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Sentimento do mundo

Livro de Carlos Drummond de Andrade
by

Patricia Tiemi

on 6 September 2012

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Transcript of Sentimento do mundo

Menino chorando na noite Na noite lenta e morna,
morta noite sem ruído,
um menino chora.
O choro atrás da parede,
a luz atrás da vidraça
perdem-se na sombra dos passos abafados,
das vozes extenuadas,
e, no entanto,
se ouve até o rumor da gota de remédio
caindo na colher.

Um menino chora na noite,
atrás da parede, atrás da rua,
longe um menino chora,
em outra cidade talvez,
talvez em outro mundo.

E vejo a mão que levanta a colher,
enquanto a outra sustenta a cabeça
e vejo o fio oleoso
que escorre pelo queixo do menino,
escorre pela rua, escorre pela cidade,
um fio apenas.
E não há mais ninguém no mundo
A não esse menino chorando. Elegia 1938 Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações no encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas de dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan. Análise da forma Contexto histórico Conteúdo Contexto histórico Sobre o autor Sobre o livro A primeira estrofe inicia-se com a descrição do local e instante em que a cena acontece. A melancolia da noite é tão intensa que a queda de uma gota de remédio chega a ser o maior ruído possível.

No trecho “longe um menino chora, em outra cidade talvez, talvez em outro mundo” subentende-se um sentimento universal, onde existem muitas outras crianças simbolizando o sofrimento.

Os versos “E não há mais ninguém no mundo / A não ser esse menino chorando” indicam a representação de todo sentimento do mundo em apenas um indivíduo. Publicado em 1940, Sentimento do Mundo é o 3º livro de poemas de Carlos Drummond de Andrade.

Diferente da atitude individualista e vanguardista dos livros anteriores, apresenta uma abertura aos temas coletivos e poemas de versos mais longos e mais graves. - Período conturbado de guerra, processo de industrialização
- Autor relata sentimentos de inadaptação e aceitação da sociedade
- A Palavra “Elegia” significa: Poema sobre assunto triste ou lutuoso
- Ode
- 1938 é o ano anterior ao começo oficial da Segunda Guerra Mundial - Escrito em segunda pessoa do singular:

“Trabalhas sem alegria para um mundo caduco [...]”
“Praticas laboriosamente os gestos universais [...]”
“Amas a noite pelo poder de aniquilamento [...]”

- Presença de figuras de linguagem:

-Metáfora e Metonímia

“Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina”

Grande Máquina = capitalismo

“Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.”

A Ilha de Manhattan pode ser lida como uma metonímia dessa sociedade industrial moderna que espalha a guerra, o desemprego e a injusta distribuição. Análise da forma - Ironia

“Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.”

- Paradoxo

“Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.”

Quando o homem dorme pode ficar mais protegido da morte

- Métrica e Rima: não possui. Nasceu na cidade mineira de Itabira. É um grande escritor do movimento modernista mineiro.
Em 1934, torna-se chefe de gabinete no Rio de Janeiro. Seu primeiro livro "Alguma Poesia" foi publicado em 1930 e mais tarde, em 1940, é publicado o "Sentimento do Mundo", com tiragem de 150 exemplares.
12 dias após a morte de sua filha, Drummond fica desolado e seu estado de saúde piora, falecendo aos 82 anos com problemas cardíacos.
É considerado um dos maiores representantes da literatura brasileira do século XX. Análise da forma - Escrito em terceira pessoa do singular:

“Na noite lenta e morna,
morta noite sem ruído,
um menino chora.”

E em primeira pessoa do singular:

“E vejo a mão que levanta a colher,
enquanto a outra sustenta a cabeça
e vejo o fio oleoso”

- Estruturado em versos livres: sem métrica e rima. Análise da forma - Presença de figuras de linguagem:

Metáfora:

“choro atrás da parede,
a luz atrás da vidraça”

“Parede” e “vidraça” com significados conotativos (retiradas de seu contexto convencional), representando uma espécie de barreira, abafando o choro da criança.

Gradação ou clímax:

“e vejo o fio oleoso
que escorre pelo queixo do menino,
escorre pela rua, escorre pela cidade”

Representação de ideias em progressão ascendente. - Época marcada pelo medo da guerra e pelo pessimismo
- Sentimentos de angústia e desânimo
- Foco em questões humanas e na realidade
- Representação do sofrimento como sentimento geral
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