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PLE I - Aula 3 - Informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação

15 ago. 2013
by

Francisco Geoci da Silva

on 13 January 2016

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Transcript of PLE I - Aula 3 - Informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
ECT / IMD
Práticas de Leitura e Escrita I

2013.2
Informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação
Na aula anterior, tratamos de leitura como processo de semiotização. Quanto a isso, vimos que ler é atribuir sentido(s). Para tanto, o leitor conta com determinados recursos que o auxiliam no processo de significação, quais sejam: repertório cultural (ou conhecimento de mundo), elementos do contexto sociocomunicativo, domínio linguístico, capacidade de inferenciação, além das pistas existentes no texto. Esses recursos atuam como “ferramentas” imprescindíveis para guiar o leitor em seu percurso de compreensão textual.
Situando-se mais particularmente no domínio da escrita, vimos também que, embora o texto permita leituras variadas, nem todo sentido é possível. Isso significa que pode haver leitura(s) equivocada(s) ou mesmo indevida(s). Esse problema decorre de falhas relativas a um ou mais dos recursos antes mencionados.
Dando continuidade a essas questões, no encontro de hoje, focaremos nosso estudo na relação entre determinadas instruções de sentido (a saber: informações implícitas, duplo sentido e figuratividade) e processos de inferenciação. Esperamos, com isso, adquirir subsídios para o aprimoramento não apenas das habilidades de leitura, mas também de escrita.
1. Informações implícitas:
pressuposto e subentendido
Em geral, um texto contém muito mais informação do que se apresenta em sua superfície perceptível. Em outras palavras, ao conteúdo explícito, subjaz uma gama de informações implícitas, estando umas minimamente sinalizadas na materialidade textual exposta e outras apenas insinuadas, não facilmente acessíveis.

Tanto em um caso quanto no outro, o produtor do texto conta, entre outros recursos, com a capacidade de inferenciação do leitor, a fim de que este proceda à adequada interpretação e, assim, o propósito comunicativo seja alcançado.
Texto 1

Se o atual técnico Mano Menezes não conseguir um bom resultado nos Jogos Olímpicos de Londres, há grandes chances de Luiz Felipe Scolari voltar a ser o técnico de nossa seleção. Ainda mais com a disposição que mostrou levando o Palmeiras ao título.

Mariana Brito
São Paulo - SP
1. Em “técnico”, “seleção” e “título”, a autora apela para o conhecimento de mundo do leitor. Que conhecimento é esse?

2. Que informações implícitas existem sobre Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari? Como isso é sinalizado?

3. Que inferência pode ser feita com relação à volta de Scolari e o título do Palmeiras?
Texto 2

É assustadora a situação da segurança pública em São Paulo. Há mais de vinte anos, o Estado mais rico do País sofre com a violência. O governo, enfim, admitiu o clima de insegurança, mas será que realizará alguma medida concreta para tranquilizar os paulistas?
Sílvio de Barros Pinheiro
Santos - SP
1. O que está implícito em:

a) “Há mais de vinte anos...”?

b) “O governo, enfim, admitiu...”?

c) “... realizará alguma medida concreta”?

d) “... para tranquilizar os paulistas”?
2. O que o escrevente insinua com:

a) “... o Estado mais rico do País”?

b) “mas será que [o governo] realizará alguma medida..."?
As informações subjacentes (ou implícitas), a exemplo do que encontramos nos textos que acabamos de ler, podem ser classificadas em dois tipos: pressupostos e subentendidos. Mas o que é “pressuposto” e o que é “subentendido”? Qual a diferença entre ambos?
No texto 1, pelo uso do adjetivo “atual”, inferimos que, antes, o técnico da seleção não era Mano Menezes, mas outro. Com a expressão “se... não conseguir”, pressupomos que ainda não foi conseguido bom resultado e, com “voltar a ser”, entendemos que, em momento anterior, Scolari já foi técnico da seleção.
No texto 2, ao se informar que, “há mais de 20 anos”, São Paulo sofre com a violência, podemos deduzir que, antes desse período (trinta, quarenta, cinquenta anos ou mais), os paulistas não sofriam com esse problema.

