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"A Vida Verdadeira de Domingos Xavier" por José Luandino Vieira

Obra e Critica Literária
by

Sara Antonelli

on 29 November 2012

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Transcript of "A Vida Verdadeira de Domingos Xavier" por José Luandino Vieira

“Voltei há mais de uma década, mas até hoje olho a realidade portuguesa como um estrangeiro. É evidente que a língua e os elementos culturais que recebi dos meus pais ajudaram a me integrar, mas não é uma integração na sociedade, é apenas minha maneira de estar neste país. Quando cheguei a Vila Nova de Cerveira, olhei para uma curva do rio Minho e não soube em que pensar. Inconscientemente, estou sempre numa atitude de partida. Lutar pela independência de Angola foi a razão da minha vida naquela época, e isso faz parte da minha identidade pessoal profunda, é algo que não pode ser modificado pelas circunstâncias” ((JOSÉ LUANDINO VIEIRA em entrevista concedida a O GLOBO em 06/11/2010) José Luandino Vieira História, cotidiano e imaginário: a obra de Luandino Vieira legitimando a tradição de um povo;

Domingos Xavier: tratorista, homem negro e trabalhador;

Miúdo Zito e Velho Petelo: a importância desses personagens na trama; Enredo e Personagens -“Miúdo Zito entrou a correr no pequeno compartimento que servia de sala e, atravessando no quintal, viu o avô, ao fundo, junto `as aduelas, a mijar. Parou, ofegante, e depois chamou:
- Vavô, vem depressa. Tem preso!
Velho Petelo, se virou e interrogou com seus olhos pequenos, piscando na luz do sol da manhã coado nas folhas de mandioqueira:
-Menino disse tem preso? Viste com teus olhos?”.
(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 11, Ed. Autores africanos).

-“No musseque a notícia correu com depressa, miúdo Zito transmitindo a mães e filhos, vizinhas comentando de porta em porta. Ninguém lhe conhecia, o pobre era muito alto e magro, ninguém lembrava aquela cara lá em cima. Vavô Petelo recolheu todos os pormenores, sempre cachimbando, e saiu depois com miúdo Zito na mão, arrastando sua perna esquerda, a calça dançando, motivo de troça da miudagem”.
(idem, pp. 11). -“O caminhar de um homem na construção de sua dignidade, equivalendo à sua inserção num movimento coletivo com vistas à libertação nacional. Na contraface, os passos de uma mulher à procura do marido pelas prisões, revelando em sua dor particular o peso da opressão onde vigora, tão somente a lei da autoridade”.
CHAVES R, A Formação do Romance Angolano: Entre Intenções e Gestos. pp. 162). Domingos Xavier, demais personagens e a Resistência. A temática da trama; “Ao assinar como José Luandino Vieira, o homem José Vieira Mateus da Graça começa por inscrever no rosto dos textos as marcas da confluência vida-ficção, que sistematizará no desenvolvimento textual. Adotando como componente do novo nome uma parte do nome de batismo – José Vieira – e adjetivando onomasticamente um topônimo e denominativo (Luanda = cidade e luando = esteira) – Luandino –, inventa um designativo híbrido, que chamarei de hibridônimo, por ser simultaneamente atributo de uma pessoa (registro civil de nascimento) e pseudônimo (registro ficcional)” (LARANJEIRA, 1979, p. 87). Pseudônimo literário
“Havia que partir para a denúncia aberta de assuntos gerais, de realidades gerais, entrando em força com a narrativa privilegiando o urbanismo, a vida nos musseques que são, exatamente, a característica de um espaço autenticamente africano dentro de um território urbano. As suas principais pretensões de denúncia baseavam-se nestes ambientes para que fosse demonstrada a cabal diferença entre o musseque - espaço do africano - e o mundo do asfalto - espaço do branco, do outro. Assim, a narrativa da Cultura surge sob o signo do separatismo, social e lingüístico”

(Disponível em:<www.infopedia.pt/$geracao-da-cultura>). Engajamento político: Geração Cultura; Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA); Prisões. O Neorrealismo Contrastes e denúncia social A violência e a opressão Língua e linguagem em A vida verdadeira de Domingos Xavier Velho/ Criança – troca e aprendizagem O animismo é caracterizado pela necessidade do indivíduo de estar em comunhão com a terra, a natureza e os astros. Em Luandino Vieira, podemos observar a aplicação desse conceito, desde seu pseudônimo. Luandino vem de Luuanda (como nos diz...), nome em quimbundo (um dos onze idiomas falados em Angola) da capital do país, no qual o autor cresceu e do qual se tornou habitante verdadeiro. Vieira é tão ligado ao país que o acolheu, que através do nome de sua capital, aproxima a terra de si por meio do nome, em detrimento de seu nome europeu.
Para exemplificar tal teoria, podemos relacioná-lo ao poema de 1949 entitulado “Negra”, de autoria de Noémia de Sousa, poetisa e jornalista moçambicana que imprimia em suas obras sua posição contrária ao Estado Novo e a denúncia ao sofrimento dos africanos sob o regime colonialista. Animismo A idéia de coletividade.

"Na história da humanidade, os negros são os ultimos a serem escravisados e colonizados. E todos, no continente como na diáspora, são vítimas do racismo branco. A nível emocional, essa situação comum é um fator de unidade, expressa pela solidariedade que ultrapassa as outras fronteiras."
(MUNANGA K. Negritude Usos e Sentidos. pp 57) "Nós" "Intensamente envolvido pelo clima nervoso da época, o romance expõe com nitidez o seu tema: o caminhar de um homem na construção de sua dignidade, equivalendo à sua inserção num movimento coletivo com vistas à libertação nacional. Na contraface, os passos de uma mulher à procura do marido pelas prisões, revelando em sua dor particular o peso da opressão onde vigora tão-somente a lei da autoridade.No descrever dessas duas trajetórias se vão complementar os dados de um mosaico pronto a espelhar a integridade de um grupo mobilizado pela idéia de mudança, e , consequentemente, sujeito ao reverso de algumas derrotas.
O homem, que, suspeito de integrar um movimento contra o poder colonial, morre por se recusar a denunciar o companheiro, e a mulher, que enfrenta a cidade sem lei para encontrar o marido, são assim elementos representativos de um padrão ético erguido sobre a fé na soliedariedade e no afeto.
Pelos capítulos repetem-se situações onde se patenteia a lição exemplar da coragem, da perseverança e união entre os oprimidos, tudo concorrendo para reforçar um padrão ético afinado com um momento especialmente crítico na vida daquela comunidade." Ética "A negritude nasce de um sentimento de frustração dos intelectuais negros por não terem encontrado no humanismo ocidental todas as dimensões de sua personalidade.Neste sentido, ela é uma reação, uma defesa do perfil cultural do negro.Representa um protesto contra a atitude do europeu em querer ignorar outra realidade que não a dele, uma recusa da assimilação colonial, uma rejeição politica, um conjunto de valores do mundo negro que devem ser reencontrados, defendidos e mesmo repensados.Resumindo, trata-se primeiramente de proclamar a originalidade da organização sócio-cultural dos negroa para, depois, sua unidade ser defendida, através de uma política de contra-aculturação, ou seja, desalienação autêntica." Negritude "E aqui se encontra a chave do texto: o convite ao leitor para que ele aprenda a ler numa nova linguagem, através não apenas do português subvertido pelo quimbundo, apresentado no texto luandino; mas, principalmente, que realizea adesão ao mundo do musseque: aos seus moradores, a suas musicas, ao seu riso e, sobretudo, a suas lutas."

