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Os Lusíadas- Canto X

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by

Rita Isabel

on 9 May 2017

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Transcript of Os Lusíadas- Canto X

Plano do Maravilhoso
Sempre
articulado
com o plano da Viagem, diz respeito à intervenção dos deuses e outras figuras mitológicas que ocorre ao longo de toda a obra. Confere beleza e diversidade ao Poema, ajudando a divinização dos Portugueses
Canto I
Consílio dos Deuses no Olimpo
Canto II
Cilada de Baco e intercessão de Vénus, afastando as naus da costa
Súplica de Vénus a Júpiter para auxiliar os Portugueses
Canto VI
Consílio dos deuses marinho, que decidem em desfavor dos Portugueses
Nova intervenção de Vénus que apazigua os ventos durante a tempestade
Canto VIII
Intervenção de Baco, instigando os indianos contra os Portugueses
Canto IX
Preparação, por Vénus, de uma recompensa para os Portugueses: a Ilha dos Amores
Canto X
Banquete preparado pelas ninfas para os navegadores
Tétis mostra ao Gama a grande máquina do Mundo
Esta é a glorificação simbólica do conhecimento, do saber proporcionado pelo sonho da descoberta: “o bicho da terra tão pequena” venceu as suas próprios limites e foi além do que prometia a “força humana”.
Diana
A deusa romana Diana, relacionada à Ártemis na mitologia grega, é a deusa da caça e da lua. Filha de Júpiter e Latona, é a irmã gêmea de Apolo.
Ambiente Heroico
Depois deste acontecimento os navegadores despedem-se das ninfas e dirigem-se para Lisboa ( regressam a Portugal).
Os Lusíadas
Os Lusíadas- Canto X
Despedida de Tétis e regresso a Portugal

( est.142-146; 154-156)

designed by Péter Puklus for Prezi
Bárbara Pinto nº 5
Catarina Veloso nº6
João Silva nº 9
Gabriela Silva nº 18
Rita Bacelar nº25
Deuses e Deusas
Ao longo desta epopeia surgem diversos deuses e deusas que iraõ interferir na missão de Vasco da Gama e os seus tripulantes, tomando decisões e ações a seu favor ou contra os mesmo, como é o caso de Baco que faz de tudo para que os Portugueses não alcancem o destino desejado, a Índia.
Marte
Baco
Júpiter
Éolo
Vénus
Apolo
Mercúrio
Ninfas
Tétis
Calíope
Pai dos Deuses, segundo a mitologia romana, equivalente a Zeus na mitologia grega. Júpiter surge como a divindade do céu, da luz divina, das condições climatéricas, do raio e do trovão.
Filho de Júpiter, é o deus do vinho, da vinha e do delírio místico. Levou a civilização e a arte de fazer vinho a várias regiões, entre as quais a Índia.
É a divindade mitológica romana que simboliza a beleza física, a atração sexual e o encanto das coisas naturais. Há duas versões sobre o seu nascimento: será filha de Júpiter e Dione ou terá nascido da espuma das ondas.
Calíope, em grego, significa "aquela que tem uma bela voz" ou "um belo rosto".
Sendo o deus da guerra, presidia a todos os combates e era uma das divindades mais importantes para a sociedade romana. Marte amava profundamente a deusa Vénus, e com ela haveria de ter um filho (Cupido).
Fruto de um relacionamento entre Júpiter e Latona, Apolo era venerado como deus do Sol, das letras e das artes. Era ainda ele quem presidia todas as nove musas.
Era o mensageiro dos deuses, e, para que pudesse desempenhar de forma mais rápida e eficiente esta função, Júpiter ofereceu-lhe um chapéu e umas sandálias com asas. Mercúrio, filho de Júpiter e de Maia, era ainda o deus da eloquência.
As Ninfas, na mitologia grega, são divindades femininas secundárias que habitam nos campos, nas florestas e nos mares.
Tétis é uma divindade menor, se bem que seja uma das mais antigas, Esta é uma Titã dos dezoito que Geia (a Mãe-terra) teve de Úrano (o Céu), que formaram a primeira espécie divina.
É reconhecida como a musa da poesia épica. Filha de Zeus e Mnemósine (memória), é uma das nove musas, que têm por missão a inspiração dos seres humanos para que estes se tornem criativos na arte e na ciência.
Éolo era o deus dos ventos na mitologia grega, sendo o senhor dos outros deuses do vento (Bóreas, Nótus, Eurus e Zéfiro).
Era Filho de Poseidon, e vivia na ilha flutuante de Eólia com os seus seis filhos e as suas seis filhas.
Como divindades menores, as Ninfas não eram imortais mas permaneciam jovens, belas e graciosas, sendo, por isso, amadas por deuses e por homens. Frequentemente são descritas com vestidos leves, quase transparentes, de cabelos compridos e soltos ou entrançados.
Filhas de Zeus, de acordo com Homero, com exceção das Melíades, as mais antigas e filhas de Urano, tinham o poder de profetizar, de proteger e de curar, aparecendo muitas vezes a auxiliarem as outras divindades.
Há diversos grupos ou categorias entre as quais se podem citar:

