Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Antropologia das Emoções

No description
by

Juliana Salgado

on 31 August 2013

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Antropologia das Emoções

Antropologia das Emoções

Claudia Barcellos Rezende
Maria Claudia Coelho

Grupo: Amanda Rocha de Souza
Caio Brega de Araújo
Gabriela Fernandes de Paula Cunha
Juliana Andrade Salgado
Thiago Silva Andreazza
Willvancrizia Silva de Andrade

Introdução
Capítulo 1
Emoções: biológicas ou culturais?

Capítulo 2
Emoções: individuais ou sociais?

Capítulo 3
A micropolítica das emoções

Capítulo 4
As emoções nas sociedades ocidentais modernas

Conclusão
O que se propõe nesse capítulo é a desconstrução da visão comum que se tem sobre as emoções nas sociedades modernas complexas ocidentais, a emoção como um aspecto da experiência humana de natureza individual, refratária a uma abordagem socioantropológica.
Para isso, as autoras argumentaram com as formulações de Durkhein, Simmel e Marcel Mauss.
Em um segundo momento, as autoras analisam, também neste capítulo, alguns sentimentos selecionados para a compreensão dessa tensão individual-social na experiência das emoções.
O lugar das emoções nas ciências sociais: formulações clássicas
George Simmel e a oposição forma-motivação
As autoras citam duas obras de Simmel.
A primeira delas, "O problema da sociologia", buscou definir o objeto da sociologia e, para isso, baseou-se numa concepção de sociedade como aquela formada pela interação entre indivíduos. Essa interação, segundo Simmel, se dá por meio de uma "forma" e uma "motivação". A "motivação" é o conteúdo, o interesse ou objetivo do indivíduo que interage; a "forma" é o modo, um formato por meio do qual ocorre a interação. Do ponto de vista empírico, forma e motivação são indissociáveis: nenhuma forma de sociação é imotivada, nenhuma motivação é amorfa. Entretanto, do ponto de vista conceitual, Simmel as separa com a finalidade de propor o objeto de estudo da sociologia: a forma.
A segunda obra de Simmel citada é o texto "Fidelidade e Gratidão". Aqui, o ponto fundamental é a atenção que Simmel dá à dimensão afetiva da estabilidade das formas sociais diante do problema da coesão social, detalhando ainda mais a relação forma-motivação.
Émile Durkheim e o "fato social"
As autoras abordam a definição de Durkheim do objeto de estudo da sociologia: o "fato social". Segundo ele, o "fato social" é o que existe fora das consciências individuais, mas que tem ação sobre a vontade individual. Assim, um fenômeno estabelece sua condição "social" quando é capaz de coagir a vontade individual, uma vez que dessa forma atesta sua externalidade em relação à consciência individual.
Essa importância atribuída à existência externa ao indivíduo sugere a existência de uma dimensão além das dimensões estudadas na filosofia, na biologia e na psicologia: a dimensão social, cuja especificidade e independência em relação às demais legitima uma "nova disciplina".
Na sociologia durkheimiana, a oposição indivíduo se complexifica, por exemplo, quando surge a noção de "efervescência", o estado alterado da atividade psíquica individual, que se produz quando o sujeito está imerso em meio a uma coletividade. Junto desse conceito, porém, surge uma contradição. Se, por um lado, ele confirma o fato social, por outro, sugere que o social pode estar também dentro do indivíduo.
Marcel Mauss e a expressão dos sentimentos como linguagem
A obra de Marcel Mauss que as autoras citam é o artigo "A expressão obrigatória dos sentimentos". Nele, Mauss mostra o caráter ritualizado da expressão dos sentimentos, obedecendo a uma estética comum. Gritos, lamentações e lágrimas deixam de ser apenas expressões externas de sentimentos íntimos de cada um para serem também pautados por uma gramática comum.
Mauss, como herdeiro e continuador de Durkheim, complexifica e problematiza sua tese a respeito do "fato social". Para ele, a natureza ritualizada e coletiva da expressão dos sentimentos ser prova concreta de seu caráter de "fato social", não impede que os sentidos sejam espontâneos. A expressão dos sentimentos é uma linguagem, em que o indivíduo comunica aos outros aquilo que sente em um código comum.
Surge assim um modelo teórico para se pensar as emoções como objeto das ciências sociais.
A reflexão que se segue orientando a análise dos sentimentos tem como eixo a percepção ocidental moderna das emoções como provenientes do íntimo de cada um.
As gramáticas dos sentimentos
As autoras optaram por abordar, dentro de um "sem-fim" de configurações distintas que o ser humano inventou para conviver, cinco sentimentos: dois que podem ser entendidos como esforços emocionais de fusão com o outro - o amor e a admiração; dois suscitados pela ausência do outro - a solidão e a saudade; e um tipo de relação engendrado pelo desejo de estar com o outro - a amizade.
De todas as maneiras que há de amar: a concepção moderna de amor
Entre os sentimentos aos quais as ciências sociais já devoraram sua atenção, o amor tem lugar de destaque. As transformações produzidas nas relações amorosas também vêm merecendo a atenção dos teóricos da modernidade. O campo das reflexões sobre a comunicação de massa é outro espaço prodígio em análises sobre o amor.