(MACÊDO, T.; CHAVES, R. Literaturas de Língua Portuguesa pp.105) Cultura Negra Exemplo de Resistência: Miúdo Zito

-Resistir até o fim – Lutar – Morrer pelo seu povo;

-O Eu em favor do Nós;

-A morte como uma nova etapa – a nova vida de um herói; O Herói "As pessoas de carne e osso transmudam-se em formas narrativas simbólicas.
Texto como vida, vida como texto:Poetas e ficcionaistas recusam o distanciamento do tipo qualquer semelhança com acontecimentos da realidade é pura coincidência e apostam na permuta das tessituras textuais, vinculando-se, inequivocadamente, à terra, às gentes e às culturas angolanas." Ficção X Realidade "Historicamente delineada, a utopia para os angolanos estava associada à indepedência de Angola, cuja efetivação condicionava atitudes esteticamente ligadas ao conteúdo ético do sentimento nacional.
No romance de José Luandino esse esforço se vai materializar na incorporação de elementos locais, com reflexos tanto na referência a traços culturais próprios(objetos, hábitos, crenças, etc.)quanto na tentativa de nacionalizar a língua através da utilização de marcas específicas de seu uso no contexto angolano. A partir dessas duas atitudes, investe-se no universo cultural desses oprimidos abordados pelo romance e na valorização do saber popular, do qual também dependerá o resultado da luta em curso na narrativa e na realidade concreta daqueles dias." Utopia Romantica X Ótica Realista Épico Negro “Lá em baixo o Kuanza rugia, zangado, adivinhando a boca de betão que lhe esperava para lhe engolir, obrigando-lhe a furar o morro num caminho de poucas centenas de metros, substituindo o leito milenário que tinha cavado, por suas águas, na rocha dura ou nas areias quentes. As águas falavam suas fúrias, agora impotentes, recordando os rápidos para lá do muro, secos no sol, criando musgos nas poças de água parada, finalmente quieta. O cotovelo onde o Kuanza se afinava nos últimos gritos das suas águas, correndo indomáveis entre rochas desde o planalto onde nascia, morrera” (VIEIRA, s/d, p. 71). Daniela Guanaes
Felipe Bertto
Sara Antonelli
Sarita Fabricio - Português de nascença, angolano por opção. Obra “O repertório e a perspectiva que sustentam a conjunto da obra de Luandino Vieira estão essencialmente marcados por sua vivência infantil nos musseques, bairros populares luandenses, em fins da década de 30 e início da década de 40. Na percepção do próprio autor, viver na "margem africana" da maior cidade angolana teria sido fundamental para forjar sua consciência política: ‘Tudo isso [as contradições sociais, o preconceito, as diferenças culturais entre as tradições africanas e européias], em criança, fui vivendo e mais tarde fui relatando. Isso me deu a riqueza - o que eu penso ser a riqueza - de uma experiência que se prolongou até aos dez, doze anos e que serviu para a aquisição de valores culturais africanos, valores populares angolanos, que continuamente a margem africana da cidade estava elaborando, e que, depois, no liceu, quando chegou a idade em que eu comecei a ler outras coisas, fui interpretando de outro modo, e que foram realmente o germe de minha consciência política’” (MARTINS, 2007). Contos: A cidade e a infância (1957 ), Duas histórias de pequenos burgueses (1961), Luuanda (1963), Vidas novas (1968), Velhas histórias (1974), Duas histórias (1974), 1974, No antigamente, na vida (1974), Macandumba (1978), Lourentinho, Dona Antónia de Sousa Neto & eu (1981), História da baciazinha de Quitaba (1986).

Novela: A vida verdadeira de Domingos Xavier (1961), João Vêncio. Os seus amores (1979).
Romance: Nosso Musseque (2003), Nós, os do Makulusu (1974), O livro dos rios, 1º vol. da trilogia De rios velhos e guerrilheiros (2006).
Infanto-juvenil: A guerra dos fazedores de chuva com os caçadores de nuvens. Guerra para crianças (2006).

Prêmios: Grande Prêmio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores (Prêmio Camilo Castelo Branco) (1965)), Prêmio Sociedade Cultural de Angola (1961),Casa dos Estudantes do Império - Lisboa (1963), Prémio Mota Veiga (1963), Associação de Naturais de Angola (1963), Prémio Camões (2006). Luandino e Jorge Amado: Representar as minorias sociais (negros, mestiços, mulheres, baianidade e negritude), busca pela liberdade (colonialismo em Angola; racismo no Brasil), construção de imagens ligadas aos elementos da natureza, a denúncia social. Obras passíveis de comparação: A vida verdadeira de Domingos Xavier e Jubiabá.

Luandino e Graciliano Ramos: experiência da prisão, a transfiguração, em parte, da realidade dos escritores, função pedagógica da literatura, testemunho, linguagem direta e objetiva. Obras passíveis de comparação: A vida verdadeira de Domingos Xavier e Memórias do Cárcere.

