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RAÍZES DA UMBANDA

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by

Marcelo Ferreira

on 25 June 2013

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Transcript of RAÍZES DA UMBANDA

Raizes da
Umbanda

O nascimento de uma
religião brasileira

Marcelo Fabiano Maia Ferreira
UNOPAR Teresópolis
18 de Junho de 2013
Mesmo com conceitos como “alteridade”, “etnocentrismo” e “respeito às diferenças” inseridos na pauta de discussão da educação atual, é comum surgirem muitas dúvidas e interpretações errôneas - algumas carregadas de preconceitos – quando o assunto é religião. Maiores ainda são esses problemas quando as religiões em discussão são as denominadas “afro-brasileiras”. Quais são? Como se originaram? Quais seus principais preceitos? Para piorar toda essas dúvidas e desinformação, o caráter folclórico dessas religiões está, na maioria das vezes, tão arraigado ao imaginário popular que muitas pessoas – algumas vezes até simpatizantes ou neófitos – imaginam que sabem coisas das quais na verdade não têm o menor conhecimento...
Apresentação
- PRECONCEITO, FOLCLORE E DIFERENÇAS
- RAÍZES HISTÓRICAS E SOCIAIS
- 400 ANOS DE NEGOCIAÇÕES
- HISTÓRIA E CULTURA NACIONAL
- O ENCONTRO DE 3 RAÇAS (ETINIAS)
"Quando atinge grau
elevado de complexidade, toda cultura
encontra sua expressão artística, literária e
espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta pra valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida das matrizes da mais genuína brasilidade, feita de europeus, africanos
e indígenas".
Leonardo Boff, teólogo, professor universitário, autor de mais de 50 livros sobre religião e ecologia, ex- frade franciscano e reconhecido militante de causas sociais e ambientais.
- CAMINHOS PERCORRIDOS (400 ANOS)
- MITO DE ORIGEM (SÉCULO XX)
- 500 MIL PRATICANTES (IBGE)
Uma breve digressão
em nome de Deus...
Tudo que existe tem
um começo...

Javé - Jeovah o Deus judeu do
Pentateuco tem sua origem na Arábia
Saudita há cerca de 10.000 anos, levado às tribos de Israel
por beduínos e mercadores livres.

El - Canaã - Baal era o deuses mais importantes das tribos israelitas até que Josias, rei de Judá, em 609 a. C., resolve unir Israel (norte) e Judá (sul) mas é derrotado pela Babilônia.

Foi Roger Bastide quem primeiro notou como, quando várias religiosidades se encontraram no Brasil, aconteceu uma "ACOMODAÇÃO" de práticas religiosas, graças principalmente ao "PENSAMENTO MÁGICO" comum a todas elas: o CRISTIANISMO POPULAR, as CRENÇAS AMERÍNDIAS e a RELIGIOSIDADE AFRICANA, importada com os negros escravizados.

Ao percorrermos esses caminhos, primeiramente o que mais vai nos interessar são os pontos de convergências encontrados tanto nas práticas
religiosas dos NATIVOS BRASILEIROS, quanto nos rituais e crenças dos primeiros negros a chegarem no Brasil: os BANTUS.

Mais tarde, as negociações dessas religiosidades com o catolicismo popular implantado junto a catequese jesuítica e, em um momento posterior, o kardecismo europeu e seu cientifismo de elite, capaz de justificar toda esta miscigenação cultural e religiosa em solo brasileiro.

INICIEMOS NOSSA JORNADA...
A Raiz Ameríndia
Ao se depararem com os índios brasileiros, os padres jesuítas e reformadores calvinistas ficaram espantados com o que esperava por eles nestas terras. Ao contrário dos indígenas antes encontrados pelos colonizadores das Américas, os nossos índios tinham uma concepção religiosa e mística que espantou aos estudiosos da época, mas que hoje nos soaria extremamente familiar, se vista como o entendimento atual.
Em seu livro “Chronica da Companhia de Jesus”, padre Simão de Vasconcelos relata: “Os índios do Brasil, de tempos imemoriais a esta parte, não adoram expressamente Deus algum: Nem tem templo, nem sacerdote, nem sacrifício, nem fé, nem lei alguma”. Para continuar mais adiante: “Disse do Brasil, porque dos Índios de quase todas as outras partes da América, do Peru, do México, Nova Espanha etc, sabemos o contrário, e que acharam aqueles primeiros seus descobridores grandes indícios, e ruínas de templos famosos, de variedades de ídolos, cerimônias e cultos”.
- CRENÇA EM OUTRO MUNDO
- CRENÇA EM ESPÍRITOS
- INFLUÊNCIA DO INVISÍVEL
- TUPÃ VIRA DEUS

Documentário: Do Outro Lado do Céu
Pernambuco TV - Fonte: You Tube

Quando chegaram a terrae brasilis, acredita-se que os europeus encontraram algo em torno de mil etnias diferentes. É possível ainda que esses povos formassem uma população de aproximadamente 5 milhões de pessoas. Atualmente existem no Brasil 230 povos indígenas conhecidos e uma população de apenas 450 mil pessoas.

