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Aula 1: Do Global ao Local: a globalização e o cotidiano

Aula Pós Uniasselvi Imbituba
by Eddy Eltermann on 17 December 2012

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Transcript of Aula 1: Do Global ao Local: a globalização e o cotidiano

Prof. MsC. Eddy Ervin Eltermann DO GLOBAL AO LOCAL:
A globalização e o cotidiano CONCEITOS INICIAIS:
O que é cultura? CULTURA: Conceitos A EDUCAÇÃO FORMAL É CULTURA? Definir o que é cultura não é uma tarefa simples. A cultura evoca interesses multidisciplinares, sendo estudada em áreas como sociologia, antropologia, história, comunicação, administração, economia, entre outras. Em cada uma dessas áreas, é trabalhada a partir de distintos enfoques e usos. Tal realidade concerne ao próprio caráter transversal da cultura, que perpassa diferentes campos da vida cotidiana. Além disso, a palavra “cultura” também tem sido utilizada em diferentes campos semânticos em substituição a outros termos como “mentalidade”, “espírito”, “tradição” e “ideologia” (Cuche, 2002, p.203). CULTURA: Conceitos Comumente, ouvimos falar em “cultura política”,“cultura empresarial”, “cultura agrícola”, “cultura de células”. Ao que se conclui que, ao nos referirmos ao termo, cabe ponderar que existem distintos conceitos de cultura, no plural, em voga na contemporaneidade.

Parte desta complexa distinção semântica se deve ao próprio desenvolvimento histórico do termo. A palavra cultura vem da raiz semântica colore, que originou o termo em latim cultura, de significados diversos como habitar, cultivar, proteger, honrar com veneração (Williams, 2007, p.117). Até o século XVI, o termo era geralmente utilizado para se referir a uma ação e a processos, no sentido de ter “cuidado com algo”, seja com os animais ou com o crescimento da colheita, e também para designar o estado de algo que fora cultivado, como uma parcela de terra cultivada. A partir do final do século passado ganha destaque um sentido mais figurado de cultura e, numa metáfora ao cuidado para o desenvolvimento agrícola, a palavra passa a designar também o esforço despendido para o desenvolvimento das faculdades humanas. Em consequência, as obras artísticas e as práticas que sustentam este desenvolvimento passam a representar a própria cultura. Como conceber cultura?
Como compreender as diferentes culturas sem dar-lhes caracterização de "valor"? Tanto Denys Cuche, na obra A Noção de Cultura nas Ciências Sociais (2002), quanto Raymond Williams, em Palavras Chaves: um vocabulário de cultura e sociedade (2007), apontam os séculos XVIII e XIX como o período de consolidação do uso figurado de cultura nos meios intelectuais e artísticos. Expressões como “cultura das artes”, “cultura das letras” e “cultura das ciências” demonstram que o termo era, então, utilizado seguido de um complemento, no sentido de explicitar o assunto que estava sendo cultivado. CULTURA: Conceitos A partir dos séculos XVIII e XIX, a concepção de cultura passa a ter duas claras "escolas" em sua formação como conceito: a alemã e a francesa.

Do ponto de vista francês:
“A cultura, para eles, é a soma dos saberes acumulados e transmitidos pela humanidade, considerada como totalidade, ao longo de sua história” (Cuche, 2002, p.21).

Do ponto de vista alemão:
A cultura francesa (normalmente "copiada" pelos príncipes alemães) passa a ser repulsiva e representa a nobreza, formando-a como uma relação do opressor e do oprimido. Para os alemães, a cultura visava a busca constante em recuperar a tradição (comportamentos). CULTURA: Conceitos A transformação (evolução?) do significado de cultura no debate entre estes dois países marcou a formação das duas concepções de cultura que estão na base dos estudos do tema.

O entendimento francês de cultura como característica do gênero humano deu origem ao conceito universalista. O conceito francês se dimensionava pela concepção de um mundo cosmopolita. Concebia-se no sentido de civilização.