- as Nereidas e as Oceânides que são Ninfas marinhas;
- as Crenéias, as Náiades e as Pegéias que habitam, respetivamente, a fontes, a rios e os lagos;
- as Hamadríades (e Dríades) são protetoras das árvores;
- as Napéias vivem nos vales e selvas;
- as Oréades que moram nas montanhas.
As ninfas encontram­- se associadas à fertilidade, personificando a fecundidade da Natureza.
Mas eu que falo, humilde, baxo e rudo,
De vós não conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo,
Que o louvor sai às vezes acabado.
Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa esperiencia misturado,
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente.
Ex.:

Le vam a com pa nhia de se ja da

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Despedida de Tétis e o regresso a Portugal.

Luís Vaz de Camões
Estrutura Externa
A obra "Os Lusíadas" são constituídos por
dez cantos
, 1102 estrofes e 8816 versos. Cada canto possui um número variável de
estâncias com oito versos
, à qual damos o nome de oitavas. O canto mais longo desta célebre epopeia é o Canto X, composto por 156 estâncias.
As estâncias obedecem a uma estrutura fixa: são formados por versos
decassilábicos
( dez sílabas métricas ),na sua maioria heroicos (acentuados nas 6°e 10° silabas), surgindo, tambem, por vezes, o verso Sáfico ( acentuado nas 4°,8° e 10° sílabas).
Estrutura Interna
Camões respeitou com bastante fidelidade a estrutura clássica da epopeia. Na obra "Os Lusíadas" são claramente identificáveis quatro partes.
"Até qui, Portugueses, concedido
Vos é saberdes os futuros feitos
Que, pelo mar, que já deixais sabido,
Virão fazer barões de fortes peitos.
Agora, pois que tendes aprendido
Trabalhos que vos façam ser aceitos
Às eternas esposas e fermosas,
Que coroas vos tecem gloriosas,


Podeis vos embarcar, que tendes vento
E mar tranquilo, pera a pátria amada."
Assi lhe disse; e logo movimento
Fazem da Ilha alegre e namorada.
Levam refresco e nobre mantimento;
Levam a companhia desejada
Das Ninfas, que hão de ter eternamente,
Por mais tempo que o Sol o Mundo aquente.
Recursos expressivos
Ou fazendo que, mais que a de Medusa,
A vista vossa tema o monte Atlante,
Ou rompendo nos campos de Ampelusa
Os muros de Marrocos e Trudante.
A minha já estimada e leda Musa
Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja.
Ex.:
«No mais, Musa, no mais» (est. 145)
O objetivo de Camões era enaltecer o povo português e não apenas um ou alguns dos seus representantes mais ilustres. Não podia por isso limitar a matéria épica à viagem de Vasco da Gama. Tinha que introduzir na narrativa todas aquelas figuras e acontecimentos que, no seu conjunto, afirmavam o valor dos portugueses ao longo dos tempos. E fê-lo, recorrendo a outras narrativas secundárias, inseridas na narrativa da viagem, cujo narrador é o Poeta.
Por vezes, normalmente no final do canto, a narração é interrompida para o poeta apresentar reflexões de carácter pessoal sobre assuntos diversos, a propósito dos factos narrados.
E não sei por que influxo do Destino
Não tem um ledo orgulho e geral gosto,
Que os ânimos levanta de contino
A ter pera trabalhos ledo o rosto.
Por isso vós, ó Rei, que por divino
Conselho estais no régio sólio posto,
Olhai que sois( e vede as outras gentes)
Senhor só de vassalos excelentes!
Ex.:
Assi foram cortando o mar sereno,
a
Com o vento sempre manso e nunca irado,
b
Até que houveram vista do terreno,
a
Em que nasceram, sempre desejado.
b
Encontraram pela foz do Tejo ameno,
a
E a sua pátria e Rei temido e amado,
b
O prémio e glória dão por que mandou,
c
E com títulos novos se ilustrou.
c

