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Os Maias- O Passeio Final

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by

Vera Lourenço

on 28 May 2015

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Transcript of Os Maias- O Passeio Final

Os Maias
- O Passeio Final

Neste trabalho, analisaremos o último episódio da obra Os Maias. Consideramos a história, no geral, bastante útil para nós, uma vez que trata a sociedade do século XIX e este episódio que é o epílogo da obra e trata de descrever pormenorizadamente a Lisboa do final do mesmo século.
Introdução
Este episódio constitui o epílogo da obra e, portanto, é relevante no fecho da história, uma vez que os personagens Carlos e Ega reflectem sobre tudo o que lhes havia acontecido ao longo das suas vidas, até ao ponto em que admitem ser “falhados da vida”.
Importância do episódio no desenrolar da obra
Carlos da Maia:

Personagem principal, Carlos era um belo rapaz, alto, bem constituído, de ombros largos, olhos negros, pele branca, cabelos e barba negros. Psicologicamente era culto, bem-educado, de gostos requintados. Ao contrário do seu pai, teve uma educação à Inglesa e pensasse que é por isso que é um homem corajoso e frontal. Além disso, é ainda amigo do seu amigo e generoso. Destaca-se na sua personalidade a sensualidade, o gosto pelo luxo, e o diletantismo, ou seja, a incapacidade de se fixar num projeto sério e de o concretiza. Todavia, apesar da sua educação, Carlos fracassou na vida, muito provavelmente devido ao meio onde se instalou durante dez anos quando abandonou Portugal. Paris era uma cidade cuja sociedade era ociosa, fútil e sem estímulos. No entanto a fraqueza, a cobardia, o egoísmo e a futilidade do pai podem também ter influenciado Carlos nestes ultimo episódio.
Personagens intervenientes no episódio
Resumo do Episódio
Ao chegar ao Ramalhete, Carlos e Ega deparam-se com um cenário que não apreciaram. Ao ver que grande parte da mobília tinha sido despachada para Paris, onde pensara viver o resto da sua vida e que a restante estava bastante degradada, Carlos fica de rastos, “em pé, calados, limpando os olhos” (página 485, parágrafo seis). Entretanto, Carlos diz a Ega que havia recebido uma carta de Maria Eduarda a informá-lo que iria casar com Mr. de Trelain. No entanto, Carlos considerou este casamento como “uma união de dois seres desiludidos da vida (…) cansados ou assustados do seu isolamento (…) que punham em comum o seu resto de calor, de alegria e de coragem” (página 486, parágrafo seis) e encara-o como o fechar desse capítulo da sua vida. Ao passar pelo escritório de Carlos, recordam momentos que passaram antes de ter partido em viagem, constatando que não vale a pena viver e fazer grandes esforços, até porque no fim, tudo culmina em desilusões. Assim, ambos concordam que falharam na vida.
Ao saírem do Ramalhete, lembram-se que estão atrasados para o jantar com Vilaça e, ao presenciarem o “americano” correm juntos para o tentar apanhar, terminando assim este episódio e a própria obra d’ Os Maias.

João da Ega:
João da Ega é magro, usa um bigode arrebitado e um monóculo. Intelectualmente, revela a sua dualidade romântica e regeneradora. Amigo inseparável de Carlos da Maia, caracteriza-se por ser irreverente, excêntrico, revolucionário, boémio, exagerado, provocador, sarcástico, crítico, anarquista e muitas irónicas. João da Ega é muitas vezes considerado a projeção literária de Eça de Queirós. É uma personagem contraditória, por um lado, romântico e sentimental, por outro, progressista e crítico do Portugal Constitucional. Tal como Carlos, sofre de diletantismo, como se pode verificar através dos grandes projetos literários que nunca chega a executar. Ega, um “falhado da vida”, corrompido pela sociedade, encarna a figura defensora dos valores da escola realista por oposição à romântica.



Tomás de Alencar:
É o poeta que representa o romantismo na segunda geração da família Maia. Era amigo de Pedro da Maia e posteriormente, na geração Carlos da Maia, apostou já no ultra-romantismo. Fisicamente, era alto, magro e tinha bastante cabelo. A sua postura transmitia a atitude de um poeta inspirado e melancólico. Era um personagem predominantemente culto, usava uma linguagem requintada. Alencar assume especial importância no final da obra, pois embora todas as suas carateristicas enumeradas anteriormente se tenham agravado, destaca-se pela sua autenticidade, uma vez que conserva ainda todo o seu romantismo, carateristico da sociedade portuguesa do século XIX.
Este episódio narra o regresso de Carlos da Maia a Portugal após uma longa viagem pela Europa. Essa viagem resultou da tragédia que se abateu na família Maia (morte de Afonso da Maia, por saber que o neto tinha cometido incesto voluntário) e que fez com que Carlos sentisse necessidade de sair do país.
Assim que regressa a Portugal, Carlos reencontra-se com alguns dos seus amigos e combina até jantares com eles. No entanto, é com João da Ega que vagueia por Lisboa. Os dois personagens dialogam acerca das suas vidas enquanto estiveram separados e é então que Ega aborda os Episódios da vida romântica, contando ao amigo que por Lisboa tudo permanecia igual e as pessoas continuavam nas suas vidas.