A presença européia e a catequese religiosa provocou um verdadeiro genocídio
étnico e cultural dos nativos brasileiros. Muito pouco sobreviveu das verdadeiras tradições ameríndias, mas sabe-se que o ponto central de sua religiosidade era o culto à natureza deificada, valendo-se também de procedimentos mágicos para influir na vida das pessoas e no mundo físico, sobretudo através das “almas” das plantas e animais. O payè ou pajé era quem tinha acesso ao mundo dos mortos e dos espíritos da floresta e, geralmente, a ele competia realizar rituais de cura, expulsar maus espíritos e desfazer feitiços.
Estudos antropológicos destacam o caráter descentralizador dessas sociedades e da própria cosmogonia indígena como um agente dificultador da conversão. Dessa forma, os missionários jesuítas adotaram uma dupla postura em seus trabalhos de conversão: Por um lado combatiam hábitos e crenças por demais chocantes para os padrões da época como a magia, poligamia e, claro, a antropofagia. De outro lado, os jesuítas toleravam um comportamento um tanto permissivo com esses grupos, para que estes pudessem de alguma forma assimilar a espiritualidade cristã. Desse jeito, ficou mais fácil a conversão do gentio através da união e adaptação das crenças que lhes eram peculiares com as crenças católicas, contanto que não ofendessem aos princípios da doutrina da Santa Madre Igreja.
- Início das "negociações"
- Fenômeno das Santidades
- Defensores jesuítas
- Nativo como pária social
- Genocídio de vários povos
- "Ne fé, nem rei, nem lei"
Gabriel de Souza (1598)
- Exclusão e preconceito até hoje
A Raiz Africana
A escravidão já era presente, em algumas sociedades, há mais de dez mil anos, como afirma Mary Del Priori, em sua obra Os Ancestrais. Quando os europeus aportaram em solo brasileiro, a Ásia, Europa e África já eram profundas conhecedoras deste processo.

Baseados no conceito de raça, a África passou a ser vista pelo europeu, como um país fornecedor de “matéria prima” (escravo). Para o colonizador branco isto era interessante, pois tornava a África um mercado comum e viabilizava o lucro na venda das “peças”, com a escravidão assumindo uma visão puramente mercantilista, onde os portugueses não desejavam escravos apenas para sustentar suas necessidades, eles desejavam sim, apropriar-se deste mercado, que sustentava as necessidades de um grande território, o Brasil.

O mercado interno do Brasil passou a ser alimentado, após o século XVIII, pelos próprios brasileiros, alguns deles negros cristãos. A escravidão rompia com as questões étnicas e raciais e se transformava no mais lucrativo negócio.

Com vinda dos negros para o Brasil, o caldeamento de cultura, raças e religiões ganhou novos e definitivos contornos...
"Embora aparentemente tenham
muito em comum, as duas religiões se opõem
como os dois lados de uma mesma moeda. Se o
CANDOMBLÉ é a resistência cultural e a tentativa da
manutenção da memória coletiva africana em solo brasileiro, a UMBANDA é justamente a integração das práticas afro-indígenas, na moderna sociedade brasileira. Assim, se o candomblé volta as
costas para o Brasil para olhar a África, a Umbanda volta as
costas à África para importar-se mais com a identidade nacional" (José Henrique Motta)
- Escravidão na África
- Escravidão no Brasil
- Escravidão e cultura
- Cultura e religiosidade
- Novas negociações
Porém, para se entender como a religiosidade africana influenciou a religiosidade brasileira, mais precisamente a Umbanda, objeto desse estudo, precisamos entender a diferença entre UMBANDA e CANDOMBLÉ.
A Cor da Cultura - Canal Futura
Fonte: You Tube
Dentre as centenas de nações africanas que aqui chegaram, a que primeiro vai nos interessar é a etnia BANTU, que durante o período colonial brasileiro dominava a maior parte do continente africano, situado ao sul do Equador, região também chamada de subsaariana. Lá, estão localizados hoje países como Congo, Angola, Moçambique etc.
Do encontro
mágico e religioso entre
africanos e indígenas, algumas práticas
religiosas começam a se manifestar. Entre
elas, podemos citar o CALUNDU (termo genérico
para designar qualquer manifestação religiosa
de negros até o século XVIII), que continha influências
bantu, católicas e nativas, além do CULTO A JUREMA,
o CATIMBÓ, o TERECÓ e a CABULA.
- NOVAS RELIGIÕES, NOVAS NEGOCIAÇÕES CULTURAIS E SOCIAIS
- O SURGIMENTO DOS CANDOMBLÉS E IRMANDADES NEGRAS
- O JEITO AFRICANO DE SE CULTUAR O SANTOS CATÓLICOS
A Raiz Européia
Além das raízes nativas e africanas, a religião Umbanda sofreu, como não poderia deixar de ser, uma grande influência da Europa. Em primeiro lugar, o catolicismo popular permeia toda a relação do sincretismo africano e indígena, com sua autoridade de "religião oficial" da nação brasileira.