Luandino e Guimarães Rosa: estórias – valorização da oralidade, rompimentos entre a separação do centro e das periferias (sertão e musseques), linguagem popular, rememoração através da infância. Obras passíveis de comparação: No antigamente e Primeiras Estórias. Diálogo com autores brasileiros “Já não é possível distinguir no tremor da terra o que o motiva: se a tirania, a opressão dominante, se o povo, a liberdade que se levanta”
(AMADO, 1957 apud BOAVIDA, 1967). Contexto histórico “Numa primeira fase, sob o panegírico de cristianização dos selvagens, os governantes, em Portugal, atiraram para os exércitos e para as caravelas a gente rude dos campos, os condenados, os aventureiros, para defender as conquistas de uma civilização que se dizia ameaçada pelos bárbaros e infiéis. Depois, sob a bandeira da dilatação da ‘Fé e do Império’, procurou-se justificar a política de expansionismo e de conquista que se seguiu à Independência. O progresso das ciências e da técnica na Europa realizou as condições que facilitariam a tarefa de ‘dar novos mundos ao mundo’ – quando se partia em demanda do ouro e das especiarias” (BOAVIDA, 1967, p. 13). Chegada dos portugueses no Zaire em 1482 “A ilha de Luanda, com uma superfície de cento e quarenta quilômetros quadrados, distante cerca de meio quilômetro de terra firme, foi nos séculos XV a XVII dos centros mais florescentes dos reinos de Angola. Dentre as atividades de maior projeção da época, contavam-se a moeda, a pesca e uma desenvolvida manufatura artesanal”
(BOAVIDA, 1967, p. 45). Pseudo-reformismo colonial português “Todos os valores técnicos, materiais, econômicos, culturais e religiosos foram utilizados contra os reis, os nobres e as populações angolanas de então, com o fim de estabelecer relações cujo objetivo não consistia senão na exploração comercial e mercantil de todas as riquezas desses países, e na exploração física do próprio africano” (BOAVIDA, 1967, p. 28). Exploração e dominação “(...) a política colonial portuguesa orienta-se pela via de um pretenso reformismo. Os colonialistas portugueses, com efeito, através de uma propaganda enganosa, esforçam-se em fazer aceitar que os novos projetos e as novas instituições postas em vigor nestes últimos anos – e que não são mais que a conseqüência da sublevação armada do povo angolano – têm como objetivo fazer participar a população autóctone na vida administrativa, política, econômica e social do país” (BOAVIDA, 1967, p. 29). “O valor econômico de Angola, no concerto do domínio colonial do continente africano, assenta na exploração dos diamantes, do minério de ferro, do manganês, do cobre e do petróleo” (BOAVIDA, 1967, p. 67). Assimilação “Com o aparecimento do fascismo em Portugal, em 1928, acentua-se a característica principal que constitui, através dos séculos, a natureza do colonialismo português em Angola: Povoamento e Genocídio. Mais do que nunca, Angola passou a ser uma colônia penal, e nos primeiros anos do salazarismo, a população européia era composta de condenados de delito comum e outros, ‘vestidos de sarja azul escura com a inscrição D.D.A., a branco, no peito e nas costas’” (BOAVIDA, 1967, p. 46). Salazarismo, povoamento e genocídio “Todavia, os colonialistas portugueses persistem em recusar o Direito de Angolinidade aos povos e populações angolanas e impuseram mesmo, por um novo estatuto, a cidadania portuguesa a todos os autóctones” (BOAVIDA, 1967, p 30). “Angola passa a constituir também, como alguns outros territórios coloniais sob dominação portuguesa, o refúgio dos desempregados, dos republicanos descontentes, dos liberais, dos desertores, que o salazarismo era impotente para enquadrar na vida econômica do país” (BOAVIDA, 1967, p. 49). “Durante os cinco séculos de presença estrangeira os N’golas não deixaram de resistir ao invasor europeu. Pertencem já à lenda os atos de heroísmo das populações e povos de Angola na Resistência ao invasor e na luta pela liberdade. (...) Os feitos inesquecíveis da rainha N’Ginga, ‘que durante trinta e seis anos personificaram a Resistência armada de todo o Povo Angolano ao invasor europeu’; a epopéia dos N’Golas da República dos Palmares nos sertões do Nordeste brasileiro onde durante cerca de setenta anos fundaram um território livre e próspero; e as revoltas dos Angolares em S. Tomé, pela Liberdade e pela Independência – são aspectos do estado permanente de guerra contra a dominação portuguesa” (BOAVIDA, 1967, p. 34). Resistência “E, finalmente, a repressão portuguesa para matar o movimento de libertação nacional constitui um último fator para o quadro do ‘decrescimento real e progressivo’ da população em Angola; (...) segundo a agência oficial ANI, cerca de trezentos e dois mil seiscentos e quarenta e sete angolanos foram dados como mortos ou desaparecidos em fins de 1962, isto é, nada menos que oito por cento da população do país” (BOAVIDA, 1967, p. 54). Guerra colonial “O sentido histórico da guerra que em Angola opõe o povo angolano às forças colonialistas portuguesas e suas aliadas define-se no quadro de uma luta de classes. Esta é a guerra de uma comunidade oprimida contra uma minora opressora. Uma guerra entre escravizados e escravagistas, de trabalhadores forçados dos campos contra o colono senhor das plantações e das roças, de operários e aprendizes contra os patrões e contra-mestres. É uma guerra contra o aparelho de opressão de uma minoria européia numa comunidade africana, com interesses econômicos contraditórios e inconciliáveis”(BOAVIDA, 1967, p. 35). “No plano externo, a luta do povo angolano caminha paralelamente aos progressos obtidos no campo internacional em matéria de descolonização – mercê, sobretudo, de uma ação mais esclarecida dos militantes do M.P.L.A.” (BOAVIDA, 1967, p. 36). “Considerado um dos principais escritores africanos de expressão portuguesa contemporânea, em particular, da Literatura Angolana, Luandino Vieira logrou criar uma obra revolucionária não apenas do ponto de vista temático – já que concedeu à literatura de Angola uma dimensão universalizante, ao explorar a contribuição de seu povo à cultura ocidental –, mas também do ponto de vista lingüístico – uma vez que procurou recriar a própria estrutura morfossintática da língua portuguesa, resultando numa narrativa particularmente inovadora. Embora o processo de recriação lingüística não seja novidade em literaturas de expressão portuguesa, a produção ficcional de Luandino Vieira vem ganhando espaço e visibilidade na crítica especializada exatamente por ter conseguido levar ao paroxismo os processos de revalorização expressiva do português, buscando aclimatá-lo à cultura popular de Angola e, a partir daí, torná-lo principal veículo de resistência política e identitária de seu povo” (SILVA, 2008, p. 226). O kimbundu é a língua da região de Luanda, Catete, Malanje e as áreas de fronteira no Norte e no Centro. É falada por mais de um milhão e meio de pessoas. Faz parte da grande família de línguas africanas designada Bantu – no total são 11 grupos etnolinguísticos. O kimbundu foi uma das línguas de África que mais conviveu com o português, pelo menos desde o século dezesseis até a atualidade.

