Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Sentimento do mundo

No description
by

Isabela Andrade

on 17 August 2014

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Sentimento do mundo

Carlos Drummond de Andrade
nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902.

Estudou na cidade de Belo Horizonte e começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas
Biografia
Analise e resumo da obra
Os poemas deste livro foram escritos entre 1935 e 1940, época em que o mundo tentava se recuperar da Primeira Guerra Mundial e enfrentava a ascensão de regimes totalitários: a Alemanha de Hitler, Franco na Espanha, Mussolini na Itália e o Estado Novo de Getúlio Vargas no Brasil.

Dentro deste contexto histórico-social, o poeta individualista de 'Alguma Poesia' e 'Brejo das Almas' revê seu fazer poético e toma consciência do mundo, voltando-se para a experiência coletiva.
Resumo dos poemas
Introdução
Sentimento do mundo
é o terceiro livro de poemas de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1940, escrito após Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934).

Drummond, considerado pela crítica nacional um dos maiores poetas brasileiros, mostra nessa obra sua faceta mais madura e atenta às fragilidades e angústias humanas.
Carlos Drummond de Andrade
Sentimento do mundo
"Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho."

Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas.

Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.
Porém, mesmo o poeta estando mais preocupado em escrever poesia social, a temática do eu continua ocupando lugar de destaque em Sentimento do Mundo, mas dessa vez com uma pitada de ironia e com um sentido mais universal.

Assim, o eu não aparece mais como um indivíduo isolado, mas sim como alguém presente e conectado ao mundo. Aqui, o eu volta-se para assuntos mais universais e este seria o sentimento novo da poesia drummondiana a partir de então.
Apesar de em "Sentimento do Mundo" Drummond ter tomado consciência do indivíduo num mundo que precisa ser salvo, ele reconhece também o fatal distanciamento entre os homens.

Essa vontade de união entre os homens contrasta com a pessimista e sombria visão de mundo do autor. Embora o eu-lírico seja completamente descrente do presente e não acredita em dias melhores, no fundo há uma utópica esperança permeando todos os poemas do livro.

Através do uso constante do vocativo e da terceira pessoa do plural, pode-se concluir que esta esperança de dias melhores nasce do ser coletivo, do "nós". Somente com a união entre os homens é que se pode escapar desse presente sombrio e tenebroso.
1 - SENTIMENTO DO MUNDO
"Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo [...]"
Aqui o poeta nos revela sua limitação e impotência perante o mundo ("tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo"). "Sentimento do mundo" pode ser entendido também como um poema sobre o próprio fazer literário, onde os poemas surgem como armas resultantes do "sentimento do mundo" do qual o poeta se conscientiza a partir dessa obra.

Drummond revela neste poema uma visão de mundo extremamente pessimista, com um amanhecer "mais noite que a noite".
2. CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
"Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!"
A alienação e o sentimento de dispersão que aparecem no poema ("Sinto-me disperso,/anterior a fronteiras") são vistas como consequências do isolamento geográfico e social de um eu marcado pela decadência ("Tive ouro, tive gado, tive fazendas./Hoje sou funcionário público.").

"Confidência do Itabirano" se fundamenta em um impasse poético entre o coletivo ("ferro nas calçadas") e o individual ("ferro nas almas"). A dor do poeta não é apenas causada pela saudade da terra natal, mas também pelo destino do país, que se modernizava e esquecia cidades como Itabira, que é "apenas uma fotografia na parede".
"é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO."
As inquietações e preocupações impostas pelo ritmo frenético da vida moderna são representados um atrás do outro por meio de repetições (anáfora).

As necessidades que nos são impostas (ler isso, acreditar naquilo, fazer aquilo outro) contrastam com as necessidades mais básicas e verdadeiras do homem: "É preciso viver com os homens/é preciso não assassiná-los". A necessidade de agir de acordo com os padrões e reprimir o ego esbarra no desejo íntimo.
3. POEMA DA NECESSIDADE

4. CANÇÃO DA MOÇA-FANTASMA DE BELO HORIZONTE

"(estrelas não se compreendem),
ninguém o compreenderá."
Neste poema Drummond aborda na imagem metafórica do espectro noturno assombrado pela solidão pós-morte, o seu isolamento e o de toda humanidade.
Inspirado em uma “lenda urbana” que se repete: a da noiva que morre de maneira trágica antes do casamento ou se mata quando se sabe traída antes de se casar.