A obra escolhida pelas autoras para abordar o amor foi a clássica tragédia shakespeariana "Romeu e Julieta", um "mito de origem" da noção moderna de amor. Uma análise estrutural da tragédia identifica três partes de opostos que estruturam a narrativa: amor/família, corpo/nome e alma-coração/corpo. A primeira delas é dada pelo próprio cerne da trama: o amor que une Romeu e Julieta encontra em suas famílias de origem um ferrenho opositor, contra o qual o casal se insurge ao casar-se em segredo. A segunda oposição surge na cena do balcão, em que Julieta apela a Romeu que renegue seu nome, alegando ser o nome irrelevante em sua identidade. A terceira oposição surge na peça por ocasião do exílio imposto a Romeu. Fisicamente afastados, contudo, Romeu e Julieta continuam espiritualmente ligados pelo amor: é possível afastar seus corpos, mas não romper a união entre suas almas.
"Romeu e Julieta" pode ser entendido como um "mito de origem" do amor moderno exatamente por situar-se na passagem de uma ordem holista, em que a identidade é conferida a partir de seu pertencimento a um grupo familiar e do lugar deste no todo social, para uma ordem individualista. A tragédia de Romeu e Julieta mostra a emergência de uma noção de amor em que um sentimento proveniente do íntimo do sujeito o faz voltar-se contra o social, a ele impondo sua vontade - é um sentimento embebido pela ideologia individualista.
Esse amor todo-poderoso, que faz Romeu enfrentar qualquer obstáculo, não é escolha sua: é de natureza cósmica, estando ele destinado a amar Julieta. Surge uma concepção de amor que o indivíduo é tomado por um sentimento de origem sobredeterminada. Esta maneira de amar é tomada como uma "matriz" para inúmeras outras produções contemporâneas, que lotam o universo da comunicação de massa.
Esta análise, ao sugerir a relação existente entre este sentimento e a ideologia individualista, é um excelente exemplo da perspectiva que entende as emoções como construções históricas, a exemplo desta maneira de amar típica da modernidade ocidental.
Uma outra maneira de amar:
o fã e a experiência do fascínio
O amor moderno tem, entre outras características, o poder de singularizar, de fazer o indivíduo sentir-se especial. O sujeito enamorado vive sua paixão como algo único, que nunca alguém sentiu igual; mas isso todos os apaixonados têm em comum: a convicção de que nunca alguém sentiu algo parecido antes.
Esta seção trata de como este drama é vivenciado em uma experiência indissociável da sociedade de massas: a condição de fã e as emoções a ela associadas - o amor e a fascinação.
Existe um esforço doas fãs em diferenciar-se perante seus ídolos, justificando a expectativa de uma resposta. Este esforço é baseado na certeza da própria singularidade, de ser o único em meio a muitos, certeza essa que surge sob duas formas principais: à expressão "fã número 1" e a utilização do discurso amoroso para expressar a natureza de seus sentimentos. O tom é sempre afetuoso, com manifestações de apreço e admiração, podendo ir de elogios respeitosos até eloquentes declarações de amor. Assim, podemos perceber que a linguagem do amor se mistura com a da adoração.
Isto certeamente causa uma estranheza: se o modelo da relação amorosa ideal é baseado na reciprocidade e na exclusividade, por que os fãs recorrem a ele para falar do que sentem por seus ídolos? A resposta toma como ponto de partida a noção freudiana de "identificação", capaz de propiciar ao sujeito um "estado fusional", um perder-se no outro que compensa as incertezas do eu, permitindo a eclosão de uma sensação de êxtase. Amor e carisma teriam assim em comum a capacidade de provocar no indivíduo enamorado/fascinado uma sensação de conforto gerada pela fusão com o outro.
Há, porém, uma diferença fundamental entre o amor e o carisma: sua valoração social. O amor romântico é uma experiência socialmente valorizada na modernidade ocidental e o carisma, por sua vez, é objeto de desvalorização social, com a adoração carismática sendo alvo de sentimentos de hostilidade e menosprezo nessa mesma sociedade ocidental, e com frequência associada a formas várias de patologia mental. Isto muito explica o fato do fã falar de amor ao invés de falar de adoração ou fascínio. Traduzir o fascínio em amor resgata uma imagem favorável dos sentimentos. Além disso, dizer-se fascinado é inserir-se em uma multidão, dizer-se apaixonado resgata a dimensão singular de sua identidade.
"Estou só e não resisto":
as gramáticas da solidão
Sentir-se único e especial nem sempre é apenas fonte de satisfação. A ênfase na própria singularidade pode tornar difícil a comunicação com o outro; o encapsulamento no próprio mundo interno pode criar uma percepção distorcida e exagerada da própria "originalidade", trazendo consigo um sentimento de incompreensão pelo outro. Este sentimento é uuma forma possível de solidão.
A solidão é marcada pelo paradoxo de ser experimentada pelo sujeito como um sentimento de separação do outro, ao mesmo tempo em que é possível encontrar "regras" socialmente definidas para que o sujeito possa sentir-se só.
Sábados à noite, por exemplo, são ocasiões de sociabilidade prescrita; estar sozinho, sem alguma companhia para alguma forma de lazer, suscita comumente um forte sentimento de solidão, conhecido e "validado" pelo grupo social. Esta "regra" não apenas "valida" este sentimento nestas circunstâncias; como também atesta a "normalidade" do indivíduo. Alguém que se sinta bem estando sozinho em um sábado a noite seria, em muitos grupos urbanos, visto como"esquisito" e "antissocial". Esta "regra" da solidão é regida por uma temporialidade marcada pelas oposições noite/dia, lazer/trabalho. O tempo da solidão é noturno e de lazer, ou seja, momentos para os quais há uma sociabilidade prescrita/desejada que não se concretiza. A força dessas "regras da solidão" é muito mais acentuada entre os jovens.