•Palavras em quimbundo: cubata, monas, carrinha, cipaio, ximbas, dar berrida, musseque, banzo, matabicho, quifunes, suinguista, jindungo, cagunfas, vavô, etc. O Quimbundo “Arrastando a perna esquerda e seguido por miúdo Zito, atravessou na sala e saiu para o areal vermelho. Rodearam na cubata de sô Miguel, e, em frente, onde já se aglomeravam algumas mulheres com seus monas escondidos nos panos, viram o homem que fazia esforços para descer de uma carrinha, debaixo das pancadas dos cipaios” (VIEIRA, s/d, p. 10).
“– Sim, sô Xico! Os ximbas chamavam é mesmo ‘sô aspirante’, na hora que ele mandou dar berrida na gente estava espreitar” (VIERA, s/d, p. 18). “Dessa forma, Luandino ousa levar para as páginas da literatura - em plena vigência do regime colonial português em Angola “o pretoguês”, ou seja, a forma híbrida de expressão dos bilíngües coloniais (português/quimbundo), a qual constituía motivo de freqüente menosprezo destes e, portanto, uma das fontes alimentadoras do racismo do colonizador em relação ao colonizado. Sob esse aspecto, a escolha do material lingüístico efetuada pelo autor redunda em uma reivindicação de prestígio para a fala híbrida do homem do povo, dando-lhe status literário” (MACEDO, 1992, p. 172-173). Pretoguês A oralidade

“– Aiuê, menino Xico! Tanto tempo! Ená, tanto tempo, já. Como está?” (VIEIRA, s/d, p. 41).

“Só com trabalho do pobre, mano Xico, é que o dinheiro dá mais dinheiro para o rico ficar mais rico, e o pobre? Sukua! Sempre na mesma!” (VIEIRA, s/d, p. 37) “Do ponto de vista fonológico, é, em primeiro lugar, o emprego abundante do relato oral em suas histórias, a fim de promover um processo de recriação da própria linguagem literária, que faz de Luandino Vieira um dos mais criativos autores da Literatura Angolana. Seguindo o rastro desse processo de recriação lingüística, Luandino procura, coerentemente, enfatizar a oposição entre língua dominada e língua dominante, esta última representando o poder do colonizador, enquanto aquela se vincula principalmente ao âmbito das tradições pátrias: assim, se a narrativa é vazada sempre em língua portuguesa, muitos diálogos contidos em seus Livros serão transcritos na sua forma original de prosódia nativa. Essa apreensão da fala, da linguagem oral e regional de uma determinada cultura, este autêntico recurso de oralização da obra literária dá à ficção de Luandino Vieira uma dimensão verdadeiramente humana” (SILVA, 2008, p. 230).
“Ao chegarem na Mutamba, Joãozinho lhe agarrou na mãe e assim seguiram nas ruas cheias de carros e gente, tanta gente que fazia Maria abrir a boca. Ená, Luanda então é assim? Auá! Nem a gente toda que está trabalhar lá na barragem ia encher essas ruas” (VIEIRA, s/d, p. 61).

“Sá Zefa ri a primeira vez, uma gargalhada livre, porque está pensar esse rapaz é malndro, vai acabar por saber onde está Souzinha. Hum, esses meninos de agora não são matumbos, não. Pôssa, precisa cuidado!”(VIEIRA, s/d, p. 70). Menino disse [que] tem preso” (VIEIRA, s/d, p. 10).

“– Menino, você vê ainda. Quando brincas naquele cajueiro do Posto, se você vê [que] tem preso, vem me avisar, logo-logo” (VIEIRA, s/d, p. 12).

“ – Vim saber [se] o meu homem está preso aqui” (VIEIRA, s/d, p. 61). •Prescinde-se de conectivos frasais e oracionais (preposições, pronomes, conjunções) •Uso de intejeições: Aiuê, Ená, Sukua, Auá, Pôssal “Analisando a ocorrência de elementos inovadores na linguagem empregada por Luandino Vieira em sua produção ficcional, chega-se ao conceito de transgressão, o qual (...) torna-se particularmente operatório, o qual passa assim a representar um idioma carregado de neologismos advindos do aportuguesamento de vocábulos e expressões próprios de falares regionais de Angola, repleto de criações lexicais que (...) revelam um processo de reescritura e ressemantização lingüísticas e marcado por uma sintaxe em que a composição frásica acusa um contato direto e freqüente com o quimbundo” (SILVA, 2008, p. 235). •Alterações sintático-morfológicas “No musseque a notícia correu com depressa, miúdo Zito transmitindo a mães e filhos, vizinhas comentando de porta em porta. Ninguém lhe conhecia, o pobre era muito alto e magro, ninguém lembrava aquele cara lá em cima. Vavô Petelo recolheu todos os pormenores, sempre cachimbando, e saiu depois com miúdo Zito na mão, arrastando sua perna esquerda, a calça dançando, motivo de troça da miudagem: - Takudimoxi! Takudimox’ééé!” (VIEIRA, s/d, p. 14). “O Neorrealismo tem sua abertura oficial em 1939, segundo a história da literatura portuguesa. No ano em questão, publica-se Gaibéus, romance de Alves Redol. O escrito é preocupação viva com questões sociais, sintonia que é o cerne da estética e seu grande atrativo. (...) o Neorrealismo é também expressão intensa de insatisfações políticas. A intelectualidade portuguesa mais à esquerda posiciona-se por meio dele contrária ao Estado Novo Português” (AMBIRES, 2012). “A situação vivenciada pela população diante da opressão colonial está manifesta já no primeiro diálogo: o preso, fisicamente agredido, amarrado como animal, não pode sequer andar, diante da estupefação das pessoas” (ZAMPARONI, s/d, p. 163).

“O preso era alto e magro, muito magro mesmo. E embora a cara estivesse inchada, tornando-lhe quase irreconhecível, toda gente via era ainda novo. (...) os vizinhos e vizinhas juravam depois que o homem vinha amarrado nos pés e nas mãos na mesma corda e que ainda – juramos mesmo! – a corda dava uma volta no pescoço. Aiuê! Como ia andar assim? Miúdo Zito descrevia, imitando para vavô Petelo, o andar curvado do preso, a cabeça quase nos joelhos, dando passinhos pequenos a caminho da porta. E jurava mesmo pelo sangue de Cristo, os cipaios lhe bateram enquanto se não se abriu a porta chapeada e lhe levaram para trás dos grandes muros” (VIEIRA, s/d, p. 10-11).

