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A individualização da criança

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Wil Zilz

on 19 October 2012

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Transcript of A individualização da criança

A individualização da
criança Até o seculo XIX, a consciência da sociedade predominante era naturalista, ou seja, basicamente uma sociedade rural, na qual a natureza seria a fonte de todas as formas de vida: Um corpo próprio dos outros Além do mais, tinha-se uma consciência de vida baseada em ciclos, onde fazia-se parte de uma familia de vivos e mortos; O corpo Neste viés, a criança faria parte de um corpo coletivo, que através das gerações, transcenderia o tempo. Fazendo parte deste coletivo, tornando-se pública. Porém, os estreitos laços com a mãe, contradizem essa interepretação, que durante seus primeiros meses de vida seria privada. Mas logo após os 24 meses, depois de desmamada, a criança entraria na primeira infância, onde sua educação vai ampliando-se.

Seu nascimento geralmente ocorria em um lugar privado, mas com a presença de parentes e da vizinhança transformavam em um acontecimento público.

Outro acontecimento público que seria importante para os pais, seriam os primeiros passos do filho, que "eram dados simbolicamente no lugar onde repousavam os ancestrais, no cemitério, ou ainda na igreja, durante a missa". Público e Privado Essa alteração de sentimentos para com a criança, foi resultado de um longo período de uma mutação cultural, que sofreu influências políticas e sociais. Sendo nas grandes cidades principalmente, que onde ocorreram essas mutações, fazendo emergir a familia moderna a partir do século XV, alterando alguns paradigmas: Um novo sentimento
da infância Jacques Gélis "era um viveiro inesgotável que assegurava a renovação das espécies e particularmente da espécie humana" Nesse contexto, nada seria mais grave do que a esterelidade do casal, portanto, a mulher, que tinha o papel na familia de "depositária", passava por rituais de fertilidade onde se envolvia diretamente com a natureza, através dos "santuários da natureza", que geralmente envolviam pedras, arvores e fontes fecundantes. (Marguerite Gérard-Os primeiros passos, 1780-85) Assim sendo, cada ser tinha seu próprio corpo, no entanto ainda eram "dependentes" de suas linhagens, seu corpo ao mesmo tempo era seu, mas também era da sua família e antepassados;

Criando desta forma, uma contradição entre viver a própria vida e seguir um destino coletivo, onde deveria-se garantir o corpo da linhagem; "O indivíduo dispunha do próprio corpo somente na medida em que não contrariasse os interesses da família. Em certo sentido, transmitia a vida sem realmente poder vivê-la a sua maneira. Todo seu dever vital se resumia em dar a vida." (Marguerite Gerard - Motherhood) Acadêmicos: Daiane Colombi, Wilham Zilz Outros rituais Batismo, serve para eliminar o pecado original, também seria um ritual de socialização e assegurava a qualidade dos sentidos do bebê;

Rolar o corpo da criança sobre o altar, para fortificá-lo e evitar o raquitismo e claudicação;

Padrinho e madrinha devem beijar o sino ao sair da igreja, afim de evitar gagueira e a mudez;

Após o sacramento, os meninos que o acompanham devem fazer muito barulho com matracas e martelos, para garantir a boa voz e ouvidos para os meninos e para as meninas poder falar e cantar bem. A primeira infância Seria a época das aprendizagens, do espaço da casa, do espaço comunal, das redondezas. Das experiências com brinquedos, com outras crianças, mesma idade ou mais velhas. Também aprendiam técnicas do corpo, regras da comunidade e as coisas da vida;

A partir dos 7, 8 anos, meninos ficavam com o pai, iam ao campo, meninas ficavam com a mãe, onde aprendiam os afazeres domésticos.