Já a concepção alemã de que a cultura é um conjunto de características artísticas, intelectuais e morais que constituem o patrimônio de uma nação, considerado como adquirido definitivamente e fundador de sua unidade, originando assim o conceito particularista da cultura. O termo "Kultur" representava o resgate de comportamentos tradicionais em contraposição à formação cosmopolita. CULTURA: Conceitos O QUE É CULTURA?
Será que nós sabemos conceituar? O primeiro conceito etnográfico de cultura surgiu com Tylor, que a entendia como “um todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.” Como que complementando o conceito de Tylor, Jaques Turgot escreveu que o homem é possuidor de um tesouro de signos e que tem a faculdade de multiplicá-los infinitamente, de retê-los, de comunicá-los e transmiti-los aos descendentes como herança. CULTURA: Conceitos A etnologia é o "estudo ou ciência que estuda os fatos e documentos levantados pela etnografia no âmbito da antropologia cultural e social, buscando uma apreciação analítica e comparativa das culturas."

Em sua acepção original, era o estudo das sociedades primitivas, todavia, com o desenvolvimento da Antropologia, o termo primitivo foi abandonado por se acreditar que exaltaria o preconceito étnico. Assim, atualmente se diz que etnologia é o estudo das características de qualquer etnia, isto é, agrupamento humano - povo ou grupo social - que apresenta alguma estrutura socio-econômica homogênea, onde em geral os membros têm interações cara a cara, e há uma comunhão de cultura e de língua. Este estudo visa estabelecer linhas gerais e de desenvolvimento das sociedades. ETNOGRAFIA Tylor entendia a cultura como um fenômeno natural, e como tal poderia ser analisado sistematicamente, visando a formulação de leis que explicassem sua gênese e transmissão. A diversidade cultural, por exemplo, era explicada por Tylor como resultado da desigualdade dos estágios evolutivos de cada sociedade. Assim, caberia à antropologia a tarefa de estabelecer uma escala civilizatória com dois extremos: um representado pelas sociedades européias; e o outro pelas comunidades periféricas, ficando claro o princípio evolucionista unilinear. Neste sentido, a antropologia daria o maior exemplo de etnocentrismo, institucionalizado pela própria ciência. CULTURA: Conceitos Etnocentrismo é um conceito antropológico, que ocorre quando um determinado individuo ou grupo de pessoas, que têm os mesmos hábitos e caráter social, discrimina outro, julgando-se melhor, seja pela sua condição social, pelos diferentes hábitos ou manias, ou até mesmo por uma diferente forma de se vestir, por exemplo.