Todas as estâncias existentes nesta obra apresentam o seguinte esquema rimático:
abababcc
, ou seja, rima cruzada nos seis primeiros versos e rima emparelhada nos dois últimos.
Estrutura Externa
Há ainda uma outra figura mitológica com o mesmo nome, e que muitas vezes confunde-se com a deusa Tétis: é uma ninfa marinha, ou nereide, filha de Nereu (o deus do Mediterrâneo), que foi a mãe do herói Aquiles.
Ex.:
«gente surda e endurecida» (est. 145)
Para Camões, Tétis representa estas duas entidades divinas. No entanto, esta confusão é intencional, pois permite unificar duas noções semelhantes que se referem ao mar, que é geralmente representado por Tétis ou Neptuno; contudo as ondas são representadas pelas Nereides ( Anfitrite, Panopeia, Galateia, entre outras).
Permite caracterizar e destacar os traços que o poeta pretende associar à pessoa descrita.
O poeta retira a desconvocação da musa, o que expressa o seu desânimo.
Ex.:

«Olhai» (est. 146)
Marca a exortação feita pelo poeta ao rei D. Sebastião.
Ex.:
«Pera servir-vos, braço às armas feito, / Pera cantar-vos, mente às Musas dada» (est. 155)
Ex.:
«Musa» (est. 145), «o Rei» (est. 146)
Ex.:
«Lira tenho / Destemperada e a voz enrouquecida» (est. 145)
Está ao serviço da enumeração das características pessoais, que o poeta oferece ao rei D. Sebastião.
Está associando à lira, instrumento musical, "a voz que canta". O poeta pretende referir a produção poética, feita de voz e musicalidade.
Permitem indicar o interlocutor do poeta, de quem ele se dirige em cada momento.
Chegada a Lisboa e reflexões
do poeta sobre a falta de
reconhecimento pela sua
obra e pela decadência
moral do país (X, 144-156)
Chegada à Ilha dos Amores (IX, 52-53, 66-70, e 88-95)
Canto X
Plano da Viagem
Da ilha dos amores a Lisboa.
Plano da História de Portugal
Profecias sobre a atuação futura dos Portugueses no Oriente e a dimensão do seu império.
Plano Maravilhoso
Banquete preparado pelas ninfas para os navegadores e Tétis mostra a Gama a grande Máquina do Mundo.
Dupla adjetivação:
Repetição:
Imperativo:
Anáfora:
Metáfora:


Apóstrofe:
Hipérbole:
Ex.:
«Demónios infernais, negros e ardentes,» / «Comterão convosco,» (X, 148)
Verifica que se exagera na apresentação dos demónios, com o objetivo de os enfatizar.
No regresso a Lisboa, os Portugueses fizeram “uma paragem” na Ilha dos Amores, pois Vénus achou que os portugueses mereciam tal recompensa e deu-lhes a companhia das belas ninfas, concedendo a Vasco da Gama o conhecimento da Máquina do Mundo.
Chegada à Ilha dos Amores, Tétis oferece um banquete aos portugueses e às ninfas.
Conceitos gerais do canto X
Assi foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que naceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E a sua pátria e Rei temido e amado
O prémio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou.
No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhua austera, apagada e vil tristeza.
Pera servir­-vos, braço às armas feito;
Pera cantar-­vos, mente às Musas dada;
Só me falece ser a vós aceito,
De quem virtude deve ser prezada.
Se me isto o Céu concede, e o vosso peito
Dina empresa tomar de ser cantada,
Como a pressaga mente vaticina,
Olhando a vossa inclinação divina,
Ambiente Heroico
Visão Global da obra:
a)

O facto central. -
O herói da obra "Os Lusíadas" não é individual, nem uma simples empresa, como acontecia noutros poemas: é Portugal. Logo, os Lusíadas são uma síntese não só dos factos mais importantes da nossa História, como do génio nacional. Como disse Aubrey Bell são um hino lírico à glória de Portugal.
Herói do Poema
Preparação do Poema
Escolhendo um facto central, o descobrimento da Índia, que, com os seus antecedentes e consequentes, fechava uma época e abria outra, e que repetia, a seu modo e inconscientemente, um tema de Lírica: o da aparição.
Diana
Como evitou o Poeta a mera enumeração de episódios?