Há assim muitas formas de sentir-se só. Há formas mais cotidianas de solidão, como estas regidas pela lógica da sociabilidade; há aquelas de orientação religiosa/espiritual, como os "retiros"; e há também formas-limite, que em sua dramaticidade nos ajudam a entender algo sobre a natureza social do ser humano. É o caso da solidão dos moribundos, no qual a morte é duplamente recalcada: pelo indivíduo (como forma de proteção contra a evocação da sua mortalidade) e pela sociedade, que "traduziria este terror em medidas de afastamento dos moribundos do convívio social.
"Saudades, só portugueses...":
emoção e temporalidade
É possível estar só de muitas maneiras. Mas a solidão não é a única forma de experiência emocional que fala da percepção de uma falta, de uma ausência. Há outros sentimentos que são também suscitados pela relação com algo que não está acessível ao sujeito, como a saudade.
No Brasil, dizemos com orgulho que "saudade é uma palavra que só existe em português", como se isso nos fizesse detentores exclusivos de uma possibilidade afetiva incomum de experimentar um sentimento especial e valorizado.
Um outro ponto interessante levantado pelas autoras na análise do sentimento da saudade é que este é um sentimento que fala de uma forma de relacionar-se com o passado. Este passado, contudo, não é pensado como etapa de um tempo concebido cronologicamente, mas sim como algo que, do ponto de vista subjetivo, pode ser recuperado, revivido, por meio da ação da memória. Sentir saudade seria recusar a "ordem do tempo".
Nesta seção ainda estabeleceu-se uma comparação entre os sentimentos de saudade, nostalgia e melancolia, entendidos como três modalidades de relação com o passado: enquanto a melancolia o passado seria vivenciado como "definitivamente passado" e, na nostalgia, estaria fora do alcance mas seria imaginado como "recuperável", na saudade o sujeito se furtaria à ordem de tempo, reapropriando-se emocionalmente de algo passado.
Entretanto, não é somente com o passado que os sentimentos estabelecem forma de relação. As conexões entre experiências afetivas e temporalidade abarcam também o futuro e o presente. É assim que poderíamos, por exemplo, pensar na ansiedade e na esperança como formas de relação com o futuro - a primeira falando de uma "ânsia" pelo porvir, a segunda remetendo a uma sensação de otimismo - e na angústia e o tédio como formas de relação com o presente - na angústia não há futuro e no tédio o tempo "roda em torno de si mesmo".
Saudade, tédio e esperança, assim, entre outros sentimentos, expressam uma maneira de o indivíduo relacionar-se com a temporalidade, reanimando um passado, debatendo-se com o presente, apostando no futuro.
"Amigo é coisa pra se guardar":
escolhas e normas da amizade
Chegamos assim ao último sentimento a ser examinado: a amizade. As autoras optam abordar o tema fazendo um paralelo entre a concepção de amizade numa aldeia grega, no Rio de Janeiro e em Londres.
Na aldeia grega Mouria, a relação de amizade entre os homens constrói-se em nítida oposição à família e ao mundo doméstico. Este é essencialmente um espaço de identidade feminina, pois para as mulheres, o foco de suas relações e lealdade se concentra nos parentes consanguíneos, uma vez que fora destes há muito receio de fofoca e conflitos. Já entre os homens, as amizades são extremamente valorizadas por seu distanciamento da esfera doméstica e também das relações de trabalho. As amizades são pautadas na reciprocidade e na espontaneidade das trocas emotivas. Neste contexto, as amizades são vividas como exemplos de voluntarismo e escolha individual, mas isto não significa que a escolha seja irrestrita. Os amigos tendem a ter identidade, origem familiar, classe social, ocupação e estado civil semelhantes.
Já entre os cariocas, a amizade pode surgir entre colegas de trabalho e também nas relações de família. O elemento da hierarquia presente nestes espaços não é visto como impeditivo, pois a amizade é baseada na afinidade, na intimidade, na confiança e na doação ao outro. Em geral, a amizade no Rio de Janeiro abarca pessoas com características sociais, como origens de classe, raça, orientação sexual e religião, mais distintas entre si. O afeto da amizade parece fornecer o solo comum de bem-querer e de "humanidade" que diminuía a percepção da diferença que podia afastá-los. O tempo é um fator importante na relação, pois permite que os amigos provassem sua confiabilidade e sua doação ao outro, elementos importantes nas amizades próximas.
Em Londres, o tempo e a confiança também são valorizados na amizade. Mas ao contrário do que ocorre com os cariocas, as relações pertencem unicamente à esfera privada, junto com as relações de parentesco. No espaço de trabalho, é difícil desenvolver amizade pois, mais do que a hierarquia e a competitividade, era preciso ter comportamento eficiente, produtivo e polido, ao contrário do relaxamento que marca a relação entre amigos.
Esses três exemplos mostram como a amizade é uma relação afetiva que contém algum grau de escolha individual. Embora vivida como uma opção subjetiva, a amizade é concebida e preticada com significados, normas e valores culturalmente definidos. Assim, a amizade como uma relação afetiva exemplifica, como o amor, a admiração, a solidão e a saudade, experiências emocionais que são a um só tempo subjetivas e sociais.
"Antropologia das emoções" nada mais é do que colocar em debate as convicções impostas por uma determinada sociedade , é construir as emoções como objeto das ciências sociais .
A convicção de que os sentimentos têm uma natureza universal faz parte do senso comum ocidental.
A presença dos afetos foi sempre notada como parte dinâmica da vida social.