Essa avaliação é, por definição, preconceituosa, feita a partir de um ponto de vista específico. Basicamente, encontramos em tal posicionamento um grupo étnico considerar-se como superior a outro. Do ponto de vista intelectual, etnocentrismo é a dificuldade de pensar a diferença, de ver o mundo com os olhos dos outros. ETNOCENTRISMO A reação ao evolucionismo de Tylor veio através de Franz Boas, com a publicação do seu artigo “The Limitation of the Comparative Method of Anthropology”, no qual atribui à antropologia as tarefas de reconstruir a história dos povos e de comparar a vida social de diferentes povos, ensejando o particularismo histórico ou a chamada Escola Cultural Americana. É a partir de Boas, que a multilinearidade, e só com ela, é possível a aceitação do evolucionismo. HÁ EVOLUÇÃO NA CULTURA? Segundo David Schneider, “Cultura é um sistema de símbolos e significados. (...)”. Para Max Weber, o homem é um animal que vive preso a uma teia de significados por ele mesmo criada. Partindo desse raciocínio, Clifford Geertz sugere que essa teia e sua análise seja o que chamamos de cultura. A CULTURA NA DIALÉTICA Assim, para Max Weber, o homem é um animal... envolvido em suas teias de significados, criando estruturas determinadas e organizadas por ele mesmo. Seria, portanto, a cultura o resultado da ação destes animais? O termo cultura suscita muitas interpretações. O velho e reconhecido dicionário Aurélio assim o define:
1. Ato, efeito ou modo de cultivar.
2. Cultivo.
3. O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade: civilização.
4. O desenvolvimento de um grupo social, uma nação, etc., que é fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento desses valores; civilização, progresso.
5. Apuro, esmero, elegância.
6. Criação de certos animais, em particular os microscópicos. AFINAL, O QUE É CULTURA HOJE? 1. A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações.
2. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou.
3. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Em vez de modificar para isto o seu aparato biológico, o homem modifica o seu equipamento superorgânico.
4. Em decorrência da afirmação anterior, o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu hábitat.
5. Adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes geneticamente determinadas.
6. Como já era do conhecimento da humanidade, desde o Iluminismo, é este processo de aprendizagem (socialização
ou endoculturação, não importa o termo) que determina o seu comportamento e a sua capacidade artística ou profissional. CULTURA Enfim, o que estava em jogo era, do lado alemão, a tentativa de resgatar os valores morais, costumes e comportamentos tradicionais dos povos germânicos, na tentativa de se criar a ideia de uma cultura nacional que ajudasse na legitimação de um Estado nacional. Para isso, a ideia de civilização proposta pelos franceses em termos universais, como se fosse aplicável a todas as sociedades européias, precisava ser contestada. BATALHA NO CAMPO DAS IDEIAS Com isso, no século XIX, o termo cultura passou a ser associado ao processo geral de desenvolvimento “íntimo”, em oposição ao “externo”. Cultura passou a ser ligada às artes, religião, instituições, práticas e valores distintos e às vezes até opostos à civilização e à sociedade. No entanto, a velha ideia de cultura relacionada aos cultivos agrícolas, permaneceu. CULTURA NO SÉCULO XIX:
A origem do Marxismo Britânico Marxismo Britânico Neste contexto, um grupo de intelectuais marxistas britânicos destacou-se por ter a preocupação de tentar reformular o conceito de cultura, de forma que este novo conceito os ajudasse a entender as transformações culturais pelas quais a Europa passava naquela época e, principalmente, a Inglaterra, que enfrentava uma crise política e econômica. Assim, esses pensadores fundaram uma nova disciplina, que ficou conhecida como “estudos culturais”. Estes intelectuais também tinham uma inserção nas universidades tradicionais britânicas, onde passaram a desenvolver projetos de intervenção política na sociedade britânica. Assim, tornaram-se professores da Worker’s Educational Association, uma associação voltada para a educação de trabalhadores. Preocupados com uma educação pública que divulgasse e defendesse os valores da cultura comum desses operários, em oposição aos valores gerais defendidos pela elite, eles se propuseram a repensar o conceito de cultura. Passaram, então, a valorizar a cultura dos operários. ESTUDOS CULTURAIS Essas concepções de cultura, aliadas à noção de cultura como referente ao erudito, iriam ser preponderantes até meados do século XX. No entanto, a partir desta época, após a “civilização européia” ter passado por duas grandes guerras e, ainda, com o desenvolvimento dos meios de comunicação em massa na década de 1960, não era mais plausível pensar em cultura dessa forma, como se uma só cultura fosse comum a toda a sociedade. Como afirma Cevasco, “nesse momento, a Cultura, com letra maiúscula, é substituída por culturas no plural". CULTURAS ATUAÇÃO DOS MARXISTAS BRITÂNICOS Escrevendo uma História Social? Destes estudos, destacamos alguns, os quais, discutem o conceito de cultura: a obra Marxismo e Literatura (1979), de Raymond Williams, e as obras de Edward P. Thompson, entre elas A formação da classe operária inglesa (1987), A miséria da teoria (1981), Costumes em Comum (1998) e A peculiaridade dos ingleses e outros artigos (2001). Em nossa disciplina, exploraremos também alguns textos de Eric Hobsbawm.
Como Thompson afirma: “(...) i.e., a sociedade socialista iria revolucionar as relações humanas, substituindo o respeito à propriedade pelo respeito ao homem e a sociedade de consumo pelo bem comum”. ALGUNS NOMES... OBJETIVO: Analisar a produção Historiográfica à luz das diferentes concepções filosóficas e olhar sobre a realidade histórica.
EMENTA: Conceito de cultura estabelecendo alguns pontos importantes para a historiografia, em torno das noções que este conceito envolve. Discussão teórica sobre as tendências historiográficas: Marxismo Britânico, a História Social, a Nova História Cultural e a Microhistória. OBJETIVO E EMENTA Alguns Conceitos 7. A cultura é um processo acumulativo, resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores. Este processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo.
8. Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor, construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural, e criar um novo objeto ou uma nova técnica. Nesta classificação podem ser incluídos os indivíduos que fizeram as primeiras invenções, tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do atrito da madeira seca; ou o primeiro homem que fabricou a primeira máquina capaz de ampliar a força muscular, o arco e a flecha etc. São eles gênios da mesma grandeza de Santos Dumont e Einstein. Sem as suas primeiras invenções ou descobertas, hoje consideradas modestas, não teriam ocorrido as demais. E pior do que isto, talvez nem mesmo a espécie humana teria chegado ao que é hoje. CULTURA Assim concebemos que não há uma definição única de cultura, mas uma variedade de concepções provenientes da perspectiva de análise cultural.