Metáfora da comunhão adiada de Drummond com a humanidade, a Moça-Fantasma é aquele ente que, apartado do mundo dos vivos, sofre por perder a dimensão humana de ser vivente que, nem em vida, nem na morte, consegue o encontro com o outro. “Morri sem ter tido tempo / de ser vossa, como as outras”.
5. TRISTEZA DO IMPÉRIO

"ninhos de amor a serem instalados nos arranha-céus de Copacabana, com rádio e telefone automático."
A relação irônica do modernismo com a História, prato preferido de Oswald de Andrade, aparece na poesia de Drummond.

É um poema social de crítica aos ideais burgueses.

Com esse poema podemos notar a tristeza dos negros e mecânicos que aparentemente levam uma vida difícil e desejavam liberdade e uma vida melhor. Apesar da vida difícil, das guerras, as pessoas ignoravam esses fatores e buscavam na música, como exemplo citado no poema um refúgio, uma maneira de se sentirem bem apesar de todas as angústias retratadas.
6. OPERÁRIO DO MAR
Esse poema conta a trajetória de um operário que de acordo com a descrição, aparenta ser um homem sofrido, exausto por conta do trabalho pesado, com marcas no corpo, misterioso, mas determinado.É possível deduzir que há uma angústia tomando conta do operário pela forma que é descrito.

Não há amizade entre o narrador e o operário . O narrador o observa, aparentemente, de um casa ou algo semelhante e deseja fazê-lo parar sua caminhada, nem que para isso tenha que implorar. Pela aflição do narrador, parece que o operário tem intenções de fazer algo ruim. Aos olhos do narrador, o operário não é puro, inocente e santo e até o mar tem medo dele, nem o exército o impediu de continuar sua caminhada, agora explícita, em direção ao mar.

Ao caminhar em direção ao mar (suicídio, talvez) e ao sorrir em meio ao mar, pode-se ver um alivio, como de quem encontra solução para todos os problemas. Talvez esse poema seja um desabafo do autor após sentir a dor de perder um filho.
"Para onde vai ele, pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou lá atrás."
7. MENINO CHORANDO NA NOITE

"E não há mais ninguém no mundo
A não esse menino chorando."
O poeta quis mostrar que na época em que estava vivendo com o Nazismo e a Ditadura Militar, ainda sim poderia ter fraternidade e solidariedade por trás de tanto poder na mão de uma pessoa só, a figura do menino no poema quer simbolizar a vida e melhores condições para todas as pessoas envolvidas nesses processos que o mundo estava envolvido.

Um poema bastante emotivo onde o poeta sofre com o sofrimento do outro. As lágrimas caindo simbolizam a dor intensa e universal. Ser triste dói.
8. MORRO DA BABILÔNIA
"À noite, do morro
descem vozes que criam terror"
O poema fala que a noite no morro tem vários perigos onde vozes (gritos) apavoram todos, isso acontece quando cinqüenta por cento é quando pessoas saem do cinema e os outros cinquenta são por estrangeiros que ali visitam. Quando teve a revolução no morro, todos se espalharam para uma batalha de poder, ocorrendo mortes. A batalha acabou e o morro ficou mais encantado porque as vozes do morro não se calam porque vai ter sempre um cavaquinho para afastar os ruídos que ali tanto os perturbava mostrando sempre a gentileza e compartilhando alegria.


9. CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO

"Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos."
Neste poema, Drummond evidencia claramente o sentimento comungado por todos, simples mortais. É nele que Drummond fala do "amor que se refugiou no mais baixos dos subterrâneos, do medo que esteriliza o braço, no medo da morte e do depois da morte, e principalmente, no medo dos ditadores e no medo dos democratas". O poema escrito há pelo menos 60 anos contrasta com a página amarela e triste da nossa história que insiste em não virar, e se tornar passado de nossas vidas.

"É intrigante ver alguém falar de medo com tamanha coragem!"
O eu lírico fala do medo como se estivesse presente em sua vida, ou já houvera enfrentado. Não se fala em amor, pois o amor se esconde sobre o medo de amar, e nem do ódio, pois acredita que não existe.
10. OS MORTOS DE SOBRECASACA
"Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis"

No canto da sala existia um álbum de fotografia dos antepassados. As pessoas que viviam ali zombavam das fotografias dos mortos neste álbum, ali existiam fotos e memórias da família e também boas lembranças vividas.

Neste álbum havia fotografias velhas, desbotando-se e ficando com tons amarelos onde se registrava a eternidade do passado.