O status duvidoso das emoções , embora se tornasse elemento da interação social, era dado a priori {antes} e modificado até certo ponto pela socialização em uma cultura.
Emile Durkheim e Georg Simmel {sociólogos clássicos}, fizeram observações para mudar essa perspectiva e a principal crítica feita por eles foi tratar as emoções como estados subjetivos e não socais,ou seja , seus estudos são voltados para qual direção devemos tomar em relação à emoção como elementos sociais .
Recentemente, o estudo antropológico das emoções passou a mostrar como o próprio significado das emoções varia dentro de um mesmo grupo social dependendo das circunstâncias em que se manifestam, atentar para as consequências .

O campo da antropologia das emoções estruturou-se apenas com uma variedade de estudos etnográficas .
No Brasil alguns autores também deram importância para os estudos das emoções como Roberto DaMatta ,que analisa as formas de expressão das emoções e Duarte que busca compreender a centralidade da categoria emotiva.

O livro foi estruturado em 2 capítulos que discutem as questões que fundam o campo das emoções. O primeiro debate as questões da natureza das emoções, sendo biológicas ou culturais. O segundo capítulo analisa outro problema: a emoção é um estado individual ou social?
O terceiro capítulo traz a visão que vincula as emoções à estrutura social e o último trata das emoções nas sociedades ocidentais modernas.

Uma história que traduz bem esta mistura de emoções é a tragédia de Shakespeare, Hamlet. Quando seu pai morre, ele descobre que a sua mãe, Gertrudes, tinha um romance com seu tio, Claudio,
quem foi responsável pelo envenenamento de seu pai.
A tragédia tem início quando Gertrudes resolve se casar com Claudio, para assumirem o trono. Mas seu pai retorna em forma de fantasma e conta todo o ocorrido. O elemento modal é a revolta da Hamlet, que é um misto de raiva e ciúmes.
A grande moral dessa fábula é que os sentimentos são tributários das relações sociais e do contexto cultural em que emergem.

O terceiro capítulo do livro aborda o potencial das emoções para dramatizar, alterar, reforçar a dimensão macrossocial em que as emoções são suscitadas e vivenciadas, ou seja, as autoras mostram as emoções presentes no cotidiano na nossa vida social e seus desdobramentos para o comportamento geral das pessoas. Relações de inclusão/exclusão, de hierarquia, de nojo, de desprezo, de indiferença, de fidelidade, de gratidão e de compaixão são alguns tópicos enfatizados pelas autoras.
A perspectiva contextualista:
um mapeamento
Essa perspectiva de Catherine Lutz e Lila Abu-Lughod consiste em um mapeamento das principais vertentes teóricas que fizeram da emoção um objeto de pesquisa, sugerindo a existência de três correntes dentro do mapeamento: essencialismo, historicismo e relativismo,além do contextualismo.

As emoções teriam um substrato universal e natural, sendo, em seu núcleo, as mesmas por toda parte.

O Historicismo e o Relativismo compartilham um ponto-chave que os opõem ao Essencialismo: a crença na "construção cultural das emoções". O Historicismo leva em consideração as diferenças temporais, enquanto o Relativismo se vale das comparações entre culturas contemporâneas entre si.

A partir dessas três vertentes, as autoras propõem uma quarta vertente: o contextualismo. Desta forma, a emoção seria algo que existiria somente em contexto, emergindo entre a emoção e os interlocutores da mesma.
A micropolítica das emoções:
estudo dos casos
É a partir da micropolítica das emoções que se estabelecem relações de poder , estruturas hierárquicas ou igualitárias, concepções de moralidade e demarcações de fronteiras entre os grupos sociais.
Adam Smith em
"Teoria dos sentimentos morais"
Adam Smith faz uma análise da simpatia (solidariedade do ser humano em relação às paixões vivenciadas pelos outros) que, para ele, varia em grau de acordo com a natureza da paixão.
*Paixões Insociáveis: ódio e ressentimento
*Paixões do Corpo: Físicas
*Paixões Egoístas: dor e alegria
*Paixões Sociáveis: generosidade, humanidade, bondade, amizade, estima recíproca e compaixão
O ponto fundamental da obra de Smith é desvendar uma lógica de simpatia: Em que situações estaria o ser humano mais propenso a identificar-se com o sentimento alheio , na desgraça ou no sucesso? O que o sofrimento ou a alegria do "outro" suscitam? Qual é a lógica que rege essa dinâmica emocional?