A concepção de cultura toma diferentes "caminhos" quando a analisamos do ponto de antroplógico, filosófico, social, bem como a partir dos diferentes pensadores, ou seja, numa diferente formação a partir de Coche, Tyler, Boas, Weber, Thompson, Willians, Keesing, Chauí... CULTURA A Cultura, quando pensada a partir da perspectiva do homem, pode ser composta de duas concepções, como Cultura Abstrata ou como Cultura Material. CULTURA ABSTRATA E CULTURA MATERIAL CULTURA ABSTRATA Cultura abstrata ou o que se considera existente só nos domínios das ideias e sem base matéria. A cultura abstrata pode ser concebida através de elementos como a dança, a música ou os inúmeros comportamentos provenientes da experiência humana acumulada por um determinado grupo de indivíduos. CULTURA ABSTRATA A Cultura Material é concebida pelo conjunto de objetos, materiais ou quaisquer evidências físicas que compreendam a concepção cultural de um determinado grupo. CULTURA MATERIAL CULTURA MATERIAL Ora, se ao comermos uma pizza (material), lembramos da língua italiana (abstrata), se ao praticarmos capoeira (abstrata) utilizamos as roupas de capoeira (material), é possível haver cultura material sem a abstrata e vice-versa? CULTURA MATERIAL E CULTURA ABSTRATA Universalidade X Particularidade CULTURA DE CONSUMO E GLOBALIZAÇÃO SER $$$ TER (cc) photo by medhead on Flickr O próprio processo de constituição de padrões comuns é inseparável da conversão desses padrões comuns em capital monopolizado por aqueles que possuem o monopólio da luta pelo monopólio do universal. Todo esse processo – constituição de um campo, autonomização do campo em relação a outras necessidade; constituição de uma necessidade específica em relação à necessidade econômica e doméstica.”
[...] a gênese do Estado é, em suma, inseparável da constituição do monopólio do universal, e o exemplo por excelência desse processo é a cultura (BOURDIEU, 2011, p.16). PIERRE BOURDIEU Onde perdemos a cultura como referência e possibilitamos a inserção e a manipulação da mesma pela globalização?

De que forma o senso comum da universalização cultural foi concebido? Quem o propôs? Por que? A CULTURA DO CONSUMO CARRO CONHECIMENTO APARTAMENTO A CULTURA DO CONSUMO HISTÓRIA SOCIAL A História é uma ciência que, como tal, comporta vários métodos de trabalho com seus objetos e também formas de escrita. No século XVIII, a História cresceu em importância como ciência e adquiriu novas metodologias que a tornaram muito mais aprimorada. O passar do tempo só fez evoluir o trabalho do historiador, incorporando novos elementos de pesquisa, novas fontes, novas metodologias e novas formas de se escrever. A historiografia desenvolveu-se de forma riquíssima. HISTÓRIA SOCIAL Estamos, portanto, escrevendo uma história social?

Ou continuamos escrevendo uma história das elites?

Continuamos sendo "manipulados"?

