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Memorial do Convento - Capítulo XI

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by

Ana Beatriz Silva

on 27 April 2015

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Transcript of Memorial do Convento - Capítulo XI

Memorial do Convento
C
apítulo X
Baltasar regressa a Mafra, sua terra natal.

Blimunda é apresentada a toda a família de Baltasar, por quem é muito bem recebida.

O pai de Baltasar relata as negociatas que envolveram as vendas compulsivas dos terrenos para a construção do convento.

Enquanto não arranja trabalho, Baltasar ajuda o pai no campo.

Contraponto entre a morte do infante D. Pedro e do sobrinho de Baltasar.

Morre o sonho de D. Maria Ana Josefa com o infante D. Francisco, ao perceber que o cunhado é ainda mais repugnante que o rei, apenas lhe interessando o poder e não o amor.
C
apítulo XI
Regresso do padre Bartolomeu Lourenço da Holanda, para onde viajou com o intuito de descobrir o segredo do éter.

Após três anos ausente, volta a Portugal com o objetivo de adquirir um grau académico e aprofundar os seus estudos em Coimbra.

Antes, porém, dirige-se à quinta de São Sebastião da Pedreira para ver a “máquina voadora”. Encontra o local deserto, os instrumentos espalhados pelo chão, pardais voando no seu interior e os ferros enferrujados.

Bartolomeu desvia, então, o seu trajeto e encaminha-se para Mafra, onde procura Baltasar e Blimunda. Na vila, presencia o início das obras do convento.


C
apítulo XI
Bartolomeu acaba por pernoitar em casa do vigário e, pela madrugada, encontra-se com Baltasar e Blimunda no Alto da Vela, estando esta ainda em jejum.

O "Voador" revela-lhes o que aprendeu no estrangeiro: o éter que fará voar a passarola está em cada um de nós.

Baltasar é incumbido de construir a máquina. A Blimunda cabe-lhe recolher as “vontades” das pessoas, armazenando-as num frasco de vidro que contém uma pastilha de âmbar que atrai o éter.

Bartolomeu retoma a sua viagem para Coimbra dizendo aos dois que, a devido tempo, lhes enviará recado para partirem para Lisboa.

Unidos pelo mesmo sonho, encontrar-se-ão quando chegar o dia de voar.


“Bartolomeu Lourenço foi à quinta de S. Sebastião da Pedreira,
três anos inteiros haviam passado desde que partira
,
estava a abegoaria em abandono,
dispersos pelo chão os materiais que não valera a pena arrumar, ninguém adivinharia o que ali se andara perpetrando. Dentro do casarão esvoaçavam pardais, tinham entrado por um buraco do telhado […] com o tempo enferrujaram os ferros, mau sinal, não parece que Baltasar aqui tenha vindo como lhe recomendei tanto, mas é verdade que veio, por estes sinais de pés descalços, não trouxe Blimunda, ou Blimunda morreu, e dormiu na enxerga, está puxada a manta para trás como se agora mesmo se tivesse acabado de levantar […]”
“Até à vila de Mafra, aonde primeiro vai, […] indo ele a Coimbra, não seria este o caminho se não tivesse de ir à vila de Mafra por lá estarem Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas.”

“Quando o padre Bartolomeu Lourenço, na última volta do caminho, começou a descer para o vale,
deu com uma multidão de homens
, exagero será dizer multidão, enfim,
umas centenas deles
, e primeiro não entendeu o que se passava, porque toda aquela gente estava
correndo a um lado
, ouvia-se tocar uma trombeta, seria festa, seria guerra, deram então em
rebentar tiros de pólvora
, terra e pedras violentamente atiradas aos ares […]”
“[…] saiu a procurar os Sete-Sóis […]
Foi Blimunda quem veio abrir a porta.
[…] Esta é a minha sogra, senhor padre Bartolomeu […]”

“[…] vir um padre de Lisboa a Mafra para falar a um soldado manco, e a uma mulher que é visionária da pior maneira, porque vê o que existe, como já secretamente sabe Marta Maria que, queixando-se de ter uma nascida na barriga, Blimunda lhe respondeu que não tinha, mas
era verdade que sim e ambas o sabiam
, Come o teu pão, Blimunda, come o teu pão.”