“(...) o ruído da carrinha junto das cubatas apertou o coração das mães e companheiras. A carrinha azul era inimiga, sempre que vinha, alguém ia amarrado e espancado na carroçaria até à vila. Depois, pronto!, não voltava mais ou voltava todo cheio de pancadas, as mãos e os pés inchados” (VIEIRA, s/d, p. 24-25). “Era sempre assim: pegava miúdo Zito na mão, qualquer que fosse a hora, e lá iam para baixo, até na Companhia onde trabalhava mano Xico, um dos afilhados do velho marinheiro. Zito gostava de ir. Além de ver tudo com seus olhos curiosos, os carros bonitos que não tinha lá em cima, as casas grandes e limpas” (VIEIRA, s/d, p.12).

“Lá em cima, no topo dos morros frescos, viviam, em camaratas de alumínio, os operários brancos, e mais longe, em casas com belos jardins à volta, de relva cuidada, os empregos superiores da empresa” (VIERA, s/d, p. 19). A Pobreza nos Musseques x O Luxo no Centro da Cidade “Velho Petelo olhava com saudade a mancha nebulosa na ponta da Ilha – a ponte do carvão, com certeza, já não via bem, mas jurava mesmo – onde tantas vezes atracara e carregara carvão para as caldeiras. E mais no meio, a sombra branca da igreja Nossa Senhora do Cabo. Sorriu abrindo as gengivas ao sol, recordou suas velhas bebedeiras nas grandes festas de Novembro. Agora já não tem festa assim, não, brancos não deixam” (VIEIRA, s/d, p. 16).
“ – Isso mesmo, mano! O dono da loja era amigo do gerente, tinha posto lá uma cantina. Tinha sopa, macarrão, tudo comida dos brancos, e mal feito” (VIEIRA, s/d, p. 23). O Aculturamento e a assimilação A exploração “(...) Mussunda tinha falado umas conversas que lhe abriram os olhos: mostrou que não havia branco, nem preto, nem mulato, mas só pobre e rico, e que rico é inimigo do pobre porque quer ele sempre pobre. (...) Mas depois lhe explicou muitas coisas, como o rico dá de maneira que pobre sempre é pobre e trabalha para ele ser sempre rico; (...) Só com trabalho do pobre, mano Xico, é que o dinheiro dá mais dinheiro para o rico ficar mais rico, e o pobre? Sukua! Sempre na mesma!” (VIEIRA, s/d, p. 37). O Preconceito A Ignorância como Meio de Controle “Mas só muito mais tarde, quando naquele cacimbo muitos irmãos do Botafogo foram na prisão por causa a escola primária do clube – que não tinha autorização; que não estava no Plano de Ensino; isto é, palavras dos brancos que querem dizer que ninguém sozinho pode fazer nada, pior se negro é quem quer fazer” (VIEIRA, s/d, p. 37). “Cheguei nesta hora, me puseram logo no turno da noite. Um mês o turno não andou para mim, só brancos só que faziam turno de dia (...)” (VIEIRA, s/d, p. 22).

“Para evitar mais confusões desceu duas paragens antes do seu destino, não sem ouvir ainda as senhoras dizerem: - Esse, aí à frente, ainda vai com ar de gozo. Não sabem pô-lo no lugar dele? Os negros são lá atrás” (VIEIRA, s/d, p. 40). “– É verdade, vavô Vicente! Palavra. Agora minha cabeça pensa. Acredita só! E ainda para mostrar toda a gente juízo, vou casar na Bebiana.
A moça se soltou na mão que lhe agarrava, e depois, ofendida, respondeu violente:
– Ala possa! Você pensa casar é assim como você quer? Já me perguntaste? Já me falaste? Pensa eu sou uma qualquer que você apanha no baile, dorme com ela, não é? Até logo!”(VIEIRA, s/d, p. 42). O Machismo “Não basta, também, ser negro para que se tenha o monopólio da consciência da dominação: há negros colaboracionistas – p. ex. cipaios e delatores – e brancos integrados na resitência anticolonialista, na obra representada pelo engenheiro Silvestre. A questão da dominação é transferida, assim, do aspecto racial mais evidente e redutor, para o universo do político e ideológico” (ZAMPARONI, s/d, p. 169-170).

