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Analisando o discurso

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by

Eduardo Freire

on 9 November 2016

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Transcript of Analisando o discurso

Analisando o discurso
Às vezes, esses sentidos são produzidos de forma explícita, mas na maioria das vezes não.

Nem sempre digo tudo que penso, deixo nas entrelinhas significados que não quero tornar claros ou porque a situação não permite que eu o faça ou porque não quero me responsabilizar por eles, deixando por conta do interlocutor o trabalho de construir, buscar os sentidos implícitos, subentendidos.

Isso é muito comum, por exemplo, nos discursos políticos, no discurso jornalístico, e mesmo nas nossas conversas cotidianas.
Ao produzirem linguagem, os falantes produzem discursos.
Mas o que é discurso?

Podemos definir discurso como toda atividade comunicativa entre interlocutores; atividade produtora de sentidos que se dá na interação entre falantes.

O falante/ouvinte, escritor/leitor são seres situados num tempo histórico, num espaço geográfico; pertencem a uma comunidade, a um grupo e por isso carregam crenças, valores culturais, sociais, enfim a ideologia do grupo, da comunidade de que fazem parte.

É por isso que dizemos que não há discurso neutro, todo discurso produz sentidos que expressam as posições sociais, culturais, ideológicas dos sujeitos da linguagem.
A Análise do discurso
Existem várias correntes de estudos da língua sob a perspectiva discursiva. A que se apresenta aqui é a da linha francesa.

Ela surgiu na década de 60-70 na França, país que tinha forte tradição escolar no estudo do texto literário, influenciando depois estudiosos brasileiros.

A análise do discurso francesa procurou entender esse momento político analisando os discursos que foram então produzidos; ela se debruça inicialmente sobre os discursos políticos com posição então bem marcada (discurso de esquerda X de direita).


O discurso: características fundamentais
O discurso deve ser compreendido como algo que ultrapassa o nível puramente gramatical, linguístico. O nível discursivo apóia-se sobre a gramática da língua (o fonema, a palavra, a frase), mas nele é importante levar em conta também (e sobretudo) os interlocutores (com suas crenças, valores) e a situação (lugar e tempo geográfico, histórico) em que o discurso é produzido.
O que é discurso?
Discurso é o mesmo que linguagem? gramática e discurso são a mesma coisa? O que é que caracteriza o discurso? Como os homens se comunicam nas diferentes situações em que vivem, atuam, trabalham? Como os grupos sociais interagem e produzem discursos? Discurso e texto são a mesma coisa?
Baseado em texto de Helena Hathsue Nagamine Brandão
O que é linguagem.

A linguagem é uma atividade exercida entre falantes: entre aquele que fala e aquele que ouve, entre aquele que escreve e aquele que lê.

Dominar a linguagem é uma atividade trabalhosa, pois exige esforço, o desenvolvimento de um conhecimento lingüístico e de conhecimentos extra lingüísticos.

Quem fala, o que fala?
O discurso é contextualizado, isto é, do ponto de vista discursivo, toda frase (ou melhor, enunciado) só tem sentido no contexto em que é produzido. Assim, um mesmo enunciado, produzido em momentos diferentes (quer seja pelo mesmo sujeito ou por sujeitos diferentes) vai ter sentidos diferentes e, portanto, pode corresponder a discursos diferentes.

O discurso é produzido por um sujeito

E esse sujeito que fala assume uma atitude, um determinado comportamento e em relação àquele com quem fala .
O discurso trabalha com enunciados concretos, falas/escritas realmente produzidas e os estudos que se fazem deles visam descrever suas normas, isto é, como funciona a língua no seu uso efetivo.

Um princípio geral rege o discurso: o princípio do dialogismo. A palavra dialogismo vem de diálogo – “conversa”, “interação verbal” que supõe pelo menos dois falantes. Quando falamos nos dirigimos sempre a um interlocutor; mesmo num monólogo (quando falamos com nós mesmos), num diário, criamos uma personagem (um outro eu) com quem imaginariamente dialogamos.
Mas o discurso é também dialógico porque quando falamos ou escrevemos, dialogamos com outros discursos, trazendo a fala do outro para o nosso discurso. Isso se faz de forma explícita usando, por ex., o discurso direto, indireto, indireto livre ou colocando palavras, enunciados (do outro) entre aspas ou itálico. Mas podemos fazer isso também de forma implícita, sem dizer quem falou. Isso acontece, por ex., quando usamos um provérbio, um ditado popular, nas paródias, nas imitações, nas ironias etc.

