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Os Maias

Episódios da Vida Romântica

Beatriz Ribeiro, Catarina Braga e Henrique Mourinho

As personagens da comédia de costumes

Alencar

Alencar

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"... no meio desta Lisboa toda postiça, Alencar permanecia o único português genuíno." (Cap. XVIII)

Gouvarinho

Conde de Gouvarinho

"... tem todas as condições para ser ministro: tem voz sonora, leu Maurício Block, está encalacrado e é um asno!" (Cap. VII)

Joâo da Ega

João da Ega

"João da Ega, com efeito, era considerado não só em Celorico, mas também na Academia que ele espantava pela audácia e pelos ditos, como o maior ateu, o maior demagogo, que jamais aparecera nas sociedades humanas. Isto lisonjeava-o: por sistema exagerou o seu ódio à Divindade, e a toda a Ordem social: queria o massacre das classes-médias, o amor livre das ficções do matrimónio, a repartição das terras, o culto de Satanás. "(cap.IV)

Eusebiozinho

Eusebiozinho

"Mas o menino, molengão e tristonho, não se deslocava das saias da titi."

Dâmaso Salcete

Dâmaso Salcete

"Coitado, coitadinho, coitadíssimo... Mas como vês, imensamente ditoso, até tem engordado com a perfídia!" (Cap.XVIII)

Jacob Cohen

Jacob Cohen

"...o respeitado diretor do Banco Nacional, o marido da divina Raquel, o dono dessa hospitaleira casa da Rua do Ferregial onde se jantava tão bem."

Cruges

Cruges

"Se eu fizesse uma ópera, quem é que ma representava?" (Cap.VIII)

Steinbroken

Steinbroken

"E como o homem é muito fino, um gentleman, intusiasta da Inglaterra, grande entendedor de vinhos, uma autoridade no whist, o avô adota-o."

Craft

Craft

"Ega teve um grande gesto. Era indespensável conhecer o Craft! O Craft era simplesmente a melhor coisa que havia em Portugal..." (Cap.IV)

Sousa Neto

Sousa Neto

"Oficial superior de uma grande repartição do estado" (Cap.XII)

Palma Cavalão

Palma Cavalão

"...canalha!", "...vil bolinha de matéria pútrida!" e "...chouricinho de pus!"

Neves

Neves

Condessa de Gouvarinho

Condessa de Gouvarinho

"Estava de preto, com uma gargantilha de rendas negras, à Valois, afagando-lhe o pescoço onde duas rosas escarlates. E toda a sua pessoa tinha um arzinho de provocação e de ataque."

Raquel Cohen

Raquel Cohen

"Dizia se que tinha literatura, e fazia frases. O seu sorriso lasso, pálido, constante, dava lhe um ar de insignificância."

Aspetos simbólicos

Afonso da Maia

Afonso da Maia

Afonso simboliza os valores morais e o liberalismo. Assim sendo, com a morte de Afonso da Maia, todos os princípios morais que ainda existiam em Portugal, acabam. A morte instala-se no país.

O Ramalhete

O Ramalhete

O percurso da família Maia, está relacionado com as modificações existentes no Ramalhete. Quando Afonso vive em Sta Olávia, após a morte de Pedro, está desabitado. Quando Afonso e Carlos se mudam para o Ramalhete, este ganha vida, sendo agora símbolo de esperança e reunião.

O exterior

É no jardim da mansão que se encontram dois grandes símbolos que ao longo da obra se transformam: a cascata, quando deita água simboliza a vida, e quando está seca representa morte e a estátua da Vénus Citereia que simboliza, quando luzidia, a vida, e quando com ferrugem, a morte.

O interior

Dentro do Ramalhete também há muita carga simbólica, como os panos brancos em cima dos móveis do escritório de Afonso, fazendo lembrar as mortalhas em que se embrulham os mortos, quando este está abandonado; e as cores e adornos com que foi decorado para receber os dois restantes membros da ilustre família Maia.

Segundo Vilaça “eram sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete”(Cap. I.), confirmando esse aviso no Cap. XVII, quando já consumada a catástrofe, “Há três anos…O Sr. Afonso da Maia riu-se de agouros e lendas…pois fatais foram!”.

A Toca

A Toca

  • Lugar dos encontros amorosos de Carlos e Maria Eduarda. Simbolicamente, "Toca" pode expressar o lado instintivo e animal da relação entre Carlos e Mª Eduarda na medida em que o nome atribuído lembra a habitação de muitos animais.
  • A sua decoração exótica surge como pressagística do desfecho trágico. Aí aparecem alusões à infidelidade de Vénus, à "paixão trágica do tempo de Lucrécia ou de Romeu", a "uma cabeça degolada, lívida, gelada no seu sangue, dentro de um prato de cobre" e a dois olhos "redondos e agoirentos" que "uma enorme coruja empalhada fixava no leito de amor".

O passeio final de Carlos e Ega

O passeio final de Carlos e Ega

Epílogo do romance. Ocorre dez anos depois quando Carlos visita Lisboa, vindo de Paris.

A estátua de Camões

Pode-se ver a estátua de Camões que, triste, representa o Portugal heróico, glorioso mas perdido, e desperta um sentimento de nostalgia. A estátua está envolvida numa atmosfera de estagnação, tal como o país.

Zona antiga, Chiado e Restauradores

Dominam aspetos ligados ao Portugal absolutista. É a zona antiga da cidade, os bairros antigos representam a época anterior ao Liberalismo, o tempo absolutista.

E domina o presente, o tempo da Regeneração, como é o caso do Chiado e dos Restauradores, símbolos de uma tentativa falhada de reconstrução do país, e a prová-lo está o ambiente de decadência e amolecimento que cerca o obelisco.

O tempo, o espaço e o narrador

O Tempo

O Tempo

  • A narração inicia-se nos inícios de setembro, com "as últimas rosas do verão" e acaba no início do inverno.
  • "Os Maias" não apresentam um seguimento temporal linear, dividindo-se em três tempos: Tempo do discurso, tempo cronológico e tempo psicológico.

Tempo do Discurso

Tempo do Discurso

  • N’ "Os Maias", a narração dos acontecimentos ao nível do discurso não apresenta a mesma ordem em que estes sucederam ao nível da história.

“A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das janelas verdes, pela casa do Ramalhete…”

  • Notamos que o discurso começa para lá do meio do tempo histórico, isto é, já no começo da ação central do romance.

Tempo Cronológico

Tempo Cronológico

  • Nesta obra, o autor dá-nos referências cronológicas concretas da história das três gerações de uma família. Embora não tenham todas o mesmo destaque, refere-se a acontecimentos reais da evolução da sociedade portuguesa dessa época.
  • A acção d’ Os Maias decorre no século XIX, de 1820 a 1887.

Tempo Psicológico

Tempo Psicológico

  • O tempo psicológico é o tempo que a personagem assume interiormente, em que ocorrem mudanças comportamentais que refletem em emoções e vivências. Embora não seja muito frequente ao longo do romance evidenciar um tempo psicológico, é possível identificar algum momentos. Por exemplo Carlos, quando recorda o primeiro beijo que deu a Condessa de Gouvarinho.

  • O tempo apresenta-se, assim, neste romance, como o símbolo da estagnação, de uma sociedade estática em que o presente é apenas o repisar do passado, sem perspectivas para o futuro.

O Espaço

O Espaço

Existem três tipos de espaços.

  • O espaço social comporta os ambientes onde as personagens melhor representam a sociedade portuguesa. Está dividido entre ambientes e figurantes.

  • O espaço físico é muito importante uma vez que nos levam a concluir o estilo de vida e as características das personagens.

  • O espaço psicológico vai sendo cada vez mais evidente ao longo da obra à medida que as intrigas se vão desenrolando e nos aproximamos do final.

O Narrador

O Narrador

  • O narrador é heterodiegético, ou seja, não é uma personagem da história.
  • Assume, geralmente, uma atitude de observador.
  • É omnisciente, pois sabe tudo sobre as personagens: o seu passado, presente e futuro, bem como os seus sentimentos e desejos mais íntimos. Possui um total conhecimento da história, manipulando o tempo segundo o modo como o quer perspetivar.

Contexto ideológico e sociológico

Contexto ideológico

Contexto ideológico

1ª Geração

Afonso da Maia

2ª Geração

Pedro da Maia

3ª Geração

Carlos da Maia

  • Antigos valores
  • Contra Absolutismo
  • Início do Romantismo
  • Instalação do Liberalismo
  • Romantismo
  • Decandência das ideias Liberais
  • Regeneração
  • Ultrarromantismo
  • Realismo

Contexto sociológico

Romantismo vs Regeneração

  • Estabilização associada ao pré-industrialismo;
  • Desenvolvimento de linhas ferroviárias e transportes.
  • Ideias Revolucionárias
  • Instabilidade Política, Social e Económica

Valores e atitudes culturais

Perspetiva pessimista

Perspetiva pessimista

O romance veicula sobre o país uma perspectiva muito derrotista, muito pessimista. Tirando a natureza (o Tejo, Sintra, Santa Olávia…), é tudo uma "choldra ignóbil". Predomina uma visão de estrangeirado, de quem só valoriza as "civilizações superiores" – de França e Inglaterra, principalmente.

Atitudes sociais dos personagens

Atitudes sociais dos personagens

Os políticos são mesquinhos, ignorantes ou corruptos (Gouvarinho, Sousa Neto…); os homens das Letras são boémios e dissolutos, retrógadas ou distantes da realidade concreta (Alencar, Ega… ); os jornalistas boémios e venais (Palma Cavalão, Neves…); os homens do desporto não conseguem organizar uma corrida de cavalos, pois não há hipódromo à altura, nem cavalos, nem cavaleiros, as pessoas não vestem como o evento exigia.

"Vencidos da Vida"

"Vencidos da Vida"

Os protagonistas acabam "vencidos da vida". Pode-se ver que ainda há alguma esperança implícita, nas passagens em que Carlos da Maia e João da Ega dizem que o apetite humano é a causa de todos os seus problemas e que portanto nunca mais terão apetites, mas logo a seguir dizem que lhes está a apetecer um "prato de paio com ervilhas", ou quando dizem que a pressa não leva a nada e que a vida deve ser levada com calma mas começam a correr para apanhar o americano.

Lisboa

Lisboa

Mais do que crítica de costumes, o romance mostra-nos um país – sobretudo uma Lisboa – que se dissolve, incapaz de se regenerar.

Características da prosa queirosiana

Impressionismo

Impressionismo

  • Construções impessoais;
  • Anteposição da qualidade do objeto;
  • Mistura de perceções por vezes contraditórias que traduzem, frequentemente a ironia e a hipálage.

O adjetivo

O adjetivo

  • Adjetivação que animiza dados adjetivos:

"... por cima uma tímida fila de janelinhas."

  • Adjetivação dupla:

"... os seus dois olhos redondos e agoirentos..."

  • Adjetivação tripla:

"... traziam (Pedro) dias e dias mudo, murcho, amarelo..."

  • Adjetivo com valor adverbial:

"Carlos (...) deu uma volta curiosa e lenta pela sala."

O advérbio

O advérbio

  • Adverbiação dupla:

"Cruges respirava largamente e voluptuosamente."

  • Adverbiação tripla:

"... ambos insensivelmente, irresistivelmente, fatalmente marchando um para o outro."

  • Adverbiação com efeito de superlativação:

"Ser verdadeiramente ditoso."

Uso do gerúndio

Uso do gerúndio

"... o jato de água a ferver rebentou furiosamente, fumegando e silvando."

O diminutivo

O diminutivo

" Mas o menino, molengão e tristonho, não se descolava das saias da titi: teve ela de o pôr em pé, ampará-lo, para que o tenro prodígio não aluísse sobre as perninhas flácidas; e a mamã prometeu-lhe que, se dissesse os versinhos, dormia essa noite com ela... Isto decidiu-o (...) Disse-a toda - sem de mexer, com as mãozinhas pendentes, os olhos mortiços pregados na titi."

Neologismos

Neologismos

  • Substantivos: "Faiscação", "Lambisgonhice", "Politicote";

  • Adjectivos: "Escrevinhador", "Chuviscoso", "Pensabudo";

  • Verbos: "Esverdinhar", "Gouvarinhar", "Insipidaram";

  • Advérbios de modo: "Gordamante", "Animalmente", "Gordalhufamente".

Construção Frásica

Construção Frásica

  • Período linear, frase curta, com justaposição de ideias sem subordinação;
  • Ordem direta da frase própria da linguagem oral;
  • Repetição, antítese e paralelismo;
  • Marcas de oralidade.

Discurso Indireto Livre

Discurso Indireto Livre

"... o grão-duque bateu na coxa uma palmada triunfal. Está claro! Pescar o peixe! E no gozo daquela facécia, tão rara e tão nova, toda a sua cólera se sumira, de novo se tornara o Príncipe amável, de magnífica polidez, desejando que as senhoras se sentassem para assistir à pesca miraculosa! Ele mesmo seria o pescador!"

O papel das mulheres na obra

A mulher do século XIX

A mulher do Séc. XIX

  • No século XIX a mulher ocupava um papel secundário tanto em casa como socialmente. Dependia do marido (ou dos pais caso fosse solteira) e era responsável pelos filhos e pela casa. O seu dever era "...primeiro ser bela e depois ser estúpida...", o seu lugar era "...junto do berço e não da biblioteca..." e "A mulher só devia ter duas prendas: cozinhar bem e amar bem.", ideais defendidos no jantar do Conde Gouvarinho.

A mulher n' "Os Maias"

A mulher n' "Os Maias"

  • No romance "Os Maias" o papel da mulher ultrapassa aquele definido pela sociedade. Nesta obra, para além do papel de dona de casa, a mulher interpreta o motor de arranque para a tragédia. Esta tem uma imagem negativa pois leva o homem a cometer pecados como a infidelidade e o incesto (ou comete estes pecados por ele).

  • Na obra todas as mulheres são caracterizadas como seres fúteis e envoltas num ambiente de insatisfação.

  • Todos os males que caem sobre a família Maia devem-se a alguma mulher.

Mª Eduarda Runa

Carlos da Maia

Pedro da Maia

  • Débil mas bela;
  • Carácter submissivo;
  • Religiosamente fanática;
  • Escolheu a educação do filho.
  • "Menino da mamã";
  • Fraco de espírito e saúde mental devido à educação que lhe foi dada pela mãe;
  • Apaixona-se por Maria Monforte;
  • Suicída-se deixando um filho orfão.
  • Criado pelo avô "à inglesa";
  • Diletante e cosmopolita;
  • Tem um caso romântico com uma mulher casada;
  • Apaixona-se e consuma o seu amor com Mª Eduarda, vindo depois a descobrir que esta era sua irmã;
  • Fracassa na vida, pois apesar da educação que teve sucumbiu a todas as semelhanças herdadas dos pais.

Maria Monforte

Mª Eduarda

  • Dominante e interesseira;
  • Convence Pedro a ir contra o pai;
  • Deixa o marido e o filho para fugir com um italiano levando a filha consigo;
  • Deixa a Guimarães uma caixa com a verdadeira identidade da filha, revelando o incesto.
  • Mulher anjo, idealizada e admirada;
  • Vítima de um passado que nem ela conhecia;
  • Chega a Lisboa com a filha, Rosa, como acompanhante de um brasileiro;
  • Apaixona-se pelo Carlos com quem mantém uma relação amorosa até descobrir a sua verdadeira natureza;
  • Tal como o irmão é atraiçoada pela sua origem.
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