Compaixão:
a responsabilidade pelo infortúnio
A etnografia feita por Lindsay French em um campo de refugiados (1989 a 1991) relata a onipresença de pessoas que teriam sofrido algum tipo de mutilação por minas terrestres e que, curiosamente, não eram alvos de compaixão do resto da população.
Uma análise feita por Clarck (1997) mapeia as regras que governam o dar e o receber da compaixão nós Estados Unidos contemporâneo e ilustra a dimensão micropolítica desse sentimento.
Nojo e desprezo:
afetos, hierarquia e moral
Nojo: Pode ser descrito como uma reação que fere categorias discriminadas em sistemas de classificação, normalmente com ênfase no sensorial.
"...isso me revira o estômago." "...que vontade de vomitar"

Desprezo:
Fábula pedreiro e intelectual e natureza recíproca de desprezo devotados entre eles.
Nojo e Desprezo:
Nojo e desprezo têm um trabalho semelhante de vinculação entre os níveis micro da experiência pessoal e macro da organização social, costurando afetos e sentimentos à hierarquias e normas morais.
Katz e a Humilhação
Segundo Katz, a humilhação é uma tentativa de evitar a raiva provocada pelas atitudes da vítima e teria cinco características:
* Humilhação é diante de um outro
* Humilhação é eterna
* Humilhação é algo que toma conta do sujeito que se vê como objeto
* Humilhação é holística, envolve todo o corpo
* Humilhação é algo que acarreta uma perda no controle da identidade

Gratidão:
a memória moral
da humanidade
Simmel (1964) usa essa expressão para falar do trabalho feito pelo sentimento de gratidão em favor da solidez dos laços sociais
Dádiva, hierarquia e emoção:
as trocas de presentes entre patroas e empregadas
As trocas de presentes são um tema consagrado da antropologia desde as obras seminais de Malinowski (1876) e Mauss (1974)
Coelho(2006) empreendeu uma análise da troca de presentes junto a segmentos de camadas médias da Zona Sul do Rio de Janeiro. Foram entrevistadas algumas mulheres que, entre outras abordagens, falaram das trocas de presentes entre patroas e empregadas.
Com relação aos presentes dados pelas patroas às empregadas, dois casos foram relatados. No primeiro, a patroa não gostava de dar presentes à emprega porque, segunda ela, a empregada "não sabia receber presentes", não se mostrava agradecida. No segundo, notou-se a satisfação da patroa com a evidente alegria da empregada com o presente recebido.
Quando o caso é o contrário, ou seja, quando a empregada presenteia a patroa, temos outros dois relatos para ilustrar. No primeiro caso a patroa faz recusa a aceitar o presente por ser uma cafeteria com o preço elevado. No segundo a patroa recebe uma lata de biscoitos da empregada e isso lhe traz certo desagrado pelo baixo valor do presente e pelo fato de a patroa estar de dieta e não poder comer biscoitos, por esse motivo.
Essas relações mostram a dádiva, a troca de presentes entre patroas e empregadas, de maneira que a emoção é expressa através dessas trocas e a hierarquia é enfatizada claramente pelas relações e pelos desdobramentos que essas trocas propiciam.

O capítulo 4, usando idéias de diferentes autores, mostra a vivência das emoções nas sociedades ocidentais modernas. Quando pensamos como é a vida nessas sociedades, é comum vir à mente a imagem de massas de pessoas transitando pelas ruas em uma grande metrópole, ao lado de muitas outras desconhecidas. Essas pessoas, estão próximas porém separadas, ou seja, apesar da proximidade dos corpos, estão isoladas no sentido de se interagir uma com as outras. A mídia recorre a imagens desse tipo quando vão falar sobre algum assunto que diz respeito à vida nessas sociedades. Filmes de Wood Allen rodados em Nova York, são exemplos clássicos das angústias e dificuldades na construção das relações pessoais e amorosas nesse contexto.
Esse subcapítulo distingue a forma como a pessoa sente algo e como expressa isso, pois, para se expressar numa sociedade ocidental moderna estamos sujeitos a certar regras sociais para como, onde e para quem manifestar tais emoções. Essa concepção mostra que a pessoa possui uma dimensão interna e privada, que se distingue de sua apresentação pública,. Desse modo, há uma distinção entre sentimento sentido e sentimento expresso, onde o que é sentido e pensado no privado é verdadeiro, enquanto o que é apresentado em público pode ser falso, ou não condiz realmente à forma exata de como a pessoa se sente e pensa. Cria-se, portanto, uma tensão entre sentir e expressar os sentimentos, questão bem explorada por Sennett sobre o declínio do homem público.
Sennett buscou compreender o surgimento de uma desvalorização da vida pública. No século XVIII, era possível interagir com estranhos de forma emocionalmente satisfatória, mesmo não criando vínculos com essas pessoas. A capacidade para estar com a família e amigos era vista como de ordem natural. Desse modo, se relacionar no mundo público era sinônimo de cultivo social, de aprender regras de convívio, enquanto no mundo privado realizava-se o que era da natureza do indivíduo.
Ele aponta para três fatores essenciais que levaram à mudança desses significados entre o público e o privado. Primeiramente aponta para o desenvolvimento do capitalismo industrial. Essa circunstância gerou uma pressão para uma maior privatização, e tornou a família não só como um refúgio, mas também como base para avaliar a vida pública, vista como inferior. A indústria têxtil, com sua produção em massa, fez com que os marcadores de classe social pela vestimenta se tornassem mais confusos e a diversidade de pessoas foi adquirindo uma forma mais homogênea no mundo público. Com isso, as pessoas se tornaram mais misteriosas e a vida pública mais incerta, contrastando com o aconchego familiar.
Em segundo lugar, aponta para a mudança na subjetividade, ou seja, na vida íntima do indivíduo, em função de uma nova forma de secularização. Tornou-se plausível considerar as emoções fatos em si, compreendendo-as a partir das situações que eram manifestadas. As aparências apresentadas na esfera pública deixaram de ter um significado próprio e passaram a ser vistas como pistas de uma essência interior a ser descoberta.
Por último, destaca a força de sobrevivência da vida pública nos moldes do Antigo Regime, onde o convívio com estranhos era de certa forma satisfatório. Em contraste com os ideais de comportamento no convívio com a família, na vida pública as pessoas experimentavam sensações distintas. Mesmo assim, a relação pessoal entre estranhos continuava com sua importância, porém, com um novo sentido. Agora o foco não era mais coletivo e público, e sim, o individual e o privado.
Desses três fatores, surgiu a idéia de Sennett de uma sociedade mais intimista. Antes, no século XIX, as formas de expressar os sentimentos eram de certa forma padronizada e podia ser executada várias vezes, por diversas pessoas. Agora o foco da interação é descobrir o que cada um sente. Essas formas ritualizadas e padronizadas de se comportar são vista como não sendo autênticas.
Por sua vez, razões e impulsos internos quando manifestados e expressados em público ganham valorização por serem autênticos e demonstrarem personalidade. E como a personalidade é vista como algo que não é controlável, que tem existência e força próprias, as emoções passam a ser vistas também desse modo. Produz-se assim uma supervalorização do mundo privado e a erosão do mundo público. Sennett usa ainda o exemplo de um filme de um grupo de amigos que moram distantes uns dos outros e mantém contato apenas por telefone. Alguns encontros são marcados, mas apesar da intenção de ambos de se encontrarem, a concretização acaba não ocorrendo de fato. A intenção neste caso é vista como autêntica, revela os verdadeiros sentimentos que uma pessoa tem, ilustrando a ênfase intimista que Sennett identifica nas sociedades ocidentais modernas.