Esse poema é uma antecipação da poesia que vai falar da família e da memória. Não há como se desfazer do passado, da memória, mesmo que as fotos se acabem um dia. As lembranças boas e belas que nos acontecem ficam.

11. BRINDE DO JUÍZO FINAL

Em "Brinde no juízo final", o texto é modernista e homenageia os poetas populares contra os acadêmicos. Mostra a impotência da poesia burguesa no mundo capitalista. Fala que a poesia não é feita só de temas nobres, consagrados, mas de termos e temas banais. Drummond faz um brinde a essa poesia considerada, anteriormente, ridícula.


"As outras ruas são muito estreitas,
Só nesta cabem a poeira,
O amor"
12. PRIVILÉGIO DO MAR

"Neste terraço mediocremente confortável,
bebemos cerveja e olhamos o mar."
No poema Privilégio do mar, Carlos Drummond de Andrade fala sobre os problemas sociais das diferenças humanas.

Drummond faz uma ironia sobre a segurança no mundo. O poeta cria uma situação em que um grupo bebe cerveja na terraço de um edifício enquanto todos olham o mar.

Privilégio do mar é uma critica à alienação burguesa. O poeta inclui-se, não se mobiliza e desfruta de certa tranqüilidade, privilegiada em sua moradia.
13. INOCENTES DO LEBLON

"Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram"
Quando o eu lirico fala Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar ele quis criticar a burguesia que não se preocupava com que estava acontecendo no mundo e fingiam que não enxergavam os navios que traziam imigrantes para o Brasil.

No último verso do poema, Drummond volta a afirmar que a Burguesia se fingia de “Inocentes” e ignorava tudo o que estava acontecendo no Brasil, pois enquanto os navios estavam trazendo os imigrantes a Burguesia ficava na praia se bronzeando, se divertindo, eles continuavam com os seus lazeres e simplesmente esqueciam dos problemas.
14. CANÇÃO DO BERÇO

"O amor não tem importância [...]"
Um dos poemas mais interessantes e fortes do livro. De intensa carga negativa que reforça as idéias contidas nos anteriores, tudo está decomposto e nada mais tem importância, pois a vida é tênue, pequena, frágil e ligeira, não adiantando gritar, pois nenhum grito será ouvido.

As pessoas não se solidarizam mais: “Os homens não me repetem/nem me prolongo até eles”; há uma frieza nas relações pessoais: “Os lábios serão metálicos”, e o mundo está acabado e sem importância.

Através deste poema Drummond transmite a mensagem de que desde o berço o destino está marcado: o amor, a carne, a vida e os beijos não têm a importância imediata que a sociedade de consumo lhe dá.
15. INDECISÃO DE MÉIER

"Ambos com a melhor artista e a bilheteira mais bela,
que tortura lançam no Méier!"
Neste poema, Drummond relata sua indecisão relacionada ao cotidiano em que as pessoas, no geral, vivem. Expõe sua dúvida em relação as indecisões entre escolhas que precisa fazer durante um “dia”, e propõe soluções como nos três primeiros versos:

“Teus dois cinemas, um ao pé do outro, por que não se afastam
para não criar, todas as noites, o problema da opção
e evitar a humilde perplexidade dos moradores?”

Mas ao mesmo tempo que gera a solução, gera também a dúvida como nos últimos versos:

“Ambos com a melhor artista e a bilheteira mais bela, que tortura lançam no Méier!”

Portanto, não há solução que beneficiem ambos os lados, há somente as escolhas entre duas situações, que nos permite a indecisão para a análise e escolha da melhor que nos satisfaça.
16. BOLERO DE RAVEL

"Os olhos, magnetizados, escutam
e no círculo ardente nossa vida para sempre está presa
está presa..."
Este poema tem como mote "Bolero", a obra mais famosa do compositor e pianista francês Maurice Ravel. Ravel compôs essa música como um simples exercício de orquestração, sendo construída em um ritmo invariável e numa melodia uniforme e repetitiva.

A única sensação de mudança que temos se dá por uma mudança na intensidade dos instrumentos em determinadas partes da música. Essas características da obra aparecem no poema de Drummond através de referências como "espiral de desejo", "infinita, infinitamente" e "círculo ardente". O poema ganha significado através do contraste entre uma "alma cativa e obcecada", e um "aéreo objeto". Esta alma, que por não tocar jamais seu objeto de desejo (por isso "aéreo"), está presa num círculo infinito de "desejo e melancolia".

