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A modernidade no Brasil

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by

Carlos Leite

on 5 May 2013

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Transcript of A modernidade no Brasil

Modernidades Literatura e canção popular
dos anos 20 e 30 A visão do fenômeno da modernidade brasileira somente a partir da Semana de Arte Moderna acaba por nos revelar somente uma parte do quadro. O acréscimo da canção popular nesta análise, além estabelecer uma raiz mais orgânica à importância que a canção assumiu nos anos 60, indica a importância da parcela de cultura oral na cultura brasileira. Além de Noel Rosa, outros cancionistas se destacaram
na canção popular carioca dos anos 20 e 30.

O samba do Estácio, bairro muito pobre do Rio de Janeiro de então, revolucionou o samba da época com uma batidade bastante diferente e uma temática mais cotidiana.

Ary Barroso, mineiro de Ubá, também será bem-sucedido à época, mas será especialmente importante para um novo momento da cultura brasileira, na década de 40, e em outras atividades, como o radialismo esportivo e a televisão. Oswald de Andrade "L'enfant terrible" do modernismo, Oswald de Andrade tem tido sua obra resgatada e reavaliada. Primeiro, pela interessante proposta de relação entre a cultura brasileira e a cultura estrangeira, a Antropofagia. Mas também pela forma muito particular com que seus poemas unem elementos de avanço e de atraso; forma que será revisitada quarenta anos mais tarde e será o princípio do
Tropicalismo, em 1968. o "romance de 30".
João Cabral de Melo Neto
Jorge Amado
Graciliano Ramos
Jorge de Lima
Murilo Mendes Rio de Janeiro A cidade, então capital do Brasil, tinha mais de um milhão de habitantes nos primeiros anos do século XX. As reformas urbanísticas da primeira década diviram a cidade em norte e sul, removendo muitos miseráveis do centro e aumentando as diferenças. "Com que roupa?" (Noel Rosa, 1930) Agora vou mudar minha conduta,
eu vou pra luta,
porque eu quero me aprumar.
Vou tratar você com a força bruta
pra poder me reabilitar.
Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto: com que roupa?

Com que roupa eu vou?
Pro samba que você me convidou
Com que roupa, eu vou?
Pro samba que você me convidou.

Agora eu não ando mais fagueiro,
pois o dinheiro
não é fácil de ganhar.
Mesmo eu sendo um cara trapaceiro,
não consigo ter nem pra gastar.
Eu já corri de vento em popa,
mas agora com que roupa? Quadro geral Conclusões Outros sambas Rascunho Primeiro de tudo, é importante entender que a modernidade foi um fenômeno típico do crescimento das CIDADES. Num tempo sem um trânsito tão intenso de informações e pessoas, sem internet, sem telefones celulares, só as grandes cidades viviam intensamente os IMPASSES DO PROGRESSO. Quanto mais novidades na vida cotidiana, mais pessoas não tinham acesso a essas novidades e mais as nações caminhavam para o CONFLITO. Em volta, algumas invenções que tomaram parte de nossa vida entre o século XIX e o século XX. Bossa Nova Em 1958, à contrapelo do luto e da melancolia da
década anterior, surgirá na canção popular um gênero econômico, de vanguarda, mas revitalizador da tradição do samba, a partir, principalmente, de Tom Jobim, João Gilberto e
Vinícius de Moraes (este, já poeta
consolidado). Eu hoje estou pulando feito sapo
pra ver se escapo
dessa praga de urubu.
Já estou coberto de farrapo.
Eu vou acabar ficando nu.
Meu terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa... "Poética" (Manuel Bandeira, 1930)

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
[expediente protocolo e manifestações
[de apreço ao sr. diretor

Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no
[dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos
[universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de
[exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que
quer quer seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo (...) São Paulo A capital paulista, com 300 mil habitantes em 1920, embora menos populosa do que o Rio de Janeiro, já era a "locomotiva do Brasil" desde as últimas décadas do século XIX. É um engano, contudo, pensar que a cidade já era essencialmente moderna. Sevcenko chega a dizer que a cidade foi modernista antes de ser moderna. Porto Alegre Porto Alegre, com cerca de 180 mil habitantes, era a quinta cidade mais populosa do Brasil em 1920. Alinhada aos ideias positivistas assumidos pelos governos estadual e municipal, a capital do estado ganhou boa parte de seus prédios mais imponentes no começo do século passado. "Ode ao burguês" (Mário de Andrade, 1922)

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
O burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
É sempre um cauteloso pouco-a-pouco.

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques
[zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos;
E gemem sangues de alguns milréis fracos
Para dizerem que as filhas da senhora falam o
[francês
E tocam o Printemps com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, o dono das
[tradições!
Fora os que algarismam a manhã!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal! (...) "Praia de Belas" (Atos Damasceno Ferreira, 1936)

Quando se acendem os lampiões
até os salgueiros se curvam cobertos de prismas
e deixam cair na coroa da sombra
a ponta dos galhos pejados de lascas metálicas...

É que junto com os brilhos esparsos
e as faixas de luz amarela
que cruzam os halos alvíssimos do luar,
as próprias estrelas, que dançam
na poeira flutuante das nuvens,
desprendem-se do alto
e roçam no dorso do rio a franja dos reflexos... Semana de Arte Moderna
1922

Jovens escritores paulistas organizaram três noites de declamações, shows, palestras.



O que, a princípio, teve uma repercussão restrita, acabou assumindo grande importância na história literária brasileira, indicando nos padrões literários. "Os sapos" (Manuel Bandeira, 1919)

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos,
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
"- Meu pai foi à guerra!"
"- Não foi!" "-Foi!" "-Não foi!"

O sapo tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos. (...) "Poema de sete faces" (Drummond, 1930)

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta
[meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode. (...) O samba carioca
1930

Por volta de 1930, alguns fatores, como o rádio, a venda de discos e o cinema auxiliaram na formação do samba como o conhecemos.



Nos anos seguintes, em especial pelo estímulo do governo na elaboração de símbolos nacionais, o samba ganha espaço também nos outros estados brasileiros. "Conversa de botequim" (Noel Rosa, 1935)

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
uma boa média que não seja requentada
um pão bem quente com manteiga à beça
um guardanapo e um copo de água bem gelada.

Fecha a porta da direita com muito cuidado
que não estou disposto a ficar exposto ao sol.
Vá perguntas ao seu freguês do lado
qual foi o resultado do futebol.

Se você ficar limpando a mesa,
não me levanto e nem pago a dispesa.
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão.

Não se esqueça de me dar palitos
e um cigarro pra espantar mosquistos.
Vá dizer ao charuteiro
que me empreste umas revistas, um isqueiro e um
[cinzeiro. (...) "Vício na fala" (Oswald de Andrade, 1925)

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados

"Noturno" (Oswald de Andrade, 1925)
Lá fora o luar continua
E o trem divide o Brasil
Como um meridiano "Ao longo das janelas mortas" (Mário Quintana, 1950)

Ao longo das janelas mortas
Meu passo bate as calçadas
Que estranho bate!... Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrível!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso
[Senhor, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas.
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado de céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho... "Porquinho-da-Índia" (Manuel Bandeira, 1930) Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinnho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo
[do fogão
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas
[ternurinhas.

- O meu porquinho-da-índia foi a minha
[primeira namorada. "Cidadezinha qualquer" Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar... As janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.
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