“Na administração me deram com a pancada nos pés, nas mãos, no mataco, irmãos. Vocês pensam não custa? E ainda por cima ver nossos irmãos a nos bater?” (VIEIRA, s/d, p. 46).
“–Vou te dizer, Maria, espera só! Vou te dizer, teu homem está vivo. Mas você cala-te a boca só um bocado...
– Não calo nada, cipaio de merda! Você é como os brancos. Aiuê, meu homem! Lhe mataram!
(...)
– E é bem feito! Vocês é que castigam no povo, vocês é que arranjam essas histórias de ganhar matabicho. Você julga eu não vos conheço? Até você, neto de sô Kaiume, até você, se calhar, lhe deu as palmatórias”(VIEIRA, s/d, p. 34).
“Um dia [Silvestre] pôs a mão no meu ombro e disse: Domingos, você é um bom tractorista. Mas o que você é mais é um bom homem, um bom angolano. Palavra, mano Souza, palavra! Meu coração ficou pequenino, pequenino com essa palavra! Nunca tinha-lhe ouvido falar assim na boca dum branco” (VIEIRA, s/d, p. 24). Ponto de inversão: O Negro Assimilado e o Branco Anticolonialista Maria, as multidões, a opressão e a Lei da autoridade: -“Maria lembrou as palavras de Souzinha, repetidas por Sá Zefa na porta da cubata. E começou a falar mais alto, chorosa, perguntando pelo seu homem, queria lhe ver, queria lhe ver só, não tinha feito nada. A gente que passava parava e perguntava, uma da outra, em voz baixa, o sucedido. E todos lamentavam a pobre. O secretário foi para dentro, fechou a porta, mas Maria gritou mais alto, miúdo Sebastião começou também no berreiro e cipaio Toneto, falando com medo, veio lhe segurar nas mãos lamentosas, tentando apaziguar. Mas toda a gente começou a lhe insultar até chegar a voz do secretário:
-Cala já a boca a essa gaja! Senão faz-se o mesmo que se fez ao homem, ‘tás a ouvir?”. (idem, pp. 32). -“Custava muito a Domingos ouvir Sá Zefa, também ele sentia muito o amigo Souzinha desaparecido, um dia, ninguém sabia como, ninguém sabia por quê. Desapareceu só, a carrinha azul da Administração não tinha-lhe vindo buscar, o seu corpo não apareceu a boiar rio abaixo”.
(idem, pp. 20). O desaparecimento de Souzinha: Silvestre: o branco inserido na cultura negra: Mussunda: relações entre ricos e pobres: -“E mais tarde, num dia de grande chuva de abril, amigo Mussunda tinha lhe falado umas conversas que lhe abriram os olhos: mostrou que não havia branco, nem preto, nem mulato, mas só pobre e rico, e que rico é inimigo do pobre porque quer ele sempre pobre”. (idem, pp. 36). A resistência de Domingos Xavier frente a todas as outras: A vida verdadeira de Domingos Xavier: -“– Irmãos angolanos. Um irmão veio dizer mataram um nosso camarada. Se chamava Domingos Xavier e era tractorista. Nunca fez mal a ninguém, só queria o bem do seu povo, e da sua terra. Fiz parar esta farra só para dizer isto, não é para acabar, porque a nossa alegria é grande: nosso irmão se portou como homem, não falou os assuntos do seu povo, não se vendeu. Não vamos chorar mais a sua morte porque Domingos Antonio Xavier, você começa hoje a sua vida de verdade no coração do povo angolano”.
(idem, pp. 94). -“Hás-de dizer, cão! Hás-de dizer! Senão mato-te!
Domingos sorriu dentro de si. Pensou sim que era verdade, que ia morrer. Iam matar-lhe. Já estava morto mesmo, as pernas partidas nos joelhos eram a única dor que ainda lhe incomodava. Sorriu, sorriu enquanto o sangue saía na boca, no nariz, nos ouvidos, ensopava a camisa rota, o corpo, o chão, salpicava o agente, as paredes, tudo. E era bom sentir-lhe correr assim, livremente, se sentir vazio e leve. A alegria grande por não ter falado saía nas lágrimas salgadas, no mijo, não podia deter-lhe, correu pelas pernas abaixo e espalhou seu cheiro acre e quente em toda a sala”.
(idem, pp. 76). -“A confiança com engenheiro Silvestre, agente técnico de máquinas, a quem todos no acampamento chamavam de sôr engenheiro, vinha de longe. Dos tempos em que, miúdo ainda, aprendendo só a lubrificar e lavar os tractores na Companhia do Açúcar ouvira uma conversa que lhe fizera andar por perto do agente técnico e procurar sempre serviço na empresa em que ele trabalhasse”.(idem, pp. 20). Capítulos divididos em micro-histórias;

A voz que narra os episódios:

-“A voz que narra os episódios de A vida verdadeira de Domingos Xavier não se inibe e põe em evidencia a opção por um dos lados em choque, muito embora o uso da terceira pessoa acene com a possibilidade do distanciamento capaz de conferir legitimidade à visão exposta”.
(CHAVES R, A Formação do Romance Angolano: Entre Intenções e Gestos.Revista África e Africanidades - Ano I - n. 1 – Maio. 2008, pp. 165). Estrutura narrativa e narrador: Fala breve e linguagem oralizada:

-“Auiê, mon’a mbundu! Você vai ser mesmo engenheiro, sabe? Engenheiro de máquinas, para fazer os tractores”.
(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 29, Ed. Autores africanos).

-“O apego à oralidade é, portanto, um signo de força e não índice de fragilidade e/ou impotência diante da opressão colonial”.
(CHAVES R, A Formação do Romance Angolano: Entre Intenções e Gestos.Revista África e Africanidades - Ano I - n. 1 – Maio. 2008, pp. 165). Espaço: componente estrutural:

“(...) a interação homem-terra apontará também para a relevância do espaço enquanto componente estrutural. As andanças das personagens, caminhando sem cessar pelas ruas e bairros de Luanda, contribuem para o mapeamento da cidade, sugerindo que o contato com a realidade multifacetada pode iluminar a consciência do momento”.
(CHAVES R, A Formação do Romance Angolano: Entre Intenções e Gestos.Revista África e Africanidades - Ano I - n. 1 – Maio. 2008, pp. 164).

“Maria reparando como assim o musseque estava cheio, casa com casa, muita gente vivendo na mesma cubata, meninos nus de grandes umbigos chupando ranho, brincando na areia, ou sentados, fixando seus olhos grandes.”
(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 54, Ed. Autores africanos). O documental e o literário:

“O documental, integrado a um projeto artístico mais elaborado, não se esgota em si e nem põe em risco o estatuto literário do texto, porque, aliado ao legítimo desejo de registro estão a necessidade de inventar – missão do artista – e o empenho no aproveitamento das virtualidades que a realidade, por mais dura e nebulosa que seja, não deve encobrir”.
(CHAVES R, A Formação do Romance Angolano: Entre Intenções e Gestos.Revista África e Africanidades - Ano I - n. 1 – Maio. 2008, pp. 171). Em algumas sociedades africanas, as figuras do velho e da criança, são peças importantes de um esquema no qual toda a organização social e familiar se estabelece. O velho, figura respeitada e reverenciada dentro das famílias é, o responsável pela iniciação das crianças, transmitindo a elas seus conhecimentos de vida prática e espiritual. Dessa forma, ao morrer e tornar-se ancestral, seu legado e conhecimentos não morrem consigo, tendo permanecido no poder de seu iniciado, que vai perpetuá-lo através de sua descendência, perpetuando, portanto, a presença e memória de seu iniciador. Isso também ocorre no romance de Luandino, por meio das figuras de Velho Petelo e seu pequeno neto, referido apenas como Miúdo Zito. O garotinho na narrativa está quase sempre na companhia do avô. Este, que carregando sequelas da vida dura de marinheiro no passado, somando-se a isso ao peso da idade e ainda recursos financeiros limitados, encontra-se já com a visão muito comprometida e sem uma nádega, o que dificulta seu andar. O menino então lhe serve de olhos para tudo que ocorre de importante a seu redor, informando-o sobre os detalhes, como foi no caso da chegada de Domingos a seu musseque. Porém, embora o menino contribua com o avô nesse sentido, Velho Petela não só o ensina a viver, como também a como enxergar aquilo que vê. “(...) – Olha só, menino! Estou te ver. A isca, se você põe assim, está dar matabicho nos peixes. Quer ver? Tem tripa aí? Então dá ainda, que eu te mostro!
- Ai?! Tripa para quê, então?
- Dá inda! Olha: primeiro espeta-lhe assim, até em baixo. Isso! Agora, vira e espeta por cima, esconde bico do anzol. Se peixe pica aí, não sai mais. (...)
Zito dividia a atenção no avô e no fio e quando picou deu um puxão não muito forte, como o avô ensinara, e começou a puxar.
- ‘tá ver, menino! Não te dizia? Bonita matona, sim senhor! Pronto, agora tira só o anzol. Usa só a mesma isca, você vai ver, vais caçar outro. Peixe é burro! (...)
VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 16, Ed. Autores africanos). No romance aqui tratado, podemos captar o animismo, por meio da análise do seguinte trecho:
“(...) E mais imagens, mais visões, com o luar a brincar dentro da cela(...).”
“(...) Mas o sol da manha a beijar-lhe as feições inchadas, a revelar-lhe, depois, a larga porta chapeada se abrindo diante dos olhos, nessa manhã clara, com os cipaios surrando e correndo atrás do povo que ele sentiu solidário no seu silêncio (...)”
VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 26, Ed. Autores africanos). (...) E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE.
Podemos notar no poema a conexão íntima que se estabelece entre a terra e o indivíduo, para além do nome, Negra, que tanto designa a África mãe, quanto quem a habita, uma mulher negra, como metonímia de todas as outras, as quais passaram igualmente pelas agruras a exemplo de sua mãe. O rio Kuanza tem uma importância muito grande no romance como um todo. Não só tem um papel na narrativa, no sentido desta última fluir no seu sentido, como na vida anterior de Domingos Xavier (nota teórica). De maneira geral, os elementos da natureza interferem na percepção de vida dos personagens. O protagonista tem uma relação íntima com o rio desde seu nascimento. Na vida adulta, colabora na construção de uma barragem para o uso e controle desse rio por uma empresa europeia. Isso pode ser visto como uma metáfora da própria dominação e imposição dos colonizadores. O rio é de suma importância não só para Domingos, como para todos os habitantes do musseque, onde suas crianças brincam, mulheres lavam roupa e tantas coisas. Um trecho onde vemos a relação de Domingos e o rio com nitidez. Simbologia do rio Kuanza
“(...) Deslizando como as águas do rio, estas imagens carregam os pensamentos de Domingos Xavier(...)”
VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 25, Ed. Autores africanos).

“(...) E mais imagens, mais visões, com o luar a brincar dentro da cela. A longa estrada; os imbondeiros floridos; a viagem na carrinha, pela madrugada depois da noite na Administração (...) Pés, mãos e pescoço amarrados numa só corda e o cheiro bom da terra molhada pelo cacimbo da noite, entrando no nariz, dilatando o peito (...) Mas o sol da manhã a beijar-lhe as feições inchadas, a revelhar-lhe, depois a larga porta chapeada se abrindo diante dos olhos, nessa manhã clara(...)”
VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 26, Ed. Autores africanos). A simples referêcia a valores culutrais angolanos era condenada pelo país colonizador.
(Mourão F. A. A. Memória Antiga num Tempo Novo) Fidelidade ao Patrimônio Cultural Popular Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
S´ó tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até á consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor! Poema " Quero ser Tambor" de José Craveirinha(1974) -"E mais no meio, a sombra branca da igreja de Nossa Senhora do Cabo.Sorriu abrindo as gengivas ao sol, recordou suas velhas bebedeiras nas grandes festas de Novembro.Agora já não tem festa assim, não, brancos não deixam."
( VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 16, Ed. Autores africanos). -"Farra é farra!(...)Precisava cuidado, nessas horas os jipes corriam no meio das cubatas, tentavam atropelar a teimosa alegria do povo.(...)Aquilo sim: música angolana, comida angolana, era tudo!(...)Toda a manhã, toda a tarde, mamãs e filhas fizeram as especialidades para levar na farra,"VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 87, Ed. Autores africanos). "Por acaso, sucedeu um dia. Se lembra muito bem os casos: numa noite anterior, Timóteo, um rapaz magro, apontador da secção de eletrecidade, tinha sido agarrado no seu quartinho, ao lado do armazém, lendo papéis que tinham saído em Luanda e lhe deram encontro na mala com vários livros - Domingos e Sousinha não sabiam os nomes - que a polícia não gostava.(...) - O rapaz vivia muito só, ninguém lhe falava, toda a gente, lá nas galerias, dizia era perigoso, desses estudantes...Afinal olha! Vieram-lhe buscar.(...) -Esse rapaz tinha cabeça. Livros, papéis, só mesmo em Luanda."
(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 21) (Munanga K. - Negritude: Usos e Sentidos pp:56) Miúdo Zito é uma criança tida como viva e esperta, características essas, frequentemente ressaltadas por Xico Kafundanga, afilhado de Velho Petelo.

“(...) Sim senhor, Zito! Menino esperto, você precisa ir na escola. Não esquece: se sabe mais coisas desse irmão preso, avisa. (...)
(...) Miúdo Zito sorriu, satisfeito, enquanto a mão de mano Xico lhe acariciava a cabeça, sempre a repetir baixinho, para si mesmo:
- Menino esperto, menino esperto... (...)

