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Análise de poemas de Fernando Pessoa

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on 17 October 2014

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Transcript of Análise de poemas de Fernando Pessoa

“Uns com os Olhos postos no Passado”
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto -
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.
Trabalho realizado por: Beatriz Ramirez nº5 12ºD
Análise de poemas
de Fernando Pessoa

Ricardo Reis
Índice
Poema
Estrutura Interna
Estrutura Externa
Ricardo Reis
Biografia
Filosofia
Epicurismo
Estoicismo
Filosofia de Horácio
Análise do poema: "Uns com os olhos postos no passado":
Estrutura Externa
Estrutura Interna
Tema
Divisão do poema em três partes
Figuras de estilo
1ª Parte:
2ª Parte:
3a Parte:
“O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 29 de Janeiro de 1914, pelas 11 horas da noite. Eu estivera ouvindo no dia anterior uma discussão extensa sobre os excessos, especialmente de realização, da arte moderna. Segundo o meu processo de sentir as coisas sem as sentir, fui-me deixando ir na onda dessa reacção momentânea. Quando reparei em que estava pensando, vi que tinha erguido uma teoria neoclássica, e que a ia desenvolvendo. Achei-a bela e calculei interessante se a desenvolvesse segundo princípios que não adopto nem aceito. Ocorreu-me a ideia de a tornar um neoclassicismo «científico» [. . .] reagir contra duas correntes — tanto contra o romantismo moderno, como contra o neoclassicismo à Maurras. [. . .]”
1914?
Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados
por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1996: 385.
Ricardo Reis em Páginas íntimas e de de Auto-Interpretação

“Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (tinha nascido, sem que o soubesse, o Ricardo Reis).”

