, a enunciação, e afirma sua natureza social, não individual: a fala está indissoluvelmente ligada às condições da comunicação que, por sua vez, estão sempre ligadas às estruturas sociais. (BAKHTIN, 1981: p. 14)
Bakhtin define a língua como expressão das relações e lutas sociais, veiculando e sofrendo o efeito desta luta, servindo, ao mesmo tempo, de instrumento e de material. (BAKHTIN, 1981: p. 17) " A língua no seu uso prático, é inseparável do seu conteúdo ideológico ou relativo à vida" (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 1981, p.96)

A realidade fundamental da língua é a interação verbal (ou interação social) e que ela se dá entre sujeitos sócio-historicamente situados.
A Comunicação verbal, inseparável das outras formas de comunicação, implica conflitos, relações de dominação e de resistência, adaptação ou resistência à hierarquia, utilização da língua pela classe dominante para reforçar seu poder etc. (BAKHTIN, 1981: p. 14)
Toda enunciação, fazendo parte de um processo de comunicação ininterrupto, é um elemento do diálogo, no sentido amplo do termo, englobando as produções escritas.
A enunciação, compreendida como uma réplica do diálogo social, é a unidade de base da língua, trata-se de um discurso interior ou exterior. Ela é de natureza social, portanto ideológica. Ela não existe fora de um contexto social, já que cada locutor tem um “horizonte social”. (BAKHTIN, 1981: p. 16)
Enunciação
A palavra serve como “indicador” das mudanças. Bakhtin não afirma jamais que a língua é uma superestrutura no sentido estrito definido por Marx, o qual acarretará, em 1950, a inapelável condenação stalinista: a base e as superestruturas estão sempre em interação. Em compensação, ele afirma claramente que a língua não é assimilável a um instrumento de produção. (BAKHTIN, 1981: p. 17)
Palavra
Para Bakhtin, o sujeito é um ser eminentemente social e, como tal, participa do conjunto de diferentes e variadas relações sociais, sendo isso o que constitui a subjetividade.

Para ele, o sujeito não é um ser que se rende por completo às estruturas sociais, subjugado pelas forças sociais e destituído de qualquer capacidade de (re)ação. Também não é uma instância dotada de autonomia, detentora dos sentidos dos discursos que realiza em suas atividades de linguagem. No conjunto de idéias do filósofo, o sujeito vive na tensão entre o que é da ordem do individual e do social.

Chamar o sujeito de dialógico na acepção bakhtiniana, implica também em dizer que este se constitui discursivamente, quando penetra na cadeia da interação verbal, quando assimila vozes, fazendo suas as palavras proferidas pelos lábios de outrem, de tantas outras vozes sociais que são absorvidas no curso de suas relações na vida.
Sujeito
Algumas Considerações
“A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar de um diálogo: interrogar, escutar, responder, concordar, etc. Neste diálogo, o homem participa todo e com toda sua vida: com os olhos, os lábios, as mãos, a alma, o espírito, com o corpo todo, com as suas ações. Ele se põe todo na palavra e esta palavra entra no tecido dialógico da existência humana, no simpósio universal.” (CLARCK e HOLQUIST, 2004: p. 15) *

* O trecho aparece em Estética da Criação Verbal, nota 5.
O círculo de Bakhtin
A expressão Círculo de Bakhtin designa um grupo de intelectuais russos que se reuniam regularmente entre 1919 a 1929, nas cidades russas de Nevel e Vitebsk e, depois, em São Petersburgo que, na primeira metade do século XX.Esse grupo era constituído por pessoas de diversas formações e interesses acadêmicos diferentes. Entre os membros desse grupo cita-se: o filósofo Matvei I. Kagan, o biólogo Ivan I. Kanaev, a pianista Maria V. Yudina, o estudioso da literatura Lev V. Pumpianski, Valentin N. Voloshinov, Pavel N. Medevedev e o filósofo que deu nome ao Círculo, ou seja, Mikhail M. Bakhtin. O eixo central desse grupo era a pesquisa em torno da linguagem. Bakhtin e os membros do Círculo tinham em comum a paixão pela filosofia e pelo debate de ideias. ( FARACO 2003).
Diversos sentidos do conceito de diálogo
Fiorin (2006) aponta para a importância dos diversos sentidos que esse conceito pode assumir, tais como:
a) aquele que não é mostrado no enunciado, ainda que este tenha sido constituído em sua oposição. Ou seja, todo enunciado é uma réplica de um outro, constitui-se a partir de outro. Ouvem-se sempre, ao menos duas vozes, mesmo que elas não se manifestem no fio do discurso;