Afinal, o que é a História Social? HISTÓRIA SOCIAL Contudo, foi no século XX que surgiram as maiores inovações nas metodologias da História, oferecendo novas formas de escrever os resultados das pesquisas. Uma releitura da História Geral que havia sido produzida até então permitiu a apresentação de novos personagens e novas conjunturas para a História. Os diferentes gêneros surgidos na historiografia permitiram tratar de temas já conhecidos com olhares e propostas diferenciadas, revelando novas realidades. HISTÓRIA SOCIAL A História Social é mais um gênero que ganhou muita notoriedade e espaço entre os historiadores. A tradicional História Geral costumava tomar os acontecimentos como de longa duração, partindo das classes dominantes e considerando suas rupturas apenas em grandes eventos. Novas formas de encarar a História revelaram um passado bem mais rico em detalhes. HISTÓRIA SOCIAL A História Social aborda objetos de pesquisa que são alheios ao mundo das elites, parte das classes menos favorecidas na sociedade. Este novo modo de enfocar a História revelou amplos laços sociais e concedeu o papel de protagonistas da História também para classes inferiores. HISTÓRIA SOCIAL Se pensarmos na própria prática de sala de aula, a carteira do professor como centro e as carteiras dos alunos alinhadas e viradas para frente é parte de toda uma composição social. A centralização do "detentor do conhecimento" e a busca desta instituição em "formatar" os estudantes em uma condição "útil" ao mercado é uma das composições do sistema. HISTÓRIA SOCIAL Este gênero ganhou força com a terceira geração da Escola dos Annales, especialmente através do historiador Edward Palmer Thompsom, o qual é considerado por alguns pesquisadores o maior historiador inglês do século XX. Thompsom integrou uma corrente comprometida com a “História vista de baixo”, cujo trabalho empenhava-se em abordar camponeses, operários, escravos, pessoas comuns ou menos favorecidas da sociedade para revelar maior riqueza das relações sociais. HISTÓRIA SOCIAL A História Social ganhou muito espaço na historiografia, mostrou-se competente na capacidade de enriquecer os detalhes do passado. A História Social faz uso de fontes diversificadas, considerando não apenas, por exemplo, documentos governamentais oficiais, mas todo tipo de registro humano de um grupo ou uma comunidade Atualmente, a História Social é um dos gêneros mais utilizados entre os historiadores, mas a evolução da ciência histórica mostrou que mais rico se torna o trabalho de pesquisa quando os elementos de uma corrente são mesclados com de outras. Sendo assim, a História Social colhe muitos frutos quando utilizada em paralelo com a Micro-História. Por sua vez, depende também do auxílio da História dos Conceitos para solucionar suas questões. HISTÓRIA SOCIAL E MICRO HISTÓRIA A chamada escola dos Annales é um movimento historiográfico que se constitui em torno do periódico acadêmico francês Annales d'histoire économique et sociale, tendo se destacado por incorporar métodos das Ciências Sociais à História; há que referir que o seu nascimento é também um reflexo da conjuntura: em 1929, ano da Grande Crise econômica que assolou os Estados Unidos, bem como a Europa: Alemanha e França, em maior escala: os Annales visam ser como um retrato do espectro de '29, uma época de mutações, que iria ser como que a catapulta essencial para um novo tipo de história, a econômica, a social... e propor um corte na história política, na história individual, mas, sem o arredar de cena, como a vertente mais social vinha sendo vitima. ESCOLA DE ANNALES Fundada por Lucien Febvre e Marc Bloch em 1929, propunha-se a ir além da visão positivista da história como crônica de acontecimentos (histoire événementielle), substituindo o tempo breve da história dos acontecimentos pelos processos de longa duração, com o objetivo de tornar inteligíveis a civilização e as "mentalidades".

A escola des Annales renovou e ampliou o quadro das pesquisas históricas ao abrir o campo da História para o estudo de atividades humanas até então pouco investigadas, rompendo com a compartimentação das Ciências Sociais (História, Sociologia, Psicologia, Economia, Geografia humana e assim por diante) e privilegiando os métodos pluridisciplinares. ESCOLA DE ANNALES ESCOLA DE ANNALES A História Social se divide em 3 grandes movimentos:

1. Em 1929, Marc Bloch e Lucien Febvre, naquele momento docentes da Universidade de Estrasburgo propõem a associação da geografia e da história à abordagens voltadas as ciências sociais. Outro representante, Georges Buby escreve sobre a história: "rejeitada na fronteira do sensacionalismo, era relutante à simples enumeração dos eventos, esforçando-se, ao contrário, por expôr e resolver problemas e, negligenciando as trepidações da superfície, procurava situar no longo e médio prazos a evolução da economia, da sociedade e da civilização. Febvre orienta Braudel que segue em sua composição histórica, ampliando a dimensão da difusão da história social.

2. Emmanuel Le Roy Ladurie e Jacques Le Goff ampliam a proposta como a segunda geração da História Social, ampliando-a a composições de história cultural e história econômica.