“Baltasar […] adivinhou que seria padre […] tinha de ser Bartolomeu Lourenço […] de tanto dormir com Blimunda, e com ela quase todas as noites ter dares e tomares de carne,
começara a haver em Baltasar um luzeiro espiritual de dupla visão
, que, não dando para mais profundas penetrações, é quanto basta para observações sumárias como esta.”
“[…] ouçam então, na Holanda soube o que é o éter, não é aquilo que geralmente se julga e ensina, e
não se pode alcançar pelas artes da alquimia
, para ir buscá-lo lá onde ele está, no céu, teríamos nós de voar e ainda não voamos, mas o éter, deem agora muita atenção ao que vou dizer-lhes, antes de subir aos ares para ser o onde as estrelas se suspendem e o ar que Deus respira,
vive dentro dos homens e das mulheres
, Nesse caso, é a alma, concluiu Baltasar, Não é, também eu, primeiro, pensei que fosse a alma, também pensei que o éter, afinal, fosse formado pelas almas que a morte liberta do corpo, antes de serem julgadas no fim dos tempos e do universo, mas
o éter não se compõe das almas dos mortos, compõe-se, sim, ouçam bem, da vontade dos vivos
.[…] Como é a vontade,
É uma nuvem fechada
[…]”
“Diz o padre Bartolomeu Lourenço, No mundo tenho-te a ti, Blimunda, a ti, Baltasar, estão no Brasil os meus pais, em Portugal meus irmãos, portanto pais e irmãos tenho, mas para isto não servem irmãos e pais,
amigos se requerem
[…]”

“[…]
tu construirás a máquina, tu recolherás as vontades
[…]”

“Tirou do alforge um frasco de vidro que tinha presa ao fundo, dentro, uma pastilha de âmbar amarelo,
Este âmbar
, também chamado electro,
atrai o éter
, andarás sempre com ele por onde andarem pessoas,
em procissões, em autos-de-fé, aqui nas obras do convento
, e quando vires que a nuvem vai sair de dentro delas, está sempre a suceder, aproximas o frasco aberto, e a vontade entrará nele […]”
O
sonho
“Além da conversa das mulheres,
são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita
. Mas são também os sonhos que lhe fazem uma coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu.”
Todos têm o seu espaço onírico
Mas é o sonho de voar de Bartolomeu Lourenço que domina o romance
Este sonho é partilhado por Blimunda e Baltasar
Estas três personagens estão unidas “têm razões do coração que as governam, […] sonharam o mesmo sonho, viram a máquina de voar batendo as asas […]”.
O
conhecimento
Ingrediente fundamental na confeção do sonho e no progresso da Humanidade
Ciência
Poderes de Blimunda
Alquimia
Racional & Irracional
coexistem em estado de complementaridade
O
éter e a vontade
"[...] é portanto a vontade dos homens que segura as estrelas, é a vontade dos homens que Deus respira"
É graças à vontade dos homens que o mundo se mantém em funcionamento
O Homem é visto como o centro de todo o cosmos
Sem o querer humano, nenhum progresso científico, por si só, faz avançar o mundo
lugar ascendente em relação à terra
ideia de verticalidade
carregadas de caráter eufórico
A
trindade terrestre
O número três "exprime um mistério de reunião, de união [...]. Designa também os níveis da vida humana: material, racional e espiritual."
Padre Bartolomeu Lourenço
Baltasar
Blimunda
espírito científico/criativo
força física
espiritualidade
A
passarola
Elo de ligação entre o céu e a terra
Leveza da máquina ao elevar-se nos ares
Peso, sofrimento e dor associadas ao processo de construção do convento
fuga do Homem à opressão
A
s personagens
Blimunda
Baltasar
Padre Bartolomeu Lourenço
Pais de Baltasar
Padre Francisco Gonçalves
Povo
Verdadeiro herói da obra
Foi o seu esforço e sacrifício que tornou possível a construção do convento


Mafra levou treze anos a fazer.
A média dos operários empregados em cada dia na construção da obra monta a 20000.
Para cortar a montanha que fica a sul do edifício davam-se, diariamente, 1000 tiros e gastavam-se 4000 quilos de pólvora.
O edifício tem 45000 portas e janelas, 880 salas, 2 torres de 68 metros de altura e 144 sinos, 1 zimbório e 2 torreões tão vastos que no andar de qualquer deles se aloja a família real quando vai caçar a Mafra.