A idéia central desse subcapítulo é o autocontrole emotivo. Elias fez um estudo sobre o processo civilizatório na Europa no período que vai do final da idade média ao início do séc. XX. Aponta para duas forças atuantes na formação da configuração social no início do séc. XX: a diferenciação cada vez maior de funções sociais e o monopólio pelo Estado do controle da violência. A primeira gerou uma interdependência entre os indivíduos e o comportamento de cada indivíduo passou a ser ajustado em relação aos outros. Com isso, houve a preocupação com a consequência de cada ato e a necessidade de um maior autocontrole.
A segunda, por sua vez, favoreceu a contenção de certos atos emocionais. O uso da violência passa ser restrita apenas ao Estado, no sentido de manter a ordem, fazendo com que os indivíduos tenham um controle para reprimir os impulsos de agressão ao outro. Elias vê a vida assim sendo menos perigosa. Como resultado dessas forças sobre o indivíduo, esse autocontrole leva a uma moderação dos afetos. A estrutura psicológica passa a ser dividida em uma parte consciente e controladora e outra inconsciente e impulsiva. Ao reprimir os impulsos, as emoções se tornam menos intensas. A percepção das pessoas e das coisas torna-se mais neutra em termos afetivos, determinada menos por medos e desejos e mais pela observação direta do comportamento humano.
Essa observação de si leva a dois processos que Elias destaca: a racionalização e a psicologização dos comportamentos. A contenção das emoções e as mudanças de comportamento em função do outro leva a uma forma mais racional de agir. Essas formas de conduta como auto observação, autocontrole, reflexão, etc. são indispensáveis para sucesso na vida social.
Sentimentos como medo e vergonha são formas de introduzir a auto-regulação. No desenvolver de seu estudo, Elias aponta para um aumento do sentimento de vergonha e a mudança a qual ele se refere, onde o surgimento desse sentimento na pessoa, segundo ele, está associado à estrutura social. Assim, esse sentimento está vinculado ao medo e ansiedade do indivíduo de não conter seus processos emocionais. Se antes a fonte de repressão dos impulsos era externa (pessoas e manuais de etiqueta), agora é interna. Essa necessidade de repressão dos impulsos gera uma tensão interna e é daí que surge a vergonha, e assim, o indivíduo se sente inferior e indefeso diante dos gestos dos outros. A educação das crianças na atualidade tende a inferir desde cedo um controle sobre o corpo e sobre os afetos. Os graus de tolerância aos “maus comportamentos” em relação à etiqueta em torno do corpo, tende a desaparecer muito cedo por conta disso e a criança que não atinge esse nível é vista como “anormal”.
No adulto, o impulso de sentir prazer com certas funções corporais deve desaparecer da consciência e assim, torna o prazer torna-se secreto e privado. Esses conflitos geram uma dificuldade de vivência afetiva. A vida se tornou menos perigosa, mas por outro lado, menos prazerosa.
Tendo base no estudo de Simmel sobre uma metrópole do século XX, há semelhanças com entre o indivíduo do séc. XX e o da sociedade contemporânea estudado por Elias. Ele destaca que a base psicológica na metrópole ajusta-se com os eventos externos, com as mudanças que ocorrem sucessivamente e assim o indivíduo reagem racionalmente a esses eventos externos como uma forma de proteção interna. Já nas cidades pequenas, onde o ritmo de vida é mais lento, permitem que haja relações mais pautadas na afetividade.
Portanto, a idéia principal da formação interna do indivíduo típica nas sociedades modernas é, segundo esses dois autores, uma contenção dos impulsos e emoções. Embora seja algo biológico, isso é regulado pela sociedade e a cultura nela incluída. Assim, em função de transformações sociais mais amplas, levaram à necessidade de ações coordenadas que implicaram reações mais racionais e menos afetivas. A metrópole aguça esse traço de controle emotivo, criando atitudes particulares como a reserva, que seria a indiferença aos outros, que está associada à solidão apesar da proximidade dos corpos e a postura de blasé, que é a dificuldade de reagir a esses eventos externos ocorridos com freqüência.