«Diz Fernando Pessoa na carta, de 13 de Janeiro de 1935, a Adolfo Casais Monteiro, que Ricardo Reis nasceu em 1887 (embora não se recorde do dia e mês), no Porto. Descreve-o como sendo um pouco mais baixo, mais forte e seco que Caeiro e usando a cara rapada. Fora educado num colégio de jesuítas, era médico e vivia no Brasil, desde 1919, para onde se tinha expatriado voluntariamente por ser monárquico. Tinha formação latinista e semi-helenista.
Fernando Pessoa atribui a este heterónimo um purismo que considera exagerado e refere que escreve em nome de Ricardo Reis, “depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode”.»
Fonte: Carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, de 13 de Janeiro de 1935, in Correspondência 1923-1935, ed. Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999.
Ricardo Reis em Carta a Adolfo Casais Monteiro
Classificação das estrofes:
Classificação dos versos:
Classificação da rima:
Pontuação:
Confere ritmo e musicalidade ao poema
Indica as pausas que evidenciam algumas palavras e/ou expressões
3 estrofes:
cada estrofe tem 4 versos - três quadras
Hexassílabos;
Eneassílabos;
Decassílabos;
Hendecassílabos.
Maioritariamente ausente;
No interior de alguns versos;
Irregular;
Traduz um "estilo livre".
Filosofia Estóica
A morte é certa e nada pode contrariar o Destino;
O esforço humano é inútil para modificar o que já está determinado;
Viver em conformidade com as leis do destino;
Desprezar a dor;
Iludir da verdadeira felicidade.
Ideal épico da apatia- ausência da paixão e a liberdade.
Carpe Diem
Conceito epicurista clássico
Da autoria do poeta Horácio
Do Latim: “aproveita o dia presente”
O presente é o tempo de realização do homem, a única temporalidade ao seu alcance: “Colhe/ O dia, porque és ele.”
Epicurismo
É em cada instante vivido que o homem se realiza (“Colhe/ O dia, porque és ele.”) e conquista uma felicidade possível (“A segurança nossa...”), superando a angústia causada pela consciência da brevidade da vida (“Este é o dia, / Esta é a hora, este o momento, isto / É quem somos…”), face à ameaça do tempo destruidor (“Perene flui a interminável hora/ Que nos confessa nulos.”);
O Homem deve reger-se pela razão e, como tal, deve ser indiferente aos sentimentos e não deve ceder aos impulsos;
Atingir a calma e a felicidade ou pelo menos iludir-se delas sem, no entanto, tentar mudar o destino, visto que este está definido;
Atingir a ataraxia (que se define como a busca da felicidade com a tranquilidade, uma vez que esta é essencial para diminuir o sofrimento);
Enuncia-se por: aproveitar o momento ao máximo (carpe diem) sem ter medo da morte e do destino.
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem; outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Figuras de estilo
“Uns, com os olhos postos no passado […] outros, fitos / Os mesmos olhos no futuro” = Antítese (passado≠futuro)
Antítese - oposição que traduz a impossibilidade e o engano a que estão sujeitos “uns” e “outros” ao viverem das memórias e da imaginação.
“Vêem o que não vêem” (vv. 2) = Oxímero
“vêem / O que não pode ver-se” (vv. 3 e 4) = Paradoxo
Corresponde à 1ªestrofe:
Caracteriza dois tipos de pessoas – as que só olham e sofrem com o passado e as que pensam desmesuradamente no futuro (que é desconhecido)
O sujeito poético afirma que “uns” e “outros” são aqueles que não têm a capacidade para apreveitar o momento presente; vivem no passado morto ou de um futuro incerto.
“Uns, com os olhos postos no passado, / Vêem o que não vêem” = “uns” recordam e vivenciam o que já passou, não dando importância ao presente; vendo o que não vêem mais.
“outros, fitos / Os mesmos olhos no futuro, vêem /O que não pode ver-se” = E “outros” vêem o futuro, que apenas existe na imaginação e, por isso, também não tomam consciência do presente; tentando ver o que não se pode ver.
Critica àqueles que vivem das recordações (passado) e/ou das imaginações (futuro) porque a única realidade concreta é o presente.
Figuras de estilo
Porque tão longe ir pôr o que está perto” (vv. 5) = Antítese & Hipérbato
“A segurança nossa?” (vv. 6)= Interrogação Retórica & Hipérbato
Este é o dia, / Esta é a hora, este o momento, isto / É quem somos” (vv. 6 a 8) = Anáfora & Assíndeto & Enumeração & Gradação Decrescente
Perene flui a interminável hora” (vv. 9) = Adjectivação & Hipérbato & Metáfora
→NOTA: perene= que dura ou permanece por muito tempo
“Que nos confessa nulos” (vv.10) = Disfemismo
“No mesmo hausto / Em que vivemos, morreremos.” (vv. 9 e 10) = Antítese & Paradoxo (vivemos ≠ morremos) & Hipérbole
NOTA: hausto = aspiração
Porque tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos.
Corresponde à 2ª e 3ª estrofes (excepto os dois últimos versos):
"Porque tão longe ir pôr o que está perto / A segurança nossa?” = o presente é a sua única certeza, segundo Ricardo Reis.
“Este é o dia,/ Esta é a hora, este momento, isto/ É quem somos, e é tudo." = o sujeito poético defende a vivência do momento numa perspectiva claramente epicurista, recusando a memória e o antecipar do futuro – sendo assim o presente o momento de realização do Homem.
A repetição anafórica de pronomes demonstrativos (“Este”, “Esta”,"este" e "isto") que indicam proximidade temporial e espacial enfatizando a importância de viver o instante presente.
Utilização insistente de verbos no presente do indicativo "é" (e: "vêem"; "pode"; "está"; "somos"; "flui"; "confessa"; "vivemos"; "és") evidenciam a máxima que domina o poema - o Carpe Diem (vivência calma e contida do dia).
"Perene flui a interminável hora" = O sujeito poético denuncia a sua angústia perante a efemeridade da vida e a passagem inexorável do tempo que o conduzirá fatalmente à morte.
“No mesmo hausto / Em que vivemos, morremos." = refere que o nosso destino é a morte (visão fatalista da vida) inevitabilidade do Destino e da morte.
Colhe / O dia, porque és ele.
Figuras de estilo
“Colhe / O dia, porque és ele.” (vv. 10 e 11) = Metáfora
Metáfora - a afirmação “Colhe/ O dia, porque és ele.” traduz o ideal epicurista do gozo moderado, disciplinado, do momento presente.
Corresponde aos últimos dois versos: “Colhe/o dia porque és ele.”- em que o sujeito poético aconselha o leitor a aproveitar o dia porque, tal como o leitor, durará pouco tempo e acabará (morte).
Ricardo Reis defende que o dia-a-dia deve ser vivido e aproveitado para que posteriormente não surjam remorsos de não se ter usufruído do momento.
O carácter exortativo do poema está ligado à transmissão de uma moral, ou seja, de uma arte de viver que o sujeito poético apresenta a um "tu", que a deverá adoptar. Assim, a exortação é conseguida através do emprego do imperativo - "Colhe" -, e da primeira pessoa do plural - "nossa", "somos", "nos", "vivemos", "morremos" - que implica a existência de um "tu" que segue os ensinamentos do "eu".
«Lição de vida: o Homem é um ser de tempo e existe na precaridade do instante.»
Carpe Diem
Linguagem e estilo
Escolha de odes (canção de origem Grega) – poemas de exaltação / louvor de algo (embora abandunando o esquema estrófico e rimático).
Seleção de vocábulos mais intelectais e clássicos (inspirados no Latim).
Sintaxe erudita motivada pelas anástrofes ou pleonasmos com o objectivo de enfatizar os temas dos poemas.
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