Assim, "nossa vida" está presa nesse "círculo ardente" do desejo, numa dança infinita, onde os tambores servem para abafar a verdade de que o Imperador (o "desejo", ou aquele que impõe o objeto de desejo) na realidade está morto.
17. LA POSSESSION DU MONDE
"Os homens célebres visitam a cidade [...]"
Neste poema, Carlos Drummond faz uma ironia ao escritor, poeta e pesquisador francês Georges Duhamel.

Duhamel sempre foi mais ligado na parte ‘coração’ do ser humano em meio ao grande período de desenvolvimento científico que acontecia no mundo.

A ironia acontece quando ele ao invés de fazer grandes pesquisas pelo país, se rende a uma árvore e ficar por horas observando-a, e ao final pede uma fruta amarela (‘’ce cocasse fruit jaune’’), porque assim como diz o titulo (‘’LA POSSESSION DU MONDE’’), teria o mundo em suas mãos.
18. ODE AO CINQÜENTENÁRIO DO POETA BRASILEIRO

"Esse incessante morrer
que nos teus versos encontro"
O analisar os poemas, o eu lírico se leva ao local que o poema descreve e imagina a imagem de um mundo melhor. Onde não haveria tantos perigos como no “mundo real” e é apenas nos poemas que ele consegue ver esse mundo pelo qual gostaria de viver.

O eu lírico expressa também o que acontece na realidade, dos sofrimentos por amor. Não seria nem o canto da andorinha, nem o médico mandando tocar algo que os fizesse melhorar, mas sim os poemas! E que sofremos por causa das mensagens que o eu lírico nos passa as vezes por alimentar uma falsa esperança dentro de nós. E se pergunta onde há lugar para a poesia.

Fala de poetas que já se foram, e se questiona do por que os homens suspiram, combatem ou simplesmente querem ganhar dinheiro e não conseguem perceber que o poeta faz cinquenta anos e permanece os mesmo. E deseja que o poeta encaminhe e os proteja para que console a esperança de todos os delicados e oprimidos, acima de profissões e de seus vãos disfarces, e no final pede que o poeta Manuel Bandeira escute esse apelo de um humilde homem.
19. MÃOS DADAS
"O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas"
Neste poema o poeta reafirma a sua consciência da existência de outros homens, seus companheiros. Com eles é que se sente de mãos dadas, e renunciou aos seus temas pessoais: uma mulher, uma história, a paisagem vista da janela. Não mais se refugiará na solidão porque o que lhe interessa é o tempo presente em que se acha inserido, e os homens que o cercam.

O poema "Mãos dadas" anuncia a utópica e festiva solidariedade humana. Como um ativista dos direitos humanos Drummond muitas vezes nega a influência do mundo moderno em sua obra, é o fugir do individual e o olhar para o coletivo e a solidariedade.
20. OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

"Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil."
O sentimento do mundo que dá título ao livro começa a fazer presente neste poema. Sente-se solidário com os que ainda não se libertaram do sofrimento. Sua vida se impõe como uma ordem: ela deve continuar, para enfrentar a realidade de um mundo que ele imagina carregar nos ombros e que não deve pesar mais do que a mão de uma criança.

Um poema profundo de grande significação ontológica e existencial. Seu núcleo é o que o poeta chama de “absoluta depuração” e nele está presente mais uma vez o clima estóico e depurado da vida. Com a sombra de Ricardo Reis e tudo, das doutrinas da Stoá e até e Epicuro.

O eu lírico expressa grande desencanto com o mundo um lugar onde não se diz mais meu “amor”, onde os olhos não choram mais, um lugar com guerras, desentendimentos e fome.
Alguns preferem morrer a suportar essa realidade onde todos tem que ouvir perante uma “ordem”, onde perdemos nossos sentimentos e nossas esperanças, um lugar onde nossos corações ficam secos.
O tema deste poema dedicado a Onestaldo de Pennafort, é a velhice.

Tido como um dos poemas do indivíduo mais extraordinários feitos por Drummond, "Dentaduras Duplas" trata de um tema que percorre toda a história da poesia: o envelhecer. Aqui, o "eu" se questiona e questiona a vida de modo mais universal, não isolado e individualista como nos livros anteriores. O poema é quase todo composto nem versos pentassílabos, em uma construção rítmica onde uma palavra puxa a outra. Seu final resume em uma metáfora irônica o apetite do tempo: "mastigando lestas/e indiferentes/a carne da vida!".
21. DENTADURAS DUPLAS

"Dentaduras duplas:
dai-me enfim a calma
que Bilac não teve
para envelhecer."
22. REVELAÇÃO DO SUBÚRBIO

"O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,
com medo de não repararmos suficientemente
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar."
Este poema nos remete à idéia de que o mundo tem sentimento. As luzes são precárias e a aurora traz a visão das frutas, fatia saborosa da vida.