Esta "Máquina do Mundo" era uma miniatura do Universo que descrevia a Terra e em particular as costas de África, Ásia e América, que serão dominadas pelo Império Português.
Síntese Intercalar ( Canto X, 1-7)
Matéria é de coturno, e não de soco,
A que a Ninfa aprendeu no imenso lago;
Qual Iopas não soube, ou Demodoco,
Entre os Feaces um, outro em Cartago.
Aqui, minha Calíope, te invoco
Neste trabalho extremo, por que em pago
Me tornes do que escrevo, e em vão pretendo,
O gosto de escrever, que vou perdendo.
Esta é a glorificação simbólica do conhecimento, do saber proporcionado pelo sonho da descoberta: “o bicho de terra tão pequena” venceu os suas próprios limites e foi além do que prometia a “força humana”.
Síntese Intercalar ( Canto X, 146, 2ª parte-153
)
Síntese Intercalar ( Canto X, 146, 2ª parte-153
)
A Máquina do Mundo revela o que será o Império Português, representando o auge da glorificação – Vasco da Gama vê o que só aos Deuses é dado ver.
Os Lusíadas: Uma Epopeia do Renascimento
"Os Lusíadas"
são considerados uma
Epopeia de "imitação"
.
Epopeia
porque trata-se da
narração em verso de um facto histórico grandioso que, pela sua transcedência, interessa toda a Humanidade.
Para além disso, o Poeta soube também escolher outros episódios significativos: por exemplo, as batalhas de Ourique, Salado e Aljubarrota; a morte de Inês de Castro (fundo lírico nacional); os Doze de Inglaterra (cavalheirismo medieval, valor coletivo, individualismo do Magriço); Fernão Veloso (o bom humor cavalheiresco); a tempestade entre outros; e símbolos representativos, como: o sonho de D. Manuel (sonho da India); o Velho do Restelo (prudência e reação nacional contra a aventura); o Adamastor (oposições da Fortuna na luta com o desconhecido)...
Plano das considerações do Poeta
Plano da História de Portugal
Os conhecimentos da poesia, da tragédia, da cultura grega, as referências à mitologia e os aspetos de vida dos gregos pode Camões tê-los colhido em autores latinos ou em manuais correntes no seu tempo.
Plano do Poeta
Sobretudo situadas no final dos cantos, as intervenções do Poeta são contituidas por lamentações, críticas, reflexões ou exortações.
Invocação
No Canto X , na estrofe 145 e nos primeiros quatro versos da estrofe 146, Camões dirige-se, finalmente, à Musa (Calíope) para um lamento sincero e a confissão de " não mais" poder "cantar a gente surda e endurecida".
Localização
Destinatário
Objetivo
I, 4-5
Tágides (ninfas do Tejo)
Pedir ajuda para a consecução de um "som alto e sublimado", " um estilo grandíloco e corrente", adequado à matéria do seu canto.
III,1-2
Calíope( musa da eloquência e da poesia épica
Conseguir inspiração para a composição do discurso do Gama ao Rei de Melinde ( narração da História de Portugal.
VII, 78-87
Ninfas do Tejo (Tágides) e do Mondego
Pedir o seu favor na tarefa tão difícil de cantar um povo ingrato, aproveitando para se queixar de infortúnios pessoais.
X,8 (2ª parte) e 9
Calíope
Camões sente a aproximação do Outuno da visa (velhice). O infortúnio e os desgostos atormentam-no e, por isso, pede à "rainha das Musas" que o ajude cumprir a missão que se propôs: glorificar a sua Pátria.
X, 145 e 146 ( 1ª parte)
Calíope (Musa)
Camões confessa não poder cantar mais, pois o não merece " a gente surda e endurecida".
O poeta termina lamentando-se pelo seu destino infeliz de poeta incompreendido por aqueles a quem canta e exortando D. Sebastião a continuar a glória dos Portugueses.
É Sirena que vai profetizar os feitos Portugueses no Oriente. Mas, como é hábito antes de qualquer discurso, Camões invoca a musa da poesia épica, Calíope, a quem pede inspiração para concluir o Poema, porque os anos, a Fortuna e os desgostos iam já minando o seu gosto de escrever.
Vivia-se em Portugal um ambiente de façanhas heroicas. Tinha-se descoberto a India, termo de aspiração antiga; e o conhecimento daqueles novos mundos causava, no tempo, uma admiração deslumbrada. Às viagens, aventuras, naufrágios, acresciam os triunfos militares portentosos. Vivia-se pois, em ambiente épico.