Por causa desse caráter dialógico da linguagem, dizemos que o discurso tem um efeito polifônico*. Isto é, porque meu discurso dialoga com outros discursos, outras vozes nele estão presentes, vozes com as quais concordo (e vêm reforçar o que eu digo) ou vozes das quais discordo total ou parcialmente.

Outra palavra usada para expressar esse caráter polifônico da linguagem é heterogêneo. O discurso é heterogêneo (polifônico) porque é sempre atravessado, habitado por várias outras vozes.
O discurso é interativo, pois é uma atividade que se desenvolve, no mínimo, entre dois parceiros: os parceiros monitoram a sua fala de acordo com a reação do outro.

O locutor está também preocupado com seu leitor, a ele dirigindo-se explicitamente ou procurando uma linguagem adequada a ele ou utilizando-se de estratégias de discurso para se defender, antecipar a contra-argumentação do leitor.

O discurso é uma forma de atuar, de agir sobre o outro. Quando prometemos, ordenamos, perguntamos etc, praticamos uma ação pela linguagem (um ato de fala) que tem por objetivo modificar uma situação.
Todo discurso se constrói numa rede de outros discursos; em outras palavras, numa rede interdiscursiva. Nenhum discurso é único, singular, mas está em constante interação com os discursos que já foram produzidos e estão sendo produzidos. Nessa relação interdiscursiva (com outros discursos), quer citando, quer comentando, parodiando esses discursos, disputa-se a verdade pela palavra numa relação de aliança, de polêmica ou de oposição. É nesse sentido que se diz que o discurso é uma arena de lutas em que locutores, vozes, falando de posições ideológicas, sociais, culturais diferentes procuram interagir e atuar uns sobre os outros.
Para analisar esses discursos, a AD, definida inicialmente como “o estudo lingüístico das condições de produção de um enunciado” não se limita a um estudo puramente lingüístico.

Para a AD, a linguagem deve ser estudada não só em relação ao seu aspecto gramatical, exigindo de seus usuários um saber lingüístico, mas também em relação aos aspectos ideológicos, sociais que se manifestam através de um saber sócio-ideológico. Para a AD, o estudo da língua está sempre aliado ao aspecto social e histórico.
Um conceito fundamental para a AD é, dessa forma, o de condições de produção que pode ser definido como o conjunto dos elementos que cerca a produção de um discurso: o contexto histórico-social, os interlocutores, o lugar de onde falam, a imagem que fazem de si, do outro e do assunto de que estão tratando. Todos esses aspectos devem ser levados em conta quando procuramos entender o sentido de um discurso.

O discurso é um dos lugares em que a ideologia se manifesta, isto é, toma forma material, se torna concreta por meio da língua. Daí a importância de outro elemento fundamental com que a Análise do Discurso trabalha, o de formação ideológica.

O discurso é o espaço em que saber e poder se unem, se articulam,
pois quem fala, fala de algum lugar, a partir de um direito que lhe é reconhecido socialmente.
O discurso é como um jogo estratégico que provoca ação e reação, é como uma arena de lutas (verbais, que se dão pela palavra) em que ocorre um jogo de dominação ou aliança, de submissão ou resistência, o discurso é o lugar em que se travam as polêmicas.

Podemos definir formação ideológica como o conjunto de atitudes e representações ou imagens que os falantes têm sobre si mesmos e sobre o interlocutor e o assunto em pauta.

Essas atitudes, representações, imagens estão relacionadas com a posição social de onde falam ou escrevem, têm a ver com as relações de poder que se estabelecem entre eles e que são expressas quando interagem entre si. É nesse sentido que podemos falar em uma formação ideológica colonialista, uma formação ideológica capitalista, neoliberal, socialista, religiosa etc.
Uma formação ideológica pode compreender várias formações discursivas em relações de polêmica ou de aliança.

Temos, por ex., a ideologia colonizadora (no Brasil do século XIX) compreendendo várias formações discursivas como a escravagista, a pró-abolição da escravatura, a pró-imigração etc.

