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DO ACERVAMENTO FÍSICO AOS REPOSITÓRIOS DIGITAIS NA EVOLUÇÃO

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by

Antonio Miranda

on 12 April 2018

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A biblioteca universitária em um país continental como o Brasil viveu uma trajetória de grandes realizações e períodos de menor intensidade como na presente crise que estamos vivendo. Existe uma literatura vasta e em nível de pesquisa e desenvolvimento que certamente vai ser ampliada no espaço do presente XX SNBU, promovido pela Universidade Federal da Bahia na “perspectiva do Ensino, Inovação, Criação, Pesquisa e Extensão”.


Eu iniciei os meus estudos de Biblioteconomia nos porões da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, em 1966, mas ganhei uma bolsa de estudo já no segundo semestre e fui estudar na Universidad Central de Venezuela. Fui preso em 1968 durante uma invasão policial naquela instituição, juntamente com Darcy Ribeiro, que estava em Caracas trabalhando, já como exilado político, em um projeto de reforma universitária. Fiquei apenas 48 horas preso. Darcy foi deportado. Formei-me em 1970 e trabalhei como chefe do Centro Bibliográfico Venezuelano, na Biblioteca Nacional de Caracas e depois como diretor de uma biblioteca pública, até o meu retorno ao Brasil, em 1973.

Iniciei minha vida profissional no Brasil, em Brasília, no período de implantação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, onde eu propus a criação de um programa de “comutação bibliográfica”(1), um neologismo para designar o uso dos acervos de bibliotecas especializadas e universitárias representados em um “catálogo coletivo”, ainda em fichas catalográficas, iniciado no Brasil pelo antigo IBBD — Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, nos tempos pioneiros pela bibliotecária Lydia de Queiroz Sambaquy (1913-???).


Depois estive à frente da Assessoria de Planejamento Bibliotecário da CAPES–MEC, nas administrações dos educadores Darcy Closs e Cláudio de Moura Castro, na segunda metade do século passado. Foi uma fase de grandes transformações e empreendimentos, graças aos generosos recursos financeiros e técnicos disponibilizados e pelos empréstimos internacionais que permitiram a aquisição de acervos e equipamentos, de cujo empreendimento eu participei diretamente, destacando-se a contratação e aperfeiçoamento de pessoal e até a construção de prédios de bibliotecas, dentre as quais ressalto aquelas em que eu participei — as bibliotecas centrais das universidades federais de Alagoas, Rio de Janeiro (UFRRJ), Espírito Santo, Goiás, Santa Catarina, Acre, etc.


GALBINSKI, José; MIRANDA, Antonio.
Planejamento físico de bibliotecas universitárias.
Brasília. PROBIB/MEC, 1993. 193p. Inclui relatório de pesquisa realizado pelo arquiteto José Galbinski e o cientista da informação Antonio Miranda, com a colaboração do arquiteto Frederico Flósculo sobre o estado da arte da construção de edifícios de bibliotecas universitárias no Brasil.


Cabe ressaltar que eu fui convidado para o cargo no MEC pelo meu mestrado na Loughborough University of Technology, na Inglaterra, ganhando o prêmio Sisson & Parker pelo trabalho acadêmico apresentado, que ensejou a publicação no Brasil da tradução do texto, em regime de co-edição entre a LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora e a Editora da Universidade Brasília:


DO ACERVAMENTO FÍSICO AOS REPOSITÓRIOS DIGITAIS NA EVOLUÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NO BRASIL

Por ANTONIO MIRANDA
Professor Emérito da Universidade de Brasília

MIRANDA, Antonio. Planejamento Bibliotecário no Brasil. A Informação para o Desenvolvimento. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos; Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1977. 135p.

Cabe aqui registrar que a publicação da obra foi intermediada pelo Instituto Nacional do Livro, no período da ditadura militar, com a (in)consequente censura do conteúdo da dissertação original em que foram extraídos textos considerados “subversivos” por criticarem a situação do ensino no país. O livro teve uma grande aceitação pela comunidade, mas não autorizei a sua reedição.

