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Sophia de Mello Breyner Andresen

Seminário para a disciplina de Literatura Portuguesa III - Lilian Jacoto. FFLCH, USP, 2013
by

Milena Varallo

on 25 June 2013

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Transcript of Sophia de Mello Breyner Andresen

Contextualização
Intertextualidades
O Mar
Literatura Infantil
Sophia de Mello
Breyner Andresen

Porto, 06 novembro 1919 - Lisboa, 02 de julho de 2004
Trecho da poesia EM CRETA

Em Creta onde o Minotauro reina atravessei a vaga
De olhos abertos inteiramente acordada
Sem drogas e sem filtro
Só vinho bebido em frente da solenidade das coisas
Porque pertenço à raça daqueles que percorrem o labirinto
Sem jamais perderem o fio de linho da palavra
PENÉLOPE

Desfaço durante a noite o meu caminho.
Tudo quanto teci não é verdade,
Mas tempo, para ocupar o tempo morto,
E cada dia me afasto e cada noite me aproximo.
PRAIA LISA

A praia lisa de Eurydice morta
As ondas arqueadas como cisnes
As espumas do mar escorrem sobre um vidro
Num gesto solitário passam as gaivotas.

Endymion ressurge dos destroços 
Os pinheiros gemem na duna deserta
O lírio das areias desabrocha
O vento dobra os ramos da floresta.
Trechos: ARTE POÉTICA IV

Fernando Pessoas dizia <aconteceu-me um poema>. A minha maneira de escrever fundamental é muito próxima deste <acontecer>. O poema aparece feito, emerge, dado (ou como se fosse dado).

O meu esforço é para conseguir ouvir o <poema todo> e não apenas um fragmento. Para ouvir o < poema todo> são precisas duas coisas: que atenção não se quebre ou se atenue e que eu não intervenha. É preciso que eu deixe o poema dizer-se. Sei que quando o poema se quebra, como um fio no ar, o meu trabalho, a minha aplicação, não conseguem continuá-lo.
Como, onde e por quem é feito esse poema que acontece, que aparece como já feito? A esse < como, onde e quem > os antigos chamavam Musa.

Navegamos para Oriente –
A longa costa
Era de um verde espesso e sonolento

Um verde imóvel sob o nenhum vento
Até a branca praia cor de rosas
Tocada pelas águas transparentes

Então surgiram as ilhas luminosas
De um azul tão puro e tão violento
Que excedia o fulgor do firmamento
Navegado por garças milagrosas

E extinguiram-se em nós memória e tempo
O FACISMO EM PORTUGAL

• Depois da guerra mundial em que Portugal combateu do lado dos aliados, as classes dominantes intervieram para acabar com a República Constitucional, em cujos alicerces havia contradições.

• Com o final da Guerra, agravaram-se as questões econômicas, financeiras e sociais.

• Isso alarmou a consciência pequeno-burguesa, base do regime republicano.

• Daí que veio a ditadura que se instaurou a partir do golpe militar de 1926. Por meio dela, o poder central e local ficou inteiramente em mãos militares.

• Em 1933, com a posse de Salazar, uma nova constituição com o nome de Estado Novo mudaria a designação militar da ditadura pela civil. Os partidos políticos foram proibidos e instaurou-se uma severa censura à imprensa.

• A maior parte dos intelectuais permaneceram à margem do regime.

• A guerra fez emergir as realidades fundamentais até então ocultas: a pobreza crônica, a servidão, os poderes corruptos.

• As massas rebelavam-se, tomavam a iniciativa, ou eram instigadas nesse sentido;

• Frente a essa arte decadente, os neo-realistas mudaram radicalmente o rumo.
ESPERA

Dei-te a solidão do dia inteiro.
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro
MAR SONORO

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
É tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
ATLÂNTICO

Mar, metade da minha alma é feita de maresia.


Falar de um poeta é como querer apanhar água com as mãos. Prendemos só as nossas próprias palavras, enquanto o poeta nos foge.