Já na adolescência, deviam se preparar, fortalecer o corpo, aguçar os sentidos e se habilitar para assegurar a continuidade da familia. "Havia nisso uma forma de educação em comum, um conjunto de influências que faziam de cada ser um produto da coletividade e preparavam cada indivíduo para o papel que dele se esperava" (Gelis, p.315) (Jan Steen. O pintor e sua familia) No final do séc. XIV, surgiam entre os mais abastados, novas formas de relações com as crianças, com menos demonstrações de afetividade e um cuidado maior na preservação da vida da criança. O que vai emergir, com o exemplo de Scevole de Sainte-Marthe, entre as novas elites sociais que vai proliferar-se ao longo do séc. XVII. "Não quero que ela morra!" Antes a perda do ente era aceita, pela vida dura que se levava e pelo fato de existir uma outra conciência da vida, de um ciclo vital diferente. Agora passaria ser a preocupação dos pais modernos, tirar a criança da doença e salvaguarda-la da morte prematura. Esse acontecimento, a recusa de deixar a criança morrer, foi então constiuído por um novo aspecto que estava emergindo, do "novo imaginário da vida e tempo", que no decorrer do séc. XVII, acaba por gerar nas pessoas essa vontade e nessecidade de se curar e cuidar, vontade esta, que surge por todas as partes, e acaba promovendo tamanha demanda, que a classe médica não consegue suprir. (Gariel Metsu - A criança doente) Meu corpo, meu filho Uma dificuldade que existia na epoca, era de manter os laços com as exigências da linhagem e o desejo de viver a própria vida.
Com isso, o comportamento familiar vai alterando-se, estabelecendo novas regras entre o desejo individual e o da linhagem. "...à medida de que o espírito da linhagem se enfraquece e os poderes do indivíduo aumentam." Correspondendo a uma nova imagem do corpo:

No passado: dependia do grupo de parentes e familia;
Agora: "corpo é meu, vou poupa-lo da doença e do sofrimento". Essa consciência mais linear, segmentária da existência, sucede aquela antiga consciência de um cliclo de vida circular, que vai ocorrer primeiramente nas classes abastadas, posteriomente nas classes menos favorecidas. Começando nas grandes cidades, seguindo por entre os burgos e depois nos campos. O indivíduo passa a ter seu próprio peso, e a imagem da família, não apaga a imagem da personalidade. (Cornelis de Vos-Retrato do artista e sua família) (Gélis, A individualização da criança, p. 312) (Gélis, A individualização da criança, p. 312-313) (Gélis, A individualização da criança, p. 312) -Enfraquecimento das relações com a mãe-terra;
-As referências aos antepassados menos intensas;
-Queda dos mitos em relação a fecundidade com a natureza; (Joshua Reynolds-George Clive e sua família) No séc. XVI O médico Simon de Vallambert observava que: "só pode ser funesto a seu desenvolvimento e a sua saúde". Referindo-se as faixas e gorros que eram utilizados nos recém nascidos, que causavam deformações e deficiências no crescimento, como se a criança fosse "uma cera tenra sobre a qual se pode atuar a fim de adequar sua fisionomia a um modelo estético ideal" (Gelis, p.320). Assim como, havia uma rejeição moralista sobre o aleitamento concedido por outras mulheres que não sejam a própria mãe, pois "era perigoso para uma criança ainda "inacabada" ser nutrida por um "leite mercenário"(Gelis, p.320), acreditando que através do leite, se transmitia a natureza e a identidade da criança. (Georges de La Tour-O recém nascido) Afetividade e educação No decorrer do séc. XVI e XVII, destaca-se através de textos, a imagem de uma "nova criança", que era mais esperta e madura. Um outro ponto que é observado, é o excesso de amor que os pais dedicam para com seus filhos, que acabam por amar também seus defeitos, sem se dar conta do mal que lhe fazem "pois quando os filhos crescem e seu maus hábitos também crescem na mesma proporção" (Gélis, p.323); Portanto, com isso, os mimos se tornavam o princípio das fraquezas e problemas das crianças. (Quinten Metsys. O tríptico da confraria de santa Ana em Louvain) Foi para combater tais comportamentos entre pais e filhos, que a partir do séc. XVII, surge uma corrente que começa a impor regras de decoro, reprimindo essa educação privada que acabava "estragando" a criança; Seriam estes motivos, suficientes para que a igreja e o Estado tomassem conta do âmbito educacional. Onde realizaria-se um controle social, advindo do poder político e religioso para manter a sociedade e as estruturas educativas sob controle. Esse novo sistema, que logo recebeu adesão dos pais, que acreditavam que seu filho teria "instintos primários" que deveriam ser reprimidos. Desta maneira, coloca-lo em uma escola seria o mesmo que "tira-lo da natureza"; Além disso, essa nova nova educação, teria a capacidade de "moldar as mentes", que valorizaria o indivíduo e abriria a criança para conhecimentos que seus pais não eram capazes de fornecer. "...pois eles próprios são incapazes de dar-lhe uma formação alternativa como a que receberam outrora da comunidade." (Garin, Eugenio. L'éducation de l'homme moderne, 1400-1600) História da vida privada 3: Da Renascença ao Século das Luzes , organizado por Philippe Ariès e Roger Chartier está dividido em três capítulos.
FIGURAS DA MODERNIDADE
FORMAS DE PRIVATIZAÇÃO
A COMUNIDADE O ESTADO E A FAMILIA. TRAJETÓRIAS E TENSÕES Apresentação:
O objetivo do presente trabalho é entender as causas e as raízes da individualização da criança, uma releitura do capitulo “A Individualização da criança”, escrita por  Jacques Gélis, extraída do livro História da vida privada 3: Da Renascença ao Século das Luzes. HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA
 Coleção dirigida por: Philippe Ariès e Georges Duby
 