Sobre o Palácio de Mafra – magnificência da obra
Ramalho Ortigão
O
tempo
Histórico
Cronológico
Do Discurso
A ação do capítulo decorre por volta de 1715, altura do início das obras de construção do convento de Mafra e cerca de dois anos antes da bênção da primeira pedra
"três anos inteiros haviam passado" desde que partira Bartolomeu Lourenço
"há quatro anos" havia regressado Baltasar a Mafra, trazendo consigo Blimunda
“que entretanto se fez noite”;

“Estava escurecendo a tarde”;

“a noite refrescava”;

“já a noite se fechava”;

“uma hora antes de nascer o sol”;

“Madrugada”.
Prolepses

mais tarde o saberemos
”;
“[…] quer isto dizer que o abençoado há-de ir a Mafra também, trabalhará nas obras do convento real e ali morrerá por cair de parede, ou da peste que o tomou, ou da facada que lhe deram, ou esmagado pela estátua de S. Bruno.
É cedo ainda para estes acidentes
.”;
“[…] havemos de tornar a passar por estas bandas
daqui por uns meses, mais ainda se forem anos
, então veremos uma grande cidade de tábuas, maior que Mafra […]”.


Elipses
“três anos inteiros haviam passado desde que partira”;
“Passadas algumas semanas”.

O
espaço
Físico
Social
Psicológico
Exteriores
Lisboa - S. Sebastião da Pedreira
Mafra - Alto da Vela

Situação de escravatura dos operários,
sob o olhar crítico do Padre Bartolomeu Lourenço
“No Memorial do Convento há um resgate evidente do espaço do sonho, da quimera que projeta o homem para além, que lhe permite transcender. O espaço da utopia é o espaço da vontade dos homens. Pela vontade, os limites da realidade, da lógica, da racionalidade, os limites do possível, enfim, alargam-se […]”



Interiores
Lisboa - S. Sebastião da Pedreira
Mafra - Casa dos pais de Baltasar
"[...]
não há diferença nenhuma entre cem homens e cem formigas
, leva-se isto daqui para ali porque as forças não dão para mais, e depois vem outro homem que transportará a carga até à próxima formiga, até que, como de costume, tudo termina num buraco, no caso das formigas lugar de vida, no caso dos homens lugar de morte, como se vê não há diferença nenhuma.”
“[...] em todas estas
barracas
estejam homens dormindo, ou já acordando, são
construções de fábrica precária
, [...] havemos de tornar a passar por estas bandas daqui por uns meses, mais ainda se forem anos, então veremos uma
grande cidade de tábuas, maior que Mafra
[...]"

trabalho incessante e mecanizado
condições de trabalho e habitação sub-humanas
Teresa Cristina Cerdeira da Silva
Sonho comum de Baltasar, Blimunda e Bartolomeu traduz-se no envolvimento de todos na construção da passarola
Construção do convento é executada à custa do trabalho de muitos para a realização do sonho de um só
O
narrador
Narrador principal
Voz narrativa do Padre Bartolomeu Lourenço
Heterodiegético
Omnisciente
Homodiegético
Interna
“[…] esta
minha
passarola […] como
lhe
recomendei […] nesta enxerga
me deito
, com esta manta
me cubro
,
eu padre Bartolomeu Lourenço
que
voltei
da Holanda onde
fui
[…] no
meu
país […] e a
mim me
estava esperando […]
eu
sim
sei
o que ele é […]”
“[…] é a consciência da nossa incapacidade final para reconstituir o passado. E que, por isso, não podendo reconstituí-lo, somos tentados – sou-o eu, pelo menos – a corrigi-lo. Quando digo corrigir, corrigir a História, não é no sentido de corrigir os factos da História, pois essa nunca poderia ser tarefa do romancista, mas sim de introduzir nela pequenos cartuxos que façam explodir o que até então parecia indiscutível: por outras palavras, substituir o que foi pelo que poderia ter sido. […] Porém, estes dois vastos mundos, o mundo das verdades históricas e o mundo das verdades ficcionais, à primeira vista inconciliáveis, podem vir a ser harmonizadas na instância narradora.”


José Saramago, “História e Ficção”, in JL, 1990
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