Oportuno nos parece também citar aqui a excelente síntese de Amélia Pinto (ab.cit.p.506):
Que Camões concebe para os seus heróis um prémio, mas não um prémio espiritual, no sentido cristão, como seria de esperar de um poeta e de uma epopeia cristã: trata-se, sim, de um prémio para o corpo; doces manjares, perfumes raros, frutos suculentos, suaves melodias, atos amorosos - todos os sentidos são saciados, atinge-se a plenitude e a alegria do corpo.
1-
Que, assim sendo, Camões parece querer significar que o AMOR, na sua vertente pagã, de todos os tempos, EROS, é a força suprema, capaz de conduzir ao homem novo, harmonizado o universo, ao colocar o Homem acima dos deuses, como único verdadeiro “senhor de si e do universo”, (Corneille).
2-
Que, levando à divinização dos Homens, o Amor lhes dá também atributos divinos, serem senhores do Templo (Profecias), da Ciência e do Espaço (“Máquina do Mundo”).
3-
Que nesta narração maravilhosa se vem integrar, como figura épica, assim se imortalizado com o seu canto, o próprio poeta (referência ao seu naufrágio).
Que também nesta narração pagã se insere o vector da Fé, como eixo que liga o passado (S. Tomé ) ao futuro-missionários que evangelizarão o Oriente.
Que aqui se consumam as profecias e receios de Baco: os portugueses tornaram-se deuses e os deuses revelam-se como humanos, fábulas.
Que neste dois cantos finais a História de Portugal é transfigurada miticamente num maravilhoso de tipo novo e superior: “ Cesse tudo o que a Musa antiga canta “ Que outro valor mais alto se alevanta”.
4-
5-
7-
8-
A estância 145 e os quatro primeiros versos da estância 146 constituem uma momentânea viagem pessimista, por ver que vem “ cantar a gente surda e endurecida”, mas, a partir do 5º verso desta última estância e até ao fim do poema, Camões retoma o ânimo e dirige uma exortação a D.Sebastião, em que chama à atenção para a necessidade de promover e premiar a virtude e o heroísmo dos seus súbditos. Na estância 156, o poema finaliza-se e o poeta está disposto a retomar a pena e glorificar o ideal de heroísmo que o jovem Rei lhe parece encarnar:
O convite de Tethys a Gama para ver “o que não pode a vã ciência / Dos errados e míseros mortais”
Descrição do “globo”
(X, est. 75-76)
(X, est. 77-79)
“A grande máquina do Mundo”
Explicação sobre o significado da “Grande Máquina do Mundo” e apresentação detalhada dos seus elementos constituintes.
(X, est. 81-91)
“O espectáculo da “Máquina do Mundo” […] constitui sem dúvida numa notável celebração da felicidade, pela inteligência e contemplação, proporcionada por Tétis aos navegantes, como prémio das suas altas realizações.”
A necessidade do surgimento de uma Epopeia Portuguesa que glorificasse o gesto heroico do povo vinha a ser sentida desde muito. Os apelos mais conhecidos são os de
Garcia de Resende
, no
Prólogo do seu "Cancioneiro Geral"
e do poeta
António Ferreira
, que proclama a urgência de "um novo canto/heroico e generoso/ nunca ouvido dos nossos bons passados" e que imortalizasse "altos reis, altos feitos".
Publicada numa altura em que o Império Português mostrava já sinais evidentes de crise e ruína próxima, esta Epopeia canta a glória do povo português ("o peito ilustre lusitano") com incidência no seu período de maior fulgor - a época dos Descobrimentos, representada pela viagem de Vasco da Gama .

O tema escolhido por
Camões
para a sua grande Epopeia foi toda a história de
Portugal
, como se observa pelo próprio título:
Os Lusíadas
. Esta palavra "
Lusíadas
" designa os
Portugueses
, que a erudição humanísta assim nobilitava como descendentes de
Luso
, pastor lendário da
Lusitânia
e filho ou companheiro de
Baco
, deus do vinho e da alegria.
O espírito do povo português, foi capaz de trazer ao conhecimento da Europa e da Humanidade povos desconhecidos, lugares ignorados e inóspitos e os caminhos marítimos para ligar os cinco continentes.