b) aquele que se mostra através da incorporação de vozes de outros enunciados. Neste sentido, o discurso do outro pode ser inserido no enunciado de duas maneiras: abertamente citado e nitidamente separado do discurso citante ou de forma não muito nítida, chamado bivocal;

c) aquele que está relacionado com o indivíduo e o seu princípio de ação, ou seja, a resposta que cada pessoa dá às diversas vozes presentes na realidade em que está imerso.
Conceitos Basilares
Diálogo
O diálogo é a condição primeira da linguagem. Quando Bakhtin refere-se ao diálogo, situa-o em duas perspectivas de tempo: a pequena temporalidade, na qual se encontra o diálogo no seu sentido estrito, aquele realizado numa situação determinada, e a grande temporalidade, na qual se encontra o grande diálogo, em que segundo Bakhtin (2013):

Não há uma palavra que seja primeira ou a última, e não há limites para o contexto dialógico (este se perde num passado ilimitado e num futuro ilimitado) (...). Em cada um dos pontos do diálogo que se desenrola, existe uma multiplicidade inumerável, ilimitada de sentidos esquecidos, porém, num determinado ponto, no desenrolar do diálogo, ao sabor de sua evolução, eles serão rememorados e renascerão numa forma renovada (num contexto novo). Não há nada morto de maneira absoluta. Todo sentido festejará um dia seu renascimento .
Polifonia
A polifonia se caracteriza por vozes polêmicas em um discurso. Polifonia é uma metáfora derivada do contexto musical, mas não do todo metafórico.
Em sua relação com o diálogo se refere à orquestração das vozes em diálogo aberto, sem solução.
Assim, para Bakhtin, a polifonia é parte essencial de toda enunciação, já que em um mesmo texto ocorrem diferentes vozes que se expressam, e que todo discurso é formado por diversos discursos.

Gênero
O gênero sempre é e não é o mesmo, sempre é velho e novo ao mesmo tempo [...] O gênero vive do presente mas sempre recorda o seu passado, o seu começo. Bakhtin (2008, p.121). É uma forma típica do enunciado.
O gênero e o enunciado mantêm uma relação bastante excêntrica, na medida em que o enunciado é não-repetível e individual, enquanto o gênero é relativamente estável, histórico e não-individual. Assim se consolida a já tão conhecida e repetida definição de gênero: “Qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso” (BAKTHIN, 2000: 279, destaques do autor).
Crítica ao Subjetisvismo Idealista
O subjetivismo idealista tem como prioridade o ato da fala e vê a essência da língua na criação individual. Entende a língua como um fenômeno que tem sua origem no interior do individuo, logo a enunciação, de acordo com essa visão, partiria do interior para o exterior do sujeito.
O subjetivismo Idealista deixa totalmente de lado o processo de interação verbal; nisso se alicerça a crítica feita por Bakhtin/Volochínov em Marxismo e Filosofia da Linguagem. Ao negar os fatores sociais e interacionais presentes na enunciação, essa orientação deixa de explorar o que de fato é responsável pela comunicação, neste caso, a relação entre o eu, o outro e o meio, como elementos constituintes do discurso. Para o Círculo, o sujeito não é psicológico – como defendido pelo subjetivismo – mas sim dialógico.
Crítica ao Objetivismo Abstrato
Entre outras críticas que Bakhtin/Volochínov faz ao objetivismo abstrato, está a que se refere ao caráter imutável da língua estabelecido nessa teoria. Bakhtin/Volochínov diz que a língua sofre alterações mesmo quando analisada sincronicamente, porque a língua está num eterno devir. Segundo a concepção do Círculo de Bakhtin, o sujeito, no momento da enunciação, não percebe as possíveis variações que a língua sofre, posto que a sua percepção sobre ela no momento é sincrônica, mas, ainda assim, vários processos de variação linguística ocorrem no ato da fala. É possível, então, que, antes mesmo que as mudanças linguísticas se tornem perceptíveis por toda uma comunidade linguística, ela já exista latente nos discursos do sujeito.
Destacamos os seguintes pontos:

a) que não há no Círculo negação da linguística, mas sim o reconhecimento de seus limites, mais em alguns paradigmas que em outros;

b) que Bakhtin não é linguísta, o que significa ao memso tempo que não pode ser substituto deles nem reduzido a eles;

c) que Bakhtin é um pensador, o que fica claro tanto pela abrangência dos temas a que se dedica em seus textos, mais de que ensaísta que de cientista;

d) Bakhtin não começa do nada, mas participa de um conjunto disperso de discursividades que pensa o sujeito na relação com a alteridade;

e) que a apropriação de alguns conceitos, especialemente os de diálogo, polifonia e gênero, se não tem sido feita de forma ilegítima, certamente não pode simplesmente justificar-se com o prestígio e as luzes de Bakhtin.
FARACO (2003: p. 8-9)
Dessa forma, a língua vive e evolui historicamente na comunicação verbal concreta, não no sistema abstrato das formas da língua nem no psiquismo individual dos falantes. Bakhtin (1995:124) conclui que a ordem metodológica para o estudo da língua deve ocorrer da seguinte maneira:
1º) “As formas e os tipos de interação verbal em ligação com as condições concretas em que se realiza”.
2º) “As formas das distintas enunciações, dos atos de fala isolados, em ligação estreita com a interação de que constituem os elementos, isto é, as categorias de atos de fala na vida e na criação ideológica que se prestam a uma determinação pela interação verbal”.
3º) “A partir daí, exame das formas da língua na sua interpretação lingüística habitual”.
Para tanto, é nesta ordem que a língua se desenvolve e evolui. Primeiramente, as relações sociais evoluem, e num segundo momento, a comunicação e a interação verbal evoluem no quadro das relações sociais. As formas dos atos de fala evoluem em conseqüência da interação verbal, e o processo de evolução reflete, enfim, na mudança das formas da língua. (BAKHTIN, 1981: p. 124)
Referências
BAKHTIN, Mikhail. Apontamentos 1970-1971. In: Estética da criação verbal. Tradução de Maria Ermantina Galvão G. Pereira. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997b. p. 369-414.
______. [VOLOSHINOV, V. N]. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução de Michel Lahud e Yara F. Vieira. 11.
ed. São Paulo: Hucitec, 2004.
______. O discurso em Dostoiévski. In: Problemas da poética de Dostoiévski. Tradução de Paulo Bezerra. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005. p.181-275.
______. O discurso no romance. In: Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. 4. ed. São Paulo: Hucitec, 1998. p.72-163.
FARACO, Carlos Alberto. Linguagem e diálogo: as idéias lingüísticas do Circulo de Bakhtin. Curitiba: Criar Edições, 2003. Introdução ao pensamento de Bakhtin. São Paulo: Ática, 2006.

http://www.ufjf.br/locus/files/2010/02/111.pdf Acesso em 21/03/2014
http://www.theoria.com.br/edicao0310/bakhtin_e_wittgenstein.pdf Acesso em 21/03/2014
http://www.bocc.ubi.pt/pag/lopez-debora-ivo-palavra-signo-ideologico.html Acesso em 21/03/2014
http://www.pedroejoaoeditores.com.br/dialogando-sobre-o-dialogo-na-perspectiva-bakhtiniana.html Acesso em 21/03/2014
http://www.ifono.com.br/ifono.php/sobre-mikhail-bakhtin- Acesso em 21/03/2014
http://www.scielo.br/pdf/bak/v6n1/v6n1a16 Acesso em 21/03/2014
http://www.letramagna.com/relacoesdialogicas.pdf Acesso em 21/03/2014
http://www.fflch.usp.br/dl/semiotica/es/eSSe62/2010esse62_vlpires_fatamanini_adames.pdf Acesso em 21/03/2014
http://unifia.edu.br/revista_eletronica/revistas/educacao_foco/artigos/ano2011/polifonia.pdf Acesso em 21/03/2014
http://www.celsul.org.br/Encontros/06/Individuais/84.pdf Acesso em 21/03/2014
http://www.filologia.org.br/xcnlf/3/09.htm Acesso em 21/03/2014
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