A tensão entre sentir e expressar
O controle das emoções
Partindo para a visão de outro autor, denominado Duarte, a visão agora é que nas sociedades ocidentais modernas uma forte valorização dos sentidos e aponta três idéias fundamentais e articuladas em torno do sujeito e de sua relação com o mundo: a perfectibilidade, a experiência e o fisicalismo, onde os três estão interligados e são base da exploração sistemática do corpo humano como foco de intensificação do prazer.
A perfectibilidade se traduz na idéia iluminista de que o homem tende sempre a almejar a perfeição constantemente e indefinidamente. Para que isso se desenvolva, é preciso estar em relação com o mundo exterior, ou seja, as experiências do mundo com os “sentidos” se torna o meio de aperfeiçoamento da raça humana. Os sentidos se englobam tanto na razão, quanto na emoção e são tomados como “veículos de instrução das atividades da mente” e também de “articulações das relações humanas”.
O fisicalismo trata-se de uma concepção de ser humano a partir da separação entre corpo e espírito, e que vê na corporalidade uma lógica própria. Com as novas formas de pensamento sobre o funcionamento do corpo humano, principalmente sobre o sistema nervoso, surge a noção de sensibilidade ao mesmo tempo fisiológica e sentimental.
Desse processo de valorização de novas experiências sensoriais desenvolveram-se estratégias de maximização da vida, assim como faz a medicina, e do corpo, com o uso de drogas legais e ilegais.
A ênfase hedonista atual se difere do hedonismo do séc. XX segundo Campbell. Antigamente essa busca incessante de prazer no mais curto prazo, era feita através de lembranças de algo que produzia um efeito prazeroso no indivíduo. No hedonismo atual, isso é feito principalmente através da mídia, com as propagandas que estimulam e projetam imagens prazerosas na mente do indivíduo.
Campbell dá um foco ao devaneio, aponta para essas imagens ajustadas ao real e que são agradáveis na visão do indivíduo. E assim, servem de hiato entre o desejo e sua consumação. Exemplificando a visão do autor, seria que o que realmente agrada é o desejo de consumir, de ter algo novo a comprar, mas quando esse desejo se concretiza, vem conjunto a insatisfação por se distinguirem da imagem sonhada e a pessoa torna ao desejo de consumir outros produtos que são projetados como “fórmulas da felicidade”.
Por outro lado, não são esses estados emotivos que influenciam no consumo. A imagem de um novo produto leva à crença de que o prazer imaginado e posteriormente frustrado com produtos semelhantes, com o esse novo produto poderá se concretizar. Por isso Campbell diz que o consumo atual não é materialista, pois a “ilusão” de prazer a ser obtido em um produto é melhor que a realidade. Sendo assim, os produtos são menos importantes que sua representação na mente do indivíduo. Então, o autor vê o hedonismo como um “artista de sonho” e sua qualidade é projetar imagens que se sabem que são falsas, mas são sentidas como verdadeiras.

A ênfase hedonista no fazer
A felicidade se tornou um sentimento muito almejado nas sociedades ocidentais contemporâneas. Para chegar a esse estado, são colocadas ao alcance do indivíduos várias receitas, que têm basicamente o mesmo fundamento, o de “condicionamento positivo”. Isso está estreitamente relacionado à mídia, como argumenta Condé.
Condé aponta para o outro lado da visão de Campbell, podendo ser uma experiência prazerosa. Além disso, os produtos colaboram para essa visão de felicidade, assim como fazem, por exemplo, os filmes com final feliz. A partir desse ponto, Condé analisa nesse subcapítulo a questão da mídia conselheira, que é constituída de “conselhos”, “dicas”, “receitas” de uma prática de questões da vida e nelas sempre está inclusa a felicidade, mesmo que nem sempre de forma explícita. O ponto interessante da análise é que o meio de atingir a felicidade implica atitudes que se referem no controle das emoções. Usa exemplo de uma revista que apresenta como forma de alcançar a felicidade o controle de emoções vistas como “negativas” – medo, raiva, tédio. O que sobressai dessas matérias é uma concepção pacificada de felicidade, pautada no equilíbrio das emoções, na experiência comedida longe da plenitude e do prazer intenso de momentos passageiros.
Outro caso que pode ser citado nesse contexto é a vivência de riscos presentes nos esportes radicais. Rocha discute o modo de como o medo é visto em diferentes sociedades e e diferentes épocas. O risco basicamente é uma escolha puramente individual, quando na verdade está operando com significados culturais. O risco encontrado em esportes como, por exemplo, o base jump é visto como uma opção de vida mais pautada na “emoção”, na adrenalina. Quem pratica esse esporte saltam de pontes, por exemplo, e depois acionam o pára-quedas. São várias emoções sentidas no processo de concretização do ato e nesse caso o risco e o medo significam superação e é uma forma, segundo os base jumps, de si distanciarem da “morte em vida” que é a vida nas cidades (apesar de se aproximarem da morte natural), que é vista como sem emoções, sem “sal”, e na aventura encontram prazer pelas fortes emoções.