Cada formação discursiva reúne um conjunto de enunciados ou textos marcados por algumas características comuns (lingüísticas, temáticas, de posição ideológica). A formação discursiva se define pela sua relação com a formação ideológica, isto é, os textos que fazem parte de uma formação discursiva remetem a uma mesma formação ideológica.
A formação discursiva determina “o que pode e deve ser dito” pelo falante a partir do lugar, da posição social, histórica e ideológica que ele ocupa.

Por ex., os militantes de um mesmo partido político devem ter um ideário comum e linguagem comum; quando alguém passa a falar algo que não está de acordo com esse ideário, ele é considerado um dissidente, podendo ser convidado a sair ou mesmo sendo expulso do partido.

Mas por causa do princípio do dialogismo, toda formação discursiva traz dentro de si, outras formações discursivas com que dialoga, contestando, replicando ou aliando-se a elas para dar força a sua fala.
Por outro lado, um mesmo enunciado pode aparecer em formações discursivas diferentes, acarretando com isso sentidos diferentes conforme a posição sócio-ideológica de quem fala.
Qual o lugar do sujeito que fala (o locutor) no discurso?
a) o sujeito do discurso é essencialmente marcado pela historicidade. Isto é, não é o sujeito abstrato da gramática, mas um sujeito situado na história da sua comunidade, num tempo e num espaço concreto;

b) o sujeito do discurso é um sujeito ideológico, isto é, sua fala reflete os valores, as crenças de um momento histórico e de um grupo social;

c) o sujeito do discurso não é único, mas divide o espaço do seu discurso com o outro na medida em que orienta, planeja, ajusta sua fala tendo em vista seu interlocutor e também porque dialoga com a fala de outros sujeitos (nível interdiscursivo);
d) porque na sua fala outras vozes também falam, o sujeito do discurso se forma, se constitui nessa relação com o outro, com a alteridade.
Isto é, da mesma forma que tomo consciência de mim mesmo na relação que tenho com os outros, o sujeito do discurso se constitui, se reconhece como tendo uma determinada identidade na relação com outros discursos produzidos, com eles dialogando, comparando pontos de vista, divergindo etc.
Discurso e texto
O discurso se manifesta lingüisticamente por meio de textos. Isto é, o discurso se materializa sob a forma de textos. Dessa forma, é analisando o(s) texto(s) que se pode entender como funciona um discurso.

Apesar de diferentes do ponto de vista da definição, discurso e texto estão profundamente interligados. O texto pode ser oral ou escrito. É construído no processo das relações interacionais, isto é, quando um falante interage com outro ou com outros por meio da língua.
Como o texto é uma forma de concretização do discurso, para produzir ou compreender um texto, tenho que levar em conta as suas "condições de produção", que envolvem não só a situação imediata (quem fala, a quem o texto é dirigido, quando e onde se produz ou foi produzido), mas também uma situação mais ampla em que essa produção se dá: que valores, crenças os interlocutores carregam, que aspectos sociais, históricos, políticos, que relações de poder determinam essa produção.

Para produzir/compreender um texto tenho que ter não só conhecimentos lingüísticos (conhecer o vocabulário, a gramática da língua, isto é, suas regras morfológicas e sintáticas) mas também tenho que ter conhecimentos extralingüísticos (conhecimento de mundo, enciclopédico, históricos, culturais, ideológicos de que trata o texto) que me permitirão dizer a que formação discursiva pertence e a que formação ideológica está ligado.
Os gêneros do discurso
É discurso tudo o que o homem fala ou escreve, isto é, produz em termos de linguagem.

Dessa forma, há um número enorme e bastante variável de discursos produzidos ou que estão sendo produzidos na sociedade.

É dessa forma que falamos em discurso científico, religioso, político, jornalístico, do cotidiano etc.

Como é pelo texto que temos acesso aos discursos, para estudar o discurso religioso, por ex., devemos ler textos como: sermão, orações, cantos religiosos, livros da Bíblia, o Alcorão, escritos de autores que tratam do tema etc.
Os discursos são produzidos de acordo com as diferentes esferas de atividade do homem.

Por ex., em relação ao discurso escolar: a escola é um lugar em que aparecem diferentes esferas de atuação; cada uma dessas esferas de atividade gera uma série de discursos também diferentes.