Também, ao explicitar que o governo “enfim, admitiu”, inferimos que ele ainda não havia admitido e que isso era desejado/aguardado. Pela marca de futuro em “realizará”, podemos pressupor que nenhuma medida concreta foi realizada e, com base em “para tranquilizar”, deduzimos que os paulistas estão intranquilos.
Vemos, portanto, que o PRESSUPOSTO é inferível a partir de sinais explícitos no texto, sendo resultado de uma operação lógica. Assim, pelo fato de ser deduzido logicamente de marcas na superfície textual, encontrando-se nas “entrelinhas” do discurso, o pressuposto é um CONTEÚDO QUE NÃO PODE SER NEGADO.
No texto 1, podemos inferir as informações que seguem.

* Mano Menezes pode ser demitido caso a seleção decepcione nas Olimpíadas em Londres. (+)

* A seleção só admite técnicos que levem o time à vitória. (+/-)

* Caso a seleção fracasse em Londres, Mano Menezes mostrará ser um incompetente. (-)

* Scolari é um técnico vencedor de campeonatos. (-)
No texto 2, os subentendidos inferíveis podem ser os seguintes.

*Apesar de ser o Estado com mais recursos no Brasil, São Paulo não tem cuidado da segurança pública. (+)

* O governo paulista demonstra não se importar muito com a segurança pública do Estado. (+/-)

* Os recursos que deveriam ser empregados na segurança pública estão sendo desviados. (-)

* O governo paulista não é confiável. (-)
Por essas amostras, podemos concluir, então, que o SUBENTENDIDO é uma informação indireta não necessariamente relacionada ao conteúdo explícito. Por isso, pode ser negado/questionado pelo locutor.
2. Duplo sentido:
ambiguidade intencional e ambiguidade indesejada
Devido à fluidez e à opacidade da língua(gem), em que é notória a tendência à polissemia (isto é, à possibilidade de uma forma servir a mais de um significado), é comum a ocorrência de DUPLO SENTIDO ou AMBIGUIDADE. Significa que, em um dado texto, é possível atribuir-se mais de um sentido a uma palavra ou a uma expressão.
Todavia, devemos atentar para o fato de haver casos em que o duplo sentido é produto de uma elaboração textual com esse fim, ou seja, a ambiguidade pode ser intencional. Por outro lado, há textos em que a atribuição de sentidos variados ou mesmo a imprecisão/indefinição semântica pode ser resultante de má sinalização, de construção textual inadequada. Nesse caso, tem-se a ambiguidade indesejada.

Para comprovar essas afirmações, observemos os textos a seguir.
1. Em que ponto de cada um dos outdoors lidos podemos identificar o duplo sentido? Como esse recurso deve ser interpretado em ambos os textos, respectivamente?

2. Nesses casos, trata-se de ambiguidade intencional ou de ambiguidade indesejada?
Agora, analisemos os casos de ambiguidade nestas duas amostras textuais.
1. Em que consiste a ambiguidade desses textos?

2. Em ambos os casos, a ambiguidade é indesejada?

3. Como desfazer a ambiguidade de cada texto?
3. Figuratividade
Ainda considerando a natureza polissêmica da língua(gem), é comum, nas situações comunicativas do dia a dia, desde as mais descontraídas até as mais formais, o recurso à linguagem figurada. Nesse sentido, umas figuras são mais recorrentes, a ponto de não mais serem vistas como tal; outras são criadas especificamente para determinados contextos, a fim de produzirem um efeito de sentido inusitado e chamativo.
Texto 7

Palco da sentença histórica

Estão em jogo no Supremo Tribunal Federal não apenas o destino dos 38 réus do mensalão, mas também que página da história brasileira nossa geração escreverá neste começo de século XXI – uma página que pode nos envergonhar ou da qual nós, nossos filhos e netos vamos nos orgulhar.

Olga S. Lessa
Salvador/BA
(08/08/2012, p. 41)
Texto 8

A capa da edição 2220 causou repulsa no mundo animal. Os ratos, indignados, não aceitam comparação com as graúdas ratazanas que vivem da corrupção. No mundo animal existe temor de eles serem apanhados pelas antigas ratoeiras, ao contrário das ratazanas que zombam das leis e nem sequer sonham com uma cela.