Coleção:
1. Do Império Romano ao ano Mil
organizado por Paul Veyne2.
2. Da Europa feudal à Renascença:
organizado por George Duby3.
3. Da Renascença ao Século das Luzes:
organizado por Philippe Ariès (t) e Roger Chartier4.
4.Da Revolução Francesa a Primeira Guerra:
organizado por Michelle Perrot 
5.Da Primeira Guerra a nossos dias: 
organizado por Antoine Prost e Gérard Vincent A partir daí, tem-se duas passagens: Familiar: familia-tronco à familia nuclear

Educacional: pública, comunitária e aberta, que integra a criança num meio comunal, que se interessa para representar a linhagem; Para uma educação pública, escolar, que irá valorizar o indivíduo e desenvolver suas aptidões. Contudo, a criança foi afetada além de alterações na estrutura familiar, mas como também por intervenções da igreja e do Estado, que juntamente com a "afirmação do sentimento da infância", por volta de 1550, passou a acompanhar uma certa ordem pública e religiosa; O que seria mais tarde, incipientes tentativas de intervenções demográficas e políticas para proteção à infância. Após ter o controle dos sistemas educacionais, a igreja juntamente com o Estado, passou por difundir modelos ideológicos, que seriam os "ideais": Criança-Cristo: Exaltava as virtudes da fé, modelo de santidade infantil, menino santo, deveriam dedicar-se a Deus; Criança mística: Opõe-se a concepção naturalista, mantinha o ciclo vital, exigindo o celibato, a postula e a ausencia da prole, almejando um nivel espiritual superior. Criança-Cristo,
Criança Mística (Oeuvres de St. Louis Marie de Grignon) A criança da realeza Desde o início de sua vida é uma criança pública, realmente sem uma vida privada vivendo sob constante vigilância, até o menos gesto é notado e inclusive, registrado sob os olhares da corte. Teorias populacionistas ainda sugerem que esta seria uma estratégia para imprimir na cabeça dos súditos, a imagem de um casal real rodeado de filhos e exemplo de família. (Luis XIII, Ana da Austria, e seu filho Luis XIV.1654) Interesse e indiferença Durante um longo período, a criança fora tratada com indiferença, porém, sucedeu junto com o processo civilizador, o despertar de um interesse.
Da mesma maneira que sempre esteve atrelada à vida pública e privada, sendo que em alguns momento, mais à uma do que a outra.
Não se tornando características de um determinado período, mas sim, uma questão mais sócio-cultural.
Doravante, o casal, visando o desenvolvimento da criança é "encorajado pela igreja e pelo Estado a deixar parte de seus poderes e responsabilidades ao educador."
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