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A Globalização e as desigualdades socioespaciais no Brasil

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Keli Ruppenthal

on 6 October 2013

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Transcript of A Globalização e as desigualdades socioespaciais no Brasil

A Globalização e as desigualdades socioespaciais no Brasil
O Brasil é uma nação com profundas desigualdades, que são anunciadas diariamente nos noticiários de TV e nas manchetes de jornais. Elas também estão estampadas nas ruas de cidades e nas paisagens do campo, sendo percebidas por meio da pobreza, da fome, do desemprego e da violência, e ocorrem devido a abertura da economia nacional ao processo de globalização.
Consenso de Washington e a abertura da economia brasileira
Durante a década de 1980 a economia
brasileira passou por uma profunda crise,
com taxas anuais de crescimento baixíssimas,
sendo chamada de “a década perdida”.

A economia nacional encontrava-se emperrada em razão de diversos problemas: grande defasagem tecnológica em relação aos países desenvolvidos; aumento da dívida externa; pouca oferta de financiamento para atividades produtivas e para a ampliação da infraestrutura; déficit público elevado; inflação com índices assustadores.
A partir do início da década de 1990, o governo brasileiro decidiu adotar os preceitos neoliberais do capitalismo internacional.
Com base nesses preceitos, o Estado passou a promover a abertura do mercado interno, diminuindo as barreiras protecionistas e facilitando a entrada de mercadorias e investimentos externos, como aplicações financeiras, compra de empresas nacionais ou participação acionária. O objetivo dessas manobras político-econômicas era alcançar o crescimento econômico por meio da entrada de capital estrangeiro.

A explicação para tais posturas por parte do governo baseava-se no argumento de que a proteção às empresas nacionais não era estimulante ao crescimento tecnológico da indústria brasileira. Alegava-se que, com a abertura do mercado interno, a concorrência seria saudável e proporcionaria maior desenvolvimento, além da recuperação de alguns setores atrasados.
Colocando em prática essa estratégia, presumia-se que a economia brasileira ganharia em competitividade, interna e externa, sem a necessidade de protecionismo e de subsídios.

O Brasil seguia, as determinações básicas da política econômica neoliberal, as quais constavam de um receituário econômico, elaborado em 1989, que recebeu o nome de
Consenso de Washington
. O objetivo principal do receituário era acelerar o desenvolvimento da América Latina.
Grandes instituições financeiras como o FMI, Banco Mundial, Bird e do governo dos Estados Unidos concordavam a respeito de algumas posturas primordiais, que foram sugeridas aos países subdesenvolvidos no Consenso de Washington:
• A abertura comercial com o aumento de facilidades para entrada e saída de capitais, liberando as importações e as exportações;


• Uma reforma fiscal no sistema de atribuição e de arrecadação de impostos, objetivando que as empresas diminuíssem os gastos com tributos e alcançassem maior competitividade no mercado;
• A privatização de empresas, com o objetivo de diminuir as despesas do governo;

• A diminuição de gastos com a máquina do Estado por meio do corte de salários e da demissão de funcionários, além de mudanças nas leis trabalhistas, na previdência social e no sistema de aposentadoria, a fim de reduzir a dívida pública.
Privatizações e o Desemprego Estrutural
O início da abertura econômica no Brasil ocorreu em 1990, durante o governo de Fernando Collor. O Estado passou a reduzir os impostos sobre importações, propiciando a entrada maciça de produtos estrangeiros no mercado brasileiro. Houve crescimento da oferta de produtos e estabilidade ou diminuição dos preços de algumas mercadorias.
Tendo de competir com os produtos importados, muitas indústrias nacionais não conseguiram suportar a concorrência e faliram ou foram compradas pelo capital estrangeiro. Nesse período o governo brasileiro criou incentivos fiscais e promoveu privatizações de empresas estatais para estimular os investimentos externos do Brasil.

O setor terciário absorveu uma porcentagem significativa da População Economicamente Ativa (PEA) que foi dispensada do setor secundário, mas sua expressão foi consequência do aumento da demanda da população urbana por bens e serviços, como o fardo do desemprego estrutural.