O que cabe ressaltar é que o texto colocava em evidência um fenômeno mundial: o deslocamento da questão dos serviços bibliotecários centrados nos acervos físicos para a dimensão da informação científica, sobretudo com o crescimento exponencial da educação à distância e da extensão universitária, para um público mais abrangente:


“(...) existe uma tendência moderna que considera a informação como recurso ou matéria prima ou como produto. Considerada nessa dimensão, a informação teria um valor de produção, um preço de mercado, qualidade e mercado.” (MIRANDA, op. cit, 1977, p. 31).


E ressaltava que tal concepção liberal, com reflexos benéficos e maléficos, conduzia às “barreiras existentes no fluxo da informação, mediante a institucionalização de patentes, direitos autorais, segredos (..)” que restringiam seu uso em oposição ao “direito universal à informação”. Citava inclusive, em estudos posteriores, o fato de bibliotecas norte-americanas colocarem aparelhos de Xerox para que os universitários pudessem, com o uso pessoal por meio de moedas, fazerem cópias sem custos adicionais, o que acontecia em guichês com prestação desse serviço no interior das próprias bibliotecas públicas e universitárias. Vale dizer:



“Já é amplamente reconhecido que a racionalização liberal da vida econômica é, eminentemente, o campo da iniciativa privada. A harmonia liberal entre os interesses públicos e privados — incluindo o problema da informação como um produto passível de ser “explorado” — é o “resultado de si mesma por meio do curso não perturbado da prática privada”, como Herbert Marcuse observou em seu ensaio clássico “A Luta Contra o Liberalismo na Visão Totalitária do Estado.” (vide Bibliografia).

Não havendo espaço aqui para ampliar a discussão das teses do livro, queremos apenas ressaltar que, depois discuti este tema quando elaboramos um dos capítulos do “Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil — SOCINFO ”, escrito em 1999 sob a liderança de Tadao Takahashi e divulgado no início do novo século (ver o “Livro Verde da Sociedade da Informação:

https://www.governodigital.gov.br/documentos-e-arquivos/livroverde.pdf,
onde aparece o capítulo sobre o tema “Conteúdos e Identidade Cultural”, por Antonio Lisboa Carvalho de Miranda (UnB), mas depois ignorado e desarticulado pelo novo governo brasileiro eleito na oportunidade, como é praxe brasileira na prática nefasta da “descontinuidade administrativa”. (2) Cabe apenas ressaltar a defesa feita em favor do planejamento bibliotecário no Brasil, a atuação do MEC, do programa SNICT – SNDCT, do UNISIST e do NATIS no Brasil, do então IBBD — renomeado como IBICT e do INL, assim como do treinamento de usuários, que os interessados poderão descobrir agora em trabalhos divulgados pela internet.

Iniciei minha carreira de professor universitário, na Universidade de Brasília, lecionando a disciplina “Formação e desenvolvimento de acervos”. Tempos depois propus a mudança do título da disciplina para “Acervamento bibliográfico”, um neologismo... Antes disso, publiquei:










MIRANDA, Antonio.
Seleção de material bibliográfico em bibliotecas universitárias brasileiras

– ideias para um modelo operacional.
Brasília, DF: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior –CAPES-MEC; Associação de Bibliotecários do Distrito Federal, 1978. 36 p.. Trabalho apresentado à IV Bienal Internacional do Livro & IV Assembleia das Comissões Permanentes da FEBAB, São Paulo, 11-18 de agosto de 1978.


Neste folheto ressaltávamos que “A biblioteca universitária brasileira, salvo excepcionalmente, o desenvolvimento de seu acervo de acordo com uma política definida de expansão racional, equitativa e equilibrada”, numa época centrada no acervo físico, clamando “definir a extensão e a profundidade na cobertura temática da coleção segundo os níveis de compreensão de sua comunidade” (MIRANDA, op. cit, p. 30), entendendo por níveis desde a graduação até a extensão universitária. Ou seja, por “uma comunidade em expansão” em um espaço de “explosão bibliográfica” e de pesquisa. Consequentemente, a necessidade da cooperação bibliográfica, entendendo que nenhuma biblioteca é autosuficiente.


A atividade intensa, compreendendo visitas constantes às universidades brasileiras em quase todo o território nacional, participação em eventos e estudos da situação das nossas bibliotecas universitárias ensejou a seguinte publicação:


MIRANDA, Antonio.
Biblioteca Universitária no Brasil; reflexões sobre a problemática. (University Libraries in Brazil; reflections upon its present situation)
. Brasília: CAPES/MEC, 1978.


Tive, então, a oportunidade de fazer um estágio nos Estados Unidos da América, visitando bibliotecas universitárias e especializadas — instituições xifópagas e complementárias — em diversos estados como NY, Washington, Califórnia, etc, líderes no sistema cooperativo, em um país líder nessa atividade de intercâmbio interinstitucional (interlibrary loan), resultando na edição de um relatório:

MIRANDA,
Antonio. Modelos alternativos de empréstimos-entre-bibliotecas.
Brasília: Programa Nacional de Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior- PNBU-MEC, 1990. 107 p.


Naquela oportunidade, já em desenvolvimento a comutação bibliográfica — COMUT, citamos os modelos organizacionais preconizados por Maurice Line: centralizado, semicentralizado, semidescentralizado, descentralizado, e vários outros sistemas intermediários, mistos, híbridos, que permitiam o intercâmbio de obras e de xerox pelos correios, por fax e em seguida, pela internet.

Antes havíamos estado na instituição pioneira na Inglaterra, a British Library Lending Division, que chegou a ter uma representação em São Paulo para fomentar o serviço no Brasil, a custos restritivos para a maioria de nossas bibliotecas, depois desativada com o crescimento do nosso Programa de Comutação
Bibliográfica, que ainda existe atualmente no IBICT, com as atualizações impostas pelas transformações tecnológicas em curso.[25 ANOS DO COMUT: http://www.antoniomiranda.com.br/ciencia_informacao/comut_ricardo.html].

Toda aquele intensa atividade e aprendizagem foi logo registrada em livro, reunindo artigos, relatórios e palestras, em edição prefaciada por Edson Nery da Fonseca:










MIRANDA, Antonio.
Estruturas de Informação e Análise Conjuntural - Coletânea de ensaios discutindo aspectos administrativos, sociais, políticos, acadêmicos e de transferência de informação.
Brasília: Thesaurus Editora, 1980. 170p.

“Antes de constituir-se em problema técnico possível de ser controlado e submetido à hermêutica das leis e normas da biblioteconomia, a biblioteca universitária é um fenômeno social.


A complexidade está na dicotomia aparente entre a abordagem técnica e a visão política do problema. A práxis revela que o binômio técnica – contexto social só é equacionado positivamente quando o árbitro — no caso o bibliotecário — transita nas duas esferas e quando sabe, como administrador, dialogar com o poder decisório superior. “ (...) “Caberia, portanto, a análise desta conjuntura como parte inalienável do planejamento de sistemas de bibliotecas em nossas universidades.” (MIRANDA, op. cit. p. 17)


Este conjunto de textos, também apresentados em eventos em outros países — Argentina, Chile, Colômbia, Espanha, Moçambique, Canadá, China, Japão, etc – ensejaram várias comunicações técnicas e artigos, alguns deles organizados por Elmira Simeão:

MIRANDA, Antonio.
Ciência da Informação Teoria e Metodologia de uma Área em Expansão.
Org. Elmira Simeão. Brasília: Thesaurus Editora, 2003. 212 p. ilus.


Engloba três partes:
1ª. Informação e Sociedade (sobre os problemas culturais, políticos e econômicos da informatização no Brasil; a Globalização e os sistemas de informação, seus paradigmas e desafios, a Sociedade da Informação: conteúdos e acessos em perspectiva.


2ª.
parte: Ensino e Pesquisa em Ciência da Informação, concentrando-se nas questões do ensino de Biblioteconomia no Brasil, Biblioteconomia Comparada numa perspectiva crítica e a perspectiva da pesquisa na área.


3ª.
parte: expande a análise em torno da Metametodologia da Ciência e a Ciência da Informação e a Teoria do Conhecimento Objetivo (Karl Popper).

“Evidencia a polissemia do termo informação e a consequência de sua amplitude e sua adaptabilidade faz parte do processo de interação com a tecnologia, tornando-se inócuo legitimar uma única concepção, ainda mais quando se trata de uma área multidisciplinar.” (SIMEÃO, E. no prefácio da obra acima, p. 15).
Tal parceria ensejou a obra seguinte:

SIMEÃO, Elmira; MIRANDA, Antonio.
O texto virtual e os sistemas de informação (nova leitura das propostas de Ítalo Calvino).
Brasília: Thesaurus Editora, 2005. 74p.
Os autores Simeão e Miranda, responsáveis por uma disciplina na Universidade Brasília, analisaram a questão da leitura do texto e a ação comunicativa consequente, alicerçadas nas dimensões calvinianas: Leveza, Rapidez, Exatidão, Visibilidade, Multiplicidade e Consistência. E concluem: “Sob a perspectiva da Ciência da Informação, é possível reconstruí-la examinando as modificações provocadas pela comunicação eletrônica no contexto das publicações científicas, com a reestruturação dos formatos dos documentos e das práticas de leitura.” (SIMEÃO, E.; MIRANDA, A. op. cit. p. 72)



Dentre as muitas dissertações e teses que eu orientei, vale destacar o trabalho investigativo de Valéria Mendonça, uma pesquisadora da questão da informação na área da Saúde no Brasil. Em prefácio que escrevi para a apresentação de sua obra, eu ressalto o esforço dela no sentido da “comunicação intensiva” — desdobramento da tese de Elmira Simeão sobre a “comunicação extensiva” — em que Valéria pesquisa em profundidade os fenômenos da informação e seus modelos de representação no ciberespaço e na blogosfera, notadamente em ambiente de inclusão social, a partir de sua experiência com o Programa GESAC.

MENDONÇA, Valéria. Os processos de comunicação e o modelo todos-todos: uma relação possível com o Programa de Saúde da Família. Brasília: CID/UNB; NESP, 2007. 48 p. (Série Tempus)


Uma orientação de tese é uma oportunidade de aprendizado conjunto. Nessa perspectiva, sugeri a ela aprofundar uma tríade que criamos para representar as transformações desde as origens dos registros humanos: das inscrições nas cavernas até o surgimento da escrita e das cópias dos calígrafos; da multiplicação pelos tipos metálicos da imprensa e, mais recentemente, a escrita e difusão por meios digitais:

POUCOS – POUCOS
(alfabeto – calígrafos)

MUITOS – MUITOS
(imprensa – Gutenberg)

TODOS – TODOS
(hipermodernidade)

“Em princípio, todos em comunicação com todos, antecipando a ficção (em construção) das cidades digitais, das redes tecnosociais interativas, sem barreiras (malgrado os problemas da exclusão digital, dos níveis de educação e das línguas e códigos de transmissão interpessoais, para os quais já estão sendo criados poderosos programas de apoio, incluindo novas gerações de tradutores automáticos, não mais limitados às regras gramaticais, mas avançando para o campo semântico, da websemântica.” (MIRANDA, A. na apresentação da obra citada, p. 10).


Uma apelação, na época, foi feita pela reformulação dos cursos de biblioteconomia, de uma visão estritamente técnica para uma mais empreendedora, inclusive requerendo cursos de pós-graduação.

MIRANDA, Antonio; SIMEÃO, Elmira, org.
Alfabetização digital e acesso ao conhecimento.
Brasília: Departamento de Ciência da Informação da UnB, 2006. 257 p. (Série Comunicação da Informação Digital, vol. 4).

Questão relevante que se colocava naquela oportunidade pioneira: lembrar que à época em que se propugnava pela oficialização da SOCINFO como programa de governo, a internet estava ainda em fase embrionária e limitada em termos de recursos tecnológicos e de usuários conectados pelas
redes em desenvolvimento.



Analisa a relação entre informação e comunicação e tecnologia, através de seus conceitos básicos, recorrendo a autores que estudam o fenômeno com diferentes abordagens. O trabalho é resultado do esforço de alunos do programa de pós-graduação do CID, profissionais de várias áreas, utilizando a técnica da multivocalidade na produção de um livro coletivo.

Destaque para a questão emergente da Cibercultura vista como o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem com o crescimento do ciberespaço que, mais recentemente, chega ao conceito dado por Santaella (2010, p. 39).

MIRANDA, Antonio; SIMEÃO, Elmira.
Informação e tecnologia: conceitos e recortes.
Brasília: Universidade de Brasília, Departamento de Ciência da Informação e Documentação, 2005. 259 p. (Comunicação da Informação Digital, 1)
Outra questão relevante é o hipermodernismo, expressão que eu uso para definir a etapa atual no âmbito da cibercultura, que dá ao poeta, ao escritor e ao cientista, como aos autores em geral, a possibilidade de criar valendo-se da animaverbivocovisualidade (AV3) e de poder difundir suas criações pela web, mediante blogs e redes sociais, editando seus próprios trabalhos, em caráter individual ou coletivamente. A base transformadora do hipermodernismo é a hipermidia. No meu entendimento, arbitrariamente, a pós-modernidade que muitos ainda consideram em voga, “terminou” com o século passado. Mais detalhe sobre estas transformações estão nos textos que venho publicando sobre a animaverbivocovisualidade — a AV3, valendo-se da arquitextura — compreendida finalmente como uma combinação estética dos elementos criativos, movidos em “anima”, ou seja, no duplo sentido de alma e de animação pelas tecnologias da informação.

A animaverbivocovisualidade é a combinatória dos elementos e recursos da
HIPERTEXTUALIDADE
, da
HIPERMIDIAÇÃO
, da
INTERATIVIDADE
, da
MOBILIDADE,
da
UBIQUIDADE
e da
MULTIVOCALIDADE.



AV3 como fênomeno derivado da “integração das artes”, protagonizada pela Bauhaus, combinando mídias em forma de “collage” — desenho, texto, performance vocal — agora em formato digital, imaterial.

No processo de comunicação em AV3 autores combinarão cognitivamente conteúdo e forma e poderão processar registros e comunicá-los numa arquitetura multidimensional. Ao contrário das buscas pelo Google ou por outros dispositivos, que respondem a partir de arquivos (disponíveis), estas novas modalidades parametrizam e algoritmizam para chegarem às respostas solicitadas pelos usuários.

Ou seja, criam registros novos, em tempo real, de forma personalizada e efêmera (impermanentes), embora os usuários possam então registrá-los e disponibilizá-los. Mais informações em:
https://prezi.com/yasivcmqu7rj/a-comunicacao-extensiva-e-o-advento-da-animaverbivocovisuali/?webgl=0


FINALIZANDO

Cabe ressaltar que se advogava por cursos interinstitucionais, ainda ensaiando seus primeiros passos, um deles por instituição exatamente aqui na UFBA, do qual participei como apoiador e também como professor e orientador de dissertações. Expandir os centros de ensino, pesquisa e extensão por todo o país, buscando uma relação entre as universidades e com a população urbana, suburbana e rural no momento em que a internet e as redes sociais estavam em processo de conquista de novos territórios. Tarefa de governo e da sociedade, em escala internacional e não de forma restrita, elitista e fechada como os mais conservadores defendiam. Emblematicamente, o IBICT instalou-se, na fase da mudança de rumo, no prédio em que estava a instituição governamental Digibras, monopolizadora da informática no Brasil.(4)

Na Biblioteca Nacional de Brasília, mediante ação em conjunto com a Faculdade de Ciência da Informação e a Universidad Complutense de Madrid, iniciamos um programa ambicioso de capacitação em informação de pessoal interno, incluindo funcionários e pessoal e pessoal de segurança, assim como de jovens, idosos e até moradores de rua no uso das novas tecnologias de comunicação. Paralelamente, os ministérios da ciência e tecnologia, da cultura e principalmente o das comunicações montavam redes de pontos de acesso em todo o país, redes de fibras óticas, enquanto acontecia uma vasta malha de lan houses pelos municípios brasileiros, antes da atual proliferação de telefones celulares.

Neste momento estamos finalizando um novo livro, ampliando e atualizando estes conceitos desenvolvidos no presente texto, já em fase final de revisão para publicação:
O ciclo que vai “DO ACERVAMENTO FÍSICO AOS REPOSITÓRIOS DIGITAIS NA EVOLUÇÃO DA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NO BRASIL”, em curso, compreendeu transformações revolucionárias na organização e disponibilização de conteúdos informacionais em bibliotecas físicas, digitais, agora transcendendo os limites da disponibilidade-acessibilidade, permitindo a inteligência artificial que analisa imensos repositórios e apresenta resultados transformadores para a pesquisa e a inovação dos conhecimentos. Impossível imaginar os futuros desdobramentos, positivos e negativos...

[No momento estão testando “apagar” a memória de ratos e inserir novos conteúdos... Hoje isso é possível pelo doutrinamento ideológico, religioso e recursos como a “catequese pelas redes sociais” valendo-se de dados de milhões de internautas e mediante os Fake News em campanhas publicitárias e políticas.


Como sempre me dividi entre a literatura científica e a literária, finalizo com um poema que escrevi a partir do conceito de “Não-lugar”, “um conceito proposto por Marc Augé, antropólogo francês, para designar um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade, isto é, segundo Marc Augé todo e qualquer espaço que sirva apenas como espaço de transição e com o qual não criemos qualquer tipo de relação...” (wikipedia).

NÃO-LUGARES

Poema de Antonio Miranda

I
O sonho é um não-lugar
que habito
virtualmente
— no tempo e no espaço
da não-existência
de cuja permanência
ou imanência
dependo.

Entendo: sonho, logo existo.

II
No bonde, antigamente...
No trem, no navio, em movimento
— um não-lugar concreto.

E na Internet, atualmente.
O bonde trilhando
O avião voando
O navio...

Existe lugar em movimento?

(Um-lugar-de-momento).

III
Onde estou, se sou?
Mas não estou em mim,
necessariamente.

Habito uma galáxia
(planetária)
em expansão
(informacional)
e sou onde estou.

IV
Se existem tantos centros,
eu sou um deles
— o único possível para mim.

Não por causa do egocentrismo,
ao contrário:
por causa do exocentrismo
— o sair de mim,
o expandir-me
pelo compartilhar
pelas relações múltiplas, rizomáticas, fractais.

V
Se escolho navegar também sou escolhido
viro um escolho no oceano e também escolho
minha centralidade
(eu quase disse individualidade).

Fracionando-me pela rede.

Distribuído, digerido
— vomito e, na volta, me devoro
e excreto: sou mutante.

VI
Vou aonde a rede me levar.

E o meu endereço
(o meu lugar) é a rede
em que descanso
e me reencontro:

eu-ilha
virilha
trilha...

(e outras relações metatextuais
ou hipertextuais). Demais!



(Brasília, 30 de outubro de 2005)

NOTAS
1. Depois transformado no COMUT, que foi institucionalizado por um decreto federal, agora parte da estrutura organizacional do IBICT: A trajetória completa deste programa em: http://www.antoniomiranda.com.br/ciencia_informacao/comut_ricardo.html

2. Curiosamente, foi em Salvador, Bahia, durante um evento científico, patrocinado pela UFBA, naquela época, que um representante do novo governo declarou que o projeto da SOCINFO não fora devidamente discutido

3. pela sociedade... Eu estava presente, assinalei que na mesa estava uma das autoridades baianas que participaram do projeto e outras pessoas na plateia que haviam, sim, manifestado opiniões e contribuições significativas para o projeto, e que a pessoa que fazia tal infundada alegação para a descontinuidade da SOCINFO é que estava desinformada...

4. Em 29 de outubro de 1984, em uma tentativa frustrada de desenvolver a tecnologia nacional, o Congresso Nacional aprovou a "Política Nacional de Informática" - PNI - Lei 7.232, que visava estimular o desenvolvimento da indústria de informática no Brasil, por meio do estabelecimento de uma reserva de mercado para as empresas de capital nacional, impedindo a entrada de companhias internacionais de tecnologia no país.

5. Mais informações sobre a AV3 podem ser encontradas no PREZI; adiantamos uma delas: https://prezi.com/yasivcmqu7rj/a-comunicacao-extensiva-e-o-advento-da-animaverbivocovisuali/?webgl=0


BIBLIOGRAFIA
CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. Rio de Janeiro: Vozes, 2000.
MARCUSE, Herbert. Negations. Londres: Penguim, 1968. 290 p.
MENDONÇA, Valéria. Os processos de comunicação e o modelo todos-todos: uma relação possível com o Programa de Saúde da Família. Brasília: CID/UNB; NESP, 2007. 48 p. (Série Tempus)
MIRANDA, Antonio. Biblioteca Universitária no Brasil; reflexões sobre a problemática. (University Libraries in Brazil; reflections upon its present situation). Brasília: CAPES/MEC, 1978. Acessível em: http://www.antoniomiranda.com.br/ciencia_informacao/BIBLIOTECA_UNIVERSITARIA_.pdf
MIRANDA, Antonio. Ciência da Informação Teoria e Metodologia de uma Área em Expansão.Org. Elmira Simeão. Brasília: Thesaurus Editora, 2003. 212 p. ilus. ISBN 85-7062-374-7 O GOOGLE BOOKS oferece gratuitamente para leitura os 3 primeiros capítulos do livro.
MIRANDA, Antonio. CRIATIVIDADE E POIESIS: Poesia visual e animaverbivocovisualidade - a convergência tecnológica no campo digital. Acessível em http://prezi.com/j3ks-w7swktn/criatividade-e-poiesis/

MIRANDA, Antonio. Depósito legal na encruzilhada da hipermodernidade. : http://www.antoniomiranda.com.br/ensaios/deposito_legal_na_encruzilhada_da_hiipermodernidade.html
MIRANDA, Antonio. Diretrizes para o acervamento contínuo da Biblioteca Nacional de Brasília. 2007. Disponível em www.antoniomiranda.com.br)
MIRANDA, Antonio. Seleção de material bibliográfico em bibliotecas universitárias brasileiras – ideias para um modelo operacional. Brasília, DF: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior –CAPES-MEC; Associação de Bibliotecários do Distrito Federal, 1978. 36 p.. Trabalho apresentado à IV Bienal Internacional do Livro & IV Assembleia das Comissões Permanentes da FEBAB, São Paulo, 11-18 de agosto de 1978.
MIRANDA, Antonio. Modelos alternativos de empréstimos-entre-bibliotecas. Brasília: Programa Nacional de Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior- PNBU-MEC, 1990. 107 p.
MIRANDA, Antonio. Seleção de material bibliográfico em bibliotecas universitárias brasileiras – ideias para um modelo operacional. Brasília, DF: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior –CAPES-MEC; Associação de Bibliotecários do Distrito Federal, 1978. 36 p.. Trabalho apresentado à IV Bienal Internacional do Livro & IV Assembleia das Comissões Permanentes da FEBAB, São Paulo, 11-18 de agosto de 1978.
MIRANDA, Antonio . La sociedad de la información: contenidos y accesos en perspectiva. In: LA GLOBALIZACIÓN Y LA INFORMACIÓN EN AMÉRICA LATINA. Org. Estela Morales Campos. Buenos Aires : Alfagrama, 2006. 176 p.
SANTAELLA, Lúcia. Comunicação ubíqua – Repercussões na cultura e na educação. São Paulo: Paulus, 2013.
SANTAELLA, Lucia. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. In: Revista FAMECOS • Porto Alegre • nº 22 • dezembro 2003, p. 23-32.

SIMEÃO, Elmira; MIRANDA, Antonio. O texto virtual e os sistemas de informação (nova leitura das propostas de Ítalo Calvino). Brasília: Thesaurus Editora, 2005. 74p.


BASTA, poema visual de Da Nirham Eros (pseudônimo de ANTONIO MIRANDA)

http://www.antoniomiranda.com.br/da_nirham_eros/poego_spaco.html
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