Assim, temos uma esfera de atividade que é a aula, outra que é a reunião da APM, ou a reunião dos professores, o encontro dos alunos no recreio, etc.

Cada uma dessas situações que constitui uma esfera de atividade vai exigir do falante um uso diferente de linguagem, isto é, um gênero de discurso* diferente: a aula, a reunião, a conversa.
Os gêneros do discurso são, portanto, diferentes formas de uso da linguagem conforme as esferas de atividade em que o falante/escritor está engajado.

Assim, quando falamos ou escrevemos, lemos ou ouvimos, nós o fazemos dentro de gêneros de discurso adequados à situação de comunicação. Em cada esfera de atividade social, os falantes utilizam a língua de acordo com gêneros de discurso específicos que são construídos, codificados coletivamente.

Os gêneros do discurso constituem a economia da linguagem, pois, se eles não existissem e se, a cada vez que, em nossas atividades, tivéssemos que interagir criando novos gêneros, a troca verbal seria impossível (Bakhtin,1992).
Os gêneros apresentam características que são típicas, estáveis quanto a três aspectos:
aos conteúdos (tema),
às estruturas composicionais específicas
e aos recursos lingüísticos (estilo) de que utilizam.

Por ex., uma tragédia e uma comédia se diferenciam quanto ao tema, a maneira de tratar o assunto (de forma dramática ou de forma cômica) e os recursos lingüísticos usados.


a) gêneros de discursos primários (ou livres): são aqueles da vida cotidiana que mantêm uma relação imediata com as situações nas quais são produzidos; não precisamos ir à escola para aprender como eles funcionam, pois são adquiridos nas nossas relações e experiências do dia a dia;

b) gêneros de discursos segundos (seguem modelos construídos socialmente): são os que aparecem em situações de “uma troca cultural (principalmente escrita) mais complexa e relativamente mais evoluída” como as que se dão nas manifestações artísticas, científicas, políticas, jurídicas etc.
Esses discursos segundos (textos literários, peças teatrais, discurso científico, político etc.) podem explorar, recuperar ou incorporar os discursos primários, que perdem desde então sua relação direta com o real, passando a ser uma representação de uma situação concreta de comunicação (por ex., numa crônica, numa peça de teatro em que personagens falam não temos uma situação real, mas uma representação dessa situação).
Um gênero, no entanto, não é uma forma fixa, cristalizada de uma vez por todas, constituindo uma camisa de força para o falante. Não se pode perder de vista o seu aspecto histórico e cultural, pois como as esferas de atividades do homem vão se ampliando à medida que a vida vai evoluindo e se tornando mais complexa, os gêneros também vão se transformando.

Os gêneros novos, entretanto, ao surgirem ancoram-se em outros já existentes, eles não nascem do nada, como criações totalmente inovadoras; mas, como toda atividade de linguagem, sua gênese revela uma história, um enraizamento em outro(s) gênero(s).

Dessa forma, no gênero sempre existe um duplo movimento: repetição e mudança, isto é, uma tensão entre aspectos que permanecem e, portanto, nos possibilitam a reconhecer o gênero e aspectos que forçam a incorporar elementos novos, variáveis que provocam a mudança.
Ao colocarmos um gênero discursivo sob a forma de texto, por ex., uma crônica, podemos escolher diferentes maneiras de textualização fazendo uma crônica descritiva ou narrativa ou argumentativa ou misturando essas formas.

Dependendo da finalidade, do objetivo do seu discurso e do gênero, o falante vai produzir textos em que aparecem trechos descritivos ou narrativos ou argumentativos ou explicativos, usando-os de forma predominante ou misturando essas formas de maneira a obter um determinado efeito.

A essas formas de organizar o discurso (narração, descrição, argumentação, explicação) é que chamamos de tipos textuais.
Podemos caracterizar os tipos textuais e sua relação com os gêneros do discurso da seguinte maneira:

usamos a narração, se o que pretendemos é contar, apresentar acontecimentos;

usamos a descrição, se o que queremos é caracterizar o objeto, fazê-lo conhecido;

usamos a explicação ou exposição se o que queremos é fazer compreender fatos, processos, transmitir saberes;
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