O Estado provocou um processo acelerado de abertura da economia ao capital internacional sem apresentar um projeto de estruturação que ajudasse o mercado interno. Então as multinacionais, que compraram muitas dessas empresas ou associaram-se a elas, dobrando a participação do capital externo em empresas nacionais, inclusive nas estatais que foram privatizadas.
As multinacionais provocaram a queda maciça de empregos no país. Todo o investimento tecnológico empreendido por elas redundou na diminuição do quadro de funcionários. Além da tecnologia aplicada na estrutura operacional, com a introdução de robôs, máquinas digitais e informatizadas e técnicas toyotistas de produção, as multinacionais repassaram serviços para empresas terceirizadas e instauraram redes de subcontratação, em que os salários oferecidos aos trabalhadores eram inferiores. O processo de privatização acentuou o desemprego e piorou as condições de trabalho nos diversos setores em que ocorreu.

À medida que o mercado se abriu, houve a dispensa de um grande contingente de trabalhadores gerando o que denominam desemprego estrutural. Centenas de milhares de trabalhadores viram sua profissão desaparecer. Perderam o emprego e passaram a ter poucas perspectivas de retorno ao mercado de trabalho. Quem não teve a sua profissão inutilizada viu o número de vagas reduzirem-se expressivamente. No lugar das vagas de emprego nos segmentos clássicos de atividades econômicas, entraram as novas tecnologias de produção de mercadorias e geração de serviços e os sistemas informatizados, aplicados no setor terciário da economia.
A Especialização e o Inchaço do Setor Terciário

O processo brasileiro de urbanização é caracterizado pelo crescimento populacional nas metrópoles e nas cidades médias, assim como pelo aumento do número de cidades, transformou o setor terciário em um dos principais segmentos de atividade econômica, gerando atualmente a maior parte do PIB nacional.

Nas metrópoles e nas cidades de porte médio, o comércio e os serviços tornaram-se mais diversificados com a criação, de grandes redes bancárias, de redes de distribuição de mercadorias, de empresas de telefonia, de empresas de transporte, de assistência médico-hospitalar, de lazer e de estabelecimento de ensino.

Nas metrópoles e nas cidades de porte médio, o comércio e os serviços tornaram-se mais diversificados com a criação, de grandes redes bancárias, de redes de distribuição de mercadorias, de empresas de telefonia, de empresas de transporte, de assistência médico-hospitalar, de lazer e de estabelecimento de ensino.

Surgiram no Brasil, às redes de supermercados e de hipermercados, as grandes lojas de departamentos e shopping centers. Esses segmentos do comércio empregam hoje milhões de pessoas e respondem por 85% do abastecimento nacional de mercadorias de grande consumo. Existem no país cerca de duzentas dessas grandes estruturas, que geram aproximadamente 400 mil empregos diretos.
O setor informal da economia

Apesar da expansão do comércio e da prestação de serviços em todo o país, o número de vagas no segmento formal da economia diminuiu em razão da implantação de métodos organizacionais de trabalho eu exigem uma quantidade cada vez menor de mão de obra, assim como ocorreu no setor secundário.
Calcula-se que cerca de 8% do PEA esteja desempregado no país. Uma das principais consequências desse alto índice de desemprego é o aumento do número de trabalhadores no chamado setor informal da economia.
De maneira geral, as atividades informais são praticadas por pessoas desempregadas e por muitas que estão empregadas, mas trabalham por conta própria como diaristas, vendedores, recicladores de lixo, entre tantas outras atividades, como forma de aumentar os rendimentos mensais e, assim, obter melhores condições de vida.