Sophia sobre a poesia de Cecília Meireles
O neo-realismo foi a fórmula literária e ideológica em que assentou o projecto inter-pessoal de uma geração que considerou, como primeiro dever, intervir mediante o procedimento que nesse momento lhe era possível, acelerar o pro-cesso histórico de redenção da classe oprimida.

Outras coisas que contribuíram para a articulação deste movimento literário foram: a Guerra Civil Espanhola, o franquismo e o salazarismo peninsulares; as tensões ideológicas, em que o marxismo é introduzido, pela primeira vez, como base doutrinal.[…]

A sua aspiração política, implícita e explícita, era de intervenção contra o fascismo reinante.
J.L. Gavilanes Laso, Vergílio Ferreira, Espaço Simbólico e Metafísico Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1989
Sophia vê o seu país como um país ocupado, que não poderá seguir a sua própria lei – condição para manter vivo. É ocupado pela violência social e política que tudo proíbe, tudo impede, só encontrando silêncio, solidão, monstruosidade e fome. […]
A problemática do tempo, na poesia de Sophia, associa-se predominantemente à cidade, à experiência de duas guerras mundiais e da guerra colonial dos anos 60.

Helena Santos, Sophia de Mello Breyner – Uma Leitura de Grades
QUEM A TEM...

Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo

e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena (1956)
CARTA(S) A JORGE DE SENA

I
Não és navegador mas emigrante
Legítimo português de novecentos
Levaste contigo os teus e levaste
Sonhos fúrias trabalhos e saudade;
Moraste dia por dia a tua ausência
No mais profundo fundo das profundas
Cavernas altas onde o estar se esconde

II
E agora chega a notícia que morreste
E algo se desloca em nossa vida

III
Há muito estavas longe
Mas vinham cartas poemas notícias
E pensávamos que sempre voltarias
Enquanto amigos teus aqui te esperassem –

E assim às vezes chegavas da terra estrangeira
Não como filho pródigo mas como irmão prudente
E ríamos e falávamos em redor da mesa
E tiniam talheres loiças vidros
Como se tudo na chegada se alegrasse
Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades
Grandioso vencedor e tão amargo vencido –
E havia uma veemente emoção em tua grave amizade
E em redor da mesa celebrávamos a festa
Do instante que brilhava entre frutos e rostos

IV
E agora chega a notícia que morreste
A morte vem como nenhuma carta

Sophia de Mello Breyner Andresen (1989)
MUSA

Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos

Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
Há nomes predestinados. Ou talvez nomes que foram para os seus ocasionais suportes uma luz íntima que os guiou com infalível presciência para o lugar e a posse do que no nome mágico já se anunciava. Sophia - Sabedoria mais funda do que o simples "saber", conhecimento íntimo, ao mesmo tempo atônico e luminoso do essencial, comunhão silenciosa e sem cessar reverberante com tudo aquilo que, por original, a reflexão e seus intérmitos labirintos deixarão intacto.

Eduardo Lourenço
Referências bibliográficas
Mitologia
Fernando
Pessoa
Quando eu morrer, voltarei para buscar os instantes que
não vivi junto ao mar


Sophia de Mello Breyner Andresen
Referências bibliográficas

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. A Menina do Mar. Porto: Figueirinhas.
CHEVALIER, J. Dicionário de símbolos. Paris: Laffont S.A, 1994.
CUNHA, Antonio Manuel dos Santos. Sophia de Mello Breyner Andresen: Mitos gregos e encontro com o real
Literatura de resistência. Lusofonia. Disponível em: http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa/literatura_engajada_PTsecXX.htm,
acesso em 09 de Junho de 2013.
MARTINS, Marta. Ler Sophia: Os valores, os modelos e as estratégias discursivas nos contos de Sophia de Mello Breyner Andresen. Coleção Mundo dos Saberes 14. Porto: Porto Editora, 1995.
MATOS, Maria Luísa Sarmento de. Os itinerários do maravilhoso: Uma leitura dos contos para crianças de Sophia de Mello Breyner Andresen. Coleção Mundo dos Saberes 6. Porto: Porto Editora, 1993.








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