3. A 3° geração dos Annales é conduzida por Jacques Le Goff. Ficou mais conhecida como a "Nova História", segundo a qual, toda atividade humana é considerada história. Além de Le Goff, nesse período se destaca Pierre Nora. Desta Thompsom também ampliou na direção de marcos da História Social. Assim, entende-se que tanto no Marxismo quanto na História Social, o que haveria de relevante a ser estudado não era certamente a história dos grandes homens, ou mesmo a história política dos grandes estados e das instituições, mas sim a historia dos ‘modos de produção’ – isto é, das bases econômicas e sociais que determinariam toda a vida social – e também a história das ‘lutas de classes’, isto é, das relações entre os diversos grupos sociais presentes em uma sociedade particularmente nas suas situações de conflito. HISTÓRIA SOCIAL Assim, se de um lado vinham os ataques desfechados pelo grupo dos Annales contra aquilo que consideravam uma “velha história política”, de outro lado começavam a surgir as primeiras grandes obras da historiografia marxista, que cumpriam fielmente um programa de filosofia da história voltado para o econômico e para o social tal como havia sido proposto pelos fundadores do materialismo histórico a partir de meados do século XIX. HISTÓRIA SOCIAL ZEITGEIST MICROHISTORIA A microhistória é um gênero historiográfico surgido com a publicação, na Itália, da coleção "Microstorie", sob a direção de Carlo Ginzburg e Giovanni Levi, pela editora Einaudi, entre 1981 e 1988. Vem sendo praticada principalmente por historiadores italianos, franceses, ingleses e estadunidenses, com ênfase no papel desempenhado pelos primeiros, na importância da revista "Quaderni Storici" e no sucesso da referida coleção "Microstorie". MICROHISTORIA Surgida a partir dos debates relacionados com os rumos que a chamada Escola dos Annales deveria tomar, esta nova corrente historiográfica foi mal compreendida, ora tomada como história cultural, ora confundida com a história das mentalidades e com a história do cotidiano. Segundo o historiador brasileiro Ronaldo Vainfas, também foi percebida como a expressão típica de uma história descritiva, de viés marcadamente antropológico, que renunciou ao estatuto científico da disciplina e invadiu o território da literatura, rompendo de vez as fronteiras da narrativa histórica com o ficcional. MICROHISTORIA Numa escala de observação reduzida, a análise desenvolve-se a partir de uma exploração exaustiva das fontes, envolvedo a descrição etnográfica e tendo preocupação com uma narrativa histórica que se diferencia da narrativa literária porque se relaciona com as fontes. Contempla temáticas ligadas ao cotidiano de comunidades específicas — geográfica ou sociologicamente —, às situações-limite e às biografias ligadas à reconstituição de microcontextos ou dedicadas a personagens extremos, geralmente figuras anônimas, que passariam despercebidas na multidão. NOVA HISTÓRIA CULTURAL História cultural (do termo alemão Kulturgeschichte ou Kulturhistorik), ao menos em sua definição comum a partir da década de 1970, frequentemente combina as abordagens da antropologia e da história para olhar para as tradições da cultura popular e interpretações culturais da experiência histórica e humana. A história cultural ocupa-se com a pesquisa e representação de determinada cultura em dado período e lugar. Ela não se dedica diretamente à história política ou à história oficial de países ou regiões. Na história cultural a cronologia não é tão relevante quanto na historiografia política. NOVA HISTORIA CULTURAL O conceito de uma "História da Cultura" nos remete ao fim do século XVIII e baseia-se na crença do Iluminismo de que deve-se observar e estudar a contínua e permanente evolução (ou desenvolvimento) da humanidade, inclusive elementos e comportamentos decorrentes do acaso ou ainda inconscientes. Fazem parte também da vasta gama de fontes de estudo da história cultural, portanto, muitos referenciais cotidianos. O historiador Peter Burke, em seu livro "O que é História Cultural?", divide a histórica cultural em quatro fases:
1ª - A clássica, entre 1800 e 1950
2ª - História Social da Arte, que começou na década de 1930
3ª - História da Cultura Popular, surgida na década de 1960
4ª - Nova História Cultural, a partir da década de 1980 NOVA HISTORIA CULTURAL No final dos anos 1980, o historiador britânico Peter Burke realizou uma conferência no Brasil, onde procurava determinar os mais recentes paradigmas da historiografia, especialmente os advindos da França e relacionados aos Annales. Sob o epíteto de “a nova história”, caracterizou esta tendência como algo situado entre a história total e a estrutural. Esse movimento seria basicamente ocasionado por uma crise geral dos paradigmas, especialmente concentrados em algumas críticas: a política pensada além das instituições e a história pensada além da política; uma preocupação maior com as estruturas do que com a narrativa dos acontecimentos; deslocamento do interesse pela vida e obra dos grandes homens e grandes datas para as pessoas e acontecimentos comuns; a necessidade de se ir além dos documentos escritos e registros oficiais; a história não seria objetiva, mas sujeita a referenciais sociais e culturais de um período.
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