 "Os Lusíadas"
surgem como a Epopeia das façanhas dos mares que os levaram à Índia. Esta obra conta por fragmentos a história grandiosa de Portugal e os acontecimentos futuros (Deuses antecipam).
Esta é a Epopeia que segue os modelos das chamadas "epopeias primitivas", isto é, a "
Íliada"
e a "
Odisseia
" de Homero. Todavia, tal "imitação" faz-se através da "
Eneida
" de Virgílio, que Camões chega a seguir muito de perto em alguns episódios.
Esta deusa era a irmã gêmea de Apolo – enquanto ele simbolizava a luz solar, ela representava a esfera lunar.
É ao poema de Virgílio, a "
Eneida
", que o poema universal dos Portugueses se liga de mais direto modo. Isso verifica-se logo desde a
Proposição
e confirma-se em alguns aspetos da estrutura, desenvolvimento da ação, recurso à narrativa e à profecia(...)
Esta deusa da fertilidade animal, tinha várias discípulas, que eram denominadas ursas. Elas reconheciam a sua natureza autoritária e repressora. Os animais ferozes que estão sempre junto a esta deusa representam, por outro lado, os impulsos que precisam ser dominados. Sem dúvida ela é o símbolo maior do feminino, da liberdade e autonomia.
Plano da Viagem
Este constitui a ação central do poema, que se encontra sobretudo nos Cantos I, II, IV, V, VI, VII e VIII.
O Plano da Viagem é a narração dos acontecimentos ocorridos durante a viagem entre Lisboa e Calecute.
Partida a 8 de Julho de 1497;
Peripécias da Viagem;
Paragem em Melinde durante 10 dias;
Chegada a Calecute a 18 de Maio de 1498;
Regresso a 29 de Agosto de 1498;
Chegada a Lisboa a 1499.
Plano do Maravilhoso
Sempre articulado com o Plano da Viagem, este diz respeito à intervenção dos Deuses e outras figuras mitológicas que ocorre ao longo de toda a obra. Confere beleza e diversidade ao Poema, ajudando à divinização dos Portugueses.
Plano da História de Portugal
Surge
encaixado
no Plano da Viagem
Canto II
Profecias de Júpiter acerca das grandes conquistas dos Portugueses no Oriente (prolepse)
Canto III
Formação da nacionalidade e 1.ª dinastia (analepse)
Canto IV
2ª dinastia, partida das naus de Belém e episódio do Velho do Restelo (analepse)
Canto V
Vaticínios de naufrágios e mortes de navegadores portugueses (prolepse)
Canto VIII
Explicação das imagens das bandeiras ao Catual e narração de alguns episódios da História de Portugal nelas reproduzidos
Canto X
Profecias sobre a atuação futura dos Portugueses no Oriente e a dimensão do seu império (prolepse)
De facto, Camões despede-se da “Musa” (Calíope), a quem pedira ajuda para a conclusão do poema. Sente-se cansado, não de cantar, mas de ver que não é escutado ( “ E não do canto, mas de ver que venho cantar a gente surda e endurecida.”)nem compensado, porque a Pátria “está metida/ No gosto da cobiça e na rudeza / Dhua austera, apagada e vil tristeza”.
No Canto X, Camões há de exortar D. Sebastião à guerra em África e de propor aos nobres e aos guerreiros um ideal de heroísmo, atitudes estas que definem um ideal cavaleiresco. Também os acontecimentos da História de Portugal que Camões selecionou para definir o seu herói quase se reduzem a batalhas e amores, facto que diminui a perspetiva humanista e supervaloriza o mesmo ideal cavaleiresco.
O Canto X congrega os quatro Planos ( a Viagem; a História de Portugal, transfigurada nas profecias de Sirena e de Tétis, os Deuses e as Considerações Pessoais) e funciona, portanto, até à estância 144, como uma espécie de síntese otimista.
A minha já estimada e leda Musa
Fico que em todo o mundo de vós cante
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja.
A estância 145 inicia a conclusão ou o epílogo do poema e traduz o desencanto face à decadência atual da Pátria, que contrasta flagrantemente com a grandeza que acaba de cantar.
Após uma Invocação do poeta a Calíope, uma Ninfa faz profecias sobre as futuras vitórias dos Portugueses no Oriente.
Tétis termina o banquete e conduz Gama ao cume de um monte, mostrando-lhe a “Máquina do Mundo”, tal como Vénus desejou.
Sirena
Canto I
Canto II
Canto VI
Canto VIII
Canto IX
Canto X
Consílio dos deuses no Olímpo
Cilada de Baco e intercessão de Vénus, afastando as naus da costa Súplica de Vénus a Júpiter para auxiliar os Portugueses
Consílio dos deuses marinhos, que decidem em desfavor dos Portugueses. Nova intervenção de Vénus que apazigua os ventos durante a tempestade
Intervenção de Baco, instigando os indianos contra os Portugueses.
Preparação, por Vénus, de uma recompensa para os Portugueses: A ilha dos Amores
Banquete preparado pelas ninfas para os navegadores. Tétis mostra a Gama a grande Máquina do Mundo.
Sirena
As sereias ou sirenas eram seres da mitologia grega descritas como parte mulher e parte pássaro, que atraia os homens, principalmente os navegantes em alto mar. Eram tão lindas e cantavam com tanta doçura que atraíam os tripulantes dos navios que passavam mais próximos , fazendo-os colidirem com os rochedos e afundando-se. Durante a Idade Média, a evolução do mito transformou-as em mulher-peixe(sereias) e deu-lhes outras características.
As sereias ou sirenas eram filhas de Achelous e da musa Melpômene. Eram belas jovens mas por desprezarem os prazeres do amor, Afrodite tornou-as metade mulher - metade pássaro. Depois disso, elas atraíam e prendiam os homens.
Graças aos conselhos da feiticeira Circe, Odisseu e sua tripulação conseguiram escapar do encanto da sereias quando retornavam a Itaca. Os marinheiros colocaram cera nos ouvidos e Odisseu amarrou-se ao mastro do navio, pois ele queria ouvir o canto das sereias e assim vencê-las.
Os Lusíadas de Camões vs A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto
As duas obras foram publicadas em momentos relativamente próximos – a
Epopeia de Camões
em 1578 e a
Peregrinação
em 1614 (30 anos após a morte do autor) e em princípio deve-se assinalar uma grande diferença entre elas:

Os Lusíadas são uma Epopeia que, como tal, faz uma narração de grandes feitos (embora não de forma ortodoxa).
O relato de Fernão Mendes Pinto é uma autobiografia que apresenta um espetáculo de miséria humana, com informações de conjunto sobre o Oriente – Sião, China, Japão.
Na Peregrinação acontece o oposto, pois os temas intercalam-se e o foco não restringe-se aos portugueses, havendo espaço também para os “outros”(povos). Aliás, a narrativa retira todos os preconceitos dos viajantes em relação aos povos visitados, visto como mais fracos e submissos (indianos) ou mais fortes e poderosos (chineses).
Existem grandes diferenças entre estas duas obras:
Os Lusíadas falam do receio a um Deus universal e renascentista,
tirado do Novo Testamento.
O cristianismo de Fernão Mendes Pinto é herético, sendo a religiosidade dos viajantes revelada, pela Peregrinação amoral e particularista. Sendo esta muitas vezes criticada por personagens orientais, como o menino chinês da ilha dos Ladrões (episódio VI) ou o ermitão da ilha de Calempluy (episódio IX), que mostram o que há de bárbaro e particularista na mentalidade religiosa dos portugueses da altura.
Os temas da Epopeia são heróicos: fazendo o elogio dos lusitanos, que por “Obras valerosas / Se vão da lei da morte libertando”, os Lusíadas celebram “as armas e os barões assinalados (...) Que passaram ainda além da Taprobana”, e os reis que transformaram o mundo, “dilatando a fé e o império”.