O título do poema reflete o inusitado efeito estético das luzes do subúrbio aos olhos daqueles que o observam durante uma viagem noturna.

O ambiente noturno interiorano é triste e contrasta com o ambiente suburbano, cheio de luzes. O “eu” lírico vê tristeza e simplicidade no cenário do subúrbio.

Ao lermos o poema percebemos que a viagem do “eu” lírico rumo a Minas Gerais dura aproximadamente um dia.
23. A NOITE DISSOLVE OS HOMENS

"A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão."
O poema relata a história de uma guerra, os estragos e destruição que a mesma causa na vida das pessoas e em uma sociedade.

Na primeira estrofe, o eu lírico usa a noite como sinônimo de uma bomba que acabou de estourar, pois diz que não enxerga seus irmãos, nos remetendo a imagem de toda a poeira que um bomba causa ao ser explodida. Além da bomba, também se destaca o que ela causa após abaixar a poeira, que são as mortes e destruição total do local, sendo comprovado nas palavras "campos desvalecidos".

Para finalizar essa estrofe, o eu lírico deixa claro que diante de toda essa tristeza e destruição, os soldados e pessoas ficavam paralisados e sem ação, por não ver esperança de que algo poderia melhorar.

Já na segunda estrofe, após a escuridão de toda a guerra, a manhã chega no meio de tanta dor, sofrimento e tristeza. Os poucos sobreviventes restantes, mesmo fracos e desesperançosos conseguem ver uma luz e acreditam que tudo pode mudar.

No terceiro e último parágrafo, o eu lírico deixa um ''alerta'' a sociedade, quais os efeitos de guerra, onde perdas e mortes são inevitáveis, mas assim como o sol e a claridade temos a oportunidade de mudar essa dura realidade.
24. MADRIGAL LÚGUBRE

"em vossa casa, de onde o sangue escorre,
quisera eu morar."
O título do poema já nos da idéia de contraste entre as sociedades, com as palavras madrigal sendo algo terno e delicado, e lúgubre algo que carregasse o peso de um sentimento fúnebre.
O eu lírico descreve um cenário que dá a entender que tudo se passa em um lugar de guerra, onde há muitos mortos, sangue e uma cena de massacre. Ele usa isso para fazer uma comparação com a realidade naquele momento.

O mundo em que a princesa vivia fazia com ela não enxergasse a situação, e o eu lírico pede para ela acordar, ver a situação do povo. Ele diz que se ela acordasse todo o desprezo se tornaria em amor, então ele pede para que ela divida tudo o que tem com ele, pois a necessidade é grande.

O eu lírico contava toda aquela horrível realidade, como se fosse uma história, que para a princesa parecia monótona , e ele tinha medo do que poderia acontecer caso ela começasse a enxergar todos os problemas. Mas ela dorme, e é questionada pelo eu lírico como consegue diante tanto horror e se a consciência não lhe pesa.

No final do poema, o eu lírico se compara com uma lagarta mole, cansada de tudo, de tentar fazer a princesa enxergar, e escreve esta história sem pressa, pois não tem mais esperanças que algo poderia se resolver, e mostra que não há só ele com tamanha indignação, que há outras varias lagartas pelo chão. Então, abandona tudo e despede-se da princesa, até uma próxima vida.
25. LEMBRANÇA DO MUNDO ANTIGO

"As crianças olhavam para o céu: não era proibido.
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo"
Novamente a persona-lírica fala da miséria humana e dos horrores da guerra, comparando com o mundo em que vivemos, o mundo de Clara era bem mais tranquilo, puro, uma natureza mais bela, as pessoas eram mais felizes. Aos olhos de Clara, esse mundo era perfeito, havia inocência, liberdade. Esse poema, de certa forma, é uma crítica social, pois ainda hoje há jardins e manhãs, mas não com a mesma pureza de antes, não com a mesma paz e bondade retratadas na obra. O eu lírico demonstra saudades desse lugar, onde não havia maldade, violência.