Larry Beltrame
Porto Alegre/RS
(15/06/2011, p.39)
1. Em “técnico”, “seleção” e “título”, a autora apela para o conhecimento de mundo do leitor. Que conhecimento é esse?

Essas palavras, nesse contexto, ativam nosso conhecimento de que Mano Menezes é técnico de futebol; “seleção” refere-se à seleção brasileira de futebol; “título” remete à conquista da Copa do Brasil pelo Palmeiras.
2. Que informações implícitas existem sobre Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari? Como isso é sinalizado?

Mano Menezes é confrontado negativamente em relação a Scolari, que é valorizado. Isso é perceptível pelas marcas textuais “não conseguir um bom resultado” e “levando o Palmeiras ao título”.
3. Que inferência pode ser feita com relação à volta de Scolari e o título do Palmeiras?

Assim como Scolari levou o Palmeiras à vitória, poderá fazer o mesmo com a seleção brasileira.
As respostas a essas perguntas serão dadas mais adiante.
1. Em que ponto de cada um dos outdoors podemos identificar o duplo sentido? Como esse recurso deve ser interpretado em ambos os textos, respectivamente?

No texto 3, o duplo sentido encontra-se em “zeros à esquerda”, que aponta tanto para os zeros antecedentes em “007”, como para a ideia culturalmente estabelecida de “não valer nada”/“pessoas sem valor”, que é uma metáfora extraída da matemática quanto à posição do zero antes de um número. Além disso, a sequência de números lembra-nos do agente secreto James Bond, ou seja, temos a referência aos atos de espionagem promovidos pelo governo (matéria de capa da revista).
Texto 4
2. Nesses casos, trata-se de ambiguidade intencional ou de ambiguidade indesejada?

Em ambos os casos, a ambiguidade é intencional, própria de textos publicitários.
Texto 5
Texto 6
1. Em que consiste a ambiguidade desses textos?

No texto 5, a ambiguidade está na expressão “cadela da tua irmã”, a princípio entendida com ideia de posse, mas, depois, inferida como um “xingamento”.

No texto 6, a ambiguidade está no pronome “suas”, que pode remeter tanto às fezes do cachorro quanto às do leitor da placa.
2. Em ambos os casos, a ambiguidade é indesejada?

Não. No texto 5, a ambiguidade é intencional, tendo em vista que serve como efeito de humor para a tirinha. Já no caso do texto 6, provavelmente, o locutor não pretendia surtir o efeito de sentido que acaba produzindo.
3. Como desfazer a ambiguidade de cada texto?

No texto 5: “Cadê tua irmã, aquela cadela?” ou “Cadê a cadela que pertence à tua irmã?”.

No texto 6: "[...] e recolha as fezes dele.".
1. Que figuras podem ser identificadas em ambos os textos? Como devem ser interpretadas?

No texto “Palco da sentença histórica”, logo no título, encontramos a palavra "palco", que é uma analogia ao julgamento dos réus envolvidos no mensalão; depois, vemos a expressão “em jogo”, que significa “em processo de decisão”; mais adiante, há o termo “mensalão”, que remete ao “pagamento” mensal de enormes quantias de dinheiro a políticos em troca de apoio ao governo Lula; por fim, “página da história brasileira nossa geração escreverá”, que se refere à decisão final do STF no julgamento dos acusados.
1. Que figuras podem ser identificadas em ambos os textos? Como devem ser interpretadas?
Agora, para revisar e resumir o que foi visto nesta aula, vamos ler o texto a seguir, retirado da revista ISTO É (08/08/2012, p. 16); depois, identifiquemos nele amostras de informações implícitas, de ambiguidade e de linguagem figurada.
Texto 9

Comportamento

A reportagem sobre o déficit de atenção mostra o movimento que contesta a existência da doença e o uso de um derivado anfetamínico em seu tratamento. Mas é importante lembrar que por trás desses diagnósticos existem os interesses da indústria farmacêutica. O Brasil não pode ficar à margem dessa discussão. (ISTO É, 08/08/2012, p. 16).
José Elias Aiex Neto
Foz do Iguaçu - PR
No texto, há, entre outras, as informações explicitadas a seguir.

