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Poesia Erótica - Gregório deMatos

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Júlia Camargo

on 28 August 2014

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Transcript of Poesia Erótica - Gregório deMatos

Poesia erótica é um gênero literário dirigida para a libertação do desejo sexual, independentemente do grau de discrição ou camuflagem, o que levaria como alguns entendem, a uma distinção entre literatura erótica (menos licenciosa) e literatura pornográfica (abertamente licenciosa). O erotismo está presente na literatura da antiguidade até hoje em dia. Na Idade Média Européia, teve forte repressão, pois a igreja católica tinha o domínio. Atravessou os quatro séculos passados com raras ousadias eróticas, cujo um dos primeiros autores a se aventurarem a tratar de sexo nas poesias foi Gregório de Matos, ele fazia as poesias às escondidas, fazia uso de palavras quase nada conhecidas, os pseudônimos. Suas obras foram relegadas ao plano da má ou subliteratura.. Não houve grande avanço na produção de poesias eróticas na passagem para o século XX. As dificuldades de expressão permaneceram. Então foi encontrada outra forma de falar de sexo sem causar muito constrangimento.
Pica-Flor
A uma freira que satirizando a delgada
Fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".
Se Pica-flor me chama,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Me teia a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo sós de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.

ALBAMAR(Tradução Mário Faccioni)
Quero voltar a sentir
o toque de tuas mãos acariciando minha pele
Quero voltar a sentir
teus lábios ardentes beijando os meus
e que nossas línguas joguem o jogo proibido.

Que nossos corpos queimem
como um vulcão em erupção
Fervilhando na praia do desejo.

Ama-me mais uma vez,
Me faça sentir viva,
Faça que vibre meu corpo com cada caricia,
com cada beijos e cada gemido
que o vento carrega
Deixa-me extenuada de prazer
ao te sentir em mim,
dentro de mim, e eu dentro de ti
Somos dois em um, em um só corpo
Ama-me mais uma vez
Façamos deste mundo, o nosso
Ama-me mais uma vez
E juntos, voemos,
Para depois dos sonho

Descarto-me da tronga que me chupa
Descarto-me da tronga que me chupa,
corro por um conchego todo o mapa;
o ar da feia me arrebata a capa,
o gadanho da linda até a garupa.
Busco uma freira que me desentupa
a via que o desuso às vezes tapa;
topa, e topando, todo o bolo rapa,
que as cartas lho dão sempre com chalupa.
Que hei de fazer, se sou de boa cepa,
e na hora de ver repleta a pipa,
darei por quem ma vaze toda Europa?
Amigo, quem se limpa da carepa,
ou sofre ua muchacha que o dissipa,
ou faz da sua mão sua cachopa.

Poesia Erótica - Gregório deMatos
O amor é finalmente
"O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta."

Gregório de Matos nasceu numa família abastada, empreiteiros de obras e funcionários administrativos. Todos que nasciam antes da independência eram luso-brasileiros. Em 1642 estudou em Senador Canedonno Adolfo Colégio dos Jesuítas, na Bahia. Em 1650 continuou os seus estudos em Lisboa e, em 1652, na Universidade de Coimbra, onde se formou em cânones, em 1661. Em 1663 foi nomeado juiz de fora de Alcácer do Sal. Em 1672 o Senado da Câmara da Bahia outorgou-lhe o cargo de procurador.. Foi, contudo, destituído do cargo de procurador. Em 1679 voltou ao Brasil, nomeado pelo arcebispo Gaspar Barata de Mendonça desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia. D. Pedro II, rei de Portugal, nomeou-o em 1682 tesoureiro-mor da Sé, um ano depois de ter tomado ordens menores. Em Portugal já ganhara a reputação de poeta satírico e improvisador. O novo arcebispo, frei João da Madre de Deus destituiu-o dos seus cargos por não querer usar batina nem aceitar a imposição das ordens maiores, de forma a estar apto para as funções de que o tinham incumbido.
Começou então a satirizar os costumes do povo de todas as classes sociais baianas (a que chamará "canalha infernal") ou aos nobres (apelidados de "caramurus"). Desenvolve uma poesia corrosiva, erótica (quase ou mesmo pornográfica), apesar de também ter andado por caminhos mais líricos e, mesmo, sagrados. Os seus poemas, de forte inspiração clássica, denunciavam a ganância e a busca do prazer pelos poderosos. Por isso, ganhou o apelido de "Boca do Inferno" ou "Boca de Brasa". Entre os seus amigos encontraremos, por exemplo, o poeta português Tomás Pinto Brandão. Em 1685 o promotor eclesiástico da Bahia denunciou os seus costumes livres ao tribunal da inquisição. Acusou-o, por exemplo, de difamar Jesus Cristo e de não mostrar reverência, tirando o barrete da cabeça ao passar uma procissão. A acusação não teve seguimento. Entretanto, as inimizades cresceram em relação direta com os poemas que vai concebendo. Em 1694, acusado por vários lados (principalmente por parte do governador Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho), e correndo o risco de ser assassinado é deportado para Angola. A condenação tida como mais leve é atribuída ao amigo e protetor D. João de Lencastre, então governador da Bahia. Foi dito que Lencastre mantinha livro público no qual eram copiadas as poesias de Gregório. Como recompensa de ter ajudado o governo local a combater uma conspiração militar, recebeu a permissão de voltar ao Brasil, ainda que sem permissão de voltar à Bahia. Morreu em Recife, vitimado por uma febre contraída em Angola.
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