Qualificação e flexibilização da mão de obra

Um aspecto relevante da questão do emprego no mundo é a exigência de mão de obra cada vez mais especializada, capaz de se adaptar às rápidas mudanças tecnológicas. Dessa forma, a qualificação profissional constitui um fator imprescindível às pessoas que estão na disputa por um emprego. As atividades que não envolvem o uso de criatividade ou outras habilidades intelectuais por parte dos funcionários, como o trabalho repetitivo realizado nas linhas de produção das fábricas, tenderão, cada vez mais, a ser desempenhadas por robôs e outras máquinas. Hoje em dia, o importante para o mercado de trabalho é que as pessoas tenham maior flexibilidade, isto é, capacidade de exercer múltiplas funções e tarefas em uma empresa, sendo profissionais “polivalentes”.

Concentração da renda e exclusão social no Brasil

No Brasil, a concentração de renda é um dos traços mais marcantes da desigualdade social. O nível de concentração de renda, um dos mais acentuados do mundo, destaca-se pelo fato de os 10% mais ricos da população terem, em média, rendimentos cerca de 20 vezes maiores que os dos 40% mais pobres. Soma-se a isso o fato de a minoria abastada controlar aproximadamente 40% do PIB brasileiro, cerca de 1,1 trilhões de reais. Nos Estados Unidos, por exemplo, os 10% mais ricos detêm cerca de 25% do valor do PIB.

No Brasil, enquanto uma parcela pequena da população tem rendimento exorbitantes, a maioria das pessoas vivem com pouco ou nenhum recurso.
Esse quadro de desigualdades sociais gera um processo de intensa
exclusão social
, que se revela, por exemplo, por meio do crescimento da população sem moradia nas cidades e do aumento do número de desempregados e de analfabetos, ou seja, do número cada vez maior de pessoas privadas de seus direitos básicos.


Não se deve negar que ocorram importantes avanços em alguns setores sociais, como o da educação, em que se observou aumento da taxa de alfabetização e diminuição dos índices de evasão escolar. Também no saneamento básico registraram-se avanços, como aumento do número de domicílios abastecidos com água tratada e a expansão de serviços como o de rede de esgoto. Entretanto, não houve avanços importantes na solução de problemas como a falta de emprego e de habitações, as diferenças de infraestrutura entre os estados e as grandes regiões.

O modelo de desenvolvimento adotado no Brasil priorizou o crescimento e a modernização da economia, mas não se priorizou o desenvolvimento social. Para muitos estudiosos, o desenvolvimento econômico não poderá ocorrer plenamente se estiver separado do desenvolvimento social, pois, quando a economia para de crescer, a sociedade sente seus impactos imediatamente.
O crescimento e estabilidade da economia são fundamentais para o desenvolvimento de um país, mas o modelo adotado não deve estar desvinculado do desenvolvimento social.

As Desigualdades Socioeconômicas Regionais no Brasil
Embora a divisão regional oficial do território brasileiro seja contestada por pesquisadores de diferentes áreas, como geógrafos, economistas e sociólogos, é com base nela que são realizadas as análises a respeito das desigualdades espaciais e socioeconômicas que subsidiam os programas de investimentos e as políticas públicas e privadas para cada porção do país.
De acordo com os dados apresentados no mapa, percebemos que os estados da federação brasileira apresentam Índices de Exclusão Social (IES) muito distintos. É notória a concentração dos piores IES nas regiões Norte e Nordeste, com algumas exceções. Já o Sudeste, o Sul e o Centro-Oeste são as áreas em que esse índice indica melhores condições de vida.
Índices que vão de zero a um. Quanto maior o número, melhor a situação