Explicitação da relação entre o episódio com o título e subtítulo d’Os Maias
Dâmaso:
Era caracterizado como um personagem baixo e gordo. A Dâmaso e ao seu tio, Sr. Guimarães, se devem o início e o fim dos amores de Carlos com Maria Eduarda e, por essa razão, é considerado um personagem presumido, cobarde e sem dignidade, embora a sua principal carateristica seja a ridicularidade. Obcecado pelo seu lema, “chique a valer”, vive dividido entre a admiração exacerbada por Carlos, que considera "um tipo supremo de chique", e os ciúmes e a inveja que a superioridade do amigo e a sua relação com Maria Eduarda lhe provocam. Representa os vícios da Lisboa da segunda metade do século XIX. O seu carácter é tão baixo, que se retrata, a si próprio, como um bêbado, só para evitar bater-se em duelo com Carlos.


Eusebiozinho:
Neste episódio, Carlos e Ega passam por Eusebiozinho, que nem dá conta da sua presença. Podemos então subentender que é um personagem completamente alheio ao mundo que o rodeia. Está também explicito, por João da Ega, que o personagem se havia casado com uma mulher que o agredia, ou seja, podemos considerá-lo um personagem passivo e fraco, muito devido à educação que recebeu em pequeno, ou seja, educação tradicional.
No episódio do Passeio Final, são criticados vários aspetos.
Por exemplo, criticasse a sociedade da alta burguesia, por ser a classe predominante neste episódio, e na própria obra no geral. No fundo, esta classe é criticada por não ter de trabalhar e viver luxuosamente.
É também criticada a incapacidade tanto de Carlos como de Ega de se adaptarem a um lugar ou a uma ocupação profissional, ou seja, o diletantismo.
Outro aspeto muito importante censurado neste episódio é a depreciação de Portugal, por ser um país monótono e constantemente depreciado pelos vários personagens, que vão dando diversos exemplos do Portugal daquela altura (“De modo que isto está cada vez pior”- fala de Carlos ao comentar com Ega o que considerava de Portugal).

Critica obtida no episódio
Neste episódio, Carlos da Maia e João da Ega partem para uma viagem pelo mundo. Ega volta um ano e meio depois a Lisboa, com a ideia de escrever um livro, Jornadas da Ásia, porém, Carlos ficara a viver em Paris e só regressa a Santa Olávia 10 anos depois. Ao regressar almoça com Ega no Hotel Bragança, onde contam todas as novidades um ao outro. Neste momento do episódio, juntam-se a Carlos e Ega, Alencar e Cruges e todos juntos dialogam acerca dos anos que passaram separados.
Após o almoço, Carlos e Ega tinham a intenção de ir visitar o Ramalhete, mas antes foram passear pelo Chiado, onde constataram não haver qualquer mudança desde o dia em que abandonaram Lisboa para viajar. Avistaram Dâmaso, que foram cumprimentar e, quando regressam ao passeio, Ega conta a Carlos que Dâmaso casou com uma condessa de Águeda e que esta o traia. Carlos sente que Portugal “está cada vez pior” (página 482, linha sete) e Ega concorda afirmando que “já não há nada genuíno neste país, nem mesmo o pão que comemos”. Pelo caminho, avistam ainda Eusébio, que não se apercebe da sua presença, pois vinha com uma mulher forte, que é identificada por Ega como a sua mulher e descrita como “avantesma”.

Carlos da Maia e João da Ega
Este sentimento dos personagens por Portugal leva-os muitas vezes a apreciar o estrangeiro, principalmente Afonso da Maia, que viveu em Inglaterra e Carlos que habitou em Paris. No próprio vocabulário dos personagens se nota, muitas vezes, o uso de vocabulário estrangeiro.
É de notar também a presença do romantismo, quando, por exemplo, Ega pergunta a Carlos “Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos, isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento e não pela razão” (capítulo XVIII).
Portugal do século XIX
Caracterização do espaço
Ramalhete:
neste episódio final, o Ramalhete (antiga habitação de Carlos da Maia) encontra-se bastante degradado. No interior, estava apenas metade da mobilia que outrora a casa possuía, o que deixou Carlos da Maia bastante angustiado.


Largo do Chiado:
espaço onde Carlos e Ega dão o seu ultimo passeio. Vão caracterizando o Chiado como um espaço monótono, uma vez que nada mudou durante o tempo em que se retiraram. Pode afirmar-se através de algumas passagens desta parte final que, naquele espaço, havia uma grande disparidade social, uma vez que existia a grande burguesia, que vivia luxuosamente e, por oposição, havia quem vivesse em condições precárias.
Conclusão
Do nosso ponto de vista, este trabalho foi vantajoso para ficarmos a conhecer um pouco melhor o episódio que analisamos e, para além disso, a obra no geral, uma vez que no capítulo final, Carlos e Ega recordam momentos da sua vida passada.
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