Em um segundo momento, o Espiritismo de Allan Kardec aparece como uma ferramenta legitimadora das novas práticas religiosas através de seu discurso científico e positivista a respeito das "práticas mágicas", comum ao imaginário religioso nacional e sua fácil aceitação por meio da alta sociedade brasileira.
A primeira missa no Brasil - Victor Meireles - 1860
Desde a realização da 1ª missa no Brasil, ainda à época do seu referido "descobrimento", ou ainda quando fomos batizados de "Terra de Santa Cruz", a presença da religião católica foi - e ainda é - uma constante. Professar uma outra fé que não fosse a cristã era correr o risco de ser considerado um herege, condenado pela Igreja ou desprezado pela sociedade.
Mas se por um lado a fé católica era uma imposição social, por outro lado a prática do catolicismo popular, com suas rezas, simpatias, santos e crença em poderes sobrenaturais - vale ressaltar que então a fé católica não negava que eles existissem, apenas só os admitia se fosse patrocinados pela Santa Igreja - adquiriu - e foi mesmo incentivada a isso através dos conversores jesuítas - um caráter sincrético que permitiu a inclusão de práticas indígenas e negras em sua devoção. Daí, a mistura passou a ser um verdadeiro caldeirão de crenças, devoções, rituais e práticas que variavam de lugar para lugar, de pessoas para pessoas, em um caldeamento impossível de se mapear ou classificar.
Na virada para o século XX é que os cultos afro-brasileiros encontrariam um novo tipo de "apoio" nos rituais brancos: o Espiritismo. A prática desenvolvida pelo francês Allan Kardec na Europa, já era praticada no Brasil desde a época do 2° império, com sessões praticadas na corte que atraiam a curiosidade de muitos católicos, inclusive padres.

Mais uma vez, o imaginário nacional de crença no mágico, nos espíritos e em outras vidas foram essenciais para o desenvolvimento do movimento espírita no Brasil, principalmente em classes sociais mais elevadas e culturalmente mais preparadas.
- O Espiritismo legitima a Macumba
Nasce uma religião BRASILEIRA
A história do desenvolvimento da religião umbandista, como vimos, reproduz o processo de contato entre os grupos raciais e sociais formadores da sociedade brasileira. Este desenvolvimento foi marcado por movimentos de dominação e resistência, que repercutiram no plano religioso as imposições, contradições e aproximações existentes nas relações entre brancos, índios e negros.

A origem da Umbanda, a princípio, pode ser comparada com a origem do Cristianismo, posto que surgiu também num período histórico de grande opressão no Oriente Médio e entre as classes sociais mais humildes. Mas, ao contrário do Cristianismo, a Umbanda não teve um Messias.

Em sua luta por legitimação, o movimento Umbandista criou o que se convencionou chamar de "Mito de Origem", uma história de criação onde a nova religião teria vindo não das senzalas das classes mais oprimidas, mas da sala de estar da classe média carioca. Nele, o médium Zélio Fernandino de Moraes teria "anunciado" a Umbanda no dia 15 de novembro de 1908.
“Entre a mesa branca (do espiritismo) e o culto aos deuses africanos, a Umbanda se constituiu como uma multifacetada opção religiosa. Abrangendo o continuum mediúnico, por um lado próxima à magia ritual e por outro à palavra, como preceito de orientação moral”. (CAMARGO, 1961)
CONCLUSÃO
Reconstruir o processo histórico de formação
de uma religião é um trabalho delicado. Porém,
entender as diferentes visões de correntes doutrinárias
diversas, analisar seus mitos e paradigmas, ponderar seus surgimentos dentro dos diferentes contextos históricos,
sociais e temporais são esforços necessários para que novos
juízos de valores sejam construídos pela sociedade.

A construção de conceitos nasce em decorrência da
percepção do que se tem de algo e só a partir da maneira
como se enxerga o outro, define-se um juízo ao
seu respeito, desenvolve-se um sentimento e
originam-se as atitudes e os comportamentos
pertinentes a convivência harmônica e comum.
Que os novos saberes nos tragam paz
e bom juízo em relação aos nossos
semelhantes. Mesmo que
diferentes de nós.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente ao Criador. Que mesmo se chamando Jeovah, Zambi, Oxalá ou Tupã, nos fez todos irmãos. Semelhantes, mas não iguais, em sua infinita sabedoria;

Em segundo lugar aos meus Guias e Mentores Espirituais que, mesmo imerecidamente, me levaram a chegar até aqui;

Em terceiro aos meus pais e familiares, sem aos quais essa caminhada seria impossível;

Ao professor Luiz Alberto, que além de apoiar e elucidar durante o caminho, nos deu a maior contribuição que um ser humano pode dar a outro: seu próprio exemplo;

Aos amigos e colegas, os que chegaram até aqui e os que ficaram no caminho. Só quem percorre sabe!

Muito obrigado a todos!
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