Controle e prazer combinados:
dois exemplos
Bauman afirma que as relações amorosas na modernidade são tratadas como um investimento. Onde o relacionamento ganha ares de um “negócio”, no qual cada pessoa faz certo investimento, com tempo e esforço e espera o “lucro”, que seriam a gratificação e a segurança. Contudo, a necessidade de estar monitorando a relação produz também incertezas. Dessa forma o relacionamento pode diminuir a insegurança vindo assim a solidão, cria também novas incertezas. Comprometer-se, portanto, se torna uma “faca de dois gumes”. Manter ou acabar o “investimento” passa a ser uma questão de cálculo e decisão.
Bauman identifica nas relações onde a certos sentimentos a mesma ambivalência que encontra de forma ampla no que ele chama de “modernidade líquida”, há o desejo de segurança que vem com os laços sociais, os compromissos, ao mesmo tempo em que há a vontade de ser livre e independente pra fazer escolhas. Nas relações amorosas, o compromisso atrai por oferecer confiança e segurança, mas assusta e inquieta por comprometer a liberdade individual. É o que ele chama de “amor líquido”.
Sendo esses relacionamentos reduzidos ao modo “consumista”. Onde muitos preferem as chamadas “relações de bolso”, que são relações de curta duração, instantâneas e disponíveis, permite que a pessoa esteja no controle da situação, muito conveniente a quem não assume as responsabilidades da relação (como filhos, por exemplo).
Autenticidade, prazer e controle:
amor nos tempos modernos
• Comuns e naturais a TODOS os seres humanos.

• Invariáveis no tempo e no espaço.

As emoções são:


• Sistema de conhecimentos que definem e explicam o que é a pessoa – seus atributos, reações, etc. – e permite que ela monitore a si e aos outros e antecipe comportamentos.
• As emoções são constantes e universais
• São diretamente ligadas à dimensão psicobiológica do indivíduo
• As pessoas são compostas por 2 dualismos fundamentais: Corpo x Mente e Emoção x Razão
• Amor: resultado de certas reações químicas cerebrais cujas distinções de experiências entre gêneros se explicaria pelas diferenças na constituição cerebral de cada um

Etnopsicologia ocidental moderna – segundo Lutz (1988)
Razão x Emoção
Razão < Emoção
Velório mexicano x Velório japonês
Razão > Emoção
Problematizações

• Hormônios como causadores e/ou reguladores de emoções
• Porém, a própria noção de hormônio como substâncias secretadas no corpo só surge no século XX!
• Se o modo como entendemos e vivenciamos nosso corpo é inevitavelmente mediado pelas formas de pensar cultural e historicamente construídas, é quase impossível separar biológico de cultural.
Ex.: Malinowski (1986), sobre o povo das ilhas Trombriand.


• Desde cedo as crianças aprendem como, quando e com quem expressar seus sentimentos
• Aprendizado emocional

“As emoções, embora situadas no corpo, têm com este uma relação que é permeada por significados cultural e historicamente construídos.”
A paciência é difícil, pois meu coração ainda esta tão ferido...
Imaginei, oh querida, que a distância
Seria a cura mas só fez piorar...

Esses poemas de amor foram recitados por um jovem beduíno, Fathalla, que havia se apaixonado por sua prima e desejava se casar com ela. O pai da moça se recusou a dar a mão da filha ao rapaz . Quando Fathalla soube da notícia, compôs e gravou os poemas e enviou a fita cassete para a sua amada. Já casada, de acordo com a história, ela ouviu a fita e, quando terminou, desmaiou e morreu.
Esta poesia expressa o sentimento de amor, que nesta sociedade, curiosamente não está presente nas conversas cotidianas sobre relações amorosas. No cotidiano predominam o sentimento de modéstia e vergonha, que estão visíveis na forma de vestir e na postura corporal que implicam uma negação da sexualidade.

No final, descobriu-se que a prima amada de Fathalla não morreu de amor e vive casada com seu marido, ou seja, mais do que expressar estados internos que se mantêm indiferentemente do contexto de interação, o poema de amor é um discurso emotivo que, ao ser colocado para um grupo de pessoas, pode dramatizar ou alterar o estado das relações em questão, demonstrando assim o potencial micropolítico das relações apresentado no capítulo 3

Nessa história podemos reencontrar os principais pontos abordados ao longo do livro. A tensão entre a universalidade de sentimentos ditos ‘’naturais’’ e sua susceptibilidade aos contextos culturais.

A segunda tensão constitutiva do campo da antropologia das emoções é evidente aqui também, mostrando como as experiências subjetivas estão atreladas a gramáticas culturais. A afirmação, no ocidente, da singularidade das experiências afetivas, contradita por sua evidente recorrência sob a forma de padrões claramente identificáveis.
Finalmente, a história de Fathalla serve também para mostrar a natureza micropolítica dos sentimentos, com a atribuição de um caráter perigoso e subversivo ao amor. Nessa história não interessa apenas o que Fathalla sentia por sua noiva, mas também o que aquele que narra está dizendo para seu interlocutor ao escolher-lhe contar a história.


A antropolologia das emoções permite assim pensarmos também na configuração dinâmica de ‘’complexos’’ emocionais. Os sentimentos, tantas vezes definidos como o oposto da racionalidade, podem ser muito, muito bons para pensar.
Relação entre emoções e o corpo:
A impulsividade das emoções:
Essencialismo:
Historicismo e Relativismo:
Contextualismo:
Full transcript