Essas informações mostram as desigualdades existentes entre os estados e as regiões brasileiras, geradas sobretudo em razão das características históricas de ocupação do território e do desenvolvimento das atividades econômicas. No entanto, também existem “ilhas” de extrema exclusão no Centro-Sul, mostrando que, na realidade, os problemas sociais ocorrem em todas as regiões do país.
As desigualdades existentes entre os outros estados brasileiros apontam a necessidade de uma reestruturação em nível federal. Essa necessidade, entretanto, caminha em direção oposta à dos interesses do capital monopolista e financeiro mundial.
As Desigualdades Socioespaciais nas Cidades Brasileiras
De maneira geral, quando transpomos a análise das desigualdades sociais brasileiras para uma escala local, observamos que elas são mais aparentes nas paisagens urbanas. Atualmente, existe uma grande diferença nos padrões de moradia e de infraestrutura entre os bairros habitados por ricos e aqueles habitados por pobres, o que tem se refletido em profundas desigualdades nos espaços utilizados e apropriados pelos diferentes grupos sociais.
Nos últimos anos, essa segregação adquiriu características ainda mais acentuadas, principalmente nas grandes cidades e nas médias do interior. De um lado há a disseminação de condomínios de luxo, bairros fechados e servidos de completa infraestrutura de equipamentos urbanos coletivos. Essas áreas são verdadeiros enclaves no interior da malha urbana, pois são isolados dos demais bairros por altos murros, portões e guaritas de vigilância, com acesso exclusivo aos condomínios e funcionários. Do outro lado, há o crescimento do número de bairros pobres, sobretudo de favelas e de loteamentos clandestinos e irregulares, a maioria com pouca ou nenhuma infraestrutura.
A Disseminação de Bairros Pobres e as Tensões no Espaço Urbano
O rápido processo de expansão urbano-industrial brasileiro, baseado em um modelo de crescimento econômico excludente, vem gerando um número cada vez maior de desempregados e um maior empobrecimento da classe trabalhadora, devido principalmente aos baixos salários que a maioria da população vem recebendo. Com isso milhões de famílias de baixa renda são obrigadas a viver em favelas, em cortiços ou mesmo nas ruas das grandes cidades.
As favelas apresentam-se, em geral, densamente povoadas. Na maioria das vezes elas são iniciadas com ocupações ilegais em áreas do poder público ou mesmo de particulares.
Nas grandes cidades, a falta de acesso a terrenos com condições mínimas de habitabilidade fez com que muitas favelas surgissem nas chamadas áreas de risco, locais como encostas de morros sujeitas a desabamento. Há também os casos de favelas localizadas em fundos de vale, passíveis de enchentes ou de inundações, ou ainda em áreas de mangue, no caso das cidades localizadas no litoral.
O processo de intensa segregação socioespacial vivenciado no Brasil nas últimas décadas tem levado muitos grupos sociais excluídos a se organizar, como o dos trabalhadores sem-teto, que promovem a ocupação de prédios ou de terrenos destinados à especulação imobiliária. Também são respostas à situação de exclusão social ações de rebeldia como os arrastões e os ataques ao comércio. Tais ações têm sido imediatamente reprimidas pelo Estado por meio da polícia ou do exército.
Esses conflitos e tensões são decorrência da enorme desigualdade social que se reproduz de forma ampliada nas cidades.

SIG e Geoprocessamento
O desenvolvimento tecnológico vem se tornando um importante aliado para os estudos da Geografia. Um dos recursos oferecidos pelas novas tecnologias é o geoprocessamento, que permite estudos e análises do espaço geográfico e dos fenômenos que nele ocorrem. No geoprocessamento são utilizadas técnicas matemáticas e de informática para criar sistemas capazes de analisar em conjunto diversas informações geográficas.
O Sistema de Informação Geográfica (SIG) é uma dessas técnicas capazes de integrar dados coletados por pesquisadores e a distribuição espacial de cada informação. Esse sistema é composto de hardware e software, informações espaciais e procedimentos de informática que auxiliam na construção de representações do espaço geográfico e na espacialização de temas variados, como dados de economia, saúde e infraestrutura.
Um SIG pode ser utilizado com diferentes finalidades, como estudos do meio ambiente, estudos populacionais, planejamento territorial urbano e rural, organização do espaço e estudos socioeconômicos. Entretanto, atualmente, com a disponibilidade das tecnologias na Internet e nos meios de comunicação, produtos elaborados com base no SIGs estão cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas.
Escola Estadual de Educação Básica Menino Deus
Componentes:

Caroline Maldaner
Janaina Schemmer
Keli Ruppenthal
Larissa Schumann

Série:

3º ano (231)
Profª:

Lisete Mendes
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