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A REVOLUÇÃO MEXICANA E O MURALISMO

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Tatiana Lima

on 3 November 2013

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A REVOLUÇÃO MEXICANA E O MURALISMO
O movimento muralista teve como principal objetivo comunicar-se com o povo. Para isso buscou uma identidade nacional mexicana incensada pela Revolução. Este movimento perdeu força com a renúncia de Vasconcelos da pasta da Cultura, em 1924, e sofreu duras críticas pelo seu caráter político e sua proximidade com o poder estatal. Porém, é necessário afirmar que estes artistas, muitas vezes para sustentar-se, produziram trabalhos sob encomenda e à frente do cavalete, onde permaneceram fiéis à sua arte.
A arte muralista mexicana é vitoriosa ao servir de inspiração a outros artistas latino-americanos, como, por exemplo, o brasileiro, Cândido Portinari. Ao longo do século XX o muralismo continuou como um forte expoente da cultura mexicana. Talvez o mecenato estatal tenha atirado na tentativa de construir um forte nacionalismo pós-revolução como uma forma de acalmar os ânimos após anos de guerra civil e que, no fim, não respondeu a todas as reivindicações populares, mas acertou em cheio na recriação de uma expressão artística pré-colombiana reinventada pelos talentosos artistas mexicanos contemporâneos e que até os dias de hoje são relembrados e reinventados em diversos formatos.

O Porfiriato (1876-1911)
O México proclama sua independência em 1821, imerso em instabilidade e inconsistência política. Surge enquanto Estado através de uma efêmera monarquia que em dois anos cede à República, mas que não encerra o período de turbulência coroado com a derrota para os Estados Unidos na Guerra México-Estados Unidos (1845-48), onde a ex-colônia espanhola perde quase 50% de seu território de maneira definitiva. Estes territórios são hoje os estados norte-americanos do Texas, Novo México, Califórnia, Utah, Arizona, Nevada e parte do Colorado.
Em 1867, é eleito Benito Juárez, ex-comandante militar das tropas republicanas do norte. No fim de seu governo o Estado mexicano possuía um Exército superdimensionado e uma burocracia enfraquecida. Nesse contexto, inicia-se o governo de Porfírio Díaz.
Este período é conhecido como “Porfiriato” e começa em 1876 entendendo-se até 1911. Num primeiro momento a preocupação era com a ordem devido aos longos anos de instabilidade pós-independência no país. Durante seu governo, ou sob sua influência, o México iniciou-se no mercado internacional através da exploração de suas minas por empresas estrangeiras, viu surgir uma classe média de letrados e uma ainda incipiente mas crescente população operária. Porém os conflitos de terra só se agravaram, as contradições entre norte (desenvolvido) e sul (arcaico e rural) e as difíceis relações entre um Estado que se entendia moderno e que buscava as reformas liberais e uma sociedade tradicional camponesa e indígena dos “pueblos” fomentaram o fim do governo oligárquico de Díaz dando inicio ao período revolucionário.

Cronologia da Revolução
1913

• Fevereiro – Huerta assassina Madero.

• Março – O liberal Venustiano Carranza, governador do norte, Villa e Zapata ao sul se unem no chamado “Plano de Guadalupe” em oposição à Huerta.

1914

• Junho – Huerta renuncia

• Agosto – Carranza assume a presidência

• Setembro – Zapata inicia a distribuição de terras ao sul (Plano Ayala)

• Outubro – Convenção de Aguascalientes: Carranza é deposto e se refugia em Vera Cruz. Eulalio Gutiérrez é feito presidente pela Convenção com apoio de Villistas e Zapatistas. Racham os revolucionários: Carranza e Obregon recuam e Villa e Zapata mantêm as ideias (reforma agrária) que levaram à Revolução.

• Dezembro – Pacto de Xochimilco: Zapata e Villa unem seu programa de luta, reafirmam o Plano Ayala e firmam o compromisso de levar um civil à Presidência. Desfilam juntos por 8 horas na Cidade do México.

1915

• Janeiro – Obregón retoma o Distrito Federal

• Fevereiro – Formação dos “Batalhoes Vermelhos” contra Villa e Zapata

• Março – Inicío da Batalha de Celaya que destruirá a Divisão do Norte e tornará a luta villista em uma luta de guerrilha

1910

• Francisco Madero, latifundiário, dá início à campanha presidencial em abril. Em junho, o governo de Díaz o manda à prisão e este é eleito como candidato único. É o início da revolução.

• Junho – Emiliano Zapata, líder camponês, ocupa terras em Morelos

• Outubro – Madero foge da prisão e nos EUA, clama pela rebelião lançando o “Plano de San Luis de Potosí” acenando com a possiblidade de reforma agrária Neste mesmo mês, Pascoal Orozco rebela-se ao norte, oferecendo apoio a Madero além de Pancho Villa, assim como Zapata, ao sul do Estado mexicano.

1911

• Maio – renúncia de Díaz.

• Outubro – Madero torna-se presidente eleito e resolve dissolver o exército revolucionário o que revolta seus apoiadores que exigem a prometida Reforma Agrária.