26. ELEGIA 1938

"Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva. "
"Elegia" era o nome dado pelos gregos a um tipo cujo tema estava ligado à morte. Seu tom era, portanto, sempre triste, de lamentação. O ano de 1938 identifica-se com um período de grande desenvolvimento industrial e uma grave crise social e política, que teria como uma das suas decorrências a Segunda Guerra Mundial. A esse quadro o poeta refere-se como um “mundo caduco”.

No poema, o eu lírico transmite a vida comum sem alegrias onde fazemos “gestos universais” e sentimos profunda tristeza perante nossos problemas, que preferimos dormir para esquecê – los.
Um mundo onde perdemos muito tempo com coisas que são “desnecessárias” e esquecemos o que realmente é importante e assim ficamos presos ao passado.
27. NOTURNO À JANELA DO APARTAMENTO

"A soma da vida é nula.
Mas a vida tem tal poder:
na escuridão absoluta,
como líquido, circula."
O poema metaforiza, em versos conclusivos, a vida como uma corrente sanguínea.
Drummond demonstra sua falta de confiança com o mundo, onde tudo era apenas "escuridão absoluta, como líquido, circula. Suicídio, riqueza, ciência...”

Há ainda uma grande dose de melancolia. "Nenhum pensamento de infância,/ nem saudade, nem vão propósito. Somente a contemplação/ de um mundo enorme e parado.". Ele chega até a considerar o suicídio como uma opção válida...

No fim de tudo, a última estrofe fala: "Triste farol da Ilha Rasa". E era assim que Drummond se sentia, parado, um farol. Apenas ali a contemplar o mundo, a imensidão, tendo que se manter centrado, fincado.
28. MUNDO GRANDE

"Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores."
Nesse poema, ele questiona se ainda é possível salvar a humanidade, se podemos viver em um mundo onde fecharemos os olhos e só nos preocuparemos com o som da chuva batendo a janela.

São os últimos versos do livro. Novamente as reticências, a menção do suicídio, talvez uma morte coletiva que brotava a partir da incompreensão, da falta de solidariedade que o poeta constatava tão presente entre os homens.

Drummond se reconhece no mundo que precisa ser salvo, mas reconhece também o fatal distanciamento entre os homens. Transfigura-se então de poeta solitário em poeta solidário, recria o mundo depurando-o, buscando sua essência. Ao silêncio contrapõe a imagem poética.
Estilo literario da época
Os estilos literarios e artísticos com influencia histórica durante 1880 a 1940 eram:

* Barroco;
* Arcadismo;
* Realismo;
* Naturalismo;
* Parnasianismo;
* Simbolismo;
* Pré-modernismo;
* Modernismo.

E os autores em destaque eram: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Rubem Fonseca e Carlos Heitor Cony.
Estilo individual do autor
Seus poemas abordam assuntos do dia a dia, e contam com uma boa dose de pessimismo e ironia diante da vida. Em suas obras, há ainda uma permanente ligação com o meio e obras politizadas. Além das poesias, escreveu diversas crônicas e contos.

Os principais temas retratados nas poesias de Drummond são: conflito social, a família e os amigos, a existência humana, a visão sarcástica do mundo e das pessoas e as lembranças da terra natal.

Dentre suas obras poéticas mais importantes destacam-se: Brejo das Almas, Sentimento do Mundo, José, Lição de Coisas, Viola de Bolso, Claro Enigma, Fazendeiro do Ar, A Vida Passada a Limpo e Novos Poemas,
Problemática da obra Sentimento do Mundo
Sentimento do Mundo faz uma crítica aos tempos de guerras (evidenciados com os movimentos da Guerra Civil Espanhola, Segunda Guerra Mundial, Estado Novo de Getúlio Vargas, Fascismo e Nazismo) e sobre o poder de destruição do homem.

Escola literária:
A obra está inserida na segunda fase do Modernismo, no chamado Pós-Modernismo.

Narrador e foco narrativo:
Alguns poemas de O Sentimento do Mundo são conduzidos em primeira pessoa. Já outros estão na terceira pessoa.

A linguagem:
A obra apresenta uma linguagem coloquial, simplicidade vocabular, versos brancos e livres, frases nominais, ou seja, sem verbos, emprego da metalinguagem e ruptura com as formas tradicionais da poesia do passado.
O que acontecia no mundo em 1940?
* Getúlio Vargas governou o Brasil;
* Foi criado o primeiro computador, o ENIAC;
* Primeiro helicóptero de carga;
* Início a era de ouro do rádio no Brasil;
* Carmen Miranda no auge da fama;
* Instituição do salário mínimo do Brasil.
Full transcript