* Pressuposto: há quem defenda a existência do déficit de atenção e o uso de um derivado anfetamínico em seu tratamento, o que é inferido a partir do termo "contesta". Esse dado nos leva a concluir que não existe consenso sobre essa questão. Por fim, deduzimos que o Brasil está à margem da discussão sobre isso pela expressão "não pode ficar".
* Figurativização: está na expressão “por trás”, que, nesse contexto, significa “está implícito”, e em “ficar à margem”, que, nesse caso, quer dizer “não participar”.
•O que são informações implícitas?
Informações implícitas são aquelas que subjazem à superfície textual, que não estão dadas (explicitadas), ou seja, são as “entrelinhas” de um texto.

•O que é duplo sentido ou ambiguidade?
Duplo sentido ou ambiguidade ocorre quando um discurso produz mais de um significado ao mesmo tempo. Isso pode ser intencional ou não.
•O que é figuratividade?
Figuratividade é a recorrência à linguagem polissêmica.

•O que é inferenciação?
Inferenciação é a capacidade de extrair de um texto as informações que não estão na superfície, ou seja, depreender aquilo que está implícito. Tome cuidado com isso. Existem inferências autorizadas (válidas) e não autorizadas (inválidas).
Nesse sentido, a leitura é um processo colaborativo, que inclui, de um lado, a responsabilidade do ouvinte/ leitor em “captar” satisfatoriamente o(s) possível(is) sentido(s) do texto e, do outro, a do falante/ escrevente em fornecer as adequadas sinalizações/ instruções que viabilizem a compreensão.

Sendo assim, fica claro que o texto não é um veículo de transmissão de informações.
No texto 4, o duplo sentido está em “arrumar” e em “coroa”: o primeiro pode ser “conseguir” ou “organizar”; o segundo pode ser “mulher de certa idade” ou “enfeite de flores para funeral”.

Portanto, no texto 3, a leitura deve ser feita em termos figurados; no 4, a leitura deve ser feita em termos literais, haja vista tratar-se de uma propaganda de assistência funerária, veiculada em outdoor.
A respeito disso, vejamos as amostras textuais 7 e 8, coletadas da seção "Leitor", da revista Veja.
O texto de Larry Beltrame apresenta, primeiramente, a associação entre os ratos e os políticos brasileiros (“ratazanas graúdas”). Depois estabelece uma relação metafórica entre os dois grupos, que têm em comum a “sujeira” (lixo/desonestidade) e o fato de serem “pragas difíceis de exterminar” (os políticos ainda mais do que os ratos). Por fim, estabelece a relação entre ratoeira e cadeia/prisão.
* Subentendido: a indústria farmacêutica não é confiável e pode estar enganando as pessoas. Mas isso é discutível, uma vez que o texto não fornece nenhuma pista explícita.
* Ambiguidade/vagueza de sentido: está em “desses diagnósticos”. Não se sabe a que esse termo se refere, já que nada sobre isso foi mencionado antes no texto.

•O que são instruções de sentido e para que servem?
Instruções de sentido são pistas deixadas em um texto para guiar o leitor a fim de garantir melhor compreensão.

•Podemos falar que o texto permite transmissão de informações?
Não. Devido à fluidez e à opacidade da língua(gem), entre a formulação de um texto e a compreensão do interlocutor existem alguns fatores que colaboram ou interferem nesse processo.
1.2. SUBENTENDIDO

Consiste num conteúdo não marcado no texto; portanto, não há como deduzi-lo logicamente dos enunciados expressos. Sendo assim, o subentendido constitui uma informação cuja inferência é de responsabilidade do interlocutor, que toma como base alguma pista textual e pode variar entre mais ou menos aceitável/autorizada.
1.1. PRESSUPOSTO

Trata-se de uma informação implícita, indiretamente marcada no enunciado, podendo ser acessada mediante o estabelecimento da relação entre tal marca e o “cálculo” inferencial.
Texto 3
Tchau!
Que leitura você faz dessa imagem?

Em qual(is) pista(s) se baseia a sua compreensão?
Subentendidos
Para fecharmos, assista ao vídeo a seguir
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