• Novembro – Zapata proclama o programa Ayala que propunha a derrubada de Madero, a reforma agrária privilegiando os camponeses, além de expropriação dos latifundiários mediante indenização e nacionalização de bens dos “inimigos da revolução”, os estrangeiros.

1912

• Março – Orozco é derrotado pelo general Victoriano Huerta e a luta entre governo e rebeldes duram todo o ano com Villa e Zapata liderando um movimento que buscou autonomia local em nome da manutenção do direito à terra.
1917

• Fevereiro - Promulgação da Constituição. Foram contemplados alguns dos pleitos da revolução: nacionalização do solo e subsolo, e devolução de terras a indígenas – ambos vistos no Plano Ayala -, Igreja separada do Estado, jornada de trabalho de 8 horas, proibição do trabalho infantil e indenização por tempo de serviço a empregados dispensados. Porém, na prática não foram respeitados.

1919

• Abril – Zapata é assassinado por Carranza. O país continua em guerra civil.

1920

• Villa se rende sendo assassinado três anos depois.

• Maio - Obregón assume a presidência. Os latifúndios foram limitados e as terras foram entregues às comunidades camponesas.


José Clemente Orozco (1883 – 1949)

Mexicano, frequentou a Academia de Belas Artes de San Carlos e a Escola Nacional Preparatória (ENP) onde cursou Arquitetura. Foi um dos chamados “Três Grandes” da pintura muralista destacando-se também em aquarela, desenho e caricatura, sendo esta última sua principal forma de sustento.
Sua arte diverge, por exemplo, da de Diego Rivera, ao possuir uma visão mais pessimista e mais dura sobre a realidade mexicana, mas se aproxima já que a temática é também dedicada à revolução, a luta do povo e o ideal de uma nova sociedade.
A obra de Orozco apresenta forte influência do expressionismo e do futurismo, não esquecendo da arte italiana dos séculos XV e XVI sendo esta ambiguidade percebida ao retratar as tradições ancestrais do povo mexicano mesclada a iconografia católica.

Parte do mural entitulado "A destruição da velha ordem" localizado nos muros do Colégio San Ildefonso na Cidade do México.
Este mural encontra-se na entrada do Colégio San Ildefonso e possui aproximandamente 4000m². É dedicado ao padre Miguel Hidalgo representado com a tocha da liberdade nas mãos
Fragmento maior do mural "Omnisciencia", 1925, localizado na "Casa de los Azulejos", Cidade do México.
Diego Rivera (1886-1957)
O Muralismo Mexicano
"História de Cuernava e Morelos". Instituto Nacional de Antropologia e História. Cuernavaca. México.
"Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central", 1947-1948. Fresco sobre painéis móveis4.8 x 15 m. Museo Mural Diego Rivera. Ciudad de México
Homem numa Encruzilhada, 1934. Fresco. Museu do Palácio de Belas Artes. México
Paisagem zapatista, 1915. Óleo sobre tela. 145 x 125 cm. Museo Nacional de Arte. México.
David Alfaro Siqueiros (1896-1974)

Mexicano, frequentou a Academia de Belas Artes de San Carlos. Era também pintor de cavalete, mas foi como muralista que se destacou com sua arte fortemente política e inovadora em termos técnicos.
A grande temática de sua obra foi a Revolução Mexicana e o povo mexicano, pautado pela sua visão política que mostrava o povo como protagonista da história na luta por uma sociedade melhor numa clara crítica ao capitalismo permeada de valores e ideais comunistas.
Desde o tempo da academia, Siqueiros exerceu intensa atividade política. Comunista radical e stalinista declarado, foi expulso do Partido Comunista mexicano, lutou na guerra civil espanhola contra Franco, além de ter sido acusado de tentativa de assassinato a Trotsky o que o obrigou a exilar-se no Chile. Foi preso algumas vezes ao longa da vida e numa destas interrompeu a pintura do mural “Do Porfirismo à Revolução”.
Figura polêmica, Siqueiros é fortemente criticado por sua arte ser tão panfletária dos ideais comunistas que hoje, embora possam parecer datados, são facilitadores na assimilação da arte muralista e que prova a amplitude e o alcance de sua obra atingindo o ideal máximo da arte mural: ser para todos.

Recorte do mural "Do Porfirismo à Revolução" onde vemos Porfírio Díaz retratado pisando nas leis mexicanas no meio de um baile aristocrático.
Recorte do mural "Do Porfirismo à Revolução" onde observamos a população rural e urbana se unindo contra um mal comum que disputa a bandeira do México com um líder mexicano.
Recorte do mural "Do Porfirismo à Revolução" dedicado aos mártires da revolução.
FIM