(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 18) No entanto, o garoto não frequenta a escola no musseque onde vive fato que Xico lamenta, já que o garoto teria chances de dar-se bem e desenvolver-se com o recebimento de uma educação adequada.
Há, pelo menos, três possíveis leituras para o fato de Miúdo Zito estar fora da escola. São elas:
Devido às condições de vida no musseque, toda a pobreza e a dificuldade as quais os seus habitantes enfrentam, o garoto poderia não ter como frequentar uma escola já que os custos para mantê-lo estudando poderiam estar além do que podem lançar mão seus familiares. O mesmo se aplicaria às demais crianças da região pobre de Angola.
Uma outra possibilidade seria a resistência de Zito à assimilação da cultura do colonizador, a qual está presente no ensino das escolas locais, que também são uma ferramenta de colonização e esmagamento da cultura original na qual o garoto cresceu. Recusando-se a integrar-se ao modo de ser e viver dos europeus, Miúdo Zito correria o risco de ser ainda mais marginalizado na escola, não só pelas crianças brancas, como também pelos próprio professores, que provavelmente transmitem um conhecimento totalmente imbuído da cultura europeia. Um exemplo disso é o que ocorre na narrativa de Arnaldo Santos, intitulada “A Menina Vitória”. Na narrativa de Santos, vemos um menino filho de uma mulata (mas que segundo o texto era mulher de principio, provavelmente europeus, o que a tornavam mais aceitável pela sociedade) vai a uma escolinha no musseque, onde é ensinado por uma professora negra, porém totalmente assimilada ao regime do colonizador, tanto nas atitudes, quanto aparência, sobretudo no uso de pó na tentativa de provocar o embramquecimento. Nesta turma, já existe um oprimido aluno negro de nome Matoso, que é alvo de desprezo não só dos colegas, como da professora que favorecesse os alunos brancos em detrimento dos negros ou de origem negra. O garoto se sente sufocado pela austeridade da professora e sua rejeição para com ele.
Esse temor faz com que o garoto, mesmo não confortável com isso, tente se assimilar aos brancos, ao menos quando na escola, para proteger-se da ira de Menina Vitória.
“(...)Imitava passivamente a prosa certinha do gosto da menina Vitória. Esvaziava-a das pequeninas realidades insignificantes que ele vivia, da suas emocionantes experiências de menino livre, agora proibidas e imprestáveis(...)”
(Santos, Arnaldo. Kinaxixe e outras prosas. São Paulo: Ática, 1981.) “Às vezes se afastavam mesmo um pouco, e por momentos, na sombra das árvores da grande rua sem asfalto, ficavam iludidos jogando o “curte-meu”, cada qual querendo para si, antes que os outros, os carros que passavam. Mas era não jogo da bilha que, toda a tarde, na sombra do cajueiro, o tempo passava. E na pancada que saía por causa os batoeiros lhe punham na “caga” e não aceitavam, fugiam. Zito era mestre na bilha e difícil escapar na sua ‘’matança”. (...)

(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp.79)

No trecho de Vieira, podemos notar a proximidade de Zito á sua própria cultura.
A terceira possível leitura consiste no próprio regime colonizador que precisa manter seus colonizados ignorantes para assim poder manipulá-los mais facilmente. A leitura e instrução tornam ainda mais perigoso, na perspectiva do europeu, o povo colonizado de sua posição social e seu papel para com seu povo. No romance, podemos encontrar um trecho que sugere que a leitura era algo ameaçador ao sistema de opressão:
“(...) Por acaso, sucedeu um dia. Se lembra muito bem os casos: numa noite anterior, Timóteo, um rapaz magro, apontador da secção de eletricidade, tinha sido agarrado no seu quartinho, ao lado do armazém, lendo papéis que tinham saído em Luanda e lhe deram encontro na mala com vários livros – Domingos e Sousinha não sabiam os nomes- que a polícia não gostava”.

(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp.21)
Trecho teórico - Zito, mesmo ainda um menino, serve então de peça chave para o movimento sintomático de revolta contra os colonizadores portugueses. Outro sinal de seu papel para com seu povo, que Vavô Petelo tenta lhe incutir, já na mais tenra idade:

(...) – Menino, veja lá! Vocês brincas sempre perto da prisão, precisamos saber o que se passa.
E todos os dias de manhã recomendava para miúdo Zito a sua tarefa diária. (...)

(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 79) Peça Chave no Movimento de Revolta de Angola
-Verdade mesmo, Domingos Xavier dormia para os seus irmãos, feliz em sua morte, de madrugada, com a luz da lua da sua terra a sair embora para contar depois, todas as noites, a história de Domingos Xavier”.

(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 78). -“Os rumos da conscientização que fazem Domingos Xavier “nascer” levam à sua morte, com a qual se encerra a narrativa. O fim de ambos marca-se pelo signo da redenção, simbolizada no espaço ficcional, pela festa. A morte é então celebrada como princípio de uma vida nova”.
(CHAVES R, A Formação do Romance Angolano: Entre Intenções e Gestos.Revista África e Africanidades - Ano I - n. 1 – Maio. 2008, pp. 171). “(...) nossa alegria é grande: nosso irmão se portou como homem, não falou os assuntos de seu povo, não se vendeu. Não vamos chorar mais a sua morte porque, Domingos António Xavier, você começa hoje a sua vida de verdade no coração do povo angolano”.

(VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 78). A vida verdadeira de Domingos Xavier x O choro de África, de Agostinho Neto

¬-O falseamento da realidade;

-A morte com motivo para que novas ações sejam geradas – Olhos secos;

-A farra e o fim.

“O choro de África e’ um sintoma
Nós temos em nossas mãos outras vidas e alegrias
Desmentidas nos lamentos falsos de suas bocas – por nós!
E amor
E os olhos secos”
(Agostinho Neto – O choro da África, 1961). "Ah, como era bom saber um companheiro perto, como era bom sentir o calor da solidariedade! Domingos Xavier tinha certeza de resistir, sentiu mais forte o dever de não trair os amigos que confiavam nele, não trair a sua terra." (VIEIRA, José Luandino. A vida verdadeira de Domingos Xavier, pp. 45) “O sujeito africano, ao contrário do sujeito ocidental, tem condições de reconhecer o seu lugar na cadeia de tradições ancestrais e, dessa maneira, estabelecer uma síntese temporal que, ao mesmo tempo, o integra na série histórica e o desloca para o mito” (LUGARINHO, 2003, p. 315).

- Narração in media res
- Plano da viagem – Petelo, miúdo Zito e Maria
- Plano da história – Guerra colonial
- Plano do poeta – Mussunda como transfiguração de Luandino Vieira
- O obstáculo

- Plano místico - natureza O Herói

“É verdade, irmãos, preciso de cumprir. Ontem já cumpri. Na Administração me deram com a pancada nos pés, nas mãos, no mataco, irmãos. (...) Mas, irmãos, minha boca não se abriu, meu coração ficou fechado com os segredos do povo. Custa muito, irmãos, agüentar a porrada de cavalo-marinho com jindungo nas costas. Mas é preciso resistir, irmãos” (VIEIRA, s/d, p. 46). “ – Irmãos angolanos. Um irmão veio dizer mataram um nosso camarada. Se chamava Domingos Xavier e era tractorista. Nunca fez mal a ninguém, só queria o bem de seu povo, e da sua terra. Fiz parar esta farra só para dizer isto, não é para acabar, porque a nossa alegria é grande: nosso irmão se portou como um homem, não se vendeu. Não vamos chorar mais a sua morte porque, Domingos Antonio Xavier, você começa hoje a sua vida verdadeira no coração do povo angolano” (VIEIRA, s/d, p. 94).

- A exaltação da angolanidade Referências Bibliográficas AMBIRES, J. D. O neorrealismo. Conhecimento Prático Literatura, n. 44, junho de 2012.
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