O seu acontecimento central – a descoberta do caminho marítimo para a India.
Preocupado com uma realidade histórica, épica e trágica, que pretende provar a grandeza dos lusitanos e a sua vocação para os grandes feitos.
Contrariamente a comparação que se faz dos portugueses com outros povos em Os
Lusíadas, funciona sempre no sentido de engrandecer os lusitanos, com base no
preconceito do grande amor próprio nacional.
Em Os Lusíadas acentua-se o papel pedagógico dos heróis viajantes. Quanto à Peregrinação, recebem ensinamentos ou são criticados. Apresenta-se além disso, a sugestão de que o seu espírito é de pirataria. Na crítica de Fernão Mendes Pinto faz-se referências ao exótico, através da descrição de práticas estranhas dos orientais. Estas são equivalentes de alguma maneira às dos seus compatriotas estando preocupados em “comprar” a salvação eterna.
Segundo a Epopeia, realiza-se num relacionamento senhorial, com povos mais fracos e submissos. Para essa exaltação, reaproveita-se mitos alheios e cria-se outros, sendo o resultado, a dramatização e a transcendentalização de uma realidade que, não obstante, com apreensíveis grandezas históricas e poéticas.
Em ambas as narrativas existe uma personagem principal: Nos Os Lusíadas o herói é Vasco da Gama e na Peregrinação o anti- herói é António de Faria, sendo que a
profissão deste, conforme revela o relato, é apenas um pirata, o que se comprova
pelo assalto aos mausoléus dos reis da China, na ilha de Calempluy (cap. IX).
Esse elemento exótico funciona ironicamente no texto como espelho da civilização do autor,
para criticar os seus erros e absurdos ou para fantasiar modelos perfeitos.
Com apresentação espalhada do diferente, evidenciam seus aspetos negativos, isso porque Fernão Mendes Pinto, mostra ausência de preconceitos. Com tudo, este constrói na China a sua utopia e a sua cidade ideal no sentido político, social e religioso.
“Por concessão de Deus, Vasco da Gama vai poder ver o que a ciência dos homens não pode ver […].
A contemplação da máquina do mundo, que Tétis proporcionou a Vasco da Gama, tem algo de iniciação ao conhecimento do Universo, porque a iniciação é a passagem do mundo profano, vulgar, para um mundo sagrado, para um nível diferente.”
Proposição;
Invocação;
Dedicatória;
Narração
Nas estrofes 146 a 153, Camões procurará ultrapassar este desalento que o presente lhe inspira, exortando D. Sebastião a tomar “conselho só de experimentados” e a favorecer e estimar todos aqueles que “com seu sangue intrépido e fervente/ Estendem não somente a lei de cima./ Mas ainda vosso Império preeminente”.
Retomando a postura confiante da Dedicatória, o poeta parece depositar no jovem D. Sebastião a esperança que lhe resta de regeneração da Pátria.
Finalmente, nas estrofes 154-156, Camões assume uma postura de humildade ("...eu que falo, humilde, baxo e rudo"), mas nem por isso deixa de exprimir a consciência do seu valor, dos seus conhecimentos e da sua experiência, a ponto de se oferecer a D. Sebastião para o servir na guerra ("Pera servir-vos, braço às armas feito") ou para cantar os seus feitos ("Pera cantar-vos, mente às Musas dadas).
No final do poema, a exortação e alguma confiança no novo Rei não conseguem disfarçar uma profunda inquietação do poeta face à sua juventude e inexperiência. Numa conjuntura económica, social e política tão desfavorável, restava a esperança de um recomeço.
Mas era já demasiado tarde e, em 1578, seis anos depois da publicação da obra "Os Lusíadas", o desastre de Alcácer-Quibir viria a justificar tanto o desalento como a inquietação do nosso Épico.
Fernão Mendes Pinto
No século XVI, Fernão Mendes Pinto percorreu o Oriente, assim quando regressou, contou as suas aventuras, num relato que muitos consideraram fantasia. Hoje é consensual o valor histórico e literário do testemunho desta "Peregrinação".

No livro, o autor narra a sua vida de aventuras e desventuras, e as suas viagens pelo Oriente, ao longo de 21 anos, em relatos com descrições muito pormenorizadas dos povos, das línguas e das terras por onde passou e onde revela admiração e fascínio pela grandiosidade dessas civilizações.
No Ocidente da época ninguém acreditava que o Oriente fosse assim tão rico e tão diferente quanto a tradições culturais. O autor é acusado por muitos de exagero, tendo ficado célebre o dito popular «Fernão, Mentes? Minto!». Contudo, é hoje indiscutível o valor do seu testemunho, escrito com elementos verídicos e de fição.
A obra a “Peregrinação” torna-se um sucesso, um pouco por toda a Europa da época, pelos conhecimentos amplos sobre o Oriente.
Esta é a Epopeia que segue os modelos das chamadas "epopeias primitivas", isto é, a "
Íliada"
e a "
Odisseia
" de Homero. Todavia, tal "imitação" faz-se através da "
Eneida
" de Virgílio, que Camões chega a seguir muito de perto em alguns episódios.
Diana era a divindade responsável pelas atividades da caça. Esta é representada como uma imagem lunar e selvagem, constantemente seguida de perto por feras selvagens, especialmente por cães ou leões. Ela tem sempre consigo, um arco dourado, nos ombros um coldre de setas, e usa uma túnica de tamanho curto.
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