Foi do grupo dos “Três Grandes” o mais famoso muralista e é tido como um dos maiores pintores do México. Estudou na Academia de Belas Artes de San Carlos e aos 21 anos, através de uma bolsa de estudos, foi para a Europa e lá teve contato com correntes artísticas de vanguarda e conheceu os próprios artistas como Picasso, Dalí, Miró e Gaudí.
Sua fama deve-se também ao seu conturbado relacionamento com a pintora Frida Kahlo. Comunista, chegou a pedir ao presidente Lázaro Cárdenas para dar asilo político a Leon Trotsky e o hospedou, junto de Frida, em sua casa.
Sua pintura apresenta enorme influência do cubismo – tendo sido um expoente desse movimento artístico ao lado de Picasso –, da pintura figurativa de Cézanne, da representação de culturas “exóticas” como Gauguin e Rousseau. Grande estudioso, ao ser chamado por Vasconcelos para produzir murais no México foi à Itália para analisar a arte renascentista italiana focando nos murais daquela época.
Seu engajamento político, o fazia considerar a pintura de cavalete uma “arte menor” devido à amplitude que a arte muralista possuía e seu alcance social. Considerava a “arte como uma arma” e sua obra reflete claramente suas convicções políticas. Nela, podemos observar a nova identidade nacional forjada nos anos pós-revolucionários. Índios e camponeses são amplamente retratados a partir de sua tradições, símbolos, mitos, ritos e vida cotidiana de maneira idealizada e utópica.
O sangue dos mártires da revolução fertilizando a terra, 1926. Fresco. Universidad Autonoma de Chapingo. Mexico.
Recorte do mural "Do Porfirismo à Revolução". Imagem emblemática do muralismo mexicano que retrata os líderes populares da revolução (Zapata e Villa) atrás de rostos anônimos do povo.
Ao final da guerra civil, a aproximação entre camponeses e setores urbanos indicava uma nova ordem cultural que buscava ser moderna e democrática, mas embasada no legado das antigas civilizações pré-colombianas. É neste contexto de mudanças significativas da sociedade mexicana que é criado o Ministério da Cultura tendo como primeiro ministro o escritor José Vasconcellos. Este será o mecenas por excelência dos artistas que, através de suas pinceladas, serão responsáveis pela perpetuação do imaginário do que foram os ideais e as conquistas do povo mexicano durante o período revolucionário.
O movimento muralista consiste na pintura de grandes murais decorativos narrando fatos do cotidiano do povo mexicano, mas, principalmente, retratando a história do país. Foi um importante projeto educacnional deste período que tinha como objetivo o combate ao analfabetismo (à época do “Porfiriato” chegava a 82% o analfabetismo no México).
Três nomes se destacaram neste movimento. Foram eles Rivera, Orozco e Siqueiros.

Bibliografia
ADES, Dawn. Arte na América Latina. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 1997.

BARBOSA, Carlos Alberto Sampaio. “República Restaurada e Porfiriato: 1876 - 1910”. In: A Revolução Mexicana. (São Paulo: Editora UNESP, 2010. pp.25-58.)

CAPELATO, Maria Helena Rolim. “Modernismo latino-americano e construção de identidades através da pintura”. Revista de História. N°.153. (São Paulo: Humanitas/FFLCH-USP, 2005. pp.251-282.)

EDER, Rita. “Muralismo Mexicano: Modernidad e Identidad Cultural”. In:BELLUZZO, Ana Maria de Moraes (Org.). Modernidade: Vanguardas Artísticas na América Latina. (São Paulo: Unesp/Memorial, 1990. pp.99-120.)

MALDONARDO GALLARDO, Alejo. “La revolución mexicana. De la lucha armada a la época de las reformas sociales”. In: AYALA MORA, Enrique & POSADA CARBÓ, Eduardo (dir.) Historia General de América Latina. Los proyectos nacionales latinoamericanos: sus instrumentos y articulación. 1870-1930. (VOL. VII). (Paris: Edições UNESCO / Madrid: Editorial Trotta, 2007. pp.389-418.)

POZO, José del. “Os limitados avanços na abertura do sistema oligárquico durante a fase do auge da exportação, de 1890 a 1929”. In: História da América Latina e do Caribe. Dos Processos de Independência aos Dias Atuais. (Petrópolis, Vozes, 2009. pp.109-162.)

SILVA, Marco Antonio da. “Uma perda de avessos – o povo na parede ciência, trabalho e revolução no muralismo mexicano”. Projeto História, V.21. (São Paulo: PUC/SP, nov. 2000). Em: http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/10763/7995

VASCONCELLOS, Camilo de Mello. “Visões da revolução mexicana: arte e política nos murais do museu nacional de História da Cidade do México”. Anais Eletrônicos do VI Encontro da ANPHLAC. Maringá, 2004. Em: http://anphlac.org/upload/anais/encontro6/camilo_vasconcelos.pdf

Fontes:

Documento: “La entrevista Díaz-Creelman (1908)”. In: HERZOG, Jesús Silva. Breve Historia de la Revolución Mexicana. (Cidade do México: Fondo de Cultura Económica, 1973. pp.127-139.)

ZAPATA, Emiliano. “Programa de Ayala (1911)”. In: REIS, Daniel Araão (org.). Outras Modernidades: Textos e Propostas. Vol.1 – Nuestra América e EUA. (Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009. pp.164-167.)

Imagens:
Retiradas do site : http://ermundodemanue.blogspot.com.br/



América III (noturno)
Tatiana Lima
100171111
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