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"... no meio desta Lisboa toda postiça, Alencar permanecia o único português genuíno." (Cap. XVIII)
"... tem todas as condições para ser ministro: tem voz sonora, leu Maurício Block, está encalacrado e é um asno!" (Cap. VII)
"João da Ega, com efeito, era considerado não só em Celorico, mas também na Academia que ele espantava pela audácia e pelos ditos, como o maior ateu, o maior demagogo, que jamais aparecera nas sociedades humanas. Isto lisonjeava-o: por sistema exagerou o seu ódio à Divindade, e a toda a Ordem social: queria o massacre das classes-médias, o amor livre das ficções do matrimónio, a repartição das terras, o culto de Satanás. "(cap.IV)
"Mas o menino, molengão e tristonho, não se deslocava das saias da titi."
"Coitado, coitadinho, coitadíssimo... Mas como vês, imensamente ditoso, até tem engordado com a perfídia!" (Cap.XVIII)
"...o respeitado diretor do Banco Nacional, o marido da divina Raquel, o dono dessa hospitaleira casa da Rua do Ferregial onde se jantava tão bem."
"Se eu fizesse uma ópera, quem é que ma representava?" (Cap.VIII)
"E como o homem é muito fino, um gentleman, intusiasta da Inglaterra, grande entendedor de vinhos, uma autoridade no whist, o avô adota-o."
"Ega teve um grande gesto. Era indespensável conhecer o Craft! O Craft era simplesmente a melhor coisa que havia em Portugal..." (Cap.IV)
"Oficial superior de uma grande repartição do estado" (Cap.XII)
"...canalha!", "...vil bolinha de matéria pútrida!" e "...chouricinho de pus!"
"Estava de preto, com uma gargantilha de rendas negras, à Valois, afagando-lhe o pescoço onde duas rosas escarlates. E toda a sua pessoa tinha um arzinho de provocação e de ataque."
"Dizia se que tinha literatura, e fazia frases. O seu sorriso lasso, pálido, constante, dava lhe um ar de insignificância."
Afonso simboliza os valores morais e o liberalismo. Assim sendo, com a morte de Afonso da Maia, todos os princípios morais que ainda existiam em Portugal, acabam. A morte instala-se no país.
O percurso da família Maia, está relacionado com as modificações existentes no Ramalhete. Quando Afonso vive em Sta Olávia, após a morte de Pedro, está desabitado. Quando Afonso e Carlos se mudam para o Ramalhete, este ganha vida, sendo agora símbolo de esperança e reunião.
É no jardim da mansão que se encontram dois grandes símbolos que ao longo da obra se transformam: a cascata, quando deita água simboliza a vida, e quando está seca representa morte e a estátua da Vénus Citereia que simboliza, quando luzidia, a vida, e quando com ferrugem, a morte.
Dentro do Ramalhete também há muita carga simbólica, como os panos brancos em cima dos móveis do escritório de Afonso, fazendo lembrar as mortalhas em que se embrulham os mortos, quando este está abandonado; e as cores e adornos com que foi decorado para receber os dois restantes membros da ilustre família Maia.
Segundo Vilaça “eram sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete”(Cap. I.), confirmando esse aviso no Cap. XVII, quando já consumada a catástrofe, “Há três anos…O Sr. Afonso da Maia riu-se de agouros e lendas…pois fatais foram!”.
Epílogo do romance. Ocorre dez anos depois quando Carlos visita Lisboa, vindo de Paris.
Pode-se ver a estátua de Camões que, triste, representa o Portugal heróico, glorioso mas perdido, e desperta um sentimento de nostalgia. A estátua está envolvida numa atmosfera de estagnação, tal como o país.
Dominam aspetos ligados ao Portugal absolutista. É a zona antiga da cidade, os bairros antigos representam a época anterior ao Liberalismo, o tempo absolutista.
E domina o presente, o tempo da Regeneração, como é o caso do Chiado e dos Restauradores, símbolos de uma tentativa falhada de reconstrução do país, e a prová-lo está o ambiente de decadência e amolecimento que cerca o obelisco.
“A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das janelas verdes, pela casa do Ramalhete…”
Existem três tipos de espaços.
1ª Geração
Afonso da Maia
2ª Geração
Pedro da Maia
3ª Geração
Carlos da Maia
O romance veicula sobre o país uma perspectiva muito derrotista, muito pessimista. Tirando a natureza (o Tejo, Sintra, Santa Olávia…), é tudo uma "choldra ignóbil". Predomina uma visão de estrangeirado, de quem só valoriza as "civilizações superiores" – de França e Inglaterra, principalmente.
Os políticos são mesquinhos, ignorantes ou corruptos (Gouvarinho, Sousa Neto…); os homens das Letras são boémios e dissolutos, retrógadas ou distantes da realidade concreta (Alencar, Ega… ); os jornalistas boémios e venais (Palma Cavalão, Neves…); os homens do desporto não conseguem organizar uma corrida de cavalos, pois não há hipódromo à altura, nem cavalos, nem cavaleiros, as pessoas não vestem como o evento exigia.
Os protagonistas acabam "vencidos da vida". Pode-se ver que ainda há alguma esperança implícita, nas passagens em que Carlos da Maia e João da Ega dizem que o apetite humano é a causa de todos os seus problemas e que portanto nunca mais terão apetites, mas logo a seguir dizem que lhes está a apetecer um "prato de paio com ervilhas", ou quando dizem que a pressa não leva a nada e que a vida deve ser levada com calma mas começam a correr para apanhar o americano.
Mais do que crítica de costumes, o romance mostra-nos um país – sobretudo uma Lisboa – que se dissolve, incapaz de se regenerar.
"... por cima uma tímida fila de janelinhas."
"... os seus dois olhos redondos e agoirentos..."
"... traziam (Pedro) dias e dias mudo, murcho, amarelo..."
"Carlos (...) deu uma volta curiosa e lenta pela sala."
"Cruges respirava largamente e voluptuosamente."
"... ambos insensivelmente, irresistivelmente, fatalmente marchando um para o outro."
"Ser verdadeiramente ditoso."
"... o jato de água a ferver rebentou furiosamente, fumegando e silvando."
" Mas o menino, molengão e tristonho, não se descolava das saias da titi: teve ela de o pôr em pé, ampará-lo, para que o tenro prodígio não aluísse sobre as perninhas flácidas; e a mamã prometeu-lhe que, se dissesse os versinhos, dormia essa noite com ela... Isto decidiu-o (...) Disse-a toda - sem de mexer, com as mãozinhas pendentes, os olhos mortiços pregados na titi."
"... o grão-duque bateu na coxa uma palmada triunfal. Está claro! Pescar o peixe! E no gozo daquela facécia, tão rara e tão nova, toda a sua cólera se sumira, de novo se tornara o Príncipe amável, de magnífica polidez, desejando que as senhoras se sentassem para assistir à pesca miraculosa! Ele mesmo seria o pescador!"
Mª Eduarda Runa
Carlos da Maia
Pedro da Maia
Maria Monforte
Mª Eduarda