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Alberto Caeiro

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by

Maria Ribeiro

on 19 November 2013

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Transcript of Alberto Caeiro

Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas...
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente...

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ele a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixaria de ver a Terra,
Para ver somente os meus pensamentos...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.
a. Características do "eu" enunciador.
Considera o ato de não pensar como seu traço constitutivo;
Distancia-se das pessoas que pensam pois não se identificam com ele;
Rejeita e despreza o pensamento pois é um ato não natural;
Recusa o ato de pensar;
Não pensa no futuro nem no passado, aceita sem questionar.
Poema XXXIV do livro "O Guardador de Rebanhos"
Alberto Caeiro
b. Sentimentos expressos pelo sujeito lírico
Desagrado, descontentamento e incómodo por, às vezes, pensar (v.8/9)
Satizfação e felicidade por não pensar (v.16-21)
Admiração e adoração pela Natureza (v.21)
c. Exemplos da exploração da dicotomia pensar/sentir
"Acho tão natural que não se pense" (v.1)
"E assim, sem pensar, tenho a Terra e o Céu" (v.21)
"Que pensará o meu mundo da minha sombra?" (v.5)
•d. Importância das referências à ‘’gente’’ (v.4, 13 e 14)
‘’Gente’’ representa um ser pensante e racional; não se identifica com o ‘’eu’’; como se pertencesse a outra espécie; para ela a consciência é influenciada pelos pensamentos e pelas memórias e não pelos sentidos, como se rege Caeiro.
• e. Relevância e valor expressivo das interrogações
‘’Que pensará o meu muro da minha sombra?’’, ‘’Que pensará isto de aquilo?’’, ‘’Terá a Terra consciência das pedras e plantas que tem?’’- Interrogações retóricas com a finalidade de conferir enfâse à questão. ‘’Mas que me importa isto a mim?’’- Marca a distância do sujeito poético em relação às ‘’cousas’’ que têm pensamento, o que mostra o desprezo e a surpresa pela racionalização e pelo pensamento; prescinde de pensar além da Natureza.
• f. Significado das frases sublinhadas no contexto em que surgem- ‘’E então desagrado-me, e incomodo-me/ Como se desse por mim com um pé dormente…’’
Comparação entre os sentimentos do sujeito poético e da dor física de ter o pé dormente; pequena sensação de desagrado e desconforto por se perguntar a si mesmo ‘’cousas’’ como a pequena dor física que ter o pé dormente provoca.
• g. Sentidos produzidos pela forma verbal ‘’pensasse’’ (v.16)
‘’Pensasse’’: 1ª pessoa do singular, do Pretérito Imperfeito do Conjuntivo do verbo Pensar. Indica possibilidade de pensar nas ‘’cousas’’ e as consequências que isso traz ao sujeito poético.
•h. Efeitos gerados pela utilização de traços do discurso oral
Traços: versos longos; recursos a perguntas e respostas; simplicidade comunicativa das ideias da linguagem natural; vocabulário simples, objectivo e corrente; repetições e recurso ao Presente do Indicativo.

Efeitos: uma fácil compreensão do poema; faz aproximar